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5.1. – Os operadores de produção e o emprego

Nem sempre as pessoas ingressam nas organizações que desejam trabalhar, mas quase sempre se sentem atraídas por aquelas que oferecem mais segurança, possibilidades de sucesso na carreira, status financeiro, prestígio social e chances de auto-desenvolvimento. Da mesma forma, as empresas quase sempre preferem indivíduos mais qualificados, altamente habilidosos e potencialmente capazes de desenvolver conceitos e realizar atividades. Nesse sentido, a aproximação entre indivíduo e organização pode ser compreendida como um processo de atração mútua em que ocorrem trocas recíprocas.

Na Petrobrás, o ponto de aproximação entre os indivíduos e a empresa começa concretamente a partir do concurso público, principal veículo utilizado pela Companhia para atrair e selecionar mão-de-obra qualificada. As respostas obtidas a partir do questionário aberto revelam

que quase todos13 os trabalhadores que ocupam o atual cargo de operador de produção nos Ativos

Produção de Alto do Rodrigues e de Mossoró, ingressaram na Petrobrás via concurso público.

Questionados quanto às razões que os levaram à procurar emprego na Petrobrás, as respostas mais freqüentes apontam para aspectos econômicos (67,6% dos participantes) e para expectativas de amparo social e estabilidade (55,9%), seguido em nível de freqüência mais baixo, da imagem positiva da empresa (23,5%) e aspectos expressivos (20,5%), como se vê na Tabela 1.

Tabela 1: Categorias amplas de razões da preferência pelo emprego

Razões Freqüência Prop. das

respostas

Proporção dos casos Aspectos econômicos: Perspectivas de bons

salários/ Necessidade financeira/ Manutenção própria e familiar

23 34,8 67,6

Amparo Social: Emprego estável/ Bom emprego/

Perspectiva de Assistência Médica/ Perspectiva de ascensão

19 28,8 55,9

Imagem positiva da empresa 8 12,1 23,5

Aspectos expressivos: Escolha pessoal/ Sentimento

de Utilidade/ Qualificação exigida/ Empolgação profissional/ Tornar-se independente

7 10,5 20,5

Oportunidade/ Mercado de Trabalho 6 9,1 17,6

Escolha através da ETFRN 3 4,5 8,8

Total de respostas 66 100,0 194,1

O processo de atração pela Petrobrás também fica claramente evidenciado no conteúdo das falas dos operadores, quando se referem ao momento do seu ingresso na empresa. Para eles, a Petrobrás representava um empreendimento grande e forte e como tal, oferecia amplas vantagens de segurança, estabilidade, crescimento profissional e reconhecimento social. Os relatos seguintes dos trabalhadores confirmam essas afirmações:

Eu sempre tive aquela ambição, né! Ambição no bom sentido, de trabalhar pra uma empresa grande. Antes de trabalhar pra Petrobrás, eu trabalhei pra outra empresa...e essa empresa era, na minha visão, uma empresa pequena e eu tinha ambição de passar para uma empresa maior...então, a Petrobrás, que eu

já sabia que era grande, um empreendimento forte em vários países do mundo, né! Então eu já sabia que ela era uma grande empresa (Entrevista 2).

Antigamente, a expectativa era que você entrou na Petrobrás, você tava tranqüilo. Vou seguir minha carreira até me aposentar...(Entrevista 3).

...era uma empresa estatal, né! Dava mais segurança no emprego, era tido como um emprego14, né! (Entrevista 4).

Seduzidos por esses atrativos, muitos se preparavam para se submeter ao concurso público e ingressavam na profissão, entusiasmados pelo trabalho e convictos de ter um emprego até se aposentar. Porém, as certezas do trabalhador vão sendo gradativamente corroídas pelas incertezas vivenciadas no dia-a-dia do trabalho, de modo que as expectativas presentes no início da carreira, tais como a convicção de se aposentar, vão sendo ao longo do tempo desconstruídas. A fala seguinte ilustra, além do sentimento de descrença quanto à estabilidade do emprego, a eleição do turno fixo como um dos motivos de tal processo.

Todo dia é uma incerteza que você tem. E certeza é...sabe...a empresa vai ser privatizada...é isso! E todas essas coisas que acontecem é que a gente vê que não tem tanta expectativa. Até mesmo a questão da aposentadoria...hoje ninguém aposenta, ninguém se aposenta mais na Petrobrás. O cara trabalhar num turno desse, num sistema desse... como é que você vai agüentar 55 anos nesse regime de trabalho? Pelas nossas expectativas, é que ninguém se aposenta mais na Petrobrás. Aí, isso tem sido um lado que tem me desagradado, pelo menos o que tem me desagradado é isso (Entrevista 3).

