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Relevante økonomiske variabler og etablering av datagrunnlag

A.2 Vedlegg : Metode

A.2.1 Relevante økonomiske variabler og etablering av datagrunnlag

Nessa nova dinâmica econômica, o capital financeiro se torna a principal personagem e sua lógica de acumulação passa a influenciar todos os setores da economia. Aqui o estudo pretende discutir como a lógica financeira transformou a estrutura da economia real. Ou ainda: quem são os novos atores econômicos que surgiram com essa dinâmica e como ela influenciou os atores já existentes.

Antes de falar sobre as empresas das décadas de hegemonia financeira, porém, é importante ressaltar o que ocorreu com os setores produtivo e empresarial nos anos que precederam a emergência do setor financeiro. Para tanto, vale citar Duménil e Lévy (2007, p. 3), que muito bem retrataram essa situação:

O poder e a renda da classe capitalista foram diminuídos depois da Grande Depressão e da II Guerra Mundial. Durante o compromisso keynesiano ou socialdemocrata (entre a Guerra e os anos 1970), os quadros administrativos (gerentes) das grandes sociedades por ações (na gestão das suas empresas) e os empregados públicos superiores (na definição das políticas) desenvolveram comportamentos mais autônomos, nos quais o poder e os privilégios da classe capitalista se encontraram consideravelmente reduzidos, ainda que não radicalmente apagados. Crescimento, emprego e progresso técnico tendiam a se tornarem alvos bastante autônomos, independentemente da remuneração da propriedade (em dividendos e juros). Uma fração bastante importante dos lucros permanecia nas empresas e era investida produtivamente. A rentabilidade das instituições financeiras era tipicamente baixa (em particular, no contexto da propriedade pública dessas instituições financeiras). Em países da Europa e no Japão, e em países da Periferia, institucionalidades alternativas, frequentemente chamadas de “economias mistas”, foram estabelecidas e revelaram-se muito proveitosas. O Estado estava fortemente envolvido na gestão econômica; em vários casos, a propriedade de setores inteiros da economia era transferida ao Estado. Os EUA atravessaram tais transformações, mas numa medida consideravelmente inferior à Europa ou ao Japão.

Esse foi o quadro até meados dos anos 1970, com a crise de Bretton Woods. Entretanto, uma forte mudança ocorreu com a emergência do setor financeiro e sua liberalização. Nesse novo momento, como Marx já mostrava, o capital, quando em liberdade, tende à centralização para aumentar sua valorização. A esse respeito, temos exemplos bem acabados dessa centralização, com o surgimento dos fundos de pensão e dos fundos mútuos, graças ao fortalecimento das políticas de “desintermediação” financeira no período. Esses

novos participantes, somados aos bancos, seguradoras, corretoras e às próprias empresas transnacionais, são considerados os principais atores da Globalização Financeira.

Em relação aos fundos, sua lógica consiste em centralizar parte da poupança dos agentes de modo a aumentar o poder de barganha na especulação financeira. Segundo Sauviat (2005, p. 109):

Receptáculos privilegiados da poupança financeira dos assalariados das grandes empresas e das famílias afortunadas ao longo dos anos 80-90, num contexto de aumento crescente das desigualdades de renda, os fundos de pensão e os fundos mútuos surgiram como os principais autores dos mercados financeiros, transformando a amplitude, a estrutura e o funcionamento desses mercados. Tornando-se os principais acionistas de empresas, mas também seus principais emprestadores, assim como dos Estados, puderam reivindicar um duplo poder, de “proprietário” e de credor, e fazer novas exigências.

