3.1 A closer relationship as a platform for information sharing
3.1.2 Relational characteristics of importance for information sharing
Nos mais de cento e quinze anos e três séculos pelos quais o cinema transita, o desenvolvimento das câmeras e equipamentos de som proporcionou, além da evolução técnica, mudanças significativas na própria narrativa, como experimentado e
62 Filme completo, porém sem legendas, com diálogos e narrações em ingles disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=RghLT-o0tLs>
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comprovado pelos realizadores do Cinema Direto e do Cinéma Vérité. Ao trazer para uma realização pessoal as possibilidades técnicas atuais, como câmeras de mão que capturam em full HD, 24 quadros e outras características profissionais, além de microfones de lapela sem fio, que possibilitam a realização de um filme por uma única pessoa, procurei também apresentar um desafio narrativo. A possibilidade desta união entre forma e conteúdo foi fundamental para o amadurecimento da ideia de “Errante” e desta dissertação. Ao apresentar o projeto de realização do filme ao Fumproarte, que o financiou, elenquei diversos motivos para realizá-lo e, dentre esses motivos estão questões técnicas, formais e uma série de dispositivos que, na gênese do projeto, eu julgava fundamentais. Esses itens serviram de base para a argumentação e também para a realização do filme. Eles sistematizam algumas questões técnicas e outras subjetivas. Nem todos foram mantidos exatamente como criados, pois isso é uma base e, assim como um roteiro, essa base acaba sendo transformada com o andamento do processo. Trago aqui os itens tais como foram apresentados ao Fumproarte, seguidos de comentários sobre o desenvolvimento dos mesmos durante os processos de realização de “Errante”:
• A câmera é acionada pelo diretor, sempre;
E assim foi. Não apenas a câmera de filmagem, uma Canon Vixia HG-21, mas também o celular IPHONE 4, com o qual fiz os relatos sobre a filmagem e que acabaram entrando no filme.
• Ela apontará para um objeto/ser/lugar definido anteriormente a partir de associações feitas pelo objeto/ser/lugar pelo qual passamos;
Um pouco abstrato, mas o processo foi praticamente esse, tendo um objeto/ser/lugar conduzido sempre ao próximo, através de associações.
• O início do filme se dará a partir de uma primeira associação condicionada ao ato de ligar a câmera;
A câmera já estava ligada e decidi que a primeira associação partiria da imagem em minha mente ao acordar no dia 05/03/2011.
mentais que levarão aos próximos objetos/seres/lugares;
Assim foi feito.
• O importante aqui é que possamos transitar entre estes objetos/seres/lugares sendo sempre levados pelas associações que faremos. Tais associações poderão ser provenientes de uma fala, uma imagem, um detalhe...;
… dentre outras possibilidades que surgiram durante a filmagem.
• O filme poderá ser formado por depoimentos, flagrantes, observação, objetos, lugares, sons e quaisquer elementos capazes de construir uma obra audiovisual;
Estabelecer uma liberdade, mesmo que diante de alguns dispositivos pré- determinados, acabou revelando-se uma forma de aproximação com a rebeldia do filme-ensaio e um escape das regras documentais.
• Não há uma única finalidade e também não se sabe aonde se poderá chegar;
Não há uma finalidade narrativa, mas a realização de um filme de um homem só, as experiências na condução de todas as partes do filme e a realização da dissertação justificam os fins.
• Na filmagem, estaremos restritos ao estado do Rio Grande do Sul e isso, sendo sabido e condicionado com antecedência, fará parte da tentativa de construção inconsciente das cenas;
Como pode ser constatado no filme e como veremos a seguir, ultrapassei as fronteiras do RS e realizei a parte final das filmagens no Rio de Janeiro. A intenção original foi suplantada por uma intenção maior (permitida pelo tempo e pelo orçamento) de ter um dos links no Rio de Janeiro. Como disse anteriormente, o projeto, assim como o roteiro de um filme, é uma base para a filmagem.
• O próprio processo de montagem deverá estar ancorado na proposta do projeto. Sendo assim, uma das ideias é que a transição entre
cenas se dará de forma gradual, em lentas fusões que possam levar e estabelecer a associação de ideias e o processo rítmico do filme;
É delicado definir de antemão a montagem de um trabalho como esse, mas acabou sendo próximo disso. As fusões existem e tem esta intenção. A montagem, a voz em off e outras intervenções técnicas e narrativas da/na pós- produção seguiram a proposta errante do filme.
• O diretor trabalhará sozinho, munido de uma câmera Canon Vixia HG-21 (Full HD, captura até 11h em HD de 120gb, em 24p e 1080i, pesando apenas 450 gramas. A câmera foi utilizada no documentário “Morro do Céu”), dois microfones de lapela Sennheiser e um microfone Boom Sennheiser M- 66. Não será utilizada luz de cinema, não só pelas especificidades do filme, mas porque o diretor não acredita na sua veracidade e necessidade para recompor uma luz que já existe no local;
Foi este o equipamento utilizado.
• O deslocamento entre locações se fará em automóvel. O processo de deslocamento, bem como o nome dos lugares em que estamos e o nome dos personagens não são relevantes para a compreensão da obra. Salvo situações em que tais referências façam parte da abordagem da associação retratada;
Foi basicamente isso. Pela inserção das filmagens em celular, acabei trazendo em alguns momentos o deslocamento entre cenas/locais, pois me pareceu orgânico dentro da proposta narrativa que foi sendo construída.
• Não serão utilizados letterings, legendas ou outras informações eletrônicas ou de voz a fim de identificar um objeto/ser/lugar. Salvo situações em que essa informação seja o próprio objeto retratado;
E assim foi feito. Os letterings/cartelas que entram no filme introduzem novos capítulos.
Munido dessas ideias e equipamentos, somados a outras aquisições durante o processo criativo de “Errante”, eu estava apto a viver filmando, tendo em mente que
“o ritmo do meu próprio andar contribui para criar o próprio ritmo do filme.” (ROUCH apud GAUTHIER, 2011, p.136)