Questionados sobre o que o trabalho significa atualmente, as respostas mais citadas foram aspectos econômicos, estabilidade e amparo social, conforme demonstra a Tabela 2.

Tabela 2 : Significados atuais do emprego

Razões Freqüência Prop. das

respostas

Proporção dos casos Significados econômicos: sustento, sobrevivência,

necessidade, um ganho maior de dinheiro

19 32,6 55,9

Estabilidade e amparo: estabilidade financeira,

uma base do futuro dos filhos, ter um emprego, assistência pessoal, assistência médica, comodidade, moradia e segurança.

13 22,9 38,1

Importância: importante, tudo 10 17,2 29,3

Expressividade: satisfação pessoal, realização de

desejo, utilizar conhecimentos

6 10,3 17,6

Reconhecimento como pessoa humana: respeito,

responsabilidade, dignidade, fazer algo produtivo

4 6,8 11,6

Significados negativos: obrigação, perseguição,

falta de perspectiva de ascensão, falta de realização. 4 6,8 11,6

Desenvolvimento: desenvolvimento pessoal,

crescimento profissional

2 3,4 5,8

Total de respostas 58 100 169,9

Confrontando as Tabelas 1 e 2, observa-se que os significados atuais que o operador de produção atribui ao trabalho se assemelham às mesmas razões que o levaram a procurar emprego na Petrobrás. Observa-se também uma diferença entre a fluência de respostas (58 respostas atuais contra 66 na época de admissão) e uma queda de freqüência dos aspectos mais citados (econômicos, estabilidade e amparo), sugerindo que os significados atuais se caracterizam como mais dispersos e enfraquecidos em relação aos da época de admissão. Além disso, entre os significados atuais, emerge uma categoria de significados negativos (obrigação, perseguição, falta de perspectiva e ascensão, falta de realização) que não estavam presentes entre os motivos de escolha do emprego.

A fim de compreender melhor os significados que os operadores atribuem ao seu trabalho, perguntou-se adicionalmente qual a importância que o trabalho dos mesmos têm para a sociedade. A Tabela 3 mostra que, embora diversificadas, as respostas apresentam naturezas semelhantes e, de um modo geral, incluem respostas de cunho nacionalista e respostas que demonstram preocupação em atender bem as demandas da sociedade.

Em síntese, pode-se dizer que, após vários anos trabalhando para a Petrobrás sem ter conseguido encontrar aquilo que esperavam do emprego, os operadores de produção que participaram desse estudo parecem não mais acreditar na empresa como o veículo promotor de suas aspirações pessoais.

Tabela 3: Natureza da importância do trabalho para a sociedade

Importância do trabalho para a sociedade Freqüência Prop. das

respostas Proporção dos casos

Contribuição para o engrandecimento 9 30,0 32,1

Suma importância 5 16,7 17,9

Prestar melhor serviço à sociedade 3 10,0 10,7

Atender a demanda de consumo 3 10,0 10,7

Importância econômica 2 6,7 7,1

Respeito perante a sociedade 2 6,7 7,1

Status 1 3,3 3,6

Luta por um mundo melhor 1 3,3 3,6

Oferecer patrocínios 1 3,3 3,6

Crescimento e melhoria 1 3,3 3,6

Preservação e divulgação do nome do país 1 3,3 3,6

Contribuição à autonomia econômica do país 1 3,3 3,6

Total de respostas 30 100,0 107,1

A produção de petróleo15 constitui uma das atividades básicas da Companhia Petrobrás. Além de altamente perigosa, envolvendo a manipulação de substâncias químicas e explosivas, possui características bastante complexas, razão pela qual requer pessoal qualificado para realizá- la. Os responsáveis pelo desenvolvimento dessas atividades ingressam na empresa através de concurso público, acompanhado de cursos e estágios obrigatórios com duração de até seis meses, antes de assumir o cargo de operador de produção.

Para o bom desempenho da função exige-se, no mínimo, que se tenha completado o ensino médio (conhecimentos básicos de química e matemática) e, mais recentemente, com a automação, exige-se conhecimentos elementares de informática. Como a atividade envolve técnicas bastante específicas, a própria empresa se encarrega de formar esse tipo de mão-de-obra a partir de treinamentos em campo, local onde estão situados os poços para extração e tratamento do óleo, portanto, onde o operador vai exercer a maioria das suas funções.

