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De acordo com a psicologia cognitiva, esquema é uma estrutura cognitiva de formação de significados que somos capazes de desenvolver desde cedo para nos auxiliar a interpretar e a explicar o mundo. O esquema filtra, codifica e avalia os estímulos aos quais o indivíduo é submetido a fim de moldar a percepção que este possui diante de determinadas situações, de memórias dos eventos e de seus sentimentos sobre si mesmo e sobre os outros (CANTOR, 1990).

Dentre os esquemas cognitivos encontram se os esquemas de gênero que estão estreitamente ligados aos padrões sócioculturais de comportamentos esperados para cada um dos sexos. Uma vez aprendido, esse esquema predispõe a criança a perceber o mundo, também, em termos sexuais. Os esquemas de gênero servem para a criança avaliar a si própria e aos que a rodeiam em termos de adequação aos padrões definidos pela sociedade para os sexos, sentindo se motivada a ajustar se a essas definições (BEM, 1981).

O desenvolvimento do gênero começa logo com a rotulagem do recém nascido na maternidade de “masculino” ou “feminino”, seguindo se todo um tratamento diferenciado da criança. É graças às relações com o meio, com o ambiente e com as pessoas cuidadoras, que a criança começa a formar sua identidade e se autocategorizar em termos de gênero, preferindo, frequentemente, atividades e brinquedos que se associam ao seu gênero (FAGUNDES et al., 2009).

Desta forma, ao longo da vida, as vivências e experiências individuais relacionadas aos construtos de gênero resultam no esquema masculino (estruturado a partir de traços, papéis, normas e valores relativos à masculinidade) e no esquema feminino (estruturado a partir de traços, papéis, normas e valores relativos à feminilidade). Quando estimulados, estes esquemas são ativados, influenciando as percepções individuais de eventos relacionados consigo e com os outros (GIAVONI, 2000). Assim sendo, a masculinidade e feminilidade se referem às diferenças nas características, condutas e interesses que a sociedade tem designado a cada um dos gêneros, se diferenciando mediante cada cultura (MATUD; AGUILERA, 2009).

Para a cultura brasileira, por exemplo, características como a sensibilidade, a delicadeza, a emotividade, a sensualidade, a fragilidade e a passividade se relacionam à feminilidade. No entanto a racionalidade, a agressividade, a competitividade, a objetividade, a

teimosia, ousadia, autodeterminação e o individualismo são atributos pertencentes à personalidade masculina. (GIAVONI; TAMAYO, 2000).

Utilizando a memória como veículo de acesso aos esquemas de gênero, os estudos vêm demonstrando a influência desses sobre as percepções, comportamentos e afetos dos indivíduos. Entretanto observa se que a memorização de palavras é consistente com o esquema predominante, sendo que os masculinos típicos tendem a memorizar mais palavras referentes à masculinidade e os femininos típicos tendem a memorizar mais palavras referentes à feminilidade (BEM, 1981; MARKUS et al., 1982; MILLS, 1983, GIAVONI, 2000).

A atribuição de palavras difere em função do esquema predominante, ou seja, indivíduos atribuem mais rapidamente para si, características consistentes ao esquema predominante do que ao outro esquema (BEM, 1981; MARKUS et al., 1982). Os indivíduos engajam em comportamentos consistentes com o esquema dominante e evitam atividades consideradas inapropriadas a este (BEM, 1975, 1977; LIPPA; BEAUVAIS, 1983; LIPPA, 1997, GIAVONI, 2000; GIAVONI; TAMAYO, 2010).

Segundo Markus e Kitayama (1991), os indivíduos diferenciam se quanto aos esquemas de gênero classificando os em quatro grupos principais: 1) Masculino Típico (aqueles que possuem o esquema masculino), 2) Feminino Típico (aqueles que possuem o esquema feminino), 3) Andrógino (apresentam os dois esquemas de gênero) e 4) Indiferenciado (considerados aesquemáticos em relação ao gênero).

Entretanto, de acordo com o Modelo Interativo de Giavoni e Tamayo (2000), todos os indivíduos são portadores de ambos os esquemas (feminino e masculino), os quais diferem quanto ao nível de desenvolvimento. Desta relação entre os esquemas resultou se numa série de grupos tipológicos, aos quais variam em suas percepções, cognições, sentimentos e julgamentos a respeito de si e dos outros. Dentre estes grupos, encontram se três grupos principais, denominados de:

Grupo HM: os indivíduos possuem predomínio do esquema masculino sobre o esquema feminino, apresentando percepções, comportamentos, julgamentos e atitudes condizentes com o mesmo;

Grupo HF: os indivíduos possuem predomínio do esquema feminino sobre o masculino, apresentando percepções, comportamentos, julgamentos e atitudes condizentes com o esquema predominante;

Grupo ISOE: os indivíduos apresentam ambos os esquemas desenvolvidos de uma forma equilibrada, resultando em percepções, julgamentos, atitudes e comportamentos

condizentes com as estruturas dos dois esquemas (GIAVONI, 2000, GIAVONI; TAMAYO, 2003, 2005, 2010).

Estudos (GIAVONI, TAMAYO, 2000, 2003, 2005; MELO, GIAVONI, TROCOLLI, 2004; CUSTODIO, 2007; MARQUES, 2010; GOMES, SOTERO, GIAVONI, 2011) têm revelado que grupos HM são mais competitivos, auto determinados, ousados, racionais e possuem maior necessidade de auto superação e auto realização e busca do poder quando comparados aos HF. Estes traços motivam a desempenhar qualquer tarefa da melhor forma que puderem, dando o máximo de si.

Já os HF normalmente são mais organizados e orientados para determinados objetivos e tendem a ser mais moderados, respeitando toda uma hierarquia de grupo. Apresentam um

self interdependente, com grande preocupação pela coesão e bem estar do grupo e são

submissos, sensíveis, leais e emotivos.

Os ISOE, por sua vez, por possuírem traços de personalidade de ambos os grupos, são os responsáveis pelo equilíbrio em qualquer situação.

Assim sendo indivíduos HM tenderão a perceber e se engajar com maior prontidão aos estímulos relacionados à masculinidade, indivíduos HF aos estímulos relacionados à feminilidade e os ISOE são intermediários, engajando em ambos os estímulos (CUSTÓDIO, 2007).

Visto que os diferentes grupos de perfis psicológicos de gênero possuem características, comportamentos, traços, papéis, normas e valores diferentes uns em relação aos outros, atentou se para a necessidade de verificar se as quedas, a QV e a percepção que os idosos possuem em relação ao processo de envelhecimento diferem entre as idosas em função de seus perfis psicológicos.

Neste sentido, espera se que idosas HM e ISOE tenderão a ter um índice de quedas menor, melhor percepção de QV e do processo de envelhecimento, bem como maior facilidade de enfrentamento de fatores estressantes oriundos desse processo quando comparadas com as idosas HF.

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