O objetivo geral do presente trabalho é avaliar a mobilidade urbana da área metropolitana de Brasília no intuito de apoiar a tomada de decisão no âmbito do planejamento urbano integrado em busca de padrões de deslocamento promotores da qualidade de vida urbana. Para avaliação da mobilidade foi aplicada uma metodologia que considera os aspectos sociais, ambientais e econômicos envolvidos no fenômeno.
Estabelecido o objetivo geral, os objetivos específicos do trabalho foram definidos da seguinte forma:
i. Identificar fundamentos teóricos e conceitos de mobilidade urbana, acessibilidade e mobilidade urbana sustentável, buscando entender a relação entre os elementos da estrutura urbana e os sistemas de mobilidade.
Conceituar e definir o que se está avaliando é fundamental para o entendimento do trabalho e ainda, para consolidar quaisquer discussões a respeito.
A questão da sustentabilidade aplicada aos sistemas de transporte vem sendo amplamente explorada em pesquisas e assim conquistando espaço no âmbito das políticas públicas. A mobilidade urbana sustentável, enquanto um novo paradigma, alerta sobre a necessidade de mudança dos padrões de deslocamento atuais, pautados na utilização intensiva do automóvel
6 individual, entendendo que as externalidades negativas advindas do modelo impactam a sociedade, a economia e o meio ambiente.
As grandes cidades brasileiras vêm passando por uma crise relacionada aos padrões de deslocamento urbano que necessitam ser reestruturados integrando o conceito de sustentabilidade ambiental e inclusão social. Assim, os sistemas de mobilidade, segundo a proposta de Política Nacional de Mobilidade Urbana, expressa ainda em um Projeto de Lei, devem priorizar o transporte público coletivo e os modos não-motorizados nos planos e projetos de forma a diminuir a necessidade de viagens motorizadas e garantir que as ruas não sejam dominadas apenas por um modo de transporte, o automóvel individual.
ii. Caracterizar a estrutura urbana da área metropolitana de Brasília, desde a construção da capital no Planalto Central até a criação da Região de Desenvolvimento Integrado do Distrito Federal e Entorno – RIDE.
A implantação de Brasília no Centro-Oeste impulsionou um processo de ocupação urbana baseado, a princípio, nas migrações que ocorreram para a construção da cidade. Depois, outro perfil de moradores, funcionários públicos em sua maioria, se estabelece e consolida Brasília, enquanto capital da república. Atualmente Brasília se fortalece apoiada na economia no setor terciário e desponta como uma das quatro áreas metropolitanas mais influentes no Brasil, segundo dados do IBGE (2008)
O modelo de ocupação da área metropolitana de Brasília, desde a concepção urbana da capital, se conforma por núcleos urbanos dispersos com densidades variadas interligados por uma extensa rede de rodovias que, ora apresentam características urbanas, ora rurais. Os núcleos urbanos que conformam esta estrutura avançaram os limites do quadrilátero do DF e hoje podem ser considerados como parte de uma única cidade formada por 30 Regiões Administrativas (RA) mais oito cidades goianas.
7 Acredita-se que este modelo de ocupação tenha se refletido negativamente no exercício da mobilidade urbana, com ocupações cada vez mais distantes dos locais de trabalho e segregação socioespacial acentuada.
A área metropolitana de Brasília possui um centro bem definido, antes representado pelo Plano Piloto de Brasília e que hoje veio a se expandir ao longo dos eixos viários regionais formando o chamado centro expandido5 (BRANDÃO, et al. 2009). Além disso, outras subcentralidades se fortaleceram e hoje, pode-se dizer, já competem em atração de viagens com esse Centro Expandido. No entanto, as áreas centrais do Plano Piloto ainda oferecem as melhores oportunidades de emprego e polarizam diariamente um enorme contingente de trabalhadores.
Além da dispersão da periferia outros aspectos da estrutura urbana da área metropolitana de Brasília como a concentração de renda nas áreas centrais e a dependência de modos motorizados para o deslocamento diário agravam os problemas sociais de inacesso da população aos benefícios da urbanização restando-lhes arcar com as externalidades negativas geradas pelo modelo de deslocamento.
Portanto, entender como se comporta a dinâmica desse aglomerado urbano pode contribuir para uma avaliação crítica dos resultados obtidos quanto ao padrão de mobilidade urbana.
iii. Avaliar a mobilidade urbana na área metropolitana de Brasília.
Um dos principais desafios do planejamento urbano é lidar com os atuais padrões do deslocamento diário de pessoas. Para tal, é necessário compreender como o exercício da mobilidade vem sendo tratado no planejamento das cidades no Brasil.
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O centro expandido, segundo os autores, seria formado pelo Cruzeiro, , Sudoeste /Octogonal, Candangolândia, que constituem o interior do perímetro de tombamento do Plano Piloto, e das áreas mais próximas a ela como Guará, Núcleo Bandeirante, e Lagos Sul e Norte.
8 Diante de diferentes métodos e instrumentos para a avaliação da mobilidade urbana, buscou-se um índice que pudesse ser aplicado à realidade das cidades brasileiras e que ao mesmo tempo considerasse os novos paradigmas da mobilidade urbana sustentável.
Índices e indicadores se mostram como boas ferramentas de acompanhamento de realidades complexas como os sistemas urbanos. Assim, a escolha de um índice de mobilidade urbana é entendida como parte fundamental do trabalho, uma vez que este se propõe a avaliar o fenômeno na área metropolitana de Brasília.
O Índice de Mobilidade Urbana Sustentável (IMUS) é um instrumento para a avaliação da mobilidade urbana na área metropolitana de Brasília, pois apresenta uma visão abrangente do fenômeno da mobilidade, abordando as dimensões da sustentabilidade ambiental, social e econômica. Outra característica positiva do IMUS é o seu sistema de pesos que permite a identificação das condições da mobilidade urbana a partir da visualização de pontos fortes e fracos.
iv. Analisar os resultados obtidos para a mobilidade urbana da área de estudo; e
Os resultados obtidos para os indicadores que compõem o IMUS devem possibilitar uma melhor compreensão do atual padrão de mobilidade urbana na área metropolitana de Brasília e identificar como os aspectos de sua conformação urbana influencia no resultado final do IMUS.
v. Avaliar a ferramenta (IMUS) quanto à sua metodologia de aplicação e efetividade do diagnóstico da mobilidade urbana sustentável para grandes cidades e áreas metropolitanas
O IMUS deve ser avaliado enquanto instrumento efetivo de diagnóstico da mobilidade urbana para áreas metropolitanas. Assim, espera-se contribuir
9 para o processo de aperfeiçoamento do índice e da avaliação da mobilidade urbana em contextos metropolitanos.