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Porque a indústria em questão está estruturada desta forma? Uma resposta seria a de que a elasticidade da demanda seja muito alta, o que torna a volatilidade da receita menor para as operadoras locais. Mas esta não é a única explicação possível.

Como vimos nos capítulos anteriores, este é um setor que se encontra em forte período de transformação, as mudanças na legislação de barreira à entrada de 1986, a formalização do setor com a entrada do câmbio flutuante em 1989, as contas em moeda estrangeira e o maior nível de impostos, entre outros, são fatores que vêm mudando o cenário no qual a indústria está inserida nos últimos 20 anos. Juntando a isso a nova tendência de câmbio no país, chegamos a conclusão que o panorama atual é bastante diferente da realidade na qual o setor começou a operar e veio crescendo em importância de participação na economia brasileira.

Independente das mudanças, o Cliente Atacadista Internacional teria sempre sido o agente mais propício a tomar o risco cambial, pela diversidade de moedas de sua operação. De fato é o que acontece com a maioria dos países quando vedem seus produtos turísticos, os preços são repassados ao mercado internacional na moeda local, e é o Cliente fora da fronteira do país que arca com o risco de câmbio. Entretanto, no caso do Brasil, e da maioria dos países da América Latina, a moeda local tem um histórico de alta volatilidade e era impossível, em diversas épocas, estabelecer contratos de 18 meses com preços fixos, devido ao quadro de inflação que se apresentava. Não era possível estabelecer qual seria o nível de moeda no país para um panorama de um ano e meio. Portanto escolheu-se a moeda de troca de maior penetração internacional para que os preços domésticos pudessem ser indexados a um nível de troca essencialmente menos volátil do que a moeda nacional.

Aqui, ressaltamos mais uma mudança no cenário internacional, o Euro tomou força como moeda de troca internacional nos últimos anos, e os países que operam nesta moeda, não vêem nenhuma vantagem em ter preços atrelados ao dólar americano, apesar

deste estar menos valorizado do que a moeda européia, hoje, os países que operam em Euro enfrentam dois níveis de risco cambial, em se tratando do produto aqui estudado, o risco inserido na relação Moeda Brasileira x Dólar (carregado nos preços dos produtos) e o risco de volatilidade do dólar frente ao Euro. Muitos destes países vêm reivindicando a mudança dos preços para Euro, mas seria ainda mais complicado estabelecer mais um nível contratual interno, com diferenças para mercados que aceitam operação em dólar, e para mercados que operam em Euro. Ainda neste caso repassar os preços em reais, eliminaria o problema de diferenciação de moeda por mercado. Mas essa é uma realidade recente, e até hoje o mercado doméstico não se adaptou à ela – salvo algumas exceções.

Além do problema de alta volatilidade da moeda doméstica, o ganho cambial envolvido na operação de turismo receptivo era um fator importante na decisão da adoção dos contratos em dólar. Juntemos a estes pontos, a tradição histórica de que todos os países da América do Sul vendem em moeda norte americana seus produtos turísticos no mercado internacional. Os dois primeiros pontos não são mais observados dentro das fronteiras brasileiras, mas o terceiro, ainda é uma realidade. Vimos ainda um fator bastante relevante nesta discussão: a decisão de distribuição ou não do produto Brasil pelos atacadistas em função do risco envolvido na operação. Esses são os quatro alicerces dos defensores da não adoção dos contratos em reais, e veremos cada um separadamente a seguir.

• Possibilidade da volta da inflação: os defensores dos contratos em dólares temem uma alteração na política econômica brasileira que venha a levar ao retorno do processo inflacionário, com o qual seria impossível estabelecer preços fixos dentro do período necessário, e mantê-los, na moeda doméstica. O custo da mudança dos contratos internacionais para moeda nacional seria alto, alguns clientes internacionais poderiam optar por não comercializar o produto, ao menos até se sentirem seguros quanto ao risco assumido; exigiria treinamento e explicação do funcionamento destes novos contratos aos clientes, o que, em base internacional e com a pulverização encontrada neste

mercado, seria demorado e custoso. Existem ainda os custos de esforços de renegociação das formas de contrato com os fornecedores locais, e de adaptação dos sistemas operacionais (informatização) das operadoras de receptivo, que hoje estão preparados para trabalhar com preços em dólares. Portanto esta seria uma decisão para longo prazo, e uma mudança na realidade econômica brasileira que pudesse reverter esse processo, implicaria, mais uma vez, em nova mudança, o que afeta também a imagem estrutural do Brasil, na visão dos clientes internacionais, como país sério e estruturado.

