KAPITTEL I YTTERLIGERE RETTIGHETER
AVSNITT 6 — RELEVANTE KLASSE- ELLER TYPEEMNER
As telenovelas exibidas no chamado horário nobre, das 20 horas, são as grandes campeãs de audiência. Milhares de brasileiros param e se juntam para acompanhar o desenrolar da “novela das oito”. O desfecho dos personagens é acompanhado com fidelidade pelos telespectadores.
Um dos mais expressivos nesta área é, com certeza, Manoel Carlos. As novelas de Manoel Carlos, nos últimos anos, têm se apropriado da estratégia do merchandising social para compor suas tramas. No entanto, diferente de alguns autores como Gilberto Braga que traz, sempre, histórias de suspense, de assassinatos misteriosos, e de Glória Perez que focaliza temas polêmicos como a clonagem humana29 e o transplante de órgãos30; Manoel Carlos tem como característica principal colocar seus personagens em situações corriqueiras como trabalhar, andar no calçadão do Leblon, visitar um amigo, além de utilizar de diálogos coloquiais sobre assuntos do dia a dia. “Na novela, gosto de tratar desse dia-a-dia frugal, trivial, que acontece na vida de todos nós.” (Manoel Carlos in Memória da Globo, 2008: 110). Apesar de retratar esse universo do cotidiano, o autor sempre traz em suas tramas questões sociais. Elas possuem grande destaque na história e são responsáveis por algumas campanhas nacionais, como, por exemplo, a de doação de medula óssea iniciada paralelamente a exibição do drama vivido pela personagem Camila em Laços de Família (2000).
A diferença de estilos entre os autores, na telenovela brasileira, reflete uma especificidade estrutural que só é comente no Brasil, o princípio da autoria. Este princípio desconstrói o estereótipo de que a telenovela é um produto cultural padronizado e serializado. De fato, a criatividade dos autores é
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O Clone (2001/2002)
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um dos elementos que mais se destacam na telenovela brasileira. Como bem lembra Nogueira (2002):
Observando-se a tensão entre criar e seguir regras dessa indústria, constata-se que, mesmo numa produção serializada e estandardizada, a criatividade exerce alguma força e ocupa um espaço. (NOGUEIRA, 2002: 137)
O autor de uma produção, qualquer que seja ela, é aquele que faz o ato de produzir, que cria que inventa. O autor de uma telenovela é o responsável por criar a trama e seus personagens e, é também, responsável pelo sucesso ou fracasso de sua obra. Através de suas histórias e de seus personagens, o autor passa para o telespectador alguns de seus valores, pensamentos ou idéias a respeito de acontecimentos do mundo e das relações interpessoais. “Ao organizar os elementos ficcionais, o autor está comunicando ao público seu ponto de vista sobre determinados temas, além de simplesmente contar uma história.” (PALLOTTINI, 1998; 177).
Neste sentido, diálogos simples, situações corriqueiras que se apresentam no cotidiano de qualquer brasileiro e a abordagem de questões sociais são alguns dos elementos que caracterizam as obras de Manoel Carlos, que desde a década de 90, aparece como um dos grandes nomes em termos de autores de telenovelas. “Os autores, por sua vez, acabam desenvolvendo determinado tipo de estrutura narrativa e caracterizando-se por um determinado gênero de telenovela, se é que se pode dizer que existem gêneros definidos dessa forma de narrativa.” (COSTA, 2000: 169)
Manoel Carlos nasceu em São Paulo no ano de 1933. Começou sua carreira como ator, depois passou pela direção e pela produção de programas variados como: a Família Trapo (humor) e Brasil 60(show), ambos pela TV Tupi. Em 1972, é contratado pela TV Globo para dirigir o programa Fantástico.
Em 1978, o autor faz sua estréia como escritor de telenovelas com
Maria, Maria e, no mesmo ano, escreve A Sucessora, grandes sucessos no
horário das dezoito horas. Mas, foi a década de 90 que o consagrou como escritor do horário nobre. O cotidiano carioca, as relações familiares e a busca pelo amor romântico marcaram os sucessos dessa época. São eles: Felicidade (1991), História de Amor (1995) e Por Amor (1997).
Nos anos de 2000 e 2003, o autor escreveu dois grandes sucessos do horário nobre: Laços de Família e Mulheres Apaixonadas, respectivamente. A burguesia carioca e seu cotidiano é o grande fio condutor de suas telenovelas. Nessas tramas, o autor debate temas como o alcoolismo, a infidelidade, o homossexualismo, o casamento por interesse, os conflitos familiares e a eterna busca pelo amor. “Por isso, uso os elementos do dia-a-dia nas minhas novelas. Isso aproxima muito o telespectador da trama.” (Manoel Carlos in Memória da Globo, 2008: 109).
O amor retratado nas telenovelas de Manoel Carlos possui características que estão presentes em todas as suas obras como, por exemplo, para o autor, o verdadeiro amor só é encontrado quando a personagem amadurece. Os modelos de amor são construídos através de personagens que já possuem certa estabilidade. É raro ver em suas obras, modelos de amor construídos por personagens adolescentes e imaturas.
O autor tem como uma das principais características o retrato do universo feminino. Suas personagens principais são, geralmente, mulheres simples, mas batalhadoras e que estão à procura de um grande amor. Através de perfis femininos, o autor apresenta questões que fazem parte do cotidiano de todos, homens e mulheres. As mulheres são as grandes personagens das histórias do autor. “Onde está a mulher, a meu ver, estão duas coisas contraditórias, mas não são: a paixão e o equilíbrio.” (Manoel Carlos in Memória da Globo, 2008). Essas características se devem ao fato de que, ainda hoje, apesar do aumento da audiência masculina, a audiência feminina é bastante superior. Além disso, as mulheres são as grandes responsáveis pelo consumo do amor, ou seja, de produtos da indústria cultural que tenham como foco esse sentimento. As mulheres vão estar mais sujeitas a se envolver emocionalmente nas tramas das telenovelas via questões amorosas. “Agora, o universo feminino está sempre presente no meu trabalho porque sempre achei, e continuo achando, como muitas pessoas que a mulher move o mundo.” (Manoel Carlos in Memória da Globo, 2008: 88).
Em 2006, a TV Globo exibiu a telenovela Páginas da Vida que leva a assinatura de Manoel Carlos. Nessa obra, mais uma vez, o autor retrata o cotidiano dos brasileiros, através do universo feminino, das relações familiares, dos diálogos simples e da inserção de campanhas sociais. E por fim, em 2009,
o autor assinou sua mais recente obra Viver a Vida. Mas, apesar do destaque dado às questões sociais como a inclusão social de pessoas com Síndrome de Down e das dificuldades enfrentadas pelos deficientes físicos respectivamente, o foco principal dessas narrativas é a busca pelo amor, pelo companheiro ideal e pela felicidade plena que só pode ser alcançada através da realização e da concretização do verdadeiro amor.
3.2 As novelas de Manoel Carlos: A vida imitando a arte ou a arte imitando