Vários trabalhos foram realizados abordando a relação entre hipernasalidade e nasalância e alguns abordando a relação entre TN e nasalância. A seguinte revisão apresenta os dados considerados pertinentes ao presente estudo.
Dalston et al. (1993) correlacionaram valores de nasalância com julgamentos clínicos na hipernasalidade da fala de 514 pacientes com fissura de palato, de ambos os sexos, com idades variando entre 3 e 56 anos. Os pacientes eram originados de três centros clínicos distintos, sendo dois dos EUA, envolvendo falantes do inglês americano e um da Espanha, envolvendo falantes do espanhol. Os indivíduos americanos repetiram ou leram um texto padronizado constituído apenas por fonemas orais (Zoo Passage) e os
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25espanhóis um texto também constituído por fonemas orais (El bosque). O
julgamento perceptivo da hipernasalidade foi realizado utilizando-se uma escala de 6 pontos variando de
1 = ausente, a 6 = severa) e os escores de nasalância foram obtidos com o nasômetro. Os autores encontraram correlação entre nasalidade e nasalância de 0,78. Considerando o valor de corte de 29% para um dos centros americanos, os valores de sensibilidade, de especificidade e de eficiência foram de 90%, 90% e 90% respectivamente. Considerando um valor de corte de 25% para o outro centro americano, a sensibilidade encontrada foi de 88%, especificidade de 90% e a eficiência de 89%. Já para o centro espanhol, considerando o valor de corte de 33%, a sensibilidade foi de 77%, a especificidade de 78% e a eficiência de 78%. O uso do valor médio dos valores de corte (28%) resultou sensibilidade de 87%, especificidade 86% e eficiência 87%. Os autores concluíram que o nasômetro é útil para confirmar a hipernasalidade observada na clínica.
Hirschberg et al. (2006) estudaram a correlação entre nasalidade e nasalância em 30 crianças húngaras, com idades entre 5 e 7 anos. Todas apresentavam problemas fonoaudiológicos os quais não foram especificados pelos autores. Para a análise da correlação, tanto os valores de nasalância quanto os de nasalidade foram obtidos durante a produção de uma frase contendo apenas fonemas orais (frase oral) e uma frase (contendo fonemas orais e nasais (mista). A avaliação perceptivo-auditiva da nasalidade foi realizada por 36 juízes usando uma escala de 3 pontos, na qual 3 indicava hipernasalidade severa, 2 hipernasalidade moderada e 1 hipernasalidade leve.
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Todos os juízes eram falantes nativos do idioma húngaro, sendo 12 fonoaudiólogos, 12 estudantes de fonoaudiologia e 12 pessoas leigos. O valor médio de nasalância encontrado para a frase oral foi de 11% e de 31,7% para a sentença mista. Os achados perceptivo-auditivos não foram descritos, e indicaram apenas haver correlação significante entre nasalância e nasalidade. Sendo assim, concluíram que os achados nasométricos podem complementar, tanto o diagnóstico quanto a terapia fonoaudiológica, pediátrica e otorrinolaringológica.
Dutka (1996) correlacionou o julgamento perceptivo-auditivo da nasalidade de fala com medidas de nasalância. Foram estudados 40 indivíduos falantes do Português Brasileiro (25 mulheres e 15 homens), sendo que 27 tinham suspeita de insuficiência velofaríngea e idades entre 4 e 54 anos (média de 18 anos) e 13 tinham fala normal e idades entre 14 e 42 anos (média de 24 anos). As repetições dos estímulos “bebê” e “O bebê babou” foram gravados em audio simultaneamente à realização da nasometria. Os 10 julgadores foram treinados brevemente pela autora antes dos julgamentos perceptivo-auditivos das amostras. A correlação entre nasalância e nasalidade foi realizada para todas as amostras (Grupo A), para as amostras que tiveram uma concordância quanto à nasalidade de fala de 70% ou mais pelos julgadores (Grupo B), e para as amostras com concordância de 85% ou mais pelos julgadores (Grupo C). Os resultados evidenciaram uma correlação de 0,73 para a palavra e 0,61 para a frase para o grupo A. Uma correlação de 0,80 para a palavra e 0,73 para a frase quanto ao grupo B e para o grupo C uma correlação de 0,81 para a palavra e 0,88 para a frase. Também foi verificada a sensibilidade e especificidade utilizando um valor de corte de 27% para a
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27palavra e 21% para a frase. Os resultados mostraram para o grupo A em relação à palavra, sensibilidade de 100% e especificidade de 40% e para a frase, sensibilidade de 100% e especificidade de 29%. Para o grupo B, em relação à palavra, a sensibilidade foi de 100% e a especificidade de 50%, para a frase, a sensibilidade foi de 100% e a especificidade de 42%. Para o grupo C, em relação à palavra, a sensibilidade foi de 100% e a especificidade de 50%, para a frase a sensibilidade foi de 100% e a especificidade de 60%. Concluiu-se, então, que o nasômetro é um instrumento eficaz ao corroborar julgamentos de presença ou ausência de hipernasalidade relatada pelos julgadores.