• Ganho cambial da operação de turismo receptivo: A parcela do mercado que protege os atuais contratos em dólares, guarda uma esperança da volta do ganho cambial envolvido na operação de turismo receptivo. É verdade que, se a tendência de valorização do real se inverter, os operadores voltariam a ter o ganho sobre os fechamentos do fluxo de caixa, entretanto enquanto isso não acontece às perdas atreladas ao risco de câmbio continuam a assombrar os agentes domésticos e suas pequenas margens operacionais. Grande parte do ganho no passado vinha de oportunidades de arbitragem da operação cambial no mercado paralelo. Hoje em dia, com a formalização do setor, os spreads de câmbio são pequenos e pressionados pelo mercado formal de câmbio. O preceito básico de operação em mercados financeiros, no mundo, é o de não arbitragem, ou seja, de que não exista possibilidade de ganho econômico sem que envolva alguma probabilidade de risco e investimento de capital próprio. No caso de troca de moeda no mercado extra-oficial (paralelo) e fechamento dos contratos com fornecedores no câmbio oficial, a operação envolvia um lucro puramente econômico, pelo acesso ao mercado paralelo. Era de se esperar que, num mercado devidamente regulado, isso deixaria de acontecer, e portanto, os ganho ilimitados com a operação cambial não devem voltar a existir neste mercado. Sendo este hoje um argumento fraco para a não troca de moedas dos contratos.

• Vendas de toda a América do Sul em dólares, para o mercado de turismo internacional: O Brasil está inserido no bloco econômico Sul Americano, e existe uma tendência de acompanhamento das operações dos países vizinhos em bases similares. Entretanto, no setor aqui estudado, o Brasil diferencia-se muito dos outros países deste mesmo bloco, pelas características dos produtos, pela geografia, pela própria economia do país, e pela língua – o que afeta fundamentalmente o produto turístico. Hoje, num mundo de fortes ligações internacionais, não existiria um alicerce forte no argumento da necessidade de acompanhar a política dos outros países da América do Sul, mesmo porque vemos algumas grandes discrepâncias econômicas entre esses países, entre elas, diferentes valorizações cambiais. Um fato importante é que a maior parte dos clientes que vende o produto Brasil, também costuma vender os outros países da América do Sul, normalmente são produtos complementares, e facilita uma moeda única para fechar um produto que envolve mais de um país. Neste ponto, o Brasil estaria arriscando ficar de fora de produtos complementares sul-americanos, por adotar uma moeda de troca diferente dos demais grupos de vendedores de seu bloco econômico. Como podemos ver no livro de ARMELLA et. Al (1983), Financial Policies and the World

Capital Market: The Problem of Latin American Countries19, o histórico

cambial dos países Latino Americanos é bastante instável, o que justificaria o uso de uma moeda unificada para estabelecer um preço relativo fixado.

• Variação na quantidade vendida pelo Atacadista: como discutido no item 5.3, se a operação de venda do produto brasileiro envolver um risco muito alto e os contratos forem repassados em reais ao cliente atacadista, este pode decidir não incluir o produto Brasil em sua prateleira de vendas. Como vimos a maior parte das vendas tem a possibilidade de ser direcionada para outro destino, o que afetaria profundamente a receita dos operadores no Brasil. O incentivo à venda do destino Brasil por parte dos atacadistas internacionais

19

Vide ARMELLA, DORNBUSCH & OBSTFELD (1983), Financial Policies and the World Capital Market: The Problem of Latin American Countries.

pode diminuir muito em função do alto risco da moeda e afetar a quantidade demandada.

Vimos aqui, o que defende a cadeia de pensamento que não acredita na adoção dos contratos em reais, e porque estes não são elaborados desta forma até hoje. Por outro lado, pudemos refutar também alguns destes argumentos, segurando ainda como válida a hipótese de mudança destes contratos como adaptação a nova realidade mundial, na qual a indústria de turismo receptivo está inserida.

CAPITULO 6

OUTRAS POSSÍVEIS FORMAS DE DIVERSIFICAÇÃO DE RISCO

É certo que existem outras formas de diluir o risco de câmbio dos operadores de receptivo sem a transmissão deste risco para outro agente da cadeia. A seguir ressaltamos duas opções de diversificação de risco para este agente.

6.1 Hedge Cambial

O operador de turismo receptivo brasileiro pode optar por continuar a fechar os contratos no mercado internacional em dólares e fazer uma proteção cambial para suas operações em moeda estrangeira. Este tipo de operação é conhecido no mercado financeiro como hedge cambial e consiste em travar o possível prejuízo com uma desvalorização da moeda internacional num patamar escolhido. Entretanto este tipo de operação também estabelece um nível máximo de ganho em função de uma valorização da moeda de troca escolhida, ou seja, se há uma grande valorização desta moeda, o operador não poderia se beneficiar de todo o ganho que esta viria a acarretar, pois estaria com sua posição travada num nível pré-estabelecido.