O referido campo é formado por várias Estações de Petróleo, distanciadas entre si e, nos casos específicos de Alto do Rodrigues e de Mossoró, concentram atividades de geração e

distribuição de vapor16. As estações impressionam pela localização em áreas isoladas e por serem

cobertas por ferros entrelaçados, que o operador deve percorrer e sobre os quais deve se debruçar e se contorcer para executar seu trabalho que, por sua vez, é realizado em condições de isolamento, de altas temperaturas, de ruídos elevados, de exposição às chuvas e aos insetos. Sob estas circunstancias, o turno da noite que começa às 22:00 hs e termina às 06:00 hs da manhã, é considerado entre os participantes desse estudo como o mais solitário, sacrificante e cansativo. Quando falam sobre este turno, os operadores dizem:

15 Tipo de atividade que consiste em extrair óleo, após a perfuração dos poços.

16 Uma das Estações concentra três atividades diferentes. Além da geração e distribuição de vapor, que é comum à

...a gente não tem contato com ninguém...não tem contato com ninguém...(Entrevista 2).

É como a gente fala, a gente não reclama de trabalhar à noite; a gente reclama de não descansar do turno da noite...e o turno da noite, esse é sacrificante! Não por ser à noite...tem até outras prerrogativas favoráveis, como é o caso da temperatura, mas você não recupera. Infelizmente! É isso que eu sinto, já

(Entrevista 5).

As entrevistas também revelam que entre os operadores existe uma espécie de pacto para tentar proteger aqueles que foram escalados para o turno da noite. Em geral, os operadores do turno matutino e vespertino sobrecarregam-se para não terem que deixar pendências para o companheiro do turno da noite. Em uma das falas dos entrevistados aparece esse apoio.

Há uma preocupação dos turnos da manhã e da tarde em deixar o trabalho da melhor forma possível para o colega do turno da noite, devido a disponibilidade de apoio que ele não tem. Então, a gente sobrecarrega, por uma questão até de justiça, para tentar resolver da melhor forma possível (Entrevista 5).

Em virtude das distâncias entre uma estação e outra, o operador se desloca constantemente, utilizando viaturas da Companhia. Vale dizer que antes do turno fixo ser implantado, essas viaturas eram guiadas por motoristas da empresa; agora, é o operador quem se responsabiliza pelo próprio deslocamento, o que implica sempre exposição a acidentes, principalmente devido às presenças constantes de animais nas estradas. Como o turno da noite é o horário de trabalho considerado mais cansativo, esses riscos se tornam dobrados.

As atribuições que competem ao operador de produção constam no Relatório de Descrição de Cargos da empresa (Anexo 6) e, embora o referido documento contenha informações

pormenorizadas, apenas oferece uma idéia generalizada da diversidade das tarefas realizadas pelo operador. No entanto, sua rotina de trabalho e atividades são bem mais intensas e complexas. Exigem múltiplas responsabilidades com produtos, equipamentos e informações, o que requer muita sensibilidade, atenção, intuição e capacidade de tomar decisões acertadas. É particularmente através das informações fornecidas pelos próprios operadores que se pode obter uma melhor noção do processo de produção de petróleo e dos aspectos relativos ao dia-a-dia do trabalho.

O conteúdo das entrevistas e as respostas ao questionário aberto revelam que os operadores de produção, participantes desse estudo, iniciam e concluem suas atividades diárias a partir da chamada Passagem de Serviço (PS) que se caracteriza por um momento em que um operador assume o turno e toma conhecimento, pelo colega que está saindo, sobre o que transcorreu durante o expediente. Essa atividade foi lembrada por 100% dos entrevistados e é considerada por todos como extremamente importante, porque é a através dela que o trabalhador se mantém informado sobre os problemas e pendências do serviço, podendo distinguir e priorizar as atividades que precisam de soluções mais urgentes. Todos são conscientes de que a omissão de informações, durante a PS, poderá acarretar falhas no processo produtivo e, em decorrência, vários prejuízos tais como: perdas financeiras para a empresa, danos à natureza e acidentes de trabalho.

Existem atividades específicas para cada turno, mas de um modo geral os operadores de produção realizam atividades de operação e testagem de poços, equipamentos e instalações. Durante todo o expediente efetuam leituras de painéis e instrumentos; medem e controlam as diversas variáveis do sistema (pressão, temperatura, níveis, etc) e coletam amostras de óleo, gás e água para análise, as quais são sistematicamente compiladas em planilhas para posterior preenchimento de boletins e relatórios finais, que devem ser enviados à gerência ao final de cada turno.

