Segundo a UNITED NATIONS INDUSTRIAL DEVELOPMENT
ORGANIZATION, Produção Mais Limpa significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, através da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados, com benefícios ambientais e econômicos para os processos produtivos.
Em se tratando de Gestão Ambiental, Produção Mais Limpa é a ferramenta que possibilita o funcionamento da empresa de modo social e ambientalmente responsável, ocasionando também influência em melhorias econômicas e tecnológicas.
A UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), segundo SILVA FILHO (2003), ressalta que a Produção Mais Limpa, consiste na aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, que evita a geração, minimiza ou recicla os resíduos gerados pelos processos produtivos, com a finalidade de aumentar a eficiência na utilização das matérias-primas, água e energia e de reduzir os riscos para as pessoas e para o meio ambiente.
O objetivo da Produção Mais Limpa é trabalhar em melhorias contínuas nas operações da empresa, seja ela de manufatura, de comércio, de serviços, ou do setor primário, solucionando os problemas de ordem técnica e ambiental, com baixo investimento e redução de custos.
Para UNEP, em citação de SILVA FILHO (2003), na Produção Mais Limpa, todo resíduo deve ser considerado um produto de valor econômico negativo. Portanto, a produtividade e os benefícios financeiros da empresa podem ser alavancados pela redução do consumo de matéria-prima, água e energia ou pela redução ou prevenção da geração de resíduos.
Compreensivelmente, a gestão de resíduos, por exemplo, após eles terem sido produzidos, leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte.
As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial, de matérias-primas, de produto e de práticas de
CAPÍTULO 2 – REFERENCIAL TEÓRICO
Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que, se contabilizadas, mostram a eficácia da prevenção. A reciclagem interna, dentro do próprio processo produtivo, obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado, é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa.
A simples utilização de matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis. Segundo pesquisas realizadas mundo afora, em diversos tipos de empresa, mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais
Limpa, e que a prevenção à poluição está frequentemente relacionada com ganhos e
raramente com maiores gastos.
Tendo-se em mente que o desperdício é tudo aquilo que não agrega valor ao produto ou serviço, as técnicas de Produção Mais Limpa consistem em eliminar todo e qualquer desperdício.
Segundo ROMM (1996), em citação de OLIVEIRA (2007), a reciclagem dos resíduos gerados por processos industriais é louvável, porém se torna bem mais econômico e correto evitar ou minimizar a sua geração. A prevenção à poluição, ou a sua eliminação acaba induzindo os trabalhadores e gerentes a pensarem em melhorias sistemáticas dos processos, passando a não se preocupar em administrar e operacionalizar os resíduos ou a poluição gerada.
Segundo ANDRÉS (2001), em citação de OLIVEIRA (2007), para que se atinjam os objetivos de minimização do consumo de recursos e da poluição é necessário que se trabalhem as três fases do ciclo de vida do produto: a manufatura, o seu uso e o seu descarte final. Assim, é melhor eliminar o poluente do que tentar recuperá-lo.
Para a produção mais limpa, talvez o mais importante sejam as habilidades básicas e o conhecimento tácito das empresas. São aspectos invisíveis baseados no
learning-by-doing, ou aprender fazendo, na indústria, numa tradução não muito fiel,
vistos como difíceis de reproduzir, pautados na experiência acumulada das pessoas e seu refinamento com a prática, enfatizados na teoria dos recursos internos (MELLO, 2002), em citação de OLIVEIRA (2007).
No Quadro 2.01 são mostrados possíveis resultados (tangíveis e intangíveis) que as empresas podem obter com a implementação da Produção Mais Limpa.
CAPÍTULO 2 – REFERENCIAL TEÓRICO
Quadro 2.01 – Possíveis Resultados Tangíveis e Intangíveis com a aplicação da Produção mais Limpa.
Fonte: Oliveira, J. F. G. Et al. (2007) Tecnologias ambientais convencionais trabalham principalmente no tratamento de resíduos e emissões gerados em um processo produtivo. São as chamadas técnicas de fim-de-tubo. A Produção mais Limpa pretende integrar os objetivos ambientais aos processos de produção, a fim de reduzir os resíduos e as emissões em termos de quantidade e periculosidade.
A Figura 2.24 mostra as várias estratégias utilizadas visando a Produção mais Limpa e a minimização de resíduos.
A prioridade da Produção mais Limpa está no topo (à esquerda) do fluxograma: evitar a geração de resíduos e emissões (nível 1). Os resíduos que não podem ser evitados devem, preferencialmente, ser reintegrados ao processo de produção da empresa (nível 2). Na sua impossibilidade, medidas de reciclagem fora da empresa podem ser utilizadas (nível 3).
Figura 2.24 – Escopo de atuação da metodologia Produção mais Limpa.
CAPÍTULO 2 – REFERENCIAL TEÓRICO
A introdução de técnicas de Produção Mais Limpa em um processo produtivo, demandam várias estratégias, tendo em vista metas ambientais, econômicas e tecnológicas, podendo levar ao desenvolvimento e implantação de Tecnologias Limpas nos processos produtivos.