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Relation to Risk Acceptance Criteria

A seguir, serão analisadas as orações com ordem (PP)VS do PB, seguindo os mesmos parâmetros apresentados na comparação entre o inglês e o chichewa, como apresentado no item (A). Essa seção (Dl) será denominada: Caracterização sintática

das orações com inversão locativa no PB. Em seguida serão feitos os testes aplicados

por Levin & Rappaport (1995) no item (B) para verificar a posição que esse elemento ocupa na sentença. A seção que trará esses testes (D2) será denominada: Caracterização

sintática dos elementos locativos das orações com inversão locativa no PB. Por fim, os

testes aplicados por Pinto (1997) para as orações do italiano (retomados na seção C) serão aplicados para as orações com ordem (PP)VS do PB e também serão incluídas nessa análise as orações fruto de narrações concomitantes (ou predicados previsíveis, cf. Belletti, 2001), não consideradas por Pinto (1997). Essa última seção (D3) será denominada: Caracterização semântica das orações com inversão locativa no PB.

Dl - Caracterização sintática das orações com inversão locativa no PB i) Categoria sintática do elemento pré-verbal

Como visto no Capítulo 1, nas orações com ordem VS do PB, os elementos locativos/ temporais das orações com ordem VS são elementos preposicionados (PPs), como ilustrado em (49a,b):

(49) a. Primeiro almoço eu, depois você. b. Na sexta viaja o Paulo.

No entanto, há contextos em que essa posição pré-verbal pode ser ocupada por elementos dêiticos como aí (50a) ou com operadores de foco como também, só (50b,c):

(50) a. Aí liga a D. Maria....

b. Também participa do programa a Professora Renata. c. Só não gostaram do passeio as crianças pequenas.

ii) Possibilidade de o elemento locativo desencadear concordância com o verbo

Em relação à concordância do elemento pré-verbal com o verbo, dado o fato de que esses elementos são de natureza preposicional, não há concordância entre o PP e o verbo da oração (51b), a tendência33 é haver concordância entre o verbo e o sujeito pós- verbal (51a).

(51) a. Primeiro falo eu. b. *Primeiro fala eu

iii) Possibilidade de o elemento locativo ser nulo, mas com referência recuperada anaforicamente por elementos da situação discursiva

33 Devido à redução do paradigma flexionai no PB, há variedades dialetais em que a concordância não é morfologicamente marcada, mesmo nos casos em que o sujeito está em posição pré-verbal conforme constatado em muitos estudos (cf., por exemplo, Duarte (1993)).

Assim como no italiano (cf. Pinto 1997), no chichewa (cf. Bresnan & Kanerva, 1989) e no inglês (cf. Bresnan, 1994), no PB, o elemento locativo pode ser fonologicamente nulo, desde que seja facilmente recuperado no contexto discursivo (52):

(52) a. Lá na casa da Maria? Vixe...chegou um monte de coisa.

iv) Restrições a verbos transitivos

O PB apresenta restrições a verbos transitivos quando as orações com ordem VOS ocorrem (i) em contextos em que o predicado (V+O) pode ser interpretado como uma informação antiga ou prevista na situação discursiva, como em (53a,b); ou (ii) quando o predicado é formado por elementos semanticamente leves, como em (53c):

(53) a. Ganha a partida o jogador que fizer mais pontos b. Domina a bola o jogador do Vasco.

c. Também faz parte da revista o escritor Alexandre Pilati

v) Restrições a certos verbos intransitivos

No português do Brasil, os inacusativos são licenciados com maior freqüência na ordem VS (cf. seção 1.1), mas nem todos os verbos considerados inacusativos licenciam a ordem VS da mesma forma. Com a comparação entre as orações em (54a) e (54b),

ou espaço são mais naturais no licenciamento da inversão, e verbos que não possuem esse traço semântico colocam maiores restrições ao licenciamento da ordem VS, fora de um contexto específico, como em (54b):

(54) a. Aqui chegaram as cartas. b. *Aqui avermelhou o urubu.

vi) Função discursiva das inversões locativas

A análise feita por diversos autores sobre a função discursiva das orações com ordem VS classificadas como inversões locativas (cf. Bresnan (1984). Levin& Rappaport (1995)) sempre concorda que esse tipo de oração serve para introduzir um referente ou novo ou menos familiar no discurso, que o elemento locativo. Esse tipo de análise também pode ser feito para as orações com ordem (PP)VS do PB.

