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Foram realizados testes t de amostras independentes nas escalas EAIHES-Estudante e EANAHES-Professor, com o intuito de explorar o comportamento de algumas variáveis sociodemográficas presentes nos instrumentos, testando assim as 11 hipóteses que foram mencionadas na Tabela 8. Antes do cálculo dos testes t foram analisadas as médias dos quatro fatores da EAIHES-Estudante e os três fatores da EANAHES-Professor.

Iniciamente, foi analisada a H1, cujo objetivo era investigar diferenças entre as

percepções de importância das habilidades de ensino de estudantes dos cursos de Enfermagem (eenf) e Medicina (emed). A H1 foi corroborada, uma vez que os estudantes de Enfermagem (eenf) atribuíram maior importância às habilidades relacionadas ao uso de NTICs no ensino do que os estudantes de Medicina (emed) (Meenf = 8,31; DPeenf = 1,12; Memed = 7,95; DPemed = 1,37; t = 2,42; p = 0,016).

A H2 não foi corroborada, ou seja, não houve diferenças entre as percepções de

importância das habilidades de ensino de estudantes de IES públicas (epub) e de estudantes de IES privadas (epriv). A H3 foi corroborada e os docentes (doc) atribuíram maior importância às habilidades relacionadas ao uso de NTICs do que os estudantes (est) (Mdoc = 8,27; DPdoc = 1,42; Mest = 7,77; DPest = 1,57; t = 2,58; p = 0,010). No entanto, os estudantes atribuíram maior importância às habilidades relacionadas ao ensino em cenários reais de prática em saúde do que os docentes (Mdoc = 8,78; DPdoc = 1,96; Mest = 9,40; DPest = 0,61; t = -2,79;

p = 0,006). Além disso, os docentes atribuíram maior importância às habilidades de ensino

relacionadas à Didática do que os estudantes (Mdoc = 9,54; DPdoc = 0,70; Mest = 9,11; DPest = 0,84; t = 4,06; p = 0,001).

A H4 não foi corroborada, ou seja, não houve diferenças significativas entre as percepções de importância das habilidades de ensino de docentes que atuam no curso de Enfermagem (denf) e de docentes que atuam no curso de Medicina (dmed). Da mesma forma, a H5 não foi corroborada, indicando que não houve diferença entre as percepções de

importância das habilidades de ensino de docentes que atuam em IES públicas (dpub) e de docentes que atuam em IES privadas (dpriv). A H6 também não foi corroborada, sugerindo que não houve diferença entre as percepções de importância das habilidades de ensino de docentes que possuem até 10 anos de atuação (até10) e daqueles docentes que possuem mais de 10 anos de atuação (maisde10).

A H7 foi corroborada, indicando que os docentes que supervisionam atividades práticas atribuíram maior importância às habilidades relacionadas ao ensino em cenários de prática de saúde do que os docentes que realizam apenas atividades teóricas de ensino (Msap = 9,54; DPsap = 0,62; Msat = 7,54; DPsat = 3,03; t = 3,45; p = 0,002).

A H8 não foi corroborada, sugerindo que não há diferença entre as autoavaliações de domínio das habilidades de ensino de docentes que atuam curso Enfermagem (denf) e dos docentes que atuam no curso de Medicina (dmed). A H9 também não foi corroborada, indicando que não há diferença entre as autoavaliações de domínio das habilidades de ensino de docentes que atuam em IES públicas (dpub) e docentes que atuam em IES privadas (dpriv). Da mesma forma, a H10 não foi corroborada, mostrando que não há diferença entre as

autovaliações de domínio das habilidades de ensino de docentes que possuem até 10 anos de atuação (até10) e docentes que possuem mais de 10 anos de atuação (maisde10).

Por fim, a H11 foi corroborada, mostrando que os docentes que supervisionam atividades práticas em cenários reais de saúde (sap) consideraram possuir maior domínio das habilidades relacionadas ao ensino em cenários práticos de saúde do que os docentes que supervisionam apenas atividades teóricas de ensino (sat) (Msap = 9,04; DPsap = 0,85; Msat =

6,46; DPsat = 2,49; t = 5,30; p = 0,001). A Tabela 15 apresenta um resumo dos resultados das hipóteses de diferenças entre grupos.

