3.3 Tverrfaglig spesialisert rusbehandling (TSB)
3.3.2 Relevante kriterier for god oppgaveløsning
Este momento histórico que é exposto neste subcapítulo, por norma não é mencionado nos relatos históricos mais convencionais sobre a defesa da cidade de Lisboa. Contudo, é fundamental para o entendimento deste trabalho, passar por toda a linha temporal, desde o século XIV até aos dias de hoje.
O paradigma na estratégia defensiva altera-se na segunda metade do século XIV, resultado do progresso tecnológico da artilharia. Naturalmente, o modo de ver e projetar a arquitetura militar sofreu inúmeras transformações. As fortificações até então construídas revelavam-se verdadeiras representações de poder e domínio, marcando expressivamente o território natural e urbano, de grande significado, cuja função era de intimidação ao inimigo, e que por este motivo deveriam ter um alcance visual a grande distância.
Ao contrário do que se pensava anteriormente, a nova ideologia militar identificou-se pelo uso da técnica de dissimulação no território, sendo composta por pequenas construções à superfície e construções entrincheiradas, galerias e paióis, tendo geralmente mecanismos de camuflagem.
A construção bastante resistente, segundo conceitos modernistas, onde se realça o uso do ferro fundido ou a combinação do betão armado com o ferro, compreendia entrincheiramentos bem moldados ao terreno, de modo a poder atirar fogo de uma posição protegida, baterias de tiros e vias de comunicações rápidas. Uma bateria era uma plataforma, composta por um determinado número de bocas-de-fogo de artilharia, dispostas sob a mesma orientação e posições de tiro próximas.
Em 1876, um novo plano de defesa terrestre e marítima de Lisboa, foi concebido pelo nome de Campo Entrincheirado de Lisboa, cumprindo em parte com o princípio de fortificação. A defesa do porto de Lisboa compreendia dois sectores: um exterior, na margem norte do Tejo, pelo Forte de São Julião da Barra, reduto Duque de Bragança e bateria de S. Gonçalo; e, na margem sul, pelas baterias de Raposeira e Alpena.
14 1ª 2ª 3ª 1ª Bateria de Alcabideche 2ª Bateria da Parede 3ª Bateria da Lage 4ª Bateria do Bom Sucesso 5ª Bateria da Trafaria 6ª Bateria da Fonte da Telha 7ª Bateria do Outão 8ª Bateria de Albarquel
4 O seguinte subcapítulo foi baseado na conferência apresentada pelo Coronel José Paulo Berger, em outubro de 2018 no Auditório Rainha Sonjia da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa
Sucesso; e, na margem sul, pelas restantes obras da Trafaria.
Um ano após a implantação da República (1911), surge uma nova organização militar do Exército, passando a Artilharia de Costa a representar- se como um ramo distinto.
Neste sentido, nasce uma linha de Artilharia de Costa em Lisboa e em Setúbal, tornando-se num caso particular de sistemas de defesa, por se tratar de um conjunto do século XX e, por esse motivo, ainda não ter ganho a sua posição na história da arquitetura militar em Portugal, sendo assim pouco conhecido.
Já na Segunda Guerra Mundial, foi formada uma organização luso-britânica, coordenada pelo major- general inglês FW. Barron, que criou um plano de defesa costeira da região de Lisboa: o Plano Barron. Este definia um Comando de Defesa Costeira em Oeiras, responsável pela organização de dois grupos: o sector Norte - defendendo o rio Tejo e o Porto de Lisboa - e o sector Sul - defendendo o rio Sado e o Porto de Setúbal. O grupo norte abrangia as primeiras quatros baterias: Alcabideche, Parede, Lage e Forte do Bom Sucesso; o grupo sul incluía as restantes quatro: Trafaria, Fonte da Telha, Outão e Albarquel (fig. 3).
Este plano, foi executado por fases entre 1948 e 1958. Durante este período, as oito baterias definidas no Plano Barron passaram a ser operacionais, na sua maioria foram instaladas casamatas e paióis subterrâneos e armadas com peças de grande calibre. Entretanto o Comando da Defesa Costeira passou a ter a designação Regimento de Artilharia de Costa - RAC.
Também no pós-guerra foram armadas Baterias Independentes de Defesa de Costa, fora deste plano, nos Açores, na Madeira e em Cabo Verde.
Fig. 3. Localização das oito Baterias do
Regimento de Artilharia da Costa (RAC)
15 4ª 5ª 6ª
7ª 8ª
Em 1976, o RAC passou a ser o único grupo de Artilharia de Costa do Exército Português, assumindo, além da sua missão operacional, a função de Escola prática, passando a ter a competência do estudo e do ensino desta especialidade em Portugal.
