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3. Metode

3.7 Reliabilitet og validitet

O Referencial Curricular Nacional para o Ensino Infantil (1998)2 considera o uso da linguagem oral de extrema importância para o processo de aquisição e construção de conhecimentos pelo domínio infantil. Segundo suas orientações, a linguagem diz respeito a uma habilidade aprendida nas diversas situações de interação, entre criança e adultos ou mesmo em contextos que envolvem outras crianças. Não se refere a um processo descontextualizado, ao simples ato de memorizar ou listar palavras, a construção da linguagem oral não significa ainda a virtude de aprender simplesmente os vocábulos, mas abrange todo o grau de complexidade de uso da linguagem, e requer a habilidade de diferentes estratégias cognitivas e discursivas, para as diferentes situações e contextos onde participam os falantes.

É comum, diante do nível de complexidade da linguagem, muitos adultos utilizarem com as crianças, nos primeiros meses de vida, uma linguagem infantilizada, em que há preferência pelo uso de sufixos diminutivos como forma de aproximar a linguagem adulta da linguagem infantil. O uso dessa estratégia parte do princípio de que uma linguagem simples torna-se mais assimilável pela criança. No entanto, algumas situações rotineiras e contextualizadas demonstram que essas situações, na maioria das vezes, não passam de situações isoladas, com pouca frequência, uma vez que em situações naturais o adulto expõe a criança aos níveis de complexidade da língua.

Portanto, o Referencial para o Ensino Infantil (1998) enfatiza a ideia de que um trabalho didático-pedagógico coerente deve partir de uma reflexão sobre a linguagem, no sentido de estimular as crianças ao contato com diferentes práticas de oralidade. Segundo o RCN (1998), o registro atual aponta que situações orais de linguagem na escola limitam-se a poucas atividades, dentre elas o momento da roda, cujas atividades são centradas na figura do professor, inibindo a participação da criança de maneira dinâmica e criativa. Todavia, uma nova perspectiva para o ensino da oralidade advém de pesquisas realizadas nas últimas décadas em que a linguagem oral ganha uma importância singular, partindo da noção da língua oral como uma atividade ressignificada pela ação infantil.

Essa concepção atribui à criança uma participação ativa no processo, o que foge da compreensão de criança como simples portadora de informações. Visão linguística que valoriza os movimentos infantis dentro das ações desenvolvidas por elas como sujeitos,

2 Sempre que fizermos menção ao Referencial Curricular Nacional para o Ensino Infantil (1998)

autores e produtores, na efetiva construção de interação com o outro, ao agir e interpretar o mundo biofísico.

A língua oral, enquanto atividade, garante ao homem o desempenho da comunicação, é a base que constrói as relações no dia a dia. De acordo com o RCN:

A linguagem oral possibilita comunicar idéias, pensamentos e intenções de diversas naturezas, influenciar o outro e estabelecer relações interpessoais. Seu aprendizado acontece dentro de um contexto. As palavras só tem sentido em enunciados e textos que significam e são significados por situações. (RCN, 1998, p. 120-121)

Tal entendimento compartilha com as práticas linguísticas, que figuram nos domínios sociais, na perspectiva da língua como processo enunciativo, em que o valor passa, sobretudo, pelo modo como o sujeito organiza a linguagem, através das estratégias que utiliza quando fala com diferentes sujeitos em diferentes situações. Implica afirmar que “[...] é por meio do diálogo que a comunicação acontece”. (RCN, 1998, p. 121).

Ao valorizar a noção de língua oral, pela ideia de heterogeneidade discursiva, o RCN (1998) compreende a necessidade de que as práticas dos educadores sejam conscientes da necessidade de as crianças participarem de diferentes situações de uso da linguagem oral. Ou melhor, que as crianças tenham a oportunidade de vivenciar experiências que possibilitem a construção do avanço linguístico na infância. De acordo com os RCN (1998), as pesquisas apontam que o processo de letramento está diretamente relacionado não somente ao conhecimento da língua escrita, mas também ao conhecimento da língua oral.

A construção da linguagem oral pela criança começa desde os primeiros meses quando os bebês respondem positivamente as situações de comunicação. Quando adultos e crianças atribuem as circunstâncias enunciativas significados. De acordo com o RCN (1998), tais contextos ocasionam às crianças a oportunidade de se familiarizarem com as características da atividade oral. Isto significa que os sons da língua oral aos poucos vão sendo incorporados na linguagem infantil; a princípio, os sons são usados aleatoriamente pelo bebê e aos poucos vão adquirindo significados, passam a ser empregados conforme a intenção de comunicação.

Por ser um processo complexo, a linguagem desenvolve-se gradativamente, inclusive a gestualidade e as expressões corporais podem anteceder a apropriação da linguagem oral. O oral não se define unicamente pela apropriação dos sons, mas por um processo reflexivo de combinações fonológicas, morfológicas e sintáticas. As circunstâncias linguísticas viabilizam

à criança, na interação, o contato com outras pessoas ou mesmo com o meio ambiente onde vive. Na visão exposta pelo RCN (1998), o fenômeno enunciativo acontece mesmo antes de a criança desenvolver a expressão da fala. Essa habilidade começa desde o primeiro ano de vida, quando ela começa a empregar tanto as características rítmicas e prosódicas como o jogo dos significados nos discursos. Vale salientar que tais desempenhos caracterizam a construção da competência linguística que começa a partir dessa fase.