Existem produtos de hedge cambial prontos, conhecidos como produtos de prateleira dos bancos, entretanto nenhum desses modelos atende ao pequeno fluxo de negócios deste setor. Seria necessário que cada operadora montasse uma operação conforme a descrita acima, mas para tal é necessária um certa expertise no funcionamento do mercado financeiro, e, pelas características analisadas para este setor, isto seria um fator que dificultaria a implantação de tal operação.

Além disso, os contratos são fechados num nível de preço, mas sem quantidade de venda estabelecida. Quer dizer, o cliente internacional tem um preço fixo para trabalhar, mas a quantidade a ser vendida será estabelecida ao longo do ano de vigência do contrato. Essa incerteza na quantidade de venda, no valor total a ser recebido de cada cliente, e no momento deste recebimento dentro do período do contrato gera uma dificuldade no estabelecimento do nível de contratos de hedge cambial a serem procurados.

6.2 Diversificação da Atividade

O turismo é uma atividade de duas pontas, atuando como exportador, no caso do receptivo, e como importador, no caso do turismo emissivo (venda de outros países/destinos para clientes dentro das fronteiras brasileiras). Dito isto parece simples a diversificação dos serviços oferecidos, uma vez que o câmbio esteja favorável para a venda do produto Brasil, a empresa deve concentrar-se no receptivo, e, dada uma mudança no panorama cambial, alterar seu foco para o mercado emissivo.

Entretanto estas são, de fato, duas indústrias distintas. Existem firmas que operam nas duas pontas, mas são atividades totalmente separadas, que envolvem tipo de treinamento diferenciado, instalações e custos completamente diferentes, e atividades gerenciais distintas. Tanto o funcionário quanto o empresário de uma firma de receptivo, têm como produto principal a oferecer ao mercado seu conhecimento dos produtos turísticos dentro do território nacional, enquanto os mesmo agentes de uma empresa de turismo emissivo têm seu grande potencial no conhecimento de destinos internacionais (na maior parte das vezes as empresas de emissivo se especializam em tipo de produtos ou regiões do mundo). Ou seja, um vendedor de uma empresa de receptivo não está qualificado para trabalhar numa empresa de emissivo, e o contrário também é verdade. Outro ponto importante é que a empresa de turismo emissivo atende ao mercado de varejo enquanto a de receptivo atende ao mercado de atacado: no emissivo é preciso ter uma equipe de call center, uma estrutura bastante maior e mais níveis gerenciais do que no receptivo. Mesmo que se deseje diversificar para uma empresa de turismo emissivo de pequeno porte, o tipo de treinamento para atendimento ao público direto a ao cliente

atacadista é totalmente diferente. Os próprios clientes diferem entre si, seria atacar um outro mercado, com outras características e preferências, e vender um outro produto, também com características totalmente diversas. Ou seja, operar num outro setor.

Portanto esta é uma opção válida, mas requer tempo, investimento e expertise que, na maior parte dos casos, o agente de receptivo não tem. É uma reação de longo prazo, que caracterizaria em sair do mercado receptivo, ou diminuir suas operações neste mercado.

CAPITULO 7

CONCLUSÃO

Vimos aqui uma análise detalhada do setor de turismo receptivo no Brasil, incluindo o desenho do setor, sua cadeia de distribuição, os contratos envolvidos nesta cadeia, o papel e as preferências de cada agente e a separação nos momentos do tempo da participação dos agentes. Com isso pudemos focar no escopo do trabalho, que é a análise do impacto da variação cambial nesta indústria no Brasil.

O objetivo deste trabalho foi analisar se seria ótima a escolha da mudança da moeda na qual são fechados os contratos entre os operadores de receptivo e os clientes internacionais, em função das dificuldades enfrentadas pelo setor com a volatilidade cambial. Através de uma análise do risco carregado por cada agente em função do envolvimento com a atividade cambial inerente ao setor, e da transmissão deste risco dentro da cadeia de distribuição, chegamos à conclusão que o agente que mais suportaria este tipo de risco seria o cliente atacadista internacional. Este é o agente que opera com maior diversificação de moedas, já tem um certo risco de câmbio atrelado a suas atividades em geral, o montante atrelado à variação da moeda nacional brasileira poderia ser diluído frente a operações com outras moedas que sua atividade exige, e, dessa forma não carregaria o prêmio de risco no preço acordado com o agente operador de turismo receptivo, podendo gerenciar por si só o quanto de ágio deveria carregar os preços em função da projeção da variação cambial futura e voltar atrás na política adotada se assim o desejasse, visto que este não fecha contratos de prazo maior com seus clientes.