Tabela 15.

Resultado das hipóteses de diferença entre grupos

Hipótese Descrição da Hipótese Resultado

H1

Haverá diferença entre as percepções de importância das habilidades de ensino de estudantes de Enfermagem (eenf) e estudantes de medicina (emed).

Hipótese corroborada

H2

Haverá diferença entre as percepções de importância das habilidades de ensino de estudantes de IES públicas (epub) e estudantes de IES privadas (epriv).

Hipótese não corroborada

H3 Haverá diferença entre as percepções de importância das

habilidades de ensino de docentes (doc) e estudantes (est). Hipótese corroborada

H4

Haverá diferença entre as percepções de importância das habilidades de ensino de docentes que atuam no curso de Enfermagem (denf) e docentes que atuam no curso de medicina (dmed).

Hipótese não corroborada

H5

Haverá diferença entre as percepções de importância das habilidades de ensino de docentes que atuam em IES públicas (dpub) e docentes que atuam em IES privadas (dpriv).

Hipótese não corroborada

H6

Haverá diferença entre percepções de importância das habilidades de ensino de docentes que possuem até 10 anos de atuação (até10) e docentes que possuem mais de 10 anos de atuação (maisde10).

Hipótese não corroborada

H7

Haverá diferença entre as percepções de importância de docentes que supervisionam atividades práticas em

cenários reais de saúde (sap) e docentes que supervisionam atividades teóricas (sat).

Hipótese corroborada

H8

Haverá diferença entre as autoavaliações de domínio das habilidades de ensino de docentes que atuam no curso de Enfermagem (denf) e dos docentes que atuam no curso de medicina (dmed).

Hipótese não corroborada

H9

Haverá diferença entre as autoavaliações de domínio das habilidades de ensino de docentes que atuam em IES públicas (dpub) e docentes que atuam em IES privadas (dpriv).

Hipótese não corroborada

H10

Haverá diferença entre as autovaliações de domínio das habilidades de ensino de docentes que possuem até 10 anos de atuação (até10) e docentes que possuem mais de 10 anos de atuação (maisde10).

Hipótese não corroborada

H11

Haverá diferença entre as autoavaliações de domínio das habilidades de ensino de docentes que supervisionam atividades práticas (sap) e docentes que supervisionam atividades teóricas (sat).

Observa-se na Tabela 15 que das 11 hipóteses de diferenças entre grupos apenas quatro foram corroboradas. A H3 foi a única que apresentou diferenças em três fatores (Uso de NTICs no Ensino, Ensino em Cenários de Prática em Saúde e Didática). Ressalta-se que como as estruturas empíricas das escalas de estudante e professor são distintas, foi necessário criar um novo banco de dados e, consequentemente, uma outra estrutura empírica referente às percepções de importância de estudantes e professores, viabilizando assim a comparação entre esses dois grupos.

A estutura empírica da Escala de Avaliação da Importância de Habilidades de Ensino por Estudantes e Professores (Apêndice O) possui 33 itens e quatro fatores. Na AFE realizada foi utilizado o método PAF, rotação oblíqua, e consideradas as cargas fatoriais com valores acima de 0,30. O primeiro fator, nomeado “Uso de tecnologias de informação e comunicação no ensino”, composto por oito itens e α = 0,85, teve cargas fatorias variando entre 0,43 e 0,65. O segunto fator, intitulado “Ensino em cenários práticos de saúde”, composto por dez itens e α = 0,89 e cargas fatoriais variando entre 0,39 e 0,93.

O terceiro fator, nomeado como “Relacionamento Interpessoal”, possui oito itens, α= 0,78 e cargas fatoriais variando entre 0,38 e 0,70. E o quarto fator, intitulado “Didática”, possui sete itens, α = 0,7 e cargas fatoriais variando entre 0,34 a 0,61. Cabe destacar que a estrutura empírica da respectiva escala possui apenas um item a mais que a estrutura EAIHES- Estudantes. Na próxima seção, serão apresentados os resultados referentes às demandas de aprendizagem dos docentes universitários dos cursos de Enfermagem e Medicina.