Evaluation of procedures & results
8.2 Reliability & choice of methods
A idéia de tipologia vem sendo bastante utilizada em arquitetura e sua descrição pressupõe uma definição mais ampla, partindo da utilização geral do conceito de tipo, que segundo Gregotti (1975), pode ser definido como:
modelo de onde extrair cópias e esquemas de comportamento; e
conjunto de traços característicos, cuja descoberta, num fenômeno determinado, nos permite sua classificação.
O autor enfatiza que o conceito de tipo tende a organizar a experiência segundo esquemas que permitam sua operabilidade (cognoscitiva e construtiva), reduzindo a infinidade de fenômenos possíveis a um número finito de casos, de acordo com o esquema tipológico a que foi submetido, baseado na análise que é feita e o uso a que se quer fazer do fenômeno.
Em arquitetura, esse conceito está intimamente ligado com a forma e recorre à noção de tipo como modelo e classificação. A arquitetura, enquanto realidade física do ambiente, pode ser analisada, através da redução tipológica (GREGOTTI, 1975).
Argan (2001) enfoca que o tipo não é formulado a priori, é sempre deduzido de uma série de exemplares. Assim, o surgimento de um tipo é condicionado ao fato de já existir uma série de edifícios que têm entre si uma evidente analogia formal e funcional.
“O tipo é, pois, constante e se apresenta com características de necessidade; mas, mesmo determinadas, elas reagem com a técnica, com as funções, com o estilo, com o caráter coletivo e o momento individual do fato arquitetônico.” (ROSSI, 2001).
A determinação do tipo é feita a partir da comparação e superposição de formas individuais, onde são eliminados os caracteres específicos dos edifícios isolados e são conservados os elementos que estão presentes na maioria das unidades da série.
Gregotti (1975) define Tipologia como a disciplina que se ocupa da discussão, classificação e fundamentação dos tipos.
Segundo Argan (2001), o processo de formação de uma tipologia é um processo conduzido com vistas a uma finalidade específica, o que é demonstrado por dois fatos fundamentais:
as tipologias não se formam só devido às funções práticas dos edifícios, mas principalmente em relação à configuração deles; e
geralmente as tipologias arquitetônicas são diferenciadas segundo três grandes categorias:
o compreende configurações inteiras de edifícios (ex. edifício de planta central ou longitudinal);
o compreende os grandes elementos construtivos (ex. coberturas planas ou em cúpula, sistemas arquitravados ou em arcos);
o compreende os elementos decorativos (ex. ordens das colunas, detalhes ornamentais).
Existem muitas formas para a obtenção dos dados referentes às edificações para determinar as tipologias existentes, desde consultas bibliográficas até levantamentos detalhados promovidos por órgãos governamentais (CARLO et al., 2005).
Dentre as metodologias utilizadas para obtenção de características físicas de edificações, destaca-se a utilizada pelo governo americano para a obtenção de características físicas de edificações e padrões de consumo dos usuários, o CBECS - Commercial Buildings Energy
Consumption Survey, que é uma base de dados utilizada para definir protótipos de edificações representativas para diversos fins relacionados ao desempenho térmico ou à eficiência energética das edificações, de seus equipamentos e sistemas (CARLO et al., 2005).
A primeira pesquisa utilizando o CBECS foi conduzida em 1979 e tem base quadrianual, sendo que o levantamento mais recente data do ano de 2003. A base de dados é composta com informações de localização, dimensões, ano de construção, atividade, ocupação, fontes de energia e uso final, áreas iluminadas e áreas submetidas a aquecimento e resfriamento mecânicos (EIA, 2006).
No CBECS, os edifícios são classificados de acordo com sua principal atividade e caracterizados por subcategorias. Os edifícios de escritórios são definidos como edificações usadas como espaços de escritórios genéricos, escritórios profissionais ou administrativos. As subcategorias são definidas como escritórios administrativos ou profissionais; escritórios governamentais; escritórios de uso misto; bancos ou outras instituições financeiras; escritórios médicos, desde que não incluam qualquer tipo de equipamento de diagnóstico; escritórios de venda; escritórios de empreitada (construção, sondagem, HVAC); serviços sociais ou não lucrativos; pesquisa e desenvolvimento; governo municipal (city hall) ou city center; escritório religioso; e call center.
O Lawrence Berkeley National Laboratory – LBL realizou estudos relacionados ao setor de energia e construção, analisando tipologias construtivas de edificações comerciais e multi- familiares, gerando 481 modelos relacionados ao uso da energia (CARLO et al., 2005).
