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RELATION BETWEEN S02-CONCENTRATIONS AND METEOROLOGICAL CONDITIONS

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6 RELATION BETWEEN S02-CONCENTRATIONS AND METEOROLOGICAL CONDITIONS

Especialmente após a Primeira Guerra Mundial, com o fortalecimento da sociedade de consumo, a mídia ganhou um papel de grande relevância na disseminação das estratégias de manipulação das massas, no mundo contemporâneo (BAUMAN, 2008, p. 84). Seja com o intuito de vender produtos e serviços, comum no discurso publicitário, ou de vender ideias, tão característico da mensagem de propaganda, a intenção de ambos sempre foi conquistar o maior número de pessoas para exercer o papel de consumidores. Se antes tais mensagens eram direcionadas para o público adulto, a partir da década de 1970, os profissionais de publicidade e de propaganda descobriram um novo alvo: a criança. Cada vez mais expostas aos meios de comunicação, esse target passou a ganhar força de influência no processo de decisão de compra, inclusive na aquisição de bens duráveis, como na compra de um carro, por exemplo. A respeito desse poder de influência, Montigneaux (2003, p.18) afirma que: “A criança não se contenta apenas em escolher os objetos para seu próprio uso, ela influencia também o consumo de toda a família”.

Porém nesta dissertação consideramos apenas a ação da publicidade e da propaganda com foco no publico infantil, veiculadas na mídia televisiva. Optamos pelo meio televisivo, por ainda ser o formato mais utilizado pela população brasileira, especialmente pelo público infantil, pois conforme colocamos no início deste trabalho, a TV tem o poder de seduzir a criança, por trabalhar com a fantasia e a imaginação, tão comuns na vida dos pequenos. Segundo Montigneaux (2003, p.22): “O imaginário povoa a vida interior da criança; é, com efeito, a sua realidade das coisas”. Com o objetivo de despertar a atenção desse público, os veículos de comunicação reservam um grande espaço da sua grade de programação, com

materiais e horários especificamente voltados para esse target, incluindo também os anúncios enquanto parte integrante da programação. Embora sejam incapazes de decidir pelo ato da aquisição de produtos e serviços, as crianças passam a ser o alvo da publicidade e da propaganda, como se fossem cidadãos plenos. Sobre a força direcionada para atingir a criança, Montigneaux (2003, p.16) ressalta que:

As empresas já entenderam há muito tempo o valor de desenvolver uma oferta de produtos e serviços adaptados para as crianças, e isso não significa, para muitas empresas, que consigam se comunicar facilmente com elas.

Observamos que tais profissionais não medem esforços para falar com o público infantil, mesmo tratando-se de um ato ilegal. Desde o dia 4 de abril de 2014, com publicação no Diário Oficial da União a Resolução 163/2014 do (CONANDA) - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (PROJETO CRIANÇA E CONSUMO, 2014), considerou-se abusivo e ilegal o direcionamento de publicidade ou de qualquer tipo de comunicação mercadológica à criança, que segundo o (ECA) – Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 2012), são as pessoas de até 12 anos de idade. Ainda assim, devido a esse formato de sociedade marcado pelo consumo, os profissionais de publicidade e de propaganda não veem distinção de idades, no momento de lançar suas mensagens, e conforme Bauman (2008, p. 73), não há exceção quando se trata do ato de consumir. Conforme Cook (apud BAUMAN, 2008, p. 73):

As batalhas travadas sobre e em torno da cultura de consumo infantil não são menos do que batalhas sobre a natureza da pessoa e o escopo da individualidade no contexto do alcance sempre crescente do comércio. O envolvimento das crianças com as coisas materiais, a mídia, as imagens e os significados que surgem se referem e se emaranham com o mundo do comércio, são aspectos centrais na construção de pessoas e de posições morais na vida contemporânea.

