Chapter 4 Kinematic & Dynamic Analysis
4.2 Relationship of the hanging-wall geometries with the fault plane
No Condomínio, o bloco ganharia ainda maior visibilidade, criando um público cativo de jovens da Zona Sul para seus ensaios, que se transformariam no point dos verões seguintes, de 1989 ao ano 2000. João Avelleira explica as razões da mudança da quadra do Força Jovem para o Clube Condomínio:
A gente fica três anos lá na quadra do Força Jovem e o que que acontece? Acontece que é o maior sucesso! Começamos com cem pessoas, passamos para duzentas, trezentas, quatrocentas, que tomam a quadra toda. Os carros começam a se enfileirar descendo a rua Pacheco Leão, gente para tudo quanto é lado, cerveja que não dava, já no primeiro e no segundo anos...aí a gente vê que não tinha mais condição de ficar lá e desce para o Clube Condomínio, no Carnaval de 1989. O Clube Condomínio começa e a gente começa a botar as fitas [música mecânica], e aí o Suvaco explode! (João Avelleira em entrevista à autora em 22 de abril de 2017).
104 Mestre Filipão vinha da escola de samba Mocidade Unida do Santa Marta, da comunidade de
Botafogo, e já era mestre de bateria do Bloco de Segunda, de Botafogo, fundado em 1987, um ano depois do Suvaco do Cristo. (PIMENTEL, 2002, p.102).
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As festas no Condomínio eram embaladas, além do samba do bloco, por MPB e rock’n roll. O Suvaco foi o primeiro bloco carioca a introduzir no ambiente carnavalesco outros ritmos diferentes do samba e seus congêneres (choro, marchinhas, marchas-rancho, sambas de embalo e sambas de enredo), o que nos leva a concluir que ele acabaria por influenciar, mais tarde, uma nova geração de agremiações surgidas nos anos 2000, como o Empolga às 9 e o Monobloco. Vamos inclusive encontrar na fundação desses novos blocos pessoas emblemáticas do início do Suvaco, como o poeta marginal Chacal e o próprio Lenine. O Monobloco, inclusive, no ano ode 2001, passou a ocupar o lugar do Suvaco no Clube Condomínio, transferindo seus eventos do Malagueta (uma casa de forró no bairro de São Cristóvão, Zona Norte) para lá. (MOREL, 2015). Em 2001, o Suvaco passava seus ensaios para o Clube Monte Líbano, pois o Condomínio não comportava mais o público do bloco.
Figura 76: Clube Condomínio nos anos 1990
Fonte: Acervo Suvaco do Cristo.
No Clube Condomínio, as festas do Suvaco chegavam a reunir mais de 3 mil pessoas e foi aí que o bloco estourou. Sucesso que resultaria também, mais tarde, no racha entre os fundadores, quando não haveria consenso sobre o que fazer com todo dinheiro que o bloco vinha ganhando com seus eventos. João Avelleira, no
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documentário do Suvaco, diz que havia pensado em comprar um terreno na Barra da Tijuca para fazer uma casa com piscina, uma espécie de clube que seria frequentado pela turma do bloco. No filme, Xico Chaves e Macalé afirmam que achavam aquela uma ideia de maluco e que o dinheiro tinha que ser revertido para o próprio bloco. Chaim também questiona em sua fala no documentário: “Quando sobrou dinheiro no Suvaco, as pessoas que organizavam [o bloco] naquele momento pensaram em comprar uma sede campestre. Pode uma coisa dessas? Um bloco que tem uma raiz no morro, completamente urbano, completamente carente – as pessoas que ajudaram a gente a fazer o bloco são completamente carentes –, e a gente vai pensar numa sede campestre?” (Arnaldo Chaim em depoimento no filme 20 Anos de Suvaco).
Pimentel (2002) escreve sobre os desdobramentos desse sucesso das festas no Condomínio e das “aporrinhações” que viriam a partir daí:
Logo que firmou seus ensaios no Clube Condomínio, no Horto, o Suvaco passou a realizar algumas das mais animadas festas da cidade, embaladas por muita MPB, rock´n roll e sambas antigos do bloco. Gente bonita, cerveja gelada e boa música foi a fórmula do sucesso e, mais adiante, de muita aporrinhação para os animados suvaqueiros. (PIMENTEL, 2002, p.84).
João Avelleira conta à autora como as festas acabaram se revertendo em fama e dinheiro para o bloco:
Nós começamos a cobrar ingresso, porque queríamos contratar um som melhor – todo mundo reclamava do som – e aí, para ter um equipamento bom, tínhamos que cobrar ingresso. [...] Nessa época colocávamos mais de 3 mil pessoas na nova quadra, e assim o bloco passou a ganhar muito dinheiro. A festa do Suvaco começa a ficar muito cheia, a gente começa a ter que dedicar o tempo a organizar aquela encrenca toda, e o Suvaco começava a ter muito lucro, muito dinheiro naquela época. A gente não sabia o que fazer com aquele dinheiro todo. Isso aqui [as Divinas Axilas, ONG do Suvaco, onde a entrevista foi realizada] é fruto daquela época. E aí o próprio Condomínio começa a ficar apertado, e começam a sair muitas brigas. E a gente, os amigos, passamos a não reconhecer o Suvaco. A gente faz uma tentativa de segurança quando vai para o Monte Líbano, mas enche ainda mais, uma média de 4 mil pessoas. (João Avelleira em entrevista à autora em 22 de abril de 2017).
Em 2000, último ano em que o Suvaco esteve no Clube Condomínio, já eram mais de 3 mil pessoas no local (dentro e fora da quadra) e a equipe de segurança não conseguia mais ter controle sobre o que acontecia. Nesse ano, Rogerio Emerson, que era quem recolhia o dinheiro no final do baile, seria assaltado. “Mas, por sorte, os ladrões levaram a sacola errada, com roupas ao invés do dinheiro”, relata Avelleira à Fonte - Acervo Suvaco do Cristo
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autora.
O Suvaco muda do Clube Condomínio para o Clube Monte Líbano, em 2001, clube de elite no bairro da Lagoa (coração da Zona Sul). Nessa época, a marca do Suvaco já era tão forte, que o bloco chegou ao ponto de criar uma moeda própria, chamada de “axilas”.
Esse ano [2001] a gente cria as ‘axilas’. A gente cria um esquema que era o seguinte: não circulava dinheiro, você comprava as axilas, havia quatro bares e só se recebiam as axilas. Você chegava com dinheiro e trocava por elas. Pojucan foi quem criou. Uma cerveja custava 3 axilas...e a gente tinha um esquema com um caminhão que ficava lá no Monte Líbano abastecendo os bares. (João Avelleira em entrevista à autora em 22 de abril de 2017)