Após a definição do cronograma da pesquisa (apêndice 08) e o prévio levantamento bibliográfico relacionado à temática, os procedimentos para coleta de dados compreenderam as seguintes etapas:
a) 1ª etapa – Identificação e seleção da população / amostra do estudo:
Visando ter o conhecimento prévio da população, nos meses de fevereiro a abril/2012 foram rastreadas sete (07) prefeituras da microrregião oeste do estado do Paraná e por meio de contatos telefônicos com as secretarias de saúde e educação, averiguando-se a existência de crianças com deficiência visual na faixa etária de um a três anos. Dentre elas,
foram selecionados dois municípios que apresentavam Centros de Atendimento Especializado ao Deficiente Visual (CAEDV).
Após isto, recorreu-se a direção dos CAEDVs para apresentar a proposta do estudo e mediante o aceite dos diretores, foi solicitado que as professoras responsáveis pelo setor de estimulação visual28 realizassem contato com as mães de crianças atendidas na faixa etária de um a três anos, a fim de agendar uma reunião com aquelas interessadas em participar voluntariamente da pesquisa.
Durante a primeira reunião, a população inicial foi composta por cinco (05) díades do CAEDV I (Município A) e quatro (04) díades do CAEDV II (Município B), portanto, 18 participantes. Contudo, as díades que preencheram os critérios de inclusão (descrito anteriormente no item 5.2 – participantes) e que finalizaram as aulas estipuladas no período da intervenção totalizaram seis participantes, sendo três (03) crianças com DV (um menino e duas meninas) e suas respectivas mães (N=03).
b) 2ª etapa – Conversas iniciais com as mães para explanação do estudo:
Nos meses de junho e julho/2012 foram efetivados dois encontros formais nos CAEDV I (Município A) e CAEDV II (Município B), sendo entregue as mães uma Carta de Apresentação do Estudo (apêndice 01) e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (apêndice 02).
A conversa foi conduzida pela pesquisadora a qual tratou de aspectos relacionados ao processo de coleta de dados, além da elaboração e aplicação do Programa de Estimulação Psicomotora Aquática. Neste momento foi solicitado que as mães providenciassem29 exames clínicos e alguns laudos de avaliações visando a participação na intervenção, sendo eles:
exames clínicos dos médicos responsáveis pelas crianças (pediatras, neurologistas, clínico geral) para avaliar a condição de saúde e autorizá-las a participarem de atividades no meio líquido;
atestados dermatológicos de mães e crianças visando assegurar a integridade da pele para a imersão na piscina;
fotocópias das avaliações oftamológicas das crianças para atestar a condição de deficiência visual e o possível resíduo visual.
28 Para fins deste estudo, foram recrutados apenas alunos que realizavam estimulação visual e nenhum outro tipo de intervenção motora, a fim de não originar viés de pesquisa.
29 As despesas oriundas dos exames dermatológicos e as fotocópias dos demais exames ficaram a cargo da pesquisadora responsável.
c) 3ª etapa – Recepção dos laudos oftamológicos, exames de saúde e aplicação do Roteiro de Anamnese (apêndice 03):
Após a aplicação do estudo piloto, a pesquisadora realizou uma visita ao domicílio de cada díade para a recepção dos laudos oftamológicas das crianças e os exames de saúde (clínico e dermatológico) das mães e crianças.
Na oportunidade, foi aplicado o Roteiro de Anamnese na forma de entrevista semi- estruturada dirigidas as mães, cuja investigação foi acompanhada por uma juíza e filmada por um monitor visando a fidedignidade das informações colhidas.
d) 4ª etapa - Aplicação da Avaliação Funcional Motora (apêndice 04):
Em uma nova data estipulada no mês de junho de 2012, as díades foram convidadas a comparecer nas IES para aplicação do pré-teste da Avaliação Funcional Motora nas crianças. Esta avaliação possbilitou três diferentes análises (reflexos primitivos e reações posturais; escala de desenvolvimento das funções visuais e movimento; escala de postura e motricidade) que serviram como subsídios para a construção do Programa de Estimulação Psicomotora Aquática específico para cada criança.
A avaliação foi conduzida por meio dos materiais - lençol, objetos luminosos (laterna), sonoros (chocalho, pandeiro) e objeto de diferentes texturas / pesos / formatos (bolas, garrafa pet). Para aplicação da avaliação, a criança era posicionada pela pesquisadora sobre o tablado em diferentes posturas (deitada, sentada, ajoelhada ou em pé – quando possível), sendo nela aplicados diferentes estímulos de reflexos, reações, posturas e movimentos, obedecendo a ordem do protocolo de avaliação.