Este estudo agrupou os edifícios comerciais em 12 tipos de edificações: grandes escritórios, pequenos escritórios, grandes hotéis, pequenos hotéis, grandes lojas varejistas, pequenas lojas varejistas, fast-foods, restaurantes, escolas, supermercados, hospitais e armazéns, com informações sobre área de piso, uso final, horas de operação, características da envolvente, tipos de sistemas, cargas internas e equipamentos (HUANG et al, 1991).
No Brasil, levantamentos sobre tipologias de edificações já foram desenvolvidas em algumas cidades. Em Salvador, Carlo et al. (2003), identificou as tipologias de 64 edifícios comerciais e 64 edifícios residenciais através de um levantamento fotográfico com o intuito de verificar a forma das edificações, o número de pavimentos, o PAF e os elementos de sombreamento. Com a aplicação da mesma metodologia, foram analisados 100 edifícios comerciais e 160 edifícios residenciais em Recife (CARLO et al., 2004), 126 edificações comerciais e institucionais em São Paulo e 326 edificações em Florianópolis (CARLO et al., 2005).
A pesquisa “Impactos da adequação climática sobre a eficiência energética e o conforto térmico de edifícios de escritórios no Brasil” (LAMBERTS et al, 2006), financiada pelo CNPq, avaliou as características de edificações de escritórios em 8 cidades brasileiras: Curitiba (PR), Santa Maria (RS), Florianópolis (SC), São Carlos (SP), Niterói (RJ), Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Maceió (AL), localizadas em cada uma das oito zonas bioclimáticas brasileiras estabelecidas pela NBR 15220-3 (ABNT, 2005a), que “visa
estabelecer parâmetros de projeto diferenciados para as edificações desta tipologia em função do zoneamento bioclimático e, conseqüentemente, do uso final da energia e conforto térmico” (CARLO et al., 2005).
O convênio Eletrobrás/Procel e UFSC para implementação do decreto n. 4.059 (BRASIL, 2001a), que regulamenta a Lei no 10.295 (BRASIL, 2001b), que dispõe sobre a Política Nacional de Conservação e Uso Racional de Energia, desenvolveu os seguintes trabalhos (PROCEL, 2008):
“Desenvolvimento de uma metodologia para criação de um banco nacional de dados sobre o consumo específico de energia” com informações sobre a tipologia arquitetônica, os componentes construtivos, os tipos de sistema de condicionamento de ar e iluminação; além disto, este banco também inclui consumo de energia mensal de edificações residenciais, comerciais e públicas, seus padrões de uso e usos finais de energia, nos setores residencial, comercial e público e segmentado por região bioclimática e ano de construção.
“Elaboração de Regulamentação e Classificação de Edificações Eficientes”, com o objetivo de “Desenvolver indicadores referenciais mínimos de eficiência energética em edificações e criar um texto em formato de norma ou regulamentação de eficiência energética para novas edificações”, além de uma metodologia de classificação de edificações mais eficientes.
No âmbito dessa pesquisa, foram caracterizados modelos de edificações que possuíam características relevantes para o consumo de energia, representando um grupo de edificações para as seguintes atividades comerciais: pequenos e grandes escritórios, pequenas e grandes lojas e hotéis.
O modelo para grandes escritórios, objeto desse estudo, foi caracterizado como edificações de uso empresarial, verticalizadas, compostas de diversas unidades consumidoras contendo pequenos escritórios ou uma grande empresa, inclusive as edificações públicas. Possuem planta retangular, com largura bastante diferenciada do comprimento, grande percentual de vidro na fachada, geralmente na cor cinza ou prata (LABEEE/PROCEL/ ELETROBRÁS, 2006).
Nenhum desses estudos, até o momento, visou avaliar os edifícios de escritórios em Brasília, no entanto alguns trabalhos já apresentam estudos de caso mais específicos sobre essas
edificações, tais como o de Amorim (2004), que analisa edifícios situados no Setor Comercial Norte e Maciel (2003) que analisa o edifício da Emater.
Silva (2006) faz um levantamento quantitativo e fotográfico de 135 edifícios públicos de escritórios, analisando a orientação das fachadas, os tipos de fechamentos opacos e transparentes e o tipo de proteção solar utilizado. Essas edificações foram incluídas nesta pesquisa, mas o levantamento foi refeito visto que algumas características tipológicas necessárias não faziam parte desse levantamento.