Por outro lado, analisamos também que, para o operador de receptivo e o fornecedor no Brasil, apesar de acabar com sua exposição direta ao risco cambial, esta pode não ser uma escolha ótima, visto que pode faltar incentivo ao cliente atacadista em vender os produtos brasileiros caso o risco de câmbio torne-se grande o suficiente para

afetar o seu lucro. A decisão de não venda do produto por parte deste agente levaria à uma diminuição da quantidade vendida dos produtos de turismo brasileiros e afetaria a receita e o lucro dos operadores e fornecedores nacionais. Haveria, neste caso, uma troca de risco cambial por risco de variação na demanda durante a vigência dos contratos. Por outro lado, como o risco cambial carrega o preço dos produtos com o premio de risco na ocasião do fechamento dos contratos em dólares, neste momento de tempo também é definido o tamanho da demanda para o próximo período em função dos níveis de preço, ou seja, o ágio no preço em função da incerteza cambial, também afeta a quantidade demandada. A diferença neste caso seria que a decisão dos preços seria feita por parte das operadoras de receptivo, estes agentes saberiam o tamanho da demanda no momento da escolha do premio de risco a ser atrelado ao produto; enquanto no caso dos contratos em reais, este ponto seria exógeno ao cenário decisório destas firmas.

O risco atrelado à quantidade vendida também está atrelado ao câmbio no caso de contratos fechados em dólares: quanto maior o prêmio de risco, mais caro o produto em moeda de troca internacional, e menor o incentivo de venda para o cliente atacadista frente aos preços de produtos internacionais concorrentes, que podem optar por não fechar contratos com este país no próximo período de vigência. O que muda neste caso é a forma como afeta os agentes, o cliente atacadista pode decidir não vender o produto Brasil em função do risco de câmbio (caso dos contratos em reais) ou em função do alto preço frente aos preços oferecidos por produtos similares no mercado internacional (caso dos contratos em dólares que carregam prêmio de risco por fixar um câmbio para a moeda por 18 meses, tempo médio dos contratos). Já o operador de receptivo é afetado pela quantidade vendida em função dos preços internacionais e pelo risco da troca cambial no momento de realizar a receita de dólares para reais, no cenário dos contratos fechados em dólares. Com contratos fechados em reais, ele estaria somente exposto ao risco da variação na quantidade vendida, e não mais ao risco cambial. Portanto analisando o problema por este prisma, a escolha ótima seria a adoção dos contratos em reais, dado que hoje operamos com uma moeda estável no Brasil, e assumindo que esta realidade se mantenha.

Quanto aos dois outros agentes envolvidos, vejamos primeiro o caso do fornecedor. Para esta é ainda mais vantajosa a adoção dos contratos em reais, sobretudo para os que estabelecem preços em dólares para o operador de receptivo. Como vimos quase a totalidade dos custos são em reais, e o risco atrelado ao câmbio para este agente é altíssimo, portanto a operação mais segura seria ter custos e receita na moeda nacional. Claro que estariam abrindo mão de um possível ganho financeiro com uma alta do dólar, mas teriam um maior controle de suas receitas em períodos de alta volatilidade cambial, pois este fato deixaria de afetar seu fluxo de caixa.

Em se tratando do cliente final, a adoção ou não de contratos em reais entre os operadores de receptivo e o cliente atacadista, não altera sua posição, pois este não está exposto ao risco em nenhuma das duas situações. Pelo momento no tempo em que se faz sua escolha, o preço com o qual o produto chega para este agente já carrega o prêmio de risco cambial, seja este advindo desde o operador no Brasil, ou do cliente atacadista em seu próprio país. Mais ainda, estando a possível decisão de variação do valor do prêmio de risco no cliente atacadista, este agente final pode ter vantagens no sentido que não há contratos de prazo estabelecidos na relação entre atacadista e consumidor final (passageiro), e os preços podem ser alterados antes da decisão de compra do cliente final, de modo que este tenha melhor capacidade de escolher entre um destino ou outro para sua viagem, baseados em preços mais atuais dentro da realidade internacional.

Portanto, defendemos aqui a adoção dos contratos em reais, baseado nas análises de transmissão de risco entre os agentes, e no cenário econômico atual dentro do Brasil e no mundo, que também discutimos neste trabalho, envolvendo: fim da barreira à entrada para operadoras de turismo receptivo (1986), obrigatoriedade da adoção do dólar flutuante/turismo para o setor pelas políticas governamentais (1989), fortalecimento do Euro como moeda internacional e diversificação de moedas no setor mundial de turismo.

Vimos também que o patamar de câmbio de longo prazo irá definir o tamanho do setor dentro das fronteiras nacionais, e que as firmas com muita exposição à variação cambial ficariam de fora da indústria de turismo receptivo. Analisamos a tendência de

equilíbrio de longo prazo entre oferta e demanda do setor estudado, concluindo que a variação cambial afetaria o preço dos produtos turísticos brasileiros, movendo a procura por estes ao longo da curva de demanda até chegar á um ponto de equilíbrio entre a oferta e a demanda, em função da taxa de câmbio.