5. DISCUSIÓN
5.1. A NÁLISIS DE LA MEIOSIS Y SU RELACIÓN CON LA INFERTILIDAD
5.1.1 Recombinación meiótica e infertilidad
5.1.1.2 Relación de la sinapsis con la infertilidad
De acordo com Lawson (2004), a descoberta científica não acontece por uma questão de sorte ou destino. Isso me faz lembrar a famosa história de Isaac Newton, quase uma lenda, segundo a qual ele estava sentado sob uma macieira quando uma maçã caiu ao seu lado e assim, de uma hora para outra, como num passe de mágica, estava descoberta a lei da gravidade.
Esta é a versão que chega a maioria das pessoas. Porém, a verdade é que Newton fez uma pergunta baseada em seus conhecimentos anteriores: “por que é que as maçãs caem sempre perpendicularmente ao solo?”32 A partir daí, seguiu-se
um trabalho racional e experimental até ele chegar à formulação da lei que conhecemos hoje.
Esta é a principal tese que Lawson (2000, 2002, 2003, 2004, 2005) defende: que o processo da descoberta científica segue uma sequência de eventos ou passos que são guiados pelo raciocínio hipotético dedutivo. Estes passos são desmonstrados na figura a seguir.
Figura 09 – Passos da descoberta científica pelo método hipotético-dedutivo segundo Lawson
Fonte: produzido a partir de Lawson (2002, 2004)
32 História contada pelo amigo e primeiro biógrafo de Newton, William Stukley, em documento
histórico disponibilizado pela Royal Society e divulgado pela revista Ciência Hoje em 18. Jan. 2010. Disponível em: <http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=38782&op=all>.Acesso em: 05 Abr. 2012.
O processo começa com uma observação intrigante33 (passo 1), aquela que
não encontra resposta na estrutura cognitiva da pessoa. Ou seja, um fenômeno que não pode ser explicado por um atual sistema conceitual, de teorias ou modelos mentais. O conhecimento prévio armazenado influencia diretamente nesta percepção. Assim, o que é intrigante para uma pessoa pode não ser para outra (LAWSON, 2004, 2005).
Por exemplo, uma estrela diferente no espaço só será vista desta maneira por quem está muito familiarizado com os corpos celestes. Uma sequência de planaltos só será perceptível como o achatamento de parte de uma cordilheira de montanhas por quem tem conhecimentos geológicos.
Quando contradizem as previsões atuais sobre como o mundo funciona, as observações desconcertam, incomodam e despertam o interesse e a curiosidade do pesquisador. E assim, por serem intrigantes, podem conduzir a um processo de modificação ou substituíção dos atuais esquemas mentais, permitindo a construção de novos conhecimentos (LAWSON, 2005).
Foi o que aconteceu com Galileu quando seu telescópio novo permitiu-lhe visualizar três objetos celestes em torno de Júpiter que, a princípio, pareciam estrelas, mas que mudavam de posição a cada noite e pareciam mais brilhantes do que as demais (idem, 2002).
Outro exemplo vem da pesquisa de Alvarez: o achatamento dos apeninos italianos foi só a curiosidade inicial do pesquisador, que foi investigá-la quase como um passa-tempo; a observação do desaparecimento repentino de foraminíferos na fronteira KT (entre o Cretáceo e o Terciário), que contradizia a teoria de que as mudanças geológicas e biológicas ocorrem gradual e lentamente, foi a observação intrigante que o conduziu a uma explicação possível para um dos maiores mistérios que instiga os cientistas: a extinção dos dinossauros (idem, 2004).
Quando uma observação intriga a pessoa, conduz automaticamente a uma pergunta causal (passo 2), que busca a relação entre a causa e o efeito de um fenômeno (LAWSON, 2002, 2004).
33Intrigante é tradução minha para o adjetivo puzzling usado por Lawson. O termo deriva de puzzle e,
de acordo com o dicionário Oxford (2000), pode ser verbo: “to make somebody feel confused because
they do not understand something”; ou substantivo: “something that is difficult to understand or explain; mystery”. Neste contexto, há três traduções possíveis: enigmático, misterioso, intrigante.
