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4 Litteraturstudie om reiseliv og petroleum

4.4 Reiseliv og petroleum i sameksistens - tre caser

Uma Didática voltada para a ação pede especial atenção à comunicação, logo, à língua de uso. A língua de uso é aquela empregada em conversas espontâneas entre falantes nativos. É uma língua autêntica, verdadeira, não filtrada por experimentos em laboratórios lingüísticos, caracterizada pela presença de expressões idiomáticas e coloquiais, de problemas da performance no caso de língua falada, como lapsos, indecisões, anacolutos, etc.

É esse tipo de língua que deve ser proposto em uma aula ‘comunicativa’, já que é esse tipo de língua que o aluno encontrará fora da sala de aula. Por isso a necessidade do uso de material autêntico, caracterizado pela presença da língua de uso. Scalzo (1988:146) acredita que o uso de material autêntico em sala de aula prepara o aluno para a realidade que encontrará no país, além de contribuir para o ensino da cultura. A autora argumenta que um texto autêntico, geralmente destinado à um nativo, é portador de cultura e, aprender uma cultura significa adquirir a capacidade de assumir, mesmo que temporariamente (em sala de aula), uma sensibilidade e uma visão de mundo de acordo com a sociedade da qual se quer aprender a língua.

1.2.2 O erro e a correção

Nessa abordagem adotou-se a pedagogia da tolerância, algo impensável nas

abordagens existentes até então. Sob a luz dos estudos de aquisição de língua

materna por parte de uma criança (Chomsky, Krashen), e sobre a interlingua32

(Selinker, 1972; Corder, 1967), percebeu-se que o erro é algo ineliminável do processo de aprendizagem de uma língua; é na verdade o resultado natural de um processo de produção lingüística, símbolo do esforço feito pelo aluno em imaginar uma gramática que descreva a LE por meio da regularidade que encontra e das associações que faz com a sua língua materna.

Partindo desse pressuposto, o erro faz parte do processo e o objetivo do professor deve ser o de criar condições para a vivência dos eventos sem a interposição do filtro afetivo. O medo de errar pode causar um estado de ânsia que não permita ao aluno chegar a uma real aprendizagem, e é isso que o professor deve evitar.

32 A Interlíngua é um sistema lingüístico em continua evolução que o aluno constrói a partir de

dados do imput ao qual é exposto. Trata-se de um “sistema aproximativo” de uma língua do discente que se põe em um continuum entre a língua materna e a língua que está sendo aprendida (Cilibert, 1994). A interlíngua é um mecanismo interno sujeito a contínuos processos de sistematização.

Mezzadri (2003:274-278) reflete sobre a necessidade de promover formas de correção que incentivem e desenvolvam no aluno a capacidade de auto-correção; devem-se inserir no processo instrumentos que levem o aluno a aumentar a própria autonomia crítica na gestão do erro: saber avaliá-lo e se auto-corrigir caso o erro não seja causado pela falta de conhecimento, mas por uma aplicação errada do que o estudante já sabe.

Um método de correção recomendado pelos autores (Mezzadri, 2003; Scalzo, 1998) é o feedback, uma avaliação contínua que acontece durante a atividade em execução. O professor é, nesse contexto, um facilitador do processo de auto-correção, um conselheiro que indica o caminho para sanar o problema do erro. Essa correção pode ser indicada por uma expressão facial por parte do professor, um aviso, mas sempre fazendo com que o aluno busque a resposta, e não simplesmente explicar ou corrigir de maneira direta.

1.2.3 O espaço comunicativo

O espaço escolar tem uma importância fundamental em uma “aula comunicativa”, porque é também por meio da disposição da classe que se pode perceber se o estudante é efetivamente colocado ao centro do processo de ensino- aprendizagem.

Na organização da classe, o ideal seria um espaço que favorecesse ao máximo a interação entre os estudantes, não só oral, mas também facilitando a interação física.

Segundo Mezzadri (2003: 58) o espaço comunicativo deve facilitar a conversação, o trabalho em duplas ou grupos, logo, o barulho deve ser visto como algo positivo, não só porque é conseqüência do papel ativo que o discente desenvolve na execução de uma atividade, mas também por movimentar a classe, alternando momentos da aula. O autor é favorável à possibilidade de desenvolver atividades lingüísticas não sentados, mas em pé, em que os alunos se movimentam pela classe

para procurar um companheiro a quem deva, por exemplo, fazer uma pergunta. Esse tipo de atividade deixa a aula mais motivada e reforça o papel do professor facilitador.

Para esse tipo de atividade é necessário espaço. Assim, a disposição das carteiras também influencia em uma aula comunicativa. Em uma classe convencional, as carteiras deveriam ser substituídas por cadeiras com braço móvel para oferecer aos estudantes a possibilidade de escrever, além de estarem dispostas em forma de U ou, em classe com mais alunos, como um quadrado: três lados de cadeiras com o quarto lado ocupado pelo docente. Essa disposição tem a vantagem de favorecer a relação “cara-a-cara”, além de agilizar quando as atividades são feitas em duplas ou grupos.

Em um curso especifico como o que propomos nessa dissertação, o espaço é também importante, pois é ele a dar toda a atmosfera necessária para que o aluno se sinta parte do processo, mas trataremos disso no próximo capitulo: curso de italiano

por meio da culinária.

1.2.4 O professor comunicativo

Para gerenciar uma aula comunicativa, Mezzadri (2003: 54) aponta para algumas características que o professor deve ter: ter um ótimo conhecimento da língua e também da cultura e de aspectos sociolingüísticos, já que esses são essenciais nessa abordagem.

O professor deve ainda assumir o papel de facilitador do processo comunicativo ativado pela relação aluno-professor-material didático. Para o autor, o professor é parte do processo, da vida da classe em que age como organizador de materiais e de atividades.

Como facilitador, o professor comunicativo presta constante atenção nas necessidades dos alunos, seja decidindo o quê propor e como propor com base nas

características de aprendizagem do aluno, seja verificando quanto foi compreendido e adquirido33 pelo aluno.

Outro elemento fundamental do papel do professor é o comportamento psicológico, do qual deriva a relação que se instaura com a classe. O docente deve adotar uma postura que tenda a eliminar o filtro afetivo que impeça uma correta aquisição. Assim, a atmosfera da aula deve ser relaxante, amigável e motivadora34.