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A educação tornou-se, novamente nos dias de hoje, um tema central e de grande

preocupação. Existe um objetivo constante de tornar a sociedade jovem, capaz de

enfrentar as dificuldades e desafios da vida adulta. Considera-se assim este objetivo como

constante e sujeito a várias mudanças. Pela dificuldade de definição e de exatidão poder-

se-ia pensar que esta mesma educação estaria condenada, no entanto há ainda nos dias de

hoje muitas pessoas interessadas em dar o seu contributo na procura de melhores

resultados. Pode-se assim dar inicio ao tema deste ponto-chave, a formação continua.

Dos vários problemas que têm acompanhado esta temática, Estrela (1999) destaca a

ausência de uma oferta coerente e a falta de consistência e rigor na avaliação da

formação, dois pontos fundamentais para esta lacuna. Para esta autora a grande maioria

da atual oferta de formação encontra-se completamente descontextualizada da realidade

escolar, pelo que torna-se urgente que se intensifiquem esforços nesse sentido.

Considerada que é uma condição essencial para a melhoria da qualidade de ensino, a

formação contínua urge na procura de melhores dias. De acordo com Chantraine-

Demailly (1997) para que um docente possa realizar um investimento regular no seu

desenvolvimento profissional é necessário que se sinta de algum modo pressionado para

tal, pese embora o objetivo que o faça sentir essa necessidade.

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Para que possa existir o interesse, quer nos professores quer em todos os organismos, a

formação continua tem de estar ligada à gestão escolar, às práticas pedagógicas e às

necessidades dos professores. Para Montero (1987), a formação contínua tem de estar

ligada às dificuldades sentidas pelos professores, pelo que torna-se obrigatória a opinião

dos mesmos de forma a existir um contributo seguro que possa tornar a formação eficaz.

No que respeita à oferta de formação, no âmbito da formação dos docentes, as

modalidades atuais são as que constam na tabela 1:

Tabela 1 – Modalidades de formação

MODALIDADES OBJETIVOS DURAÇÃO MODO DE REALIZAÇÃO

CURSO

Atualizar e aprofundar

conhecimentos teóricos e práticos.

Adquirir e desenvolver

competências e instrumentos de

analise das experiencias dos

formandos.

Sem limite

Deve comtemplar conteúdos

dirigidos ao “saber” e ao “saber fazer”.

CÍRCULO DE ESTUDOS

Questionar e mudar as práticas profissionais.

Consolidar o espírito de grupo, desenvolver a capacidade para interagir socialmente e praticar a interdisciplinaridade. Não superior a 50 horas, distribuídas por 20 semanas

Deve incentivar a autoformação, a prática da investigação e da

inovação educacional. Deve

providenciar competências e

saberes que favoreçam a

construção da autonomia das escolas e dos projetos educativos.

OFICINA DE FORMAÇÃO

Desenvolver saberes práticos

orientados para a conceção de procedimentos ou de materiais

didáticos que aperfeiçoem as

intervenções educativas dos

professores.

Não superior a um ano letivo

Devem ser criadas situações de

socialização, em que cada

participante relate e interrogue as suas práticas, e equacione novos meios processuais e técnicos para a educação.

PROJETO

Desenvolver metodologias de

investigação-formação centradas na

realidade escolar. Incentivar o

trabalho pluri e interdisciplinar. Desenvolver as competências de resolução de problemas.

Não superior a um ano letivo

Deve incentivar a autoformação, a prática da investigação e da

inovação educacional. Deve

providenciar competências e

saberes que favoreçam a

construção da autonomia das escolas e dos projetos educativos.

SEMINÁRIO

Exercitar o estudo autónomo, os métodos e processos do trabalho científico, bem como as abordagens avançadas de áreas específicas da prática profissional.

Não superior a um ano letivo

Deve promover e desenvolver a competências de investigação, estudo autónomo e de reflexão crítica. Envolve o relato em grupo de estudos realizado.

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Não se pode tratar a formação como algo com fim definido, pois assim ela ficaria apenas

pela tão popular formação inicial. A formação não se esgota na formação inicial, devendo

prosseguir ao longo da carreira, de forma coerente e integrada, de forma a responder

sempre às necessidades de formação sentidas pelo próprio. O professor é visto como um

especialista no desenvolvimento social do aluno, responsável por encontrar um ponto de

equilíbrio entre a escola e todas as vivências do mundo exterior. Para Éraut (1988) pode-

se definir formação continua como:

• Atividades formativas que ocorrem após a certificação profissional inicial;

• Atividades que visam principal ou exclusivamente melhorar conhecimentos.

De modo a que essa mesma formação se torne o mais enquadrada possível nas

necessidades dos professores, surge uma nova problemática fundamental para colmatar

essa enorme falha, o diagnóstico das necessidades de formação. Perceber todas as

opiniões e considerações dos professores torna-se assim fundamental.

Para que os profissionais da área do desporto, docentes ou outros profissionais (técnicos

de desporto) tenham acesso a formação credível devem certificar-se se a formação se

encontra acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua

(CCPFC) ou pelo Instituto Desporto de Portugal (IDP). Nesta perspetiva, por um lado,

nos termos do Regime Jurídico da Formação Contínua de Professores, ao Conselho

Científico-Pedagógico da Formação Contínua (CCPFC) compete proceder à acreditação

das entidades formadoras e das ações de formação contínua de professores e acompanhar

o processo de avaliação do sistema de formação contínua. Compete-lhe ainda a

acreditação dos cursos de formação especializada.

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O Conselho tem procurado manter uma articulação estreita com os agentes intervenientes

na formação contínua de professores, nomeadamente no que respeita à difusão de

informação útil para o sistema de formação.

Por outro lado, cabe ao Instituto Desporto de Portugal (IDP), enquanto entidade

certificadora, validar acreditação dos Treinadores/ Técnicos através da cédula de

Treinador/ Técnico de Desporto (CTD), (artigo 25.º do Decreto-Lei 248-A/2008, de 31 de

Dezembro).

Mas não basta ter a formação acreditada, para que a formação vá ao encontro das

necessidades sentidas, é necessário identificar primeiramente quais as necessidades de

formação destes profissionais. É nesta temática que o próximo subcapítulo irá incidir.