PART 1: FRAMEWORK
3 Method of Interpretation and Analysis
3.4 Remarks on Hermeneutics
Na pesquisa de Campo fez-se necessário o uso de um questionário, cuidadosamente elaborado e que, de acordo com Ruiz(2002), tem a vantagem de poder ser aplicado a um grande número de informantes; seu anonimato representa uma grande vantagem sobre outras técnicas.
Após a coleta de dados foi efetuado um estudo sobre a forma de tabulação, análise e interpretação dos dados encontrados e observou-se, desta forma, que o trabalho estatístico e a avaliação crítica atenderiam ao questionamento norteador da pesquisa.
A pesquisa realizada tem uma abordagem quantitativa integrada a uma análise qualitativa dos dados, e com esta forma de abordagem pode-se conseguir uma ampla verificação dos dados construindo uma relativa segurança, diminuindo os erros.
Para Gouveia (1984), ao mencionar as características de uma abordagem quantitativa e qualitativa não significa que o pesquisador deve se posicionar escolhendo uma ou outra, há problemas de investigação que:
[...] exigem informações referentes a um grande número de sujeitos e que, conseqüentemente, não comportam outro recurso senão o da abordagem quantitativa. Em outros casos, como por exemplo, quando se quer apreender a dinâmica de um processo, a abordagem qualitativa é a indicada. Existem ainda situações em que a combinação das duas abordagens não só é cabível como, sobretudo, desejável. (GOUVEIA, 1984, p. 68).
Segundo Bauer (2002) as abordagens quantitativas e qualitativas são complementares, visto que a análise qualitativa é a interpretação da análise quantitativa dos dados. A análise estatística não é apenas a descrição e leitura dos dados é também a interpretação e a validação dos dados.
Não há quantificação sem qualificação
A mensuração dos fatos sociais depende da categorização do mundo social. As atividades sociais devem ser distinguidas antes que qualquer frequência
ou percentual possa ser atribuído a qualquer distinção. É necessário ter uma noção das distinções qualitativas entre categorias sociais, antes que se possa medir quantas pessoas pertencem a uma ou outra categoria. Se alguém quer saber a distribuição de cores num jardim de flores, deve primeiramente identificar o conjunto de cores que existem no jardim; somente depois disso pode-se começar a contar as flores de determinada cor. O mesmo é verdade para os fatos sociais.
Não há análise estatística sem interpretação
Pensamos que é incorreto assumir que a pesquisa qualitativa possui o monopólio da interpretação, com o pressuposto paralelo de que a pesquisa quantitativa chega a suas conclusões quase que automaticamente. Nós mesmos nunca realizamos nenhuma pesquisa numérica sem enfrentar problemas de interpretação. Os dados não falam por si mesmos, mesmo que sejam processados cuidadosamente, com modelos estatísticos sofisticados. (BAUER, 2002, p. 24).
Segundo Guither (2006), o problema não é colocar a pesquisa qualitativa em oposição à pesquisa quantitativa, não é decidir-se por uma ou pela outra. A questão tem implicações de natureza prática, empírica e técnica, considerando os recursos materiais, temporais e pessoais disponíveis para lidar com uma determinada pergunta científica. É necessário encontrar e usar a abordagem teórico-metodológica que permita, num mínimo de tempo, chegar a um resultado que melhor contribua para a compreensão do fenômeno e para o avanço do bem- estar social.
Nas pesquisas da área da educação há necessidade de ter cautela para que o foco não seja apenas a quantidade revelada no resultado, precisa-se ir além dos números, aprofundando e decodificando o outro e as suas realidades. O pesquisador deve, portanto, ter um olhar difuso observando também o contexto social.
Uma primeira distinção entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa refere-se ao fato de que na pesquisa qualitativa há aceitação explícita da influência de crenças e valores sobre a teoria, sobre a escolha de tópicos de pesquisa, sobre o método e sobre a interpretação de resultados. Já na pesquisa quantitativa, crenças e valores pessoais não são consideradas fontes de influência no processo científicas. Será mesmo? Considerando que um tema importante da psicologia social é o estudo de atitudes, crenças e valores, a questão não é se valores influenciam comportamentos e estados subjetivos, inclusive os valores do cientista. O que se coloca é como lidar com esta influência no contexto da pesquisa – seja ela qualitativa ou quantitativa.
Além da influência de valores no processo de pesquisa, há de se constatar um envolvimento emocional do pesquisador com o seu tema de investigação. A aceitação de tal envolvimento caracterizaria a pesquisa qualitativa. Já a intenção de controlá-lo, ou sua negação, caracterizariam a pesquisa quantitativa. Da mesma maneira que os valores fazem parte da vida humana, o estudo das emoções é assunto importante da psicologia clínica e da
personalidade, razão pela qual, mais uma vez, volta-se à questão mais relevante: como lidar com esta influência no contexto da pesquisa? (GUITHER, 2006, p.203).
De acordo com o autor a resposta a esta pergunta é por meio do controle das variáveis. O contraponto feito entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa é o de estudar um determinado fenômeno no seu contexto natural versus estudá-lo no laboratório.
Segundo André (1995) pode-se fazer uma pesquisa que:
[...] utiliza basicamente dados quantitativos, mas na análise que faço desses dados estarão sempre presentes o meu quadro de referência, os meus valores e, portanto, a dimensão qualitativa. As perguntas que faço no meu instrumento estão marcadas por minha postura teórica, meus valores, minha visão de mundo. Ao reconhecer essas marcas da subjetividade na pesquisa, eu me distancio da postura positivista, muito embora esteja tratando com dados quantitativos. (ANDRÉ, 1995, p.24).
Logo, a metodologia trabalhada nesta pesquisa é de cunho quantitativo e qualitativo, vindo de encontro com todas as questões propostas neste estudo. Deste modo, é capaz de atender às expectativas de uma elaboração científica pautada em resultados de quantitativos de origem estatística, racional, intuitiva e real, e qualitativo para melhor elucidar as situações levantadas e para uma reflexão mais detalhada dos dados no contexto natural dos sujeitos pesquisados.