É comum as crianças, em situações de brincadeiras, imitarem os adultos, a exemplo de uma atividade dialógica ao telefone. Equivale a dizer que a apropriação linguística, conforme o RCN (1998), não se faz linearmente, porém se configura por meio de um jogo discursivo em que participam crianças e adultos. Gradativamente, elas passam a perceber as regularidades de uso da linguagem através dos seus conhecimentos prévios, de contexto já conhecidos por elas.

Ainda de acordo com os RCN (1998), é preciso observar que as crianças têm ritmos diferenciados de desenvolvimento na linguagem oral, equivale a considerar que os diferentes contextos podem ser motivadores, em muitas situações; além do mais, podem favorecer e acelerar as habilidades e competências linguísticas das crianças.

Deve-se mencionar que o contexto escolar é um espaço rico para o desenvolvimento do discurso infantil, inclusive pelo uso das estratégias de leituras, ação que pode desencadear um rendimento significativo ao desempenho linguístico pelas ocorrências variadas.

O RCN (1998) entende que a expressão oral da criança é o veiculo que introduz a criança no âmbito social. Além disso, a expressividade linguística conduz aos caminhos da autonomia, forma o caráter identitário, enfim, favorece o processo de desenvolvimento intelectual e cognitivo.

Na perspectiva da interação, a visão do discurso, abrange não somente o alcance da visão do adulto sobre a enunciação infantil, mas compreende o alcance do olhar infantil sobre a enunciação do adulto, ou seja, quando existe uma interpretação recíproca entre os sujeitos. Na ótica dos RCN (1998), essas habilidades discursivas ocorrem a partir das primeiras fases da aquisição; aproximadamente, ao completar o primeiro ano de vida, as crianças sinalizam para as primeiras tentativas de encontro com linguagem oral, inclusive pelas situações de brincadeiras.

Em suma, o desenvolvimento da linguagem oral infantil está diretamente vinculado a efetivas circunstâncias de uso da linguagem, em que a criança espelha-se no adulto ou em outras crianças mais velhas, que serve de referência para seu desenvolvimento linguístico.

Ao partir das postulações teóricas, o RCN (1998) traz orientações para a ação didático- pedagógica do professor, no sentido de promover a passagem da criança de contextos de fala espontâneos e recorrentes a contextos de fala que exigem uma maior reflexão quanto ao uso da linguagem. Tais orientações são estendidas a crianças de 0 a 03 anos, em instituições de creches na pré-escola, e a crianças dos 04 a 06 em ambientes de ensino infantil. Trata-se de uma aprendizagem gradativa e intencional que requer dos pedagogos não apenas uma visão teórica, mas também uma compreensão prática dos fenômenos.

Embora as pesquisas linguísticas e o RCN (1998), em vigor a mais de uma década, indiquem a direção adequada ao Ensino Infantil pela ação dos gêneros tanto escritos quanto orais, percebe-se uma maior escassez dos gêneros orais em relação aos escritos na escola. Talvez esse fato justifique os motivos do baixo rendimento das crianças, quanto ao desempenho das competências e habilidades orais, nas sucessivas exigências impostas pelos desafios sociais.

Para o Referencial Curricular Nacional (1998), constituem momentos de evolução incentivar uma abordagem com gêneros em diferentes situações, por exemplo, situações de contar histórias, de dar avisos, repassar recados, ou mesmo momentos de leitura. Nesses contextos, o papel do educador é de extrema importância, uma vez que favorece o contato direto com o interlocutor, seja crianças ou adultos, e também instiga a criança a uma postura reflexiva diante do uso linguístico.

Assim sendo, tarefas bem planejadas e que apresentam uma continuidade, segundo o RCN (1998), surtem um bom efeito quando associadas situações novas de aprendizagem a tópicos já conhecidos pela criança. Além disso, seria viável articular atividades orais não somente com a leitura, mas também com a expressão escrita, possivelmente seria uma alternativa para possíveis avanços linguísticos na ação verbal infantil.

Para o RCN (1998), é essencial que os adultos deem importância ao discurso da criança, valorize sua expressão linguística, pois isso significa encorajá-la ao desafio de novas situações no âmbito da linguagem. A ação do ouvir representaria o pilar de apoio às futuras descobertas sobre a linguagem pela criança. Mesmo diante da aparência confusa de uma linguagem infantil, quando ela ainda não consegue expressar com clareza seu pensamento, existe uma intenção comunicativa. De forma que essa prática pode ser incorporada na ação pedagógica, exigindo uma atenção especial aos comportamentos discursivos feitos pela criança na atividade verbal.

O olhar infantil sobre o mundo distingue-se do olhar adulto, pela sua visão peculiar de enxergar a realidade onde ela está inserida (RCN, 1998). Na ótica infantil, a linguagem também representa valores repassados pelos adultos, mais precisamente, os valores da família, as crenças, dogmas religiosos etc. Não tem como ficar de fora a visão cultural e social no domínio linguístico.

Os esforços caminham no sentido de ampliar a expressão oral da criança em contextos discursivos. Desenvolver atividades que proporcionem a criança expressar suas vontades, conhecer seus desejos; enfim, que a linguagem oral seja o apoio a outros espaços de aprendizagem e ainda constitua um aspecto positivo em relação ao intercâmbio das pluralidades culturais no ensino infantil. Portanto, a figura do professor, nessa dinâmica, em uma postura de respeito e de incentivo à linguagem infantil, facilita as interlocuções, quando considera o potencial comunicativo da criança, sejam por meio dos recursos linguísticos ou não linguísticos.