Até 1977, a Artilharia de Costa passa a ter um novo estímulo, marcado pela modernização da técnica de direção de disparo, embora o material se mantivesse o mesmo. Quando eram feitos exercícios de tiro, o tráfego marítimo e aéreo nas áreas de Setúbal, Lisboa e Cascais eram suspensos e a população era informada nas áreas de influência das peças.
Sendo pouco prováveis as ameaças e com o aumento da urbanização nas zonas onde estavam instaladas a maior parte das baterias, estas foram sendo desactivas, com a exceção da 6ª e 7ª Baterias (Fonte da Telha e Outão, respectivamente) para exercícios de tiro, uma vez que se encontram junto a zonas costeiras protegidas, nas quais a construção de habitações era mais reduzida. Este modo de defesa, bem como os próprios conjuntos militares, foi-se tornando obsoleto e, em 1999, o RAC foi totalmente desactivado, tendo nesse ano realizado os últimos disparos do Muro Atlântico Português.
Com a desativação de todas as Baterias de Costa, hoje em dia estas estruturas encontram-se na sua maioria sem qualquer utilidade, encontrando-se apenas vestígios bélicos abandonados e peças de artilharia decadentes. Como excepção, diferencia-se o caso da 1ª Bateria, em Alcabideche, da qual só foi recuperada uma peça de tiro, exposta numa rotunda do novo Hospital de Cascais; a 3ª Bateria, da Lage, em Oeiras, transformada numa Associação de Comandos; e a 4ª Bateria, do Bom Sucesso, em Belém, actual Museu da Liga dos Combatentes.
Através desta leitura pretende-se compreender a razão pela qual as baterias militares estão inseridas neste território (fig. 4).
O actual território das Baterias da Lage e Fontainhas é marcado por dois momentos distintos cronologicamente. Embora nasçam conceptualmente de um propósito comum, o da defesa da costa e do território, estas duas ocupações principais divergem pelo tipo de intervenção e compromisso que assumiram com o sítio.
As peças edificadas préexistentes constituem
testemunhos ricos que aqui se pretendem enquadrar e contextualizar, de modo a compreender a sua importância histórica e patrimonial.
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Fig. 4. Enquadramento das
Baterias no lugar, planta do século XIX
Situada no planalto que domina a praia de Santo Amaro de Oeiras do lado Leste, a actual Bateria da Lage, assim conhecida pela proximidade à Ribeira da Laje, em 1902, era designada como Bateria Rainha Maria Pia, em memória da viúva do rei D.Luís I.
Projetada pelo Major de Engenharia Firmino José da Costa, a 1 de Março de 1887 foi começada a ser edificada , e apesar de ter sido concluída, em 1889, a bateria só foi equipada com três bocas de fogo Krupp nos princípios do século XX.5
No âmbito do Regimento de Artilharia de Costa (RAC), a 3ª Bateria da Lage estava integrada no Grupo Norte do complexo sistema de fortificações do ―Plano Barrow‖6.
Esta bateria de artilharia de costa tem uma imensa frente marítima, desde Algés até à entrada da barra do Tejo, em Oeiras.
À semelhança das 5ª e 8ª Baterias da Raposeira
(Trafaria) e de Albarquel (Setúbal), estava
equipada com 3 peças de fogo Krupp CTR 15 cm de curto e médio alcance e contribuía para a defesa de proximidade da barra do Tejo.
Contava, nas proximidades, com o apoio adicional da 2ª Bateria da Parede. Esta instalação militar contava, ainda, com um quartel, casamatas e paióis para alojamento do material e pessoal militar que prestava serviço nesta antiga unidade militar do Exército Português.
Perdida a sua função militar, em 1998, as instalações militares foram cedidas à Associação de Comandos que, atualmente, proporciona um espaço verde para atividades de desporto e aventura.7
19 cidadela de Cascais e a Defesa da Costa
Marítima do Guincho ao Estoril. In: ―Boletim do AHM‖, Lisboa, vol. 63 (1998 – 1999), pp. 37 – 98
7 MACHADO, M. (22 de Dezembro de
2008). Os Últimos Disparos do ―Muro do Atlântico‖ Português. Obtido em Fevereiro de 2011,
de http://www.operacional.pt: http://www.oper acional.pt/os-ultimos-disparos-do- %E2%80%9Cmuro-
A Bateria da Lage, que mantém em bom estado de conservação as três peças de 15 cm K.T.R, foi muito embora projectada e construída para ter três peças de 28 cmKrupp.
A bateria tem em planta a forma rectangular, constando de uma frente marítima, dois flancos e um gola.