Votre & Naro (1999), por exemplo, apresentam uma análise funcionalista para as orações com ordem VS no PB. Para eles, orações com ordem VS trazem elementos que estão fora do fluxo informacional do discurso. A análise dos autores sobre a função discursiva das orações (PP)VS é totalmente compatível com as análises da função discursiva das inversões locativas. Além disso, o exemplo de Bresnan (1994), repetido em (55), para mostrar que as inversões locativas precisam de contextos específicos para serem licenciadas,também é perfeito para as orações do PB.

(55) A: Estou procurando minha amiga Rose.

B: #Entre os convidados de honra estava sentada Rose. C: Rose estava sentada entre os convidados de Rose.

A oração (55B) é inadequada, porque parece depender de um contexto em que existia referência prévia aos convidados de honra, o que a oração em (55A) não oferece. Esse tipo de dependência do contexto para a ocorrência de inversões locativas ocorre no inglês, no chichewa e também no português do Brasil.

D2 - Caracterização sintática dos elementos locativos das orações com inversão locativa no PB

Verificaremos nessa seção a possibilidade de afirmar, seguindo Levin & Rappaport-Hovav (1995), que o PP pré-verbal das orações com inversão locativa não é gerado na posição de sujeito, mas se move de uma posição interna ao VP para a posição de sujeito, podendo ser topicalizado, em seguida. Repetiremos a seguir, por questão de clareza na argumentação, alguns dos testes aplicados pelas autoras, mas com outros dados:

i) Inversões locativas em orações encaixadas com a posição de complementador preenchida por elemento WH-, como em (56):

(56) a. Nós de repente vimos como na lagoa pularam milhares de sapos.

b. Nós de repente entendemos por que hoje tomaram posse muitos ministros.

Numa oração como (56b), provavelmente, a posição de Spec CP pode estar preenchida por uma palavra QU-, o que sugere que o PP pode estar numa posição acima de VP, mas abaixo de CP, supostamente em TP.

Os elementos locativos das inversões locativas do PP podem ser alçados (57a,b,c), assim como os DPs sujeitos (58a,b,c):

(57) a.Neste lugar parece estar prestes a ser realizada uma batalha b. Hoje parece prestes a tomar posse um novo ditador. c. Ali parece que brincam as crianças.

(58) a. Uma batalha parece prestes a acontecer neste lugar. b. Um novo ditador parece prestes a tomar posse hoje. c. As crianças parecem que brincam ali.

No entanto, a gramaticalidade da sentença se deteriora se simultaneamente ao alçamento do PP se houver DP ocupando a posição de sujeito pré-verbal (58a,b,c):

(58) a. ??Neste lugar parece uma batalha estar prestes a acontecer. b. ??Hoje parece prestes um novo ditador a tomar posse. c. ??Ali as crianças parece que brincam.

D3 - Caracterização semântica das orações com inversão locativa no PB

Como visto na seção 2.3 do Capítulo 2 desta tese, Pinto mostra que a impossibilidade de ordem VS com certos verbos inacusativos, como impallidire

‘empalidecer’, ocorre porque o verbo não pode selecionar argumentos do tipo locativo

ou temporal. Já verbos que selecionam esse tipo de argumento, como arrivare ‘chegar’,

telefonare ‘telefonar’, vivere ‘viver’ e abitare ‘habitar’, podem ocorrer na ordem VS.