Paralelo ao levantamento dos dados, realizam atividades de inspeção de equipamentos e instalações, poços e painéis de controle, corrigindo as irregularidades observadas e comunicando as situações pendentes aos órgãos competentes da empresa, para que sejam tomadas providências. Além disso, efetuam limpezas em equipamentos e verificam as condições mecânicas das instalações, de modo a fazer a manutenção preventiva e corretiva de peças.

Do ponto de vista operacional, a produção se caracteriza por um processo, cujas atividades são desenvolvidas seguindo uma lógica de continuidade. Na prática, ocorrem problemas diversos e a seqüência das atividades é ditada pela dinâmica do próprio processo, mas, em última instância, é o próprio operador quem acaba determinando a prioridade de cada caso e organizando a ordem de suas atividades. Do mesmo modo, o número de vezes que cada operador realiza as atividades por turno, varia de acordo com as circunstâncias diárias do processo de trabalho. Algumas atividades, como a inspeção e ajuste de equipamentos e o acompanhamento e tratamento do óleo, demandam um maior número de execução. Outras atividades, como leitura dos boletins de PS, levantamento de dados, leitura de cartas e confecção de boletins exige menor número de execução.

Sobre as conseqüências que podem ocorrer no caso de não realização dessas atividades diárias, os operadores apontam principalmente os prejuízos financeiros para a empresa (quebra de equipamento, perda ou desperdício de produção, não consecução das metas), além de outros prejuízos como: danos ambientais (poluição por derramamento de óleo), acidentes pessoais (risco de explosão), descontinuidade no processo, interrupção na produção e punição ao empregado.

Para a boa realização da função, o operador lança mão dos meios disponíveis em seu ambiente de trabalho, tais como os terminais de computador, que tem viabilizado a diminuição do tempo gasto na execução de atividades, como o preenchimento de boletins e relatórios, antes feitos manualmente e a inspeção de equipamentos e o monitoramento das estações, atividades antes realizadas somente com a presença in loco do operador. Além do computador, vários outros

instrumentos tais como ferramentas gerais (martelos, chaves), planímetros para leitura de gás, instrumentos de laboratório (centrífuga, banho-maria) e termômetro ótico para medir temperatura, são igualmente utilizados para auxiliar na execução das atividades diárias.

As entrevistas revelam que os operadores são conscientes de que suas atividades envolvem riscos pessoais e ambientais bastante elevados, seja pela falta de execução de uma tarefa, devido à omissão de informações durante a passagem de serviço ou devido a qualquer outra situação similar. Os principais riscos apontados foram câncer, irritação de pele e nos olhos, cegueira, parada respiratória e/ou intoxicação por inalação do vapor, disfunção sangüínea e queimaduras. Além desses riscos diretamente relacionados à saúde, apontam também a explosão e o incêndio como ameaças possíveis. Para proteger-se contra os riscos, os operadores dispõem de uma série de equipamentos de proteção individual (EPIs), a exemplo de luvas, capacetes, protetores auriculares, óculos de segurança e máscaras respiratórias. Dispõem também de vários equipamentos de segurança tais como: extintores e tanques de água para casos de incêndio, produtos de primeiros socorros e manuais contendo instruções para medidas urgentes em casos de acidentes. Todos

esses equipamentos são indicados por técnicos e recomendados pelas normas de segurança.

O fato curioso é que, mesmo tendo noção dos riscos e cuidados pessoais, através do uso diário dos equipamentos de proteção individual, parece haver uma banalização do risco. Tanto é que o trabalhador se refere a ele como um parceiro de trabalho.

Com relação às atividades da empresa, existe grande número de riscos na parte de perfuração de gás ou vazamento de óleo e a gente passa a conviver no dia-a-dia com esse risco que a gente passa a não perceber. Acha que aquilo nunca vai se romper, nunca vai acontecer alguma coisa. Tem aquilo como um parceiro de trabalho...aquele risco ta na frente da gente, embaixo da gente, em cima da gente e a gente só lembra quando acontece esse risco em outra região...aí que a gente volta a dizer: meu Deus! Eu to aqui em cima de uma linha pressorizada, eu to aqui com o óleo inflamável e o gás ta vazando ou uma bomba ta torcida e eu não pensei...quando eu me dou conta, aí vêm o “estalo”...mas, de tanto você conviver, vira seu habitat, vira sua casa. Você passa mais tempo trabalhando do que em casa, quando ta em casa, já é hora de dormir...aí passa a ser “amigo” (Entrevista 5)