Todo o edifício é envolvido por um fosso vedação interrompido na entrada, que se faz por um portão de ferro aberto no flanco direito, ao nível do terrapleno baixo da bateria e que dá acesso à estrada de ligação entre as duas baterias (Bateria da Lage e Bateria das Fontainhas), a Rua Nuno Álvares Pereira, antiga estrada Real.
As três plataformas são limitadas lateralmente pelos muros dos traveses e protegidos na frente por um muro de alvenaria e betão. Do outro lado das plataformas abrem-se as portas de comunicação com os abrigos, pelas quais se fazia o serviço das munições, recebendo cada boca de fogo os cartuxos por um lado e os projécteis pelo outro.
Fig. 6 Imagens de exercícios militares, ainda
aquando da ocupação miliar da Bateria da Lage, s.d,
Real de 14 de Novembro de 1901, que reestruturava o Campo Entrincheirado de Lisboa, a Bateria a construir no sítio das Fontaínhas, entre Oeiras e Paço de Arcos, faria parte do Sector Interior das Defesas do Porto de Lisboa.8
Este ponto fortificado, assim como a Bateria da Lage, construída em 1887, e a Bateria da Praia de Santo Amaro, ainda em obras, contribuiria para a defesa da Barra do Tejo.
Concluídas as escavações, nas quais não foi encontrada pedra, o Capitão Sá Nogueira, diretor da obra, informou superiormente, a 12 de Novembro de 1902, ir começar em breve, as construções de alvenaria. Assim sucedeu e em Agosto de 1904 já a artilharia estava montada.
Completada a obra a 31 de Dezembro de 1906, procedeu-se, a 2 de Março de 1907, à entrega da Bateria das Fontaínhas ao Governo do Campo Entrincheirado.9
Pronta a intervir na defesa de Lisboa, e do seu porto, o que felizmente não veio a ser necessário, nem nas duas guerras que tiveram lugar durante a sua existência, ou em qualquer conflito interno, esta fortificação - obteve das Autoraidades militares a Autoraização para captar água das nascentes, e daí o nome de Fontaínhas - não podia eximir-se ao destino da maior parte dos pontos fortificados, a perda de valor estratégico e o consequente abandono.
No ano de 1946, a Bateria das Fontaínhas e outras fortificações e instalações militares passaram para a dependência do Regimento de Artilharia de Costa mas, tempo depois, acabou por ser desartilhada. Em 1951 encontrava-se a servir de arrecadação de material e munições doutros pontos fortificados como, também servia de residência a oficiais, sargentos e familiares (CALLIXTO, 2002).
do Concelho de Oeiras‖, Oeiras: Câmara Municipal de Oeiras, 2002
9 BERGER, José Paulo (Coronel) (2017), "Campo
Entrincheirado de Lisboa", Tertúlias de História
Militar (apresentação ), direção de História e Cultura
Militar, 21 de Maio de 2017.
No ano seguinte, após a demolição da Bateria de Santo Amaro, o Terço de Oeiras da Legião Portuguesa, conseguiu instalar-se na Bateria das Fontaínhas inaugurando o seu Aquartelamento, a 30 de Novembro. Com a Revolução de 25 de Abril, foi de imediato devolvida ao Regimento de Artilharia de Costa o que levantou reparos por parte do Ministério do Exército.10
Apesar de a fortificação estar desactivada, e ocupada pela Legião Portuguesa e por sargentos e seus familiares, nunca as Autoridades militares dela se haviam desinteressado.
Assim se encontra, a Bateria das Fontaínhas: a fortificação está em relativo estado de conservação e muito merecia ser preservada para o futuro, como valioso exemplar de um ponto fortificado construído no princípio do século passado.
Estaria armada com quatro peças de tiro rápido de 7,5 cm e 45 calibres de comprimento, protegidas com escudos de aço e montadas em reparos de eixo central com uma altura de joalheira de dois metros.
A bateria de forma rectangular, consta de uma frente marítima, uma gola e dois flancos. A frente é perpendicular à antiga linha média da faixa de torpedo, linha tirada pelo moinho das antas, paralelamente à linha de Torres. A magistral eleva-se à cota 20, 30m e o plano de fogo teria uma inclinação de 10º com o horizonte. A bateria é semienterrada e o terreno em que assenta é de calcário rijo
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Fig. 7. Plantas, Cortes e Alçados da
Bateria das Fontainhas, do século XIX
10 SOUSA, Pedro Marquês de (Tenente-Coronel), "A Artilharia de Costa na Defesa de Lisboa
na 1ª Guerra Mundial (1914-1919)", in Revista de Artilharia, n.1100-1102, Abril-Junho de 2017, pp.83-100.
Fig. 8- Perspectiva sobre a entrada para a
Bateria das Fontainhas. Esta imagem revela de imediato a ocupação habitacional de forma livre e arbitrária por uma população mais desfavorecida.