As Geotecnologias e os produtos do Sensoriamento Remoto mostraram-se eficazes na caracterização e análise das paisagens em bacias hidrográficas, permitindo obter o conhecimento mais abrangente da realidade analisada. Nesse sentido, compreende-se que a identificação dos usos e ocupação do solo da sub-bacia hidrográfica do Riacho do Sangue através de imagens de satélite foi elemento imprescindível na análise da fragilidade ambiental.
No tocante a esta temática, a análise das fragilidades apresentaram variações de baixo a muito forte, com nível de intensidade considerando a proporção da cobertura vegetal e do uso e ocupação em cada porção da sub-bacia, evidenciando que os polígonos de alta fragilidade ambiental frequentemente são encontrados em regiões sob forte influência de atividades antrópicas. Dentre as principais atividades desenvolvidas na localidade, destaca-se a agropecuária. Essa atividade contribui de forma significativa para aumentar a fragilidade ambiental dos sistemas naturais, pois, além de retirar a cobertura vegetal original, os solos ficam expostos e sujeitos a erosão, além do risco de compactação pelo pisoteio do gado. Logo, faz-se necessário instigar as discussões a respeito do conhecimento das fragilidades dos ambientes semiáridos, entendendo como um problema socioambiental complexo que compromete a capacidade de suporte dos sistemas ambientais presentes nessas regiões.
Entender os sistemas e subsistemas ambientais presentes em uma determinada localidade de estudo permite com que as ações de planejamento sejam voltadas para as suas limitações e potencialidades ambientais, respeitando as condicionantes de cada unidade. Em relação aos sistemas e subsistemas identificados nesse estudo, entre as principais limitações destacam-se a irregularidade pluviométrica em razão das condições climáticas semiáridas e os solos normalmente rasos a pouco profundos que são muito propensos aos processos erosivos, sobretudo em áreas com pouca proteção da cobertura vegetal, afetando também a produção agrícola da região. Quanto às potencialidades estão a topografia relativamente plana, o agroextrativismo controlado e o uso agropastoril com manejo adequado dos solos. Dentre os principais impactos sofridos pela sub-bacia, verificam-se sinais de degradação dos recursos naturais e, em alguns casos, indicadores de desertificação, especialmente nos sertões. Assim, fica evidente que promover o planejamento e a gestão ambiental dos sistemas naturais de forma satisfatória torna-se primordial visto a adaptação social às potencialidades e limitações do meio natural.
A partir da utilização das bacias hidrográficas e suas compartimentações como unidades de estudo e planejamento, pode-se compreender a relevância das variáveis
83 socioambientais envolvidas em uma análise integrada. Nesse âmbito, a análise ambiental integrada mostra-se como importante instrumento que serve como subsídio para o planejamento territorial e para a gestão ambiental. As metodologias que resultam na análise conjunta de diversos elementos da paisagem permitem o conhecimento do ambiente através de uma visão holística dos aspectos envolvidos. Entretanto, vale ressaltar que essas metodologias não devem permanecer engessadas. As análises devem partir da adaptação dos procedimentos metodológicos, seja através da inserção de novas variáveis ou ponderando de acordo com os critérios adotados, para que os resultados sejam os mais fidedignos possíveis às características peculiares de cada área de estudo.
Por fim, espera-se ter contribuído por meio desta pesquisa, mesmo sendo uma primeira aproximação, com a produção de instrumentos que possam nortear a elaboração de políticas públicas que visem mitigar e evitar a degradação ambiental, fazendo-se necessária uma proposta de gestão ambiental para garantir a qualidade dos recursos hídricos, bem como contribuir para o planejamento territorial e desenvolvimento local associado ao uso sustentável do meio.
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