A banalização do risco também fica evidenciada no fato de os entrevistados não se referirem a alguns equipamentos coletivos de segurança, como lavadores de olhos e chuveiros, os quais existem nos laboratórios embora a maioria esteja em condições de manutenção precárias. Da mesma forma, não se escuta dos petroleiros, queixas sobre a falta de cuidados ergonômicos no uso diário dos computadores, nem sobre o fato de parte dos formulários serem ilegíveis. Entretanto, estes aspectos são facilmente observáveis.

No questionário aberto, foi solicitado que os operadores de produção apontassem as vantagens e as desvantagens que o turno fixo trouxe para a empresa. Na ótica dos operadores as

vantagens são mínimas (16 indicações), enquanto as desvantagens são bastante numerosas (45 indicações), conforme se pode observar nas Tabelas 4 e 5.

Tabela 4: Vantagens do turno fixo para a empresa segundo os operadores de produção

As vantagens para a empresa Freqüência Prop. das respostas

Proporção dos casos

Redução de custos (pela redução de pessoal e terceirização)

11 68,8 68,8

Dispor de mais horas de trabalho pelo mesmo salário

4 25,0 25,0

Ter equipe disponível integralmente (24 horas) 1 6,3 6,3

Total de respostas 16,0 100,0 100,0

Entre as vantagens do turno fixo para a empresa, a mais apontada se refere à redução de custos por parte da empresa (freqüência 11), associando redução de pessoal e contratação de serviços terceirizados. Isso indica que os operadores têm consciência de que a intenção da empresa, ao implantar o turno fixo, era reduzir o quadro de pessoal (com direitos trabalhistas consolidados) e contratar serviços terceirizados (com direitos trabalhistas flexibilizados), de modo a minimizar os custos operacionais.

Tabela 5: Desvantagens do turno fixo para a empresa segundo os operadores de produção

As desvantagens para a empresa Freqüência Prop. das

respostas

Proporção dos casos

Insatisfações dos empregados 9 20,0 37,5

Aumento dos riscos de acidente 7 15,6 29,2

Pagamento de plantões excessivos 5 11,1 20,8

Estresse dos operadores 3 6,7 12,5

Redução da produção 3 6,7 12,5

Insegurança 3 6,7 12,5

Dificuldade para organizar o trabalho 2 4,4 8,3

Abandono de equipamentos e instalações 2 4,4 8,3

Empregado desmotivado 1 2,2 4,2

Aumento do número de viaturas 1 2,2 4,2

Sobrecarga 1 2,2 4,2

Derrame de óleo 1 2,2 4,2

Quebra de equipamentos em intervalos menores 1 2,2 4,2

Baixo desempenho 1 2,2 4,2

Aumento de plantões com pessoas menos qualificadas

1 2,2 4,2

Instabilidade 1 2,2 4,2

Prejuízos nos relacionamentos 1 2,2 4,2

Total de respostas 45 100,0 187,5

Entre as desvantagens, a ordem de freqüência das respostas indica que a empresa conta hoje com um grande contingente de empregados insatisfeitos, maiores riscos de acidentes e pagamentos de plantões excessivos. O balanço entre a freqüência de respostas relativas a vantagens e desvantagens do turno fixo para a empresa, sugere que os operadores não acreditam no turno fixo como uma medida efetiva de redução de custos. Além desse elevado número de desvantagens, os operadores têm observado que, ao contrário do que a empresa imagina, ocorre uma descontinuidade nas operações. Isso se explica porque, como cada turno possui suas particularidades, a saída da equipe que passou a semana trabalhando, implica sempre na entrada de outra, alheia ao serviço. Observam ainda que, com o

novo regime, o tempo gasto durante a passagem de turno é ainda maior em relação aos turnos anteriores. Com base nessas informações, pode-se inferir que o novo regime de trabalho adotado pela Petrobrás, dificilmente contribui para a boa realização das atividades. A fala de um dos operadores ilustra os prejuízos enfrentados pela empresa segundo a percepção dos mesmos:

Tá sendo gradativamente identificado aquilo que nós chamamos de “tempo morto” ou “hora morta”, porque na troca de turno, nenhum turno tem condições de resolver o outro à tempo, então se cria um