A partir dessa colocação, é possível observar a amplitude da lógica essencialmente financeira em relação aos diversos setores econômicos. Como há hegemonia do capital financeiro, a riqueza deixou de ter como seu polo dinamizador o setor produtivo e passou a ser gerida basicamente pela esfera financeira. A esse respeito, Chesnais (1995, p. 19) diz:

O triunfo de uma abordagem essencialmente rentista, cuja obsessão é mais a apropriação de riquezas do que sua criação mediante ampliação da produção, foi fortemente facilitado pelo surgimento de novas formas de centralização do capital-dinheiro, que não fossem os bancos, e sem as tradições e a relativa disciplina que esses haviam aceitado outrora. O crescimento dos grandes fundos de pensão anglo-saxões e japoneses, assim como aquele dos fundos comuns de aplicação e de gestão de portfólios de títulos (mutual funds), geraram instituições que lidam com massas financeiras gigantescas, procurando se valorizar por meio de formas e critérios puramente financeiros. Essas massas buscam maior rentabilidade e, também, máxima mobilidade e flexibilidade, sem ter nenhuma obrigação a não ser a de crescer/valorizar-se. As consequências de suas operações sobre a acumulação e o nível de emprego não são de seu interesse. No entanto, os principais beneficiados pela “globalização financeira” foram justamente essas operadoras financeiras de um tipo qualitativamente novo. Trata-se com frequência de formas de centralização de capitais dispersos já antigas, mas que nunca haviam se beneficiado de uma fase de acumulação tão longa quanto nos “trinta anos gloriosos”. Seu advento representa um salto qualitativo no processo de restauração do “poder opressor” do capital rentista que Keynes tanto temia e denunciava.

Dentro dessa nova dinâmica, as empresas de capital aberto sofreram grandes transformações na sua gestão administrativa – muitas vezes as empresas necessitam de planejamentos de longo prazo, principalmente quando se opta por grandes investimentos que levam um tempo para maturar. Acontece que a demanda do capital financeiro não tem tempo para esperar, exigindo a maximização do ganho no curto prazo custe o que custar. Sobre esses rentistas, que controlam as ações das empresas, Plihon (2005, p. 140) afirma:

Esses atores praticam uma política acionária muito ativa, que repousa sobre dois princípios fundamentais:

• as empresas devem estar organizadas de maneira que o controle externo pelos acionistas possa se exercer plenamente;

• os objetivos perseguidos pelas empresas devem ser orientados prioritariamente à “criação de valor acionado”, isto é, à maximização do valor do patrimônio do acionista.

Como o setor financeiro acabou se apropriando de grandes firmas mundo afora e os investidores institucionais se tornaram os principais players de suas gestões, passou-se a exigir ganhos imediatos para contemplar os interesses rentistas. Em consequência, grandes e médias corporações começaram a fazer reestruturações produtivas, baseadas em pesados corte de custos. Mais: as tesourarias das empresas começaram a ter papel de destaque dentro das corporações – ao invés da produção, muitas delas optaram por investir no setor financeiro para maximizar o lucro.

Simultaneamente às mudanças administrativas, nos anos 1980 e 1990, uma autêntica revolução atingiu o setor de logística, permitindo uma brusca queda dos custos, principalmente de transporte de cargas. Nesse cenário, onde as empresas têm a opção de produzir em diferentes localidades sem gastar fortunas na mobilidade das mercadorias, os trabalhadores de diferentes países passaram a concorrer entre si e as empresas a pressionar os governos para diminuir o custo trabalhista. Sobre esse tema, Plihon (in CHESNAIS, 2005, p. 134) diz:

Uma das características do novo capitalismo, desejada por seus promotores, é estabelecer uma nova relação de forças em favor dos detentores do capital na economia mundial. O objetivo era reconsiderar o compromisso entre capital e trabalho, fundado sobre a divisão dos ganhos de produtividade,

assim como o papel ativo das políticas públicas, que haviam prevalecido na fase fordista do capitalismo e reduzido provisoriamente o poder da finança.

Assim, os altos índices de produtividade alcançados nas décadas de 80, 90 e 2000 pouco representaram em ganhos reais para os trabalhadores. Ao contrário. Além de ter roubado parte dos empregos (em razão do grande avanço tecnológico, os trabalhadores foram substituídos por máquinas), houve forte pressão política por parte dos agentes representantes do capital para que os governos, em várias partes do mundo, adotassem reformas trabalhistas de modo a diminuir os direitos dos trabalhadores. Nesse contexto, os sindicatos tiveram seu poder de barganha fortemente reduzido e a renda média do trabalhador cresceu bem menos que os ganhos financeiros, aumentando a desigualdade.