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6 - Rekefelt og gyteområder

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Pretende-se, neste subcapítulo, descrever e caracterizar as atividades formais desenvolvidas na UTI neonatal, quer aquelas em conjunto com a equipe de saúde, quer aquelas realizadas individualmente por mim. Cabe destacar que algumas intervenções – como o grupo de pais, a visita de irmãos, o atendimento pais-bebê e a atuação na situação de óbito – serão descritas e analisadas com base em casos clínicos na parte II, capítulo III, “Pensando a prática: do silêncio da escuta às vozes dos personagens – Aprendendo com a experiência”.

3.1. Reunião multiprofissional

Realizada mensalmente, envolve dois médicos diaristas (sendo um deles o chefe da Unidade Neonatal), enfermeira, enfermeira chefe da Pediatria, assistente social, fisioterapeuta, fonoaudióloga, nutricionista, farmacêutica e psicóloga. Com uma ata elaborada previamente, cada profissional inscreve assuntos que gostaria de discutir na presença dos demais. Em geral, são abarcadas as dificuldades que cada área enfrenta para realizar o trabalho na unidade, bem como propostas de intervenções e soluções. Ademais, são discutidas aulas e palestras proferidas pela unidade, além de ações vinculadas à pesquisa.

Meus apontamentos nesse campo centram-se, sempre, no resgate do subjetivo de todos os envolvidos: bebê, família, equipe. Os temas que levo para a reunião são oriundos de minha prática e observação da unidade.

Cito, como exemplo, situações distintas. A primeira delas refere-se ao projeto “Visita de irmãos”, elaborado e desenvolvido por mim, atendendo à solicitação de parte da equipe médica. Como se tratava de um projeto recente, em processo de incorporação pela unidade e pelos profissionais, frequentemente eu fornecia a eles dados sobre a demanda das visitas e facilidades/dificuldades encontradas no decorrer delas. Em certas situações de dificuldade na implantação, estava claro que se tratava de um fenômeno resistencial, porém, em outras, havia descompasso na circulação de informações. Considerei, então, importante a informação que

era transmitida pela chefia e por mim. Adicionalmente, eu tentava manter conversas com os profissionais sobre a visita e, ao mesmo tempo, ouvir o que eles pensavam sobre o assunto.

Outra situação levada à reunião refere-se ao grupo de pais13

Outro tipo de consideração que fiz nas reuniões multiprofissionais refere-se à fotografia. Não é permitido a ninguém na unidade tirar fotos ou filmar. Entretanto, a maioria dos pais sai repleta de fotos dos filhos, tiradas pelo celular. O foco de meus apontamentos residiu justamente na problematização dessa proibição e na importância que tal registro pode ter – e tem – para os pais. Cito, entre outras, as justificativas que considero de maior relevância: marcar esse momento da vida do bebê e da família, que muitos pais querem “apagar” de suas histórias, sem se dar conta dos efeitos nefastos que tal “apagamento” pode ter; permitir que algo do sonhado e esperado nesse terreno do desconhecido possa realizar-se; auxiliar no processo de luto por meio do registro da existência do bebê, caso ele faleça; e possibilitar a integração do bebê na família ampliada, que espera por ele (nesse ponto, enfatizo a especificidade dessa UTI, a neonatal, pois o paciente nem sequer foi conhecido pelos familiares anteriormente).

. Frequentemente discutíamos o manejo mais adequado nessa intervenção e o que almejávamos com ela. Foi com base em tais considerações que propus a alteração da frequência do grupo: de mensal para quinzenal. A alta adesão dos pais a esse dispositivo sinalizava, a meu ver, uma intervenção eficaz, em algum nível. Assim, com a intenção de que um maior número de pais pudesse usufruir desse recurso, e para que eles pudessem participar mais vezes do grupo, a alteração foi implementada na unidade.

