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FIGURA 16: Bairros Candangolândia e Maringá. Fonte: USIMINAS, 1965.

Descrição: destinado aos técnicos operadores e aos

operários para a construção da cidade. Desde o início, houve a necessidade de acampamentos para os operários que trabalhavam na construção da cidade. No plano inicial, estes bairros foram destinados para abrigar moradias provisórias, feitas de madeira e, posteriormente, eles receberam uma reformulação de natureza técnica recebendo infra-estrutura para se tornarem bairros permanentes. Foram projetados uma escola para o Candangolândia e outra para o Maringá, um centro social no limite entre os dois bairros e uma unidade de saúde. Estes bairros atualmente formam um só que passou a ser chamado de Amaro Lanari, pertencente à Coronel Facriciano. Devido ao fato deste bairro estar fora dos limites de Ipatinga não foram encontrados na prefeitura os dados referentes às fases de opcupação e desenho urbano.

Como visto, os primeiros bairros da Vila-Operária foram, aos poucos, se expandindo para suprir o déficit de 2291 moradias, de acordo com o plano habitacional, USIMINAS (1965), e em muitos casos já contando com os sistema de financiamento do BNH.

Ainda em decorrência do plano habitacional de 1965 foi viabilizado, em 1966, o convênio entre o Banco Nacional de Habitação, a Caixa Econômica do Estado de Minas Gerais, a Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais (COHAB-MG), a Usiminas e a Cooperativa Habitacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, Mecânicos de Material Elétrico de Ipatinga (COHATRAMI). Entretanto, este convênio não pode ser atendido em sua totalidade, devido a modificações na linha de atuação do BNH, e “[…] só a Cohab teve condições de construir, em terreno cedido pela USIMINAS, a primeira etapa do Prato Raso com 200 moradias”, como está em USIMINAS (1976:11), que deu origem ao bairro Novo Cruzeiro.

Em 1975, foram construídas mais 300 moradias, completando, também pela COHAB, a segunda etapa do Prato Raso. Segundo Marques (2005), na época, este novo núcleo habitacional recebeu o nome de Contingente e foi construído no centro37. Desta forma, o Novo Cruzeiro e o Contingente foram as duas primeiras intervenções da Usiminas do outro lado da ferrovia, sem contar com os bairros pioneiros Horto e Santa Mônica, em uma região que ultrapassava os limites daquela localizada entre o a área da Usina e o Rio Piracicaba.

Segundo Rocha (2004), após a constituição da USIMINAS Mecânica S.A (USIMEC), em 1970, a situação habitacional de Ipatinga tornou-se ainda mais critica e as novas moradias feitas pelo “Prato Raso” não eram suficientes para cobrir o déficit habitacional.

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O grau de desenvolvimento alcançado pela vila-operária implantada pela USIMINAS conduzia à necessidade de uma avaliação dos seus aspectos urbanísticos, especialmente de ordem física, face ao propósito iminente de ampliar a oferta da moradia. As construções efetuadas em programações intermediárias estavam sendo insuficientes para o atendimento, tanto da demanda vegetativa quanto da motivada pelas expansões da Usina (USIMINAS, 1987:03).

Mesmo após o início das vendas das habitações, Machado (2004) considera que, até então, toda a vila-operária ainda era o “quintal da empresa” e a própria Usiminas neste momento queria se ausentar da responsabilidade de “síndica-proprietária”.

Desta forma, para dar continuidade a expansão urbana, a Usiminas criou uma superintendência habitacional com o intuito de viabilizar um novo programa habitacional e um plano diretor para as áreas a serem ocupadas. A superintendência montou uma equipe de engenheiros e arquitetos que se instalou em Belo Horizonte e promoveu, em 1973, uma concorrência Internacional para o “Plano habitacional USIMINAS/USIMEC”.

Foram convidados a participar desta concorrência os arquitetos: Lúcio Costa, Sérgio Bernardes e Maurício Roberto. Lúcio Costa não aceitou participar, ficando a decisão entre os dois últimos (MACHADO,2004). A proposta do arquiteto Maurício Roberto foi a escolhida e ao final do ano de 1975 eram iniciados os estudos propriamente ditos para plano.