Devido ao comportamento desses verbos nas inversões locativas, Pinto defende a idéia de que o licenciamento das inversões locativas está diretamente relacionado à seleção temática do verbo. Ou seja, verbos que podem selecionar tematicamente elementos natureza locativa/ temporal licenciam VS, e verbos que não podem não licenciarão. Com exemplos como em (59), podemos afirmar que o mesmo tipo de restrição ocorre no PB:

(59) a. *Na montanha/ *no telhado avermelhou o urubu. b. Atrás da montanha/ No horizonte avermelhou o céu. c. No pé amarelou a banana.

d. *?Na bandeja amarelou a banana

Em uma oração como (59a), fora de um contexto anterior, não há como estabelecer uma relação entre o “avermelhar do urubu” e a montanha. Um contexto diferente é (59b), em que a localização não é incidental, pois o “avermelhar do céu” pressupõe de alguma forma a relação com alguma localização temporal ou locativa - o local citado (atrás da montanha/ no horizonte) é a delimitação do espaço, no céu, onde se visualiza o estado de coisas descrito.

Com relação aos casos em que se pressupõe uma realização nula para o PP, retomamos o argumento utilizado por Pinto (1997) para corroborar sua análise de que orações VS são inversões locativas. Trata-se da interpretações dos exemplos (60a), (61a) e (62a), em comparação com a interpretação de (60b), (61b),e (62b), em que, por meio da glosa, pode-se confirmar que, no PB, como no italiano, a ordem VS pressupõe

(60) a. Entrou Dante

Dante entrou (aqui /nesse lugar)

b. Dante entrou

Dante entrou (em algum lugar)

(61) a.‘Morreu Fellini

Fellini acabou de morrer

(Eu acabei de ouvir que Fellini morreu)

b. Fellini morreu

(Fellini morreu (há algum tempo))

(62) a. Telefonou Beatriz

(Beatriz ligou (aqui, para este lugar))

b. Beatriz telefonou.

(Beatriz ligou (para algum lugar, fez telefonemas))

Com a interpretação obtida nas orações em (60a), (61a) e (62a), a autora mostra que as orações com ordem VS são interpretadas como se apresentassem um elemento de referência locativa ou temporal com interpretação dêitica. Sem dúvida, a mesma análise pode ser adotada para as orações com inversão locativa do PB.

Um outro argumento a favor de que o PP das orações com inversão locativa pode ser fonologicamente nulo, foi apresentada na seção A, em que Bresnan (1994) mostra que são possíveis orações com inversão locativa ocorram sem o PP inicial, tanto

no inglês quanto no chichewa, quando a interpretação desse elemento puder ser facilmente identificada no contexto discursivo.

Seguindo essa mesma linha de raciocínio defendida tanto por Bresnan (1994), quanto por Pinto (1997), defenderei que, além dos casos discutidos até o momento, também as orações com ordem VOS do PB, proferidas em narrações concomitantes, podem ser analisadas como tendo estruturas semelhante a inversão locativa, mas que, devido ao contexto discursivo em que ocorrem, não apresentam obrigatoriamente um PP em posição inicial.

Três argumentos levam à formulação desse tipo de análise: (i) o primeiro é o fato de que, como constatado na seção 3.1 deste Capítulo, essas orações também podem ser interpretadas como orações com foco identificacional; (ii) o segundo é que o contexto discursivo dessas orações deixa evidente que a interpretação do PP Iocativo é dêitica, pois essas orações descrevem eventos que ocorrem quase concomitantemente à narração, por isso não é necessário que o emissor deixe explícito, ou seja, que expresse verbalmente seja o local (que é o campo de futebol), seja o momento em que os fatos estão ocorrendo (pois é a narração é concomitante); e (iii) o terceiro argumento é que pode ser atribuída às orações que ocorrem em contextos previsíveis a mesma interpretação dêitica das orações em (60a), (61a) e (62a) acima. Observemos o comportamento das orações em (63):

(63) a. (Agora) ergue o braço o juiz.

b. (Nesse momento) pega a bola o goleiro do Flamengo.