De acordo com Marcelo Sodré (2015), por mais que a publicidade e a propaganda se apóiem na “liberdade de expressão”, ainda assim, em determinados casos, a liberdade tem o seu limite. Sobre isso o autor salienta que: “essa liberdade não é elegível de uma criança de cinco anos”. Há de se tomar muito cuidado ao falar com a criança, pois ela consiste em um indivíduo que ainda está em processo de formação, portanto incapaz de exercer as funções de discernimento e julgamento, e de avaliar o que há por traz das técnicas de sedução e manipulação, comuns na

publicidade e na propaganda. Sendo assim, no que tange a tais práticas, a criança estará sempre em posição de fragilidade em relação ao adulto. Bauman (2008, p.85) faz a seguinte afirmação a respeito da criança enquanto consumidora, na sociedade atual:

No funcionamento cotidiano da madura sociedade de consumidores de nossos dias, os “direitos da criança” e os “direitos do cidadão” são baseados na capacidade genuína ou estimada do consumidor competente, e a ela se sobrepõe – tal como ocorreu durante sua emergência e maturação. As duas sequências se reafirmam e se reforçam de maneira mútua, “naturalizando” uma à outra e se ajudando a obter a condição de “ideias dominantes” – porém, para ser mais específico, ao repositório da doxa (pressupostos com os quais as pessoas pensam, mas sobre os quais poucas vezes pensam) ou, pura e simplesmente, do senso comum.

Embora haja muitas leis que regulamentem tais práticas, incapacitando esse indivíduo de exercer o papel de consumidor, no Brasil, elas não são seguidas, seja por negligência ou simplesmente desconhecimento. O fato é que os profissionais das áreas em questão buscam incansavelmente compreender o que é a criança, como pensam, quais são suas motivações, e principalmente, o que as levam à ação; pois veem nesse público o melhor caminho para moldar o adulto consumista de amanhã. Seja qual for o objetivo: mercadológico ou ideológico, o destino são as crianças: os consumidores do futuro. De acordo com Schor:

Os arquitetos dessa cultura – as empresas de propaganda, o mercado e os publicitários de produtos de consumo – têm se voltado para as crianças. Embora elas tenham uma longa participação no mercado consumidor, até recentemente eram consideradas pequenos agentes ou compradores de produtos baratos. Elas atraíam uma pequena parcela de talentos e recursos da indústria e eram abordadas principalmente por intermédio de suas mães. Isso se alterou. Hoje em dia, crianças e adolescentes são o epicentro da cultura de consumo norte-americana. Demandam atenção, criatividade e dólares dos anunciantes. Suas preferências direcionam tendências de mercado. Suas opiniões modelam decisões estratégicas corporativas. (SCHOR, 2009, p. 2 apud ANDRADE; COSTA, 2010)

Até aqui, podemos afirmar que existem dois tipos de modalidades discursivas: de um lado a publicidade, que por meio de mensagens sedutoras, vale- se da capacidade imaginativa das crianças, para assim criar uma relação de afetividade e empatia, com o intuito de capacitar desde muito cedo os hábitos de consumo dos pequenos; do outro lado temos a propaganda, com o seu discurso persuasivo, capaz de convencer e influenciar o público infantil, moldando assim, a sua forma de pensar e agir. Ambas as modalidades se convergem em dois pontos,

ou seja, utilizam o mesmo meio para falar com a criança: a televisão; e tanto a publicidade quanto a propaganda têm um único desafio para com o futuro das crianças: plantar sementes no hoje, que garantam fiéis consumidores no amanhã. Assim afirma Linn:

A longo prazo, essa imersão de nossos filhos na cultura comercial traz consequências que vão muito além do que eles compram ou não. O marketing é formulado para influenciar mais do que preferências por comida ou escolhas de roupas. Ele procura afetar os valores essenciais como as escolhas de vida: como definimos a felicidade e como medimos nosso valor próprio. (LINN, 2006, p. 29 apud ANDRADE; COSTA, 2010)

Portanto, reconhecemos novos desafios para esse tema, pois já que analisamos apenas a parte do comunicador e suas manobras estratégicas na elaboração de seus discursos sedutores e persuasivos direcionadas ao público infantil, vemos também a possibilidade de pesquisas que considerem temas como: a recepção e a reação dos pequenos sob tais ações; avaliando também as campanhas que se valem da imagem e do depoimento da criança, mas com o intuito de atingir o público adulto; e as mensagens veiculadas em outros formatos de mídia, como as digitais, por exemplo, que por sua vez são cada vez mais consumidas pelas gerações atuais.

Essas experiências colocaram-nos diante de um sentimento de preocupação e responsabilidade para com a criança, que por estarem em processo de desenvolvimento, tornam-se cada vez mais alvos fáceis aos apelos do marketing. Sentimos, enquanto profissional da área, a necessidade de reconhecer que é possível falar para esse público de maneira consciente. Desse modo, destacamos a relevância desse trabalho não apenas para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional, mas, também, enquanto educadores e pesquisadores. Portanto, acreditamos que tais questões servirão como temas para futuras pesquisas que possam explorar ainda mais esse assunto.

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