Mais especificamente com relação ao RN, Karnell (1995) estudou a diferença nas medidas de nasalância entre frases orais de alta pressão (AP) e frases orais de baixa pressão (BP). Participaram deste estudo 43 pacientes com FLP, de ambos os sexos, com idades variadas, com e sem DVF. Cada sujeito produziu dois conjuntos de frases sem consoantes nasais: consoantes orais de alta pressão (AP) e consoantes orais de baixa pressão (BP). Dos 43 pacientes, 15 apresentaram hipernasalidade em ambos os estímulos (nasalância >32%, segundo Dalston; Warren e Dalston, 1991). Foi encontrado, para as frases de AP, X=45,3% ± 7,7 de nasalância e, para as frases de BP,
X=47,0% ± 11,9. Não houve diferença estatisticamente significante (p=0,52)
entre as médias de nasalância das frases de AP e BP. Para os 18 pacientes que não apresentaram hipernasalidade (nasalância <32% em ambos os estímulos) as médias encontradas foram de X=16,7 ± 6,1%, para as frases de
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estatisticamente significante (p<0,01) entre os valares de nasalância de ambos os estímulos. Dez dos 43 pacientes apresentaram resultados sugestivos de hipernasalidade para um dos tipos de estímulo (AP ou BP) e foram divididos em grupo A (5 pacientes), com hipernasalidade nas frases de AP e grupo B (5 pacientes), com hipernasalidade nas frases de BP. A média de nasalância do grupo A, para as frases de AP, foi de X=33,3±1,7% e, para as frases de BP, foi
de X=24,2±5,3%. A média de nasalância do grupo B, para as frases de BP, foi
de X=33,2±0,5% e, para as frases de AP, foi deX=23,8±7,5%. Houve
diferença estatisticamente significante (p<0,05) entre os valores de nasalância das frases com AP e BP para ambos os grupos. O autor concluiu que os valores de nasalância podem variar entre as sentenças de alta pressão e baixa pressão.
Nandurkar (2002) relatou em seu estudo que os menores valores de nasalância foram encontrados nos fonemas fricativos e os maiores valores na emissão de fonemas africados. O mesmo autor, ainda atribuiu esse resultado às TN que acompanharam a produção das consoantes de alta pressão, como já descrito por Karnell (1995) e Watterson et al (1998).
Watterson et al (1998) avaliaram os valores de nasalância e da avaliação perceptivo-auditiva da nasalidade em amostras de fala para fonemas orais de alta pressão (AP)e baixa pressão (BP). O objetivo deste estudo foi comparar os resultados das avaliações da ressonância nas diferentes amostras de fala (AP e BP) do mesmo falante. Além disso, testes de sensitividade e especificidade para a nasometria foram obtidos. Foram analisadas 25 crianças de ambos os sexos, entre 5 e 13 anos de idade. Vinte indivíduos eram
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29acompanhados pela equipe craniofacial e 5 indivíduos que não apresentaram alterações foram inseridos neste estudo com o propósito de computar a sensitividade e a especificidade. As medidas da nasometria foram obtidas por meio do nasômetro. Foram selecionados dois estímulos de fala: o primeiro composto por nove frases de sons orais de baixa pressão e vogais; o segundo a partir de um trecho do texto “Zoo” (sons orais de alta pressão). A avaliação
de nasalidade foi realizada por sete ouvintes experientes, que pontuaram a nasalidade de cada sujeito, baseando-se em uma escala de 0, 1, 2 (ressonância normal) a 3, 4, 5 (hipernasalidade). A média obtida dos valores de nasalância para os sons de baixa pressão foi X=29,98±16,16% e, para os
sons de alta pressão, X=30,28±15,35%. Não houve diferença estatisticamente
significante (p=0,43) entre os valores de nasalância de BP e AP na fala. A média da pontuação da nasalidade na avaliação perceptivo-auditiva foi 2,31 para o estímulo BP e 2,59 para o estímulo AP, não existindo diferença significante (p=0,13) entre a pontuação da nasalidade. Utilizando-se um valor de corte de 26% para nasalância normal e de 2,0 pontos na avaliação perceptivo-auditiva com ressonância normal, obteve-se as medidas de sensitividade (0,84) e especificidade (0,88), que indicaram uma boa correspondência entre valores de nasalância e nasalidade.
Raimundo (2007) descreveu os valores de nasalância obtidos com a nasometria de crianças com fissura transforame unilateral reparada, falantes do Português Brasileiro, que apresentavam fala normal. Foram selecionadas 46 crianças de ambos os sexos, com idades variando entre 3 e 8 anos (X
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Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP). Os resultados da nasalância indicaram: para amostras de fala compostas por fonemas orais de alta pressão média de 11,65±2,33%, para fonemas orais de baixa pressão média de 10,56±5,49%, para fonemas nasais e orais foi média de 36,95±6,64% e para fonemas nasais média de 56,75±9,9%. Os valores de nasalância variaram de acordo com as amostras e o sexo não interferiu nestes valores. Neste estudo, os valores médios de nasalância das crianças com fissura labiopalatina e fala normal foram semelhantes aos das crianças normais falantes do Português Brasileiro descritos na literatura.
A tabela 1, criada por Raimundo (2007), proporciona o sumário de alguns trabalhos acima citados além de apresentar valores de nasalância encontrados na literatura para diversas amostras. O presente estudo considerará como valores normativos para as amostras contendo fonemas orais de alta e baixa pressão, os resultados já encontrados por Raimundo (2007).
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31AUTOR/ANO NASALÂNCIA DAS EMISSÕES (%)