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Rekefeltenes dyreliv

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E. Rekefeltenes dyreliv

Diante do baixo quantitativo de artigos da região Nordeste, apenas uma produção (MONTE; SAMPAIO, 2012), é necessário discutir a (falta de) implicação da Psicologia frente ao cenário de extermínio de jovens negros e moradores da periferia, além do cenário de caos presente no sistema socioeducativo que se faz presente na região Nordeste e, mais especificamente, na cidade de Fortaleza (CE).19 O silenciamento nas produções locais diz de um lugar de

invisibilidade que esses jovens ocupam na sociedade civil (e, também, nas reflexões acadêmicas) sinalizando a trama de saber-poder-subjetivação que o situam como “sujeitos matáveis” (BARROS; ACIOLY; RIBEIRO, 2016; BARROS; BENÍCIO, 2017).

Para materializar a discussão da gravidade da violência letal direcionada ao segmento juvenil na região Nordeste é relevante destacar dados apresentados pelo Atlas da Violência (2017) desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Mapa da Violência (2016) e pelo índice de Homicídios na Adolescência (IHA, 2014). O Atlas da Violência (2017) aponta que todos os estados que apresentaram aumento de mais de 100% nas taxas de homicídio entre os anos de 2005-2015 pertenciam à região Norte e Nordeste. Houve 19 Discussões esmiuçadas acerca da crise do sistema socioeducativo local serão explicitados no capítulo 2: Maquinarias de Judicialização da Vida e Governo de Juventudes Desiguais: Políticas Públicas direcionadas ao segmento infantojuvenil no Brasil – Do Código de Menor à Socioeducação.

um substancial crescimento das taxas de homicídios nos últimos cinco anos nos estados de Sergipe (+77,7%), Rio Grande do Norte (+75,5%), Piauí (+54,0%) e Maranhão (52,8%).

O Mapa da Violência (2016) aponta que a região Nordeste, entre os anos de 2004 – 2014, apresentou as maiores taxas de homicídio por armas de fogo (HAF), índice equivalente à 32,8 a cada 100 mil habitantes. Em 2014, Alagoas ocupou a primeira posição em relação aos homicídios cometidos por armas de fogo, seguido do estado do Ceará. O recorte referente ao gênero e faixa etária repete-se: predominantemente jovens com idade entre 15 – 29 anos, sendo 94,4% do sexo masculino.

De acordo com o índice de Homicídios na Adolescência (IHA, 2014) há um maior risco de adolescentes e jovens serem alvos de violência letal, em comparação com os demais segmentos populacionais. O Atlas da Violência (2017) aponta que a taxa de homicídios da população jovem é de 60,9 mortes a cada 100 mil habitantes, mais que o dobro da taxa de homicídios média da população (28,9 mortes por 100 mil habitantes).

Explicita-se um fenômeno chamado de “Nordestinação dos homicídios”, uma vez que oito dos nove estados com maior IHA localizam-se na região Nordeste, a destacar: Ceará (1º colocação); Alagoas (2º colocação); Bahia (4º colocação); Rio Grande do Norte (5º colocação); Paraíba (6º colocação); Piauí (7º colocação); Sergipe (8º colocação) e Maranhão (9º colocação). Além disso, Fortaleza aparece como sendo a capital com maior IHA: 10,94 adolescentes e jovens são assassinados, em cada 1.000 habitantes (IHA, 2014).

Especificamente em relação ao cenário local, a Secretaria Municipal de Saúde aponta que entre os anos de 2000-2015, 97% dos adolescentes vítimas de homicídios eram do sexo masculino e 94% desses adolescentes e jovens tinham idade entre 15-19 anos.

De acordo com os dados apresentados pelo Comitê Cearense de Prevenção aos Homicídios na Adolescência (CCPHA) em relação, também, à cidade de Fortaleza (CE) havia uma dinâmica territorial conflituosa na trajetória de vida dos adolescentes e jovens assassinados, uma vez que 75% foram mortos no próprio bairro e 37% deles já tinham sofrido uma tentativa de homicídio anterior a sua execução.

As investigações do referido Comitê também apontam a predominância do gênero masculino (98%) e da raça parda e preta (69%) na dinâmica dos homicídios de jovens na cidade de Fortaleza (CE). Em 94% dos casos a arma de fogo foi utilizada para efetivação do homicídio juvenil. Além do que, no que se refere ao eixo familiar e comunitário, 64% dos jovens vítimas de homicídio tiveram, pelo menos, um amigo assassinado (ROSENO, 2017).

No que diz respeito ao eixo institucional: 65% dos jovens não participavam de nenhum projeto social; 73% haviam deixado de frequentar a escola; apenas 2% tiveram a experiência em programa de estágio/jovem aprendiz; 46% acessaram o Sistema Socioeducativo, devido ao cometimento de ato infracional; 73% foram acometidos por violência policial; 66% tiveram a exposição de suas mortes em programas policiais e em 89% dos casos, os agressores não foram detidos20. A problematização em torno dos termos adolescente e adolescência

apresentada na revisão de literatura não tem o intuito de estabelecer um abandono dos referidos conceitos, mas problematizar seu uso conceitual e político, de modo a não operar com o que Foucault chama de governo da individualização, levando-se em consideração o contexto político em que vivemos, o qual atribui noções universalizantes e psicologizantes aos adolescentes que cometeram atos infracionais, culpabilizando-os pela intensificação da sensação de insegurança social e violência letal.

Demonstra-se, então, a necessidade de uma atuação da Psicologia que tenha como base um compromisso ético-político frente ao alarmante panorama de institucionalização de adolescentes autores de atos infracionais e taxas elevadíssimas de homicídios de adolescentes e jovens, evidenciando uma verdadeira política de extermínio contra a juventude pobre e negra.

Compromisso ético-político indica, então, uma atuação que construa aproximação e vinculação com o território de intervenção, de modo a entrar em contato com as redes/conexões estabelecidas pelos jovens autores de atos infracionais como estratégias de existência e (re)existências/ resistências. Práticas profissionais, então, que incida na construção de modos de ser juvenis pautados pela garantia de direitos, reconhecendo esses jovens como sujeitos de direitos, e não meros objetos de ações das políticas públicas.

É necessário garantir uma Psicologia que tenha o compromisso de praticar ações em prol das múltiplas existências juvenis, práticas discursivas e não discursivas em prol da vida, sem que se tenha uma distinção de gênero, raça e classe social da vida que deve ser protegida. Então, que práticas historicamente construídas em torno do saber da Psicologia sejam questionadas, problematizadas e repensadas, práticas estas que incidiram sobre a normalização de corpos juvenis, principalmente os ditos “desviantes”. Refazer o caminho quantas vezes forem necessárias, de modo a garantir a construção de políticas públicas COM os jovens, inclusive, a discutir questões referentes à juventude e à violência.

20 ROSENO, R. (2017). Cada vida importa: relatório final do comitê pela prevenção de homicídios na

3 ASPECTOS METODOLÓGICOS: O CAMINHAR NA PESQUISA-INTERVENÇÃO

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