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Como o MASP da Sete de Abril teve duas organizações espaciais, o projeto de Lina precisa ser compreendido em duas etapas: uma em 1947, na primeira inauguração do museu no edifício, cujas obras estavam em fase de conclusão; outra em 1950, com o edifício já concluído e o museu ocupando mais um pavimento.

A primeira etapa revela uma preocupação com a adaptação da arquitetura interna a um espaço não destinado a abrigar um museu. Nela, Lina recorreu a um partido que conseguisse ser o mais flexível possível para os suportes de obras e o mobiliário, atendendo, assim, as necessidades das atividades didáticas e das exposições. Essa etapa é marcada pelo uso de sistemas leves de tubos de alumínio (fixados por pressão ao teto e ao piso), propostos para a pinacoteca e as exposições didáticas e periódicas — para estas, Lina planejou variantes e adaptações expositivas diversas, usando os suportes rearranjados com vitrines ou painéis, dentre outros elementos. Lina utiliza, ainda, cortinas reversíveis para delimitar a área do pequeno auditório. Na seção das mostras didáticas, vitrines foram fixadas entre as colunas junto às paredes laterais.

Projeto do arquiteto Jacques Pilon para o edifício dos Diários Associados. Planta apresentando o pavimento original destinado à implantação da galeria e os dois blocos que compõem o edifício. O MASP ocupou o bloco em forma de “H”, voltando para a rua Sete de Abril

Fonte: SCHINCARIOL, Zuleica. Através do espaço do acervo: o MASP na Sete de Abril, 2000, p.51

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A segunda etapa — quando Lina trabalhou em parceria com o arquiteto Giancarlo Palanti — foi marcada pela ocupação de mais espaço no edifício e, como consequência, por uma definição mais reguladora do uso dos espaços, com o acréscimo de mais um auditório e mobiliário expositivo que definem áreas expositivas (“Vitrine das Formas”). Também caracterizou tal ampliação espacial a substituição das estruturas leves usadas na pinacoteca por painéis atirantados e tensionados nas estruturas do edifício, similares a propostas que os arquitetos milaneses, a exemplo do próprio Palanti, empregavam em mostras e interiores comerciais. Nesse período, Lina trabalhava com Palanti no Studio de Arte Palma, onde desenvolvia mobiliário moderno e projetava interiores de lojas e escritórios cujos projetos tinham a mesma orientação construtivo-espacial. Assim, a adaptação do MASP não era solução desenvolvida especificamente para espaços expositivos ou museus, mas concebida como design cujas funções eram diversas.

Nas duas etapas, a arquitetura interna do museu se definiu por um desenho que se sobrepõe ao edifício e obtém independência e flexibilidade, que permitiram o desenvolvimento de propostas para cada exposição. O interior do edifício dos Diários Associados não foi considerado, e as paredes fixas foram removidas.

Estudos de Lina Bo Bardi para a implantação do MASP no edifício dos Diários Associados. Planta datada de 14 de março de 1947. Todos os espaços são ocupados por painéis de exposições. O espaço ainda não inclui o pequeno auditório.

Fonte: SCHINCARIOL, Zuleica. Através do espaço do acervo: o MASP na Sete de Abril, 2000, p.50

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Planta final da adaptação do Museu de Arte de São Paulo, projeto de Lina Bo Bardi de 1947. Acima se encontra a exposição permanente do acervo, no centro as mostras didáticas. O auditório reversível e as duas salas de exposições temporárias. O desenho apresenta a utilização de vegetação natural – o “albero vero”, junto aos pilares e dos painéis expositivos.

Fonte: SCHINCARIOL, Zuleica. Através do espaço do acervo: o MASP na Sete de Abril, 2000, p.53

Primeira célula, primeiro momento — 1947

A primeira adaptação do MASP no edifício Guilherme Guinle ocupou totalmente o segundo andar do edificio. O projeto executado por Lina ocupou os mil metros quadrados da planta em forma de “H” destinados ao museu e distribuiu o programa inicial nos três espaços: uma sala para exposição do acervo iniciante, duas salas para exposições periódicas, uma sala para mostras didáticas e um auditório para cursos e audições. Para as exposições didáticas, o projeto reservou uma sala de 200 metros quadrados do museu — a maior —, que comunica com os outros dois espaços: a sala de exposição permanente para a pinacoteca e a sala para mostras temporárias, dividida em duas salas menores pelo auditório, com fechamento em cortinas reversíveis de algodão natural.

Para os espaços de exposição, a concepção da montagem propôs liberar as telas e afastá-las das paredes mediante estruturas tubulares leves sobrepostas à estrutura do edifício, de modo a manter uma continuidade visual que propiciasse compreensão de todo o espaço do museu. Fixados no teto e no piso por pressão, os tubos de alumínio sustentam as pinturas e as afasta

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das paredes. Para a sala da pinacoteca, Lina empregou esse sistema, dispondo os perfis ao longo das paredes, com espaçamento regular — foi usado um para cada pintura, o que as individualizava no espaço. A flexibilidade de tais estruturas facilitaria a alteração constante do acervo, que segue incorporando novas aquisições, e a reorganização freqüente da coleção. Esse princípio expositivo foi aplicado ainda à sala das mostras didáticas — embora as peças tenham sido organizadas agrupada e linearmente para receber as estruturas que organizam e distribuem as 84 pranchas. O resultado foram três painéis extensos e paralelos ao longo da sala. Cada prancha didática foi montada entre duas lâminas de vidro temperado de 1,2 metro por 1,2 metro, dando visão a ambos os lados. Para as paredes laterais, acomodando-se entre a estrutura do edifício, Lina desenhou vitrines de madeira e vidro que exibiam peças do acervo.

Desenho de Lina Bob ardi revelando o espaço do auditório sem o fechamento das cortinas, possibilitando sua ocupação, inclusive para exposições.

Fonte: SCHINCARIOL, Zuleica. Através do espaço do acervo: o MASP na Sete de Abril, 2000, p.74

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Estudos para o auditório reversível junto às exposições temporárias. Desenho de Lina Bo Bardi

Fonte: BARDI, P.M. The Arts in Brazil. 1956, p. 108

Vista d interior do pequeno auditório e cadeira dobrável desenhada por Lina Bo Bardi.

Fonte: FERRRAZ. Marcelo. Lina Bo Bardi, p.50

Com capacidade para 150 lugares, delimitado pelo teto acústico atirantado e pelo fechamento reversível em cortina, o auditório é todo permeável e interliga a sala das exposições didáticas e as salas destinadas às exposições periódicas. Para fechar as aberturas do edifício, Lina usou cortinas similares, propondo iluminação artificial para as salas e redesenhando o forro para embutir lâmpadas fluorescentes, resolvendo assim o problema da insuficiência de iluminação natural.

Exposição do acervo em 1947 como o “São Sebastião na coluna” de Piero Perugino em primeiro plano.

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Estudos de Lina Bo Bardi para os suportes tubulares de alumínio com adaptação de iluminação individual. Detalhe dos encaixes dos apoios de telas.

Fonte: FERRRAZ. Marcelo. Lina Bo Bardi, p.50

Panorama da História da Arte – 1947. Primeira exposição didática do MASP. Tubos de alumínio fixados no teto e piso através de rosca e pressão. Cerca de 500 reproduções fotográficas distribuídas em 84 pranchas que apreentam temas de história da arte, montadas entre duas lâminas de vidro temperado de 1,20m X 1,20m..

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