Mediante as respostas ativas esboças pela criança, verificou-se quais reflexos, reações, posturas e movimentos isolados ou associados estavam presentes ou ausentes no repertório motor desta criança, cujas informações foram transcritas para o protocolo da Avaliação Funcional Motora. Vale ressaltar que as avaliações foram acompanhadas por uma juíza e filmadas por um monitor, a fim de assegurar a fidedignidade dos dados e obter-se o índice de concordância das respostas avaliadas.
e) 5ª etapa – Preenchimento dos Diários de Campo (apêndice 05):
Após a elaboração e aplicação do Programa de Estimulação Psicomotora Aquática, foram aplicados ao final de cada aula os diários de campo relativos as díades, sendo preenchido pelos monitores a partir das observações das aulas.
f) 6ª etapa – Pós-teste dos instrumentos de coleta dos dados:
Após a conclusão do PEPA ao final do mês de novembro de 2012, foi realizado o pós- teste do instrumento Avaliação Funcional Motora (apêndice 04), a fim de averiguar os efeitos da intervenção sobre o desenvolvimento motor das crianças com deficiência visual. Diante destes dados, elaborou-se as considerações finais do estudo.
5.9 ANÁLISE DOS DADOS
De acordo com Yin (2005) o processo de análise dos dados resultantes de um estudo de caso é uma tarefa árdua dada a natureza e a quantidade maciça de informações a serem analisadas. Thomas, Nelson e Silverman (2012) descrevem que os dados obtidos para o os estudos de caso são oriundos de entrevistas, observações ou documentos, sendo muito comum empregar as três fontes de dados, tal como neste estudo. Os documentos podem incluir “relatórios de exames médicos, escores de testes, entrevistas com os pais das crianças e observação sistemática da criança em aula ou em algum outro ambiente” (THOMAS, NELSON e SILVERMAN, 2012, p. 316).
Após a coleta dos dados, houve a necessidade da classificar, analisar e categorizar os dados por meio de planilhas eletrônicas de Word e Excel para Windows®. Como opção para tratamento dos dados, recorreu-se a abordagem qualitativa da narrativa analítica (THOMAS, NELSON e SILVERMAN, 2012, p. 381) para os instrumentos Roteiro de Anamnese para as mães (apêndice 03), Avaliação Funcional Motora (apêndice 04) e Diário de campo (apêndice 05).
A narrativa analítica é definida como “uma descrição curta e interpretativa de um evento ou situação, usada na pesquisa qualitativa” (THOMAS, NELSON e SILVERMAN, 2012, p. 381), cuja meta é produzir uma reconstrução vivida do que aconteceu no trabalho de campo, por meio de uma narrativa descritiva, organizada cronologicamente ou por tópicos.
De outro modo, alguns relatos das mães obtidos no item “e” dos Diários de Campo (apêndice 05) foram avaliados por meio da por meio da análise de conteúdo30 proposta por
30 Para que a observação fosse considerada controlada, sistemática e que pudesse ser convertida em dados fidedignos, necessitou-se de um planejamento do estudo por parte da pesquisadora e da presença de outros observadores - os juízes, os quais também acompanharam, observaram e registraram as informações obtidas durante as avaliações pré-teste, intervenção e avaliações pós-teste, a fim de haver entre os registros o índice de concordância. Assim, como recomendou Mahl (2011), as respostas obtidas por meio dos registros de filmagens e dos diários de campo foram comparadas entre juízes em função do tempo,
Bardin (2011), a fim de executar deduções lógicas e justificadas referente as crianças e mães participantes da intervenção. Este procedimento buscou interpretar o conteúdo das respostas, possibilitando a inferência dos conhecimentos relativos ao tema estudado por meio do discernimento, sensibilidade e integridade do pesquisador.
Segundo Bardin (2011, p.44), pertence a análise de conteúdo:
Todas iniciativas que, a partir de um conjunto de técnicas parciais, mas complementares, consistam na explicação e sistematização do conteúdo, das mensagens e da expressão do conteúdo, como contributo de índices passíveis ou não de quantificação, a partir de um conjunto de técnicas, que embora parciais, são complementares.