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No inicio do primeiro ciclo de produção de setembro de 2005 até o segundo decêndio de abril de 2006, a precipitação pluvial somou apenas 376 mm, média de 1,6 mm dia-1 (Figura 9). Nesse mesmo período a ETc total foi de 941 mm média diária de 4,0 mm dia-1, essa diferença de -564 mm afetou negativamente o estabelecimento inicial da cultura. A precipitação pluvial se concentrou a partir do terceiro decêndio de abril até o último decêndio de julho quando somou 1.177 mm. Nos últimos meses do cultivo (do primeiro decêndio de agosto ao segundo decêndio de novembro de 2006) choveu apenas 251 mm, valor abaixo da ETc que foi de 431 mm. A precipitação pluvial total do primeiro ciclo que durou 420 dias foi de 1.806 mm e a ETc somou 1.774 mm (Figura 5). No ano de 2006 choveu 1.751 mm, uma diferença de 49 mm abaixo da normal climática da região que é de 1.800 mm. Desse total, 1.351 mm, correspondente a 77%, precipitou entre os meses de abril e agosto, corroborando com o descrito por SOUZA et al. (2004).

No segundo ciclo de cultivo, a evapotranspiração da cultura foi superior a pluviosidade entre os meses de novembro de 2006 a fevereiro de 2007 com médias de 3,1 mm dia-1 e 1,4 mm dia-1, respectivamente (Figura 10). Nesse ciclo, o período mais chuvoso foi de março até a agosto de 2007, quando choveu 1.207 mm (6,7 mm dia-1), maior que a ETc total desse período que somou 587 mm (3,2 mm dia-1). De setembro até a

colheita em novembro as médias da ETc voltaram a ser maiores que a da precipitação pluvial com 4,9 mm dia-1 e 1,4 mm dia-1, na mesma ordem. A precipitação pluvial no ciclo de produção da cana-soca (de novembro de 2006 a novembro de 2007) foi 1.508 mm ficando acima da ETc acumulada que foi de 1.413 mm.

No terceiro ciclo choveu 1.913 mm (Figura 5), porém, no período entre o segundo decêndio de março e o primeiro decêndio de setembro de 2008 choveu 1.722 mm, 90% do total acumulado no terceiro ciclo, resultando em grandes diferenças entre a precipitação pluvial e a ETc total do terceiro ciclo que foi 1.689 mm. Os períodos em que a ETc foi superior a chuva foram nos meses iniciais do cultivo do primeiro decêndio de novembro até o primeiro decêndio de março onde a ETc somou 608 mm média de 4,6 mm dia-1 e um acumulado de chuvas de 173 mm (1,3 mm dia-1), e no final do cultivo (do segundo decêndio de setembro até o terceiro decêndio de novembro) com Etc média de 5,7 mm dia-1 e precipitação pluvial de 8 mm. A média diária da ETc para a cana- ressoca foi de 4,3 mm dia-1.

LYRA et al. (2007) observaram em dois cultivos de cana-de-açúcar (de 15 meses cada) na usina Cachoeira, localizada em Maceió-AL, uma evapotranspiração da cultura acumulada no primeiro cultivo de 2.050 mm e no segundo, 1.950 mm, o que representou médias diárias de 4,5 mm dia-1 e 4,3 mm dia-1, respectivamente.

Os períodos que apresentaram a ETc superior a precipitação pluvial coincidiram com as fases de desenvolvimento inicial da cultura e de maturação. A precipitação pluvial nos três ciclos de cultivo ficou acima da evapotranspiração da cultura (ETc), mas grande parte dessa chuva se concentrou em um pequeno período do ciclo de cultivo, fazendo com que a cultura, em determinadas fases de desenvolvimento, passasse por estresse hídrico (Figuras 9, 10 e 11).

Os períodos críticos em relação à água em cana-planta ocorreram no estabelecimento da cultura (emergência e perfilhamento), essa condição de limitação hídrica influencia a produtividade agrícola, sendo que um dos maiores efeitos é a redução do perfilhamento das plantas (MACHADO, 1987). Das fases fenológicas da cana-de- açúcar, o estágio que se apresenta como o mais crítico ao déficit hídrico é o perfilhamento (estabelecimento da cultura). Contudo, as relações hídricas também desempenham papel importante no alongamento dos perfilhos e no crescimento final dos colmos da cana-de- açúcar (CHANG et al., 1968; GASCHO et al., 1983).