Segundo Rocha (2004), o plano apresentado priorizava um sistema viário de integração, dando enfoque aos aspectos ambientais da região sendo este um dos primeiros planos no Brasil a contemplar o meio ambiente como prioridade no crescimento das cidades, servindo de exemplo para outros no estado de Minas Gerais. “Essa visão conjunta e permanente do físico com o ecológico deverá presidir todo o planejamento urbanístico que está sendo elaborado” (USIMINAS,1977:[sp]).

Foi o maior plano até então desenvolvido pela empresa, em que foi feita uma minuciosa análise da situação da cidade, apurando os resultados positivos e negativos decorrentes da configuração urbana formada, resultando em extensos volumes documentais. Características de cada bairro, índices de poluição e ruído foram estudados de forma a tentar conduzir um crescimento habitacional com um mínimo de impacto na região e com maior qualidade de vida, além de alertar para o fato de não se poder pensar mais a cidade em duas partes, uma pertencente a USIMINAS e a outra que cresceu mais espontaneamente.

[…] a mesclagem entre funcionários da USIMINAS e pessoas estranhas ao seu quadro funcional recomendado para qualquer agrupamento habitacional, além de criar o clima diversificado, ‘democrático’, indispensável à vida da cidade, minimizaria, ou mesmo permitiria anular, os subsídios que a USIMINAS é obrigada, hoje, a dispensar a fim de viabilizar economicamente seus empreendimentos habitacionais.

As proposições feitas para um novo tratamento urbanístico da cidade, embora extravasando os limites das áreas de propriedade da USIMINAS […], visam a propiciar um crescimento paralelo e harmônico entre a Usina e a Cidade. Ipatinga e USIMINAS poderão ter no futuro vida cordial alegre e próspera (USIMINAS,1977:3).

Em 1977, o plano foi finalizado, trazendo algumas novas estratégias para o planejamento urbano, criticando a formação da cidade por unidades residenciais isoladas umas das outras. No entanto, este plano não se mostrava contra a formação de UVs auto-suficientes, mas sim delas estarem dispersas no território urbano:

A cidade não tem o aspecto de um aglomerado urbano normal e coeso (…) Os bairros resultaram dispersos, separados por morros e áreas livres, demasiado distantes um dos outros por morros, zonas livres, bairros residenciais onde a vida de relações se torna difícil (USIMINAS,1977:63).

Entretanto, muito do que foi exposto neste Plano para proporcionar a unificação social dos diversos bairros de Ipatinga não foi realizado e nem tão pouco se tem conhecimento de ter sido compartilhado com a prefeitura municipal. Segundo Rocha (2004), o resultado efetivo deste plano foi criar bases de informação para a elaboração de termos de referência para futuros loteamentos da USIMINAS.

Sendo assim, a superintendência habitacional colocava em licitação, quando necessário, o projeto para uma nova unidade de vizinhança (UV) que deveria utilizar as premissas contidas no termo de referência. Neste contexto, surgiram os bairros Bela Vista38, o bairro das Águas, o Ideal e foi realizada um nova etapa de expansão em diversos bairros já formados da USIMINAS (Areal, Imbaúbas, Cariru, Castelo, Bom Retiro).

Segundo Rocha (2004), no início da década de 80, a superintendência foi desativada, pois a demanda maior da Usiminas por novas habitações havia cessado, já que a mecanização da indústria proporcionou uma redução no número de funcionários. A partir de então, a cidade passava a se desenvolver com maior independência da Usina. Isto, entretanto, significou um maior controle do mercado imobiliário sob a cidade (MACHADO, 2004).

Encontraram-se ainda, nos arquivos da USIMINAS, registros de programas urbanísticos prosteriores, como o Plano Diretor para ocupação das áreas urbanas em Ipatinga e região adjacente de 1985 e uma nova fase do plano Habitacional de 1987 (USIMINAS, 1987). Entretanto, o núcleo urbano da vila-operária já estava consolidado.

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O bairro Bela Vista, por exemplo, foi projetado pelo arquiteto Joany Machado, consultor da Usiminas, financiado pelo BHN e executado por uma empreiteira licitada, de forma que os prédios e casas deveriam ser vendidos seguindo normas, também presentes no termo de referência, buscando controlar a especulação imobiliária (MACHADO, 2004).