Para a obtenção dos dados a serem utilizados na análise de risco é necessário a elaboração de inventários com as mais variadas informações. Segundo Rodríguez et al. (2006), as etapas para a realização de um inventário de depósitos de resíduos mineiros são as seguintes: (i) compilação e análise da informação existente da zona a ser estudada; (ii) preparação do trabalho de campo e definição dos níveis de informação a cobrir; (iii) realização do trabalho de campo; (iv) análise das amostras; (v) processamento das informações de campo e laboratório; (vi) elaboração, interpretação e síntese das informações obtidas.
Os mesmos autores citam alguns materiais básicos necessários para o desenvolvimento de um inventário: (i) as fotos aéreas que, juntamente com mapas topográficos, permitem uma visão em três dimensões da zona de estudo e a elaboração dos possíveis itinerários de reconhecimento do terreno; (ii) imagens de satélite que abrangem grandes áreas e permitem a visualização dos locais afetados direta e indiretamente; (iii) as fichas de inventário, que devem estar preparadas para receber todos os detalhes e aspectos importantes para que os objetivos do trabalho sejam alcançados, e; (iv) equipamentos de uso em campo como bússola, GPS, câmera fotográfica, entre outros (Rodríguez et al. 2006).
Procurou-se obter informações conforme as instruções para a elaboração de
inventários proposto por Rodríguez et al. (2006), onde os dados sugeridos para o
levantamento foram organizados na Tabela 4.1.
Esta etapa do trabalho foi tratada como uma das mais importantes, pois foi a base de dados para todas as avaliações, sejam elas qualitativas ou quantitativas. Pretendeu-se, neste estudo, focar nas barragens de rejeito que possuem alteamentos, visto que os diversos tipos de mineradoras geram outros tipos de resíduos sólidos, como os estéreis e os subprodutos oriundos da industrialização dos minérios que, em sua grande maioria, são dispostos em pilhas.
Tabela 4.1 - Informações básicas a serem adquiridas para a elaboração de um inventário. Elementos da ficha Informações a serem adquiridas
Identificação e situação geográfica
Coordenadas geográficas, município, bacia hidrográfica, situação (ativa, abandonada, restaurada, fechada)
Informações sobre a mineração
Método de mineração (céu aberto, subterrâneo ou misto) e os tipos de minérios extraídos
Entorno físico Tipos de solos e permeabilidades, caracterização das águas superficiais, nível freático, outros usos dados ao solo (usos agropecuários, áreas de preservação permanente, cidades e outros) Mapas e croquis de
acesso
-
Descrição do
reservatório
Comprimento; largura; altura; volume armazenado; capacidade máxima; localização (em vale, em ladeira, em bacia, em depressão natural); tipo de drenagem (infiltração, drenos, vertedouros, bombeamento, evaporação forçada); recuperação de água (total, parcial, nula); retirada, tratamento, natureza e destino de lodos. Descrição da barragem Métodos de alteamento (montante, jusante, linha de centro);
materiais utilizados; comprimento, largura, altura, ângulo dos taludes; ano de início das construções; situação do licenciamento ambiental; informações adquiridas em vistorias (presença de trincas, afundamentos, funcionamento incorreto e outras anomalias); instrumentações utilizadas e relatórios de medição Elementos de risco a
jusante
Localização de núcleos urbanos, rurais, edificações e outros; serviços públicos como abastecimento, linhas de transmissão e comunicação; rodovias, estradas, pontes, linhas ferroviárias; elementos ambientais como recursos hídricos, áreas de preservação, patrimônio artístico; existência de plano de evacuação Fotos, Mapas, plantas e
esquemas estruturais.
4.3 – DETERMINAÇÃO DOS FATORES DE CARGA
Como foi detalhado nos capítulos anteriores, a solicitação mais crítica e indicada para o cálculo do fator de carga no regime estático em uma barragem de rejeitos, seria a elevação da superfície freática dos taludes de jusante em um nível que estaria comprometendo a estabilidade do maciço. Neste caso, o cálculo da probabilidade desse cenário específico é simples, uma vez que a maioria das mineradoras realiza o monitoramento dos níveis dos piezômetros. Entretanto, é necessário que sejam realizadas várias análises de estabilidade de taludes em cada barragem, para que seja verificado em quais níveis cada piezômetro poderá atingir para mobilizar fatores de segurança de até 1,3 (operação) ou 1,5 (fechamento), por exemplo. Determinado esse nível crítico, bastaria a mineradora realizar o monitoramento dos piezômetros sendo possível determinar a probabilidade (fator de carga) com base na Equação 3.2, considerando a quantidade de dias em que o nível medido ultrapassou o valor limite.
Mas, apesar do nível freático no talude de jusante ser o principal responsável por rupturas em barragens de rejeitos, esse não é o único mecanismo de ruptura que pode ocorrer durante a operação normal dessas estruturas, isto é, esse método seria eficaz no cálculo de um dos vários modos de ruptura que podem ocorrer neste tipo de estrutura, que seria o caso da “ruptura por elevação da superfície freática”.
No cenário hidrológico, as principais solicitações poderiam estar relacionadas com a capacidade dos vertedores de aliviar as cheias produzidas e, também, pela elevação dos níveis dos piezômetros. Em ambos os casos é necessário realizar um estudo hidrológico para se determinar a probabilidade de ocorrência de um evento que iria condicionar um ou os dois casos citados anteriormente. Outra análise importante seria a avaliação do nível freático do talude de jusante supondo uma elevação e a aproximação do lago.
O fator de carga sísmico é determinado pela probabilidade de ocorrer um terremoto em determinada região, mas, de acordo com dados históricos, sabe-se que o Brasil possui uma baixa sismicidade, podendo, nesse caso, admitir que a sismicidade poderia ocorrer de forma induzida, principalmente por planos de fogo e/ou pelo trânsito de maquinário próximo às barragens. Entretanto, é necessário que se realize um monitoramento da sismicidade induzida nas barragens de rejeitos para que seja determinado se poderá ocorrer algum prejuízo, considerando a distância da barragem às frentes de lavra e os impactos destas vibrações