Figura 9. Precipitação pluvial e evapotranspiração da cultura (ETc) da cana-de-açúcar, decendiais, na região de Rio Largo – AL, no período de setembro de 2005 a novembro de 2006.

Figura 10. Precipitação pluvial e evapotranspiração da cultura (ETc) da cana-de-açúcar, decendiais, na região de Rio Largo – AL, no período de novembro de 2006 a novembro de 2007.

Figura 11. Precipitação pluvial e evapotranspiração da cultura (ETc) da cana-de-açúcar, decendiais, na região de Rio Largo – AL, no período de novembro de 2007 a outubro de 2008.

6.1.4 Balanço hídrico da cultura

O excesso ou déficit hídrico durante o ciclo da cultura pode ocasionar frustração de safras agrícolas e quebra na produtividade. O balanço hídrico da cultura no decorrer do ciclo de cultivo da cana-planta apresentou déficit hídrico de 869 mm, sendo 528 mm do terceiro decêndio de setembro de 2005 ao primeiro decêndio de abril de 2006, e 341 mm no final do ciclo de cultivo, entre o 2° decêndio de agosto e o 2° decêndio de novembro de 2006. Do 3° decêndio de abril ao 1° decêndio de agosto de 2006 ocorreu um excesso hídrico de 837 mm (Figura 12). Portanto, a água excedente na estação da chuva foi equivalente à quantidade que falta na estação seca, evidenciando a má distribuição das chuvas na região dos Tabuleiros Costeiros de Alagoas. Na zona canavieira alagoana, a precipitação pluvial média é de 1.937 mm, sendo que desse total, 1.397,9 mm (72,1%) ocorrem de abril a agosto e 539,6 mm (27,8%) precipitam entre setembro e março (SINDAÇÚCAR, 2009). Isso caracteriza a má distribuição das chuvas nessa região e alta probabilidade de ocorrência de períodos com grandes deficiências hídricas. A necessidade hídrica da cultura da cana-de-açúcar nos Tabuleiros Costeiros de Alagoas está em torno de 4,9 mm dia-1, totalizando 1.797 mm por ano (TEODORO et al., 2009).

Em cana-soca, o déficit hídrico total foi de 651,0 mm, sendo que 306,5 mm ocorreram do 2° decêndio de novembro de 2006 ao 3° decêndio de abril de 2007 (na fase de estabelecimento da cultura) e 344,5 mm do 1° decêndio de setembro de 2007 ao 3° decêndio de novembro de 2007 (fase de maturação). E no período de maio a agosto de 2007 houve excesso de 411,1 mm (fase de crescimento vegetativo) (Figura 13), equivalendo a aproximadamente 70% do déficit total.

O balanço hídrico do terceiro ciclo de cultivo (ressoca) mostra o maior excesso hídrico (1.036 mm) entre os ciclos estudados (Figura 14). Observa-se ainda déficit hídrico de 699 mm, dividido em dois períodos, 366 mm no início do desenvolvimento das plantas entre o terceiro decêndio de novembro (2007) e o primeiro decêndio de março (2008), e 325 mm no período final do cultivo (do segundo decêndio de setembro ao terceiro decêndio de novembro). Os déficits hídricos nos finais dos ciclos favoreceram a maturação das plantas, porém os estresses hídricos nos inícios dos cultivos prejudicaram o crescimento e o desenvolvimento das plantas e consequentemente à produtividade da cultura. Essas variáveis da cultura são significativamente influenciadas pela disponibilidade de água no solo. O balanço hídrico da cultura no decorrer dos três ciclos de produção apresentou um excesso hídrico médio de 736 mm e déficit hídrico de 722 mm. Portanto, nessa localidade se a água excedente na estação chuvosa fosse armazenada daria para fazer irrigação plena na cana-de-açúcar durante a estação seca.

um cultivo de cana-de-açúcar (cana-planta) na Região dos Tabuleiros Costeiros de Alagoas no período de setembro de 2005 a novembro de 2006 em 14 meses de cultivo.

Figura 13. Balanço hídrico decencial da cultura, destaque para o déficit (DEF) e excesso (EXC) hídrico em cultivo de cana-de-açúcar (cana-soca) na Região dos Tabuleiros Costeiros de Alagoas no período de novembro de 2006 a novembro de 2007 em 12 meses de cultivo.

Figura 14. Balanço hídrico decencial destaque para o déficit (DEF) e excesso (EXC) hídrico em cultivo de cana-de-açúcar (cana-ressoca) na Região dos Tabuleiros Costeiros de Alagoas no período de novembro de 2007 a novembro de 2008 em 12 meses de cultivo.