3.2. Visita multiprofissional

A visita multiprofissional ocorre semanalmente nos leitos dos cuidados intensivos. Além dos profissionais presentes na reunião multiprofissional, participam os médicos residentes e os especializandos da Fisioterapia. O objetivo de tal visita é discutir o paciente em sua integralidade, bem como seu tratamento e sua passagem pela unidade. Muitos apontamentos concentram-se nos aspectos médicos e didáticos voltados para os residentes; os demais profissionais fornecem seus pareceres com base nas solicitações dos médicos ou quando consideram pertinente.

A equipe geralmente demonstra interesse em saber se determinados pais comparecem à unidade, se estão afetivamente vinculados ao filho ou se possuem consciência

13 O grupo de pais será descrito na parte II, capítulo III, subcapítulo1, “O grupo de pais: quem cuida de quem?

da gravidade do quadro clínico deste. Curioso notar que aqueles casos considerados psiquicamente graves nem sempre correspondem aos considerados graves pela equipe médica. Quando oportuno, eu teço comentários sobre a dinâmica psíquica materna e/ou familiar a fim de, por exemplo, explicar a ausência dos pais ou a dificuldade de vinculação, levando em conta, sempre, a questão ética do sigilo profissional.

Esse dispositivo da unidade tem em si um potencial para constituir-se como um espaço fecundo de interlocução entre os profissionais da equipe de saúde e permitir uma compreensão mais abrangente dos bebês e das respectivas famílias. Nesse sentido, pode ser considerado um espaço privilegiado de ações interdisciplinares, em que são contempladas percepções das diversas especialidades que compõem a equipe de saúde sobre um mesmo caso/situação.

3.3. Intervenção conjunta entre Psicologia e Serviço Social: os “casos sociais”14 Como parte da rotina, mantenho contato constante com a assistente social do serviço, a fim de compartilhar informações sobre risco de abandono e/ou suspeita de condições inadequadas de cuidado. Do mesmo modo, ela fornece a mim certas informações importantes a respeito da condição social e familiar.

Esse trabalho em parceria durante a internação do bebê tem se revelado de extrema importância para que possamos minimamente oferecer à família um suporte satisfatório para cuidar do filho. Enquanto trabalho com os pais questões psíquicas envolvidas no vínculo e repercussões emocionais da internação e do encontro com o bebê, por exemplo, a assistente social aciona, quando necessário, os demais familiares e/ou entidades judiciais competentes (encaminhamento ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância e Juventude).

Em algumas ocasiões, a assistente social e eu tivemos a oportunidade de realizar um atendimento conjunto à mãe de um “caso social”, como é tipicamente conhecido. Após essa experiência de atendimento conjunto, que se mostrou extremamente eficaz e complementar nos saberes (com a articulação de aspectos emocionais, condição social e familiar e possíveis encaminhamentos do caso), surgiu-nos a ideia de oficializar tal trabalho com essas mães, antes mesmo que elas recebessem alta do hospital no pós-parto.

14 Por este nome compreendem-se aqueles casos em que os bebês foram deixados pela mãe e por familiares no

hospital e aqueles em que os pais/familiares não possuem condições emocionais e financeiras de fornecer um suporte de cuidados adequados ao bebê. Nessas situações, a guarda do bebê é ou transferida para algum familiar, ou encaminhada à Vara da Infância e Juventude. Nesta última possibilidade, os bebês permanecem no hospital até a transferência para um abrigo, com vistas à adoção.

3.4. O atendimento à família ampliada

O atendimento à família ampliada inclui os cuidados aos avós, aos irmãos e aos demais parentes do bebê. No caso dos irmãos, tal ação se dá pela “visita de irmãos”. Com os outros familiares as intervenções ocorrem no momento em que comparecem à unidade por algum motivo (acompanhamento da mãe ou óbito do bebê, por exemplo). Geralmente, aqueles familiares que comparecem ao hospital, mesmo sabendo da restrição às visitas, são pontos de referência e sustentação do casal parental (suporte familiar). Diante disso, os atendimentos, breves no tempo, visam garantir acolhimento, bem como fortalecer a importância de manterem-se na condição de “lugar de ancoragem”.

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