Se toda estrela é fixa, por que estas se movem? Ou será que é Júpiter que está se movimentando desta maneira e os astrônomos erraram sobre sua forma de movimento? São perguntas que provavelmente Galileu se fez, a julgar pelos conhecimentos disponíveis à época (LAWSON, 2002).
No caso de Alvarez, ao se deparar com o fenômeno observado em torno dos foraminíferos, a pergunta automática foi: o que teria causado o quase sumiço dessas minúsculas criaturas na fronteira KT e por que tão abruptamente? (LAWSON, 2004).
O autor acrescenta que há momentos que requerem que perguntas descritivas sejam feitas para se poder avançar na investigação. Alvarez, por exemplo, fez perguntas descritivas como: quanto tempo o irídio levou para ser depositado na camada de argila da fronteira KT? Qual a quantidade de íridio existente na fronteira KT de Gubbio? A quantidade anormal de irídio na franteira KT de Gubbio é uma característica global? De onde vem o íridio anormal da fronteira KT? Responder a essas questões descritivas é fundamental para se responder a pergunta principal, apresentada no parágrafo anterior.
Ou seja, nem sempre a pergunta de um processo de investigação científica será causal, embora esta represente um estágio mais avançado do próprio fazer científico e, portanto do raciocínio hipotético-dedutivo, como Lawson (1994) descreve ao justificar a necessidade do ensino de ciência considerar esses ciclos.
As perguntas em busca de uma causa para o fato observado levam, então, à geração de hipóteses (passo 3), tentativas de explicação para o fenômeno. Caso isso não ocorra, o processo da descoberta pode ser interrompido (LAWSON, 2004)..
Esta é a hora em que se pesquisa na própria base de conhecimento (esquemas mentais de Piaget e memória associativa de Kosslyn e Koenig, por exemplo) e se faz também buscas externas (pesquisas no próprio objeto, na literatura e outras fontes) à procura de respostas, tantas quanto possível. São selecionadas as hipóteses mais plausíveis em termos de sua consistência interna, falta de conflito com explicações previamente aceitas e com evidências conhecidas, além de sua exequibilidade e economicidade de tempo e recursos (ibidem).
Escolhe-se a mais provável e, assumindo-se que seja verdadeira, é preciso imaginar uma maneira de prová-la. Na sequência vem o planejamento de testes (passo 4), para que observações adicionais sejam geradas e produzam evidências, permitindo afirmar ou negar aquela explicação até então provisória (ibidem).
De acordo com Lawson (2004), fazer uma previsão específica de resultado para a hipótese em consideração (passo 5) é um exercício fundamental para que esta possa ser significativamente testada. Por isso, é muito importante diferenciar hipótese de previsão para os resultados, descrevendo exatamente o que se espera acontecer nas condições especificadas (o teste imaginado).
Recorro neste ponto a um exemplo extraído da experiência de Alvarez. Quando ele supôs que um evento catastrófico poderia ter provocado o sumiço repentino de formas de vida na fronteira KT e decidiu fazer o teste de irídio para determinar o tempo que aquela camada de material argiloso tinha levado para se depositar ali naquele sítio, a expectativa de Alvarez era encontrar taxas acumuladas relativamente baixas de irídio, na média de 0,1 ppb, indicando uma deposição rápida. Mas ele encontrou 9 ppb, uma quantidade considerada enorme.
A predição para o teste não se confirmou, mas como o resultado observado foi muito discrepante em relação ao previsto, a hipótese de uma catástrofe não foi descartada; pelo contrário, foi reforçada. Só que a busca foi redirecionada para outro tipo de evento apocalíptico. O fato de ter uma certa expectativa do que encontraria foi o que levou Alvarez a fazer uma nova observação intrigante e a prosseguir na sua pesquisa, que poderia ter acabado ali.
Lawson (idem) acrescenta que entender a diferença entre hipótese e previsão de resultados, é justamente uma das maiores dificuldades de novos pesquisadores e estudantes.
Em alguns contextos científicos, a previsão de resultados ganha ainda mais importância: quando se precisa buscar financiamento e apoio para testar uma hipótese, por exemplo. Nesse caso, é preciso usar argumentos teóricos para convencer de que o resultado previsto decorre dedutivamente da hipótese e do teste planejado (LAWSON, 2005).
Após esta previsão, finalmente executa-se o teste (passo 6) conforme o planejamento prévio. Seus resultados são observados (passo 7), de modo a se coletar evidências, que podem ser de três tipos: experimental, circunstancial ou correlacional, dependendo do tipo de teste realizado (LAWSON, 2004).
Apresento aqui alguns exemplos: os ensaios laboratoriais geram evidências experimentais; a observação noite após noite do movimento de corpos celestes conduz a evidências circunstanciais; depósitos de tsunami em determinado raio
geográfico associado a uma cratera no mar causada pelo impacto de um meteoro gera evidências correlacionais de que um tsunami se originou deste impacto.
A comparação dos resultados previstos com os observados pode ou não exigir o uso de procedimentos estatísticos. A partir daí, tira-se uma conclusão (passo 8) sobre o consequente apoio ou não para a hipótese, com base no grau de correspondência entre o que se previu e o que se observou (LAWSON, 2004).
Seguindo um princípio da teoria popperiana, Lawson (2005) destaca que o fato de uma hipótese ser sustentada por evidências não significa que esteja definitivamente comprovada, da mesma forma que uma hipótese refutada não significa que deva ser de todo rejeitada. Pois tanto o teste quanto a hipótese em si podem ter falhas ou ser afetados por circunstâncias ainda não conhecidas. O que se pode dizer é que quanto maior a correspondência entre resultado previsto e observado, maior será o apoio para a explicação proposta.
Por fim, repetem-se os passos 3 a 6 até que todas as hipóteses plausíveis tenham sido testadas, aceitas ou rejeitadas, ou uma nova observação intrigante seja feita, levantando uma nova questão causal. Esta pode levar a uma inspeção mais próxima do fenômeno intrigante ou desviar a atenção do cientista para iniciar novamente todo o processo em outra direção.
Portanto, o processo é cíclico (não-linear), uma vez que novas observações intrigantes podem surgir durante a realização dos testes, conduzindo a uma outra investigação e assim por diante (LAWSON, 2002). Os três ciclos de raciocínio da pesquisa de Galileu e os oito da pesquisa de Alvarez demonstram este fato.
Cada passo descrito é guiado por um raciocínio que conduz à etapa seguinte. Em função disso acontecer de uma forma mais ou menos regular em todas as situações é que o autor diz haver um padrão de raciocínio que caracteriza a descoberta científica.
Para indicar este padrão de raciocínio, Lawson (2002, 2004) utiliza a estrutura lógico-linguística se / e / então / e ou mas / portanto, já demostrada na análise das pesquisas de Galileu e Alvarez. De acordo com ele, o núcleo central deste modelo é formado pelo se / então / portanto, a forma básica de um argumento completo segundo a Lógica. Os demais elementos são acréscimos para introduzir a geração de testes como meios de comprovação (LAWSON, 2002).
O processo inicial até a geração de testes (possíveis explicações, hipóteses surgidas após a observação intrigante e pergunta causal) corresponde uma
semilógica, raciocínio condicional que emprega a forma linguística se / então –
quando considerados somente os elementos básicos do argumento, sem o teste planejado, o e. Este corresponde a uma espécie de extensão da própria hipótese. Traduzindo: se isto é assim e isso for feito, então aquilo vai acontecer. Este processo de geração de testes para explicações possíveis pode incluir vários etapas de se / e / então (LAWSON, 2000, 2004).
Cada elemento linguístico do padrão de raciocínio do argumento completo corresponde a passos da investigação científica: o “se” refere-se à hipótese; o “e”, ao teste planejado; o “então”, ao resultado esperado; o “e ou mas” correspondem ao resultado observado e o “portanto”, à conclusão (LAWSON, 2004). A figura abaixo ilustra a correspondência entre o padrão de raciocínio e os passos da pesquisa.
Figura 10 – Padrão de raciocínio que acompanha passos da pesquisa científica
Os primeiros passos do processo – observação intrigante e pergunta causal – não aparecem no padrão de raciocínio proposto por Lawson. Este começa com a hipótese, o que é compreensivel, pois o ato da explicação é considerado como a característica que diferencia a pesquisa científica de outros empreendimentos humanos. Já foi dito que para Lawson (2003) qualquer pessoa pode fazer observações intrigantes e perguntas causais sem enveredar pela pesquisa científica.
PADRÃO DE