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REGULERINGSOPPLEGGET FOR DE ENKELTE FARTØYGRUPPER I 2015

Regulering av fisket etter kolmule i 2015

REGULERING AV FISKET ETTER KOLMULE I 2015

6 REGULERINGSOPPLEGGET FOR DE ENKELTE FARTØYGRUPPER I 2015

Nesta  seção  discuto  como  se  configuram  no  Referencial  o  professor  e  a  criança em interação. Para iniciar, discuto a forma como se estabelece a interação.  Nas  páginas  analisadas  do  Referencial,  foi  possível  observar  as  ocorrências  da  criança (ou correlatos como bebês e outros)voltadas para o professor (e correlatos  como adulto e outros), e também do professor para a criança, como exemplificam  os excertos abaixo:    “A criança escuta textos lidos pelo professor” (RCNEI, p. 131. Vol.3 Objetivos)   

Os  adultos  falam  com  os  bebês”  (RCNEI,  p.125.  Desenvolvimento  da  Linguagem Oral, V.3) 

 

Assim,  como  discutido  e  exemplificado,  há  alternância  entre  os  sujeitos  configurados  no  texto,  pois  ora  aparecem  como  elemento  principal  na  frase,  ora  assumem  posição  secundária.  Do  mesmo  modo,  a  função  semântica  oscila  entre  agente  e  instrumento,  no  caso  do  professor,  e  alvo  ou  beneficiário,  no  caso  da  criança,  como  será  melhor  exemplificado  nesta  seção,  na  discussão  sobre  Papéis  Temáticos.   

Com relação às formas de agir, como nas ocorrências de criança e professor  focalizadas  isoladamente,  pode‐se  destacar  a  presença  significativa  de  Agir  Prescritivo,  Agir  Pluridimensional,  Agir  Linguageiro  e  Agir  Instrumental,  como  mostram os exemplos a seguir: 

 

 “A oralidade, a leitura e a escrita devem (PRE) ser trabalhadas (PLU) (pelo professor) de  forma  integrada  e  complementar,  potencializando‐se  os  diferentes  aspectos  que  cada  uma  dessas linguagens solicita das crianças” (RCNEI V.3 p. 133 Conteúdo 0 a 3 anos).   

“(O professor deve PRE) compreender (COG) que o burburinho (LG) que impera entre 

as  crianças,  não  é  sinal  de  confusão  é  sinal  de  que  (elas)  estão  se  comunicando  (LG)” 

(RCNEI, V. 3, p. 138. Orientações Didáticas – Falar e Escutar 4 a 6 anos).     “A criança utiliza (LG) a repetição da fala do adulto para resolver (PLU) problemas em  função de diferentes necessidades e contextos nos quais se encontre” (RCNEI, V.3, p.125.  Desenvolvimento da Linguagem Oral).    “(A criança aprende a COG) diferenciar (PLU) as atividades de contar (LG) uma história,  por  exemplo,  da  atividade  de  ditá‐la  (LG)  para  o  professor” (RCNEI,  V.3,  p.146.  Orientações Didáticas – Práticas de Escrita 4 a 6 anos). 

 

“(O  professor)  ampliar  (PLU)  gradativamente  suas  (da  criança)  possibilidades  de  comunicação e expressão (LG)” (RCNEI, V.3, p.131. Objetivos). 

 

As  situações  cotidianas  nas  quais  os  adultos  falam  (LG)  com  a  criança  ou  perto  dela  configuram  uma  situação  rica”(RCNEI,  V.3,  p.134.  Orientações  Didáticas  0  a  3  anos).  

 

“A  leitura  (LG)  do  professor  tem  a  participação  das  crianças,  principalmente  naqueles  elementos da história que se repetem (LG) (estribilhos, discursos diretos, alguns episódios  etc.)”  (RCNEI,  V.3,  p.144.  Orientações  Didáticas  –Prática  de  Leitura  4  a    6  anos).  

 

 “(O professor) dispor (INS) de um acervo em sala com livros e outros materiais, como  histórias  em  quadrinhos,  revistas,  enciclopédias,  jornais  etc.,  classificados  e  organizados com a ajuda das crianças” (RCNEI, V.3, p.144, Orientações Didáticas –  Prática de Leitura 4 a  6 anos).  

 “A criança utiliza (INS) o professor como escriba ditando‐lhe sua história” (RCNEI, V.3,  p. 128. Desenvolvimento Linguagem Escrita) 

 

  Com relação às formas de agir do Referencial exemplificadas anteriormente, 

pode‐se  perceber,  como  nos  exemplos  já  discutidos  neste  capítulo,  que  são  atribuídas capacidades cognitivas, linguageiras e pluridimensionais para a criança  e  para  o  professor  alternadamente;  nota‐se  também  que  na  interação  o  papel  do  professor permanece como o de organizador e o de facilitador da aprendizagem da  criança, ou como auxiliar e apoio.  

No  entanto,  em  situação  interacional,  atribui‐se  ao  professor  um  papel  secundário, e, conseqüentemente, com valorização também minimizada. O que se  evidencia também pelo Agir Instrumental, é a configuração de uma outra forma de  instrumento:  o  professor  como  instrumento  da  criança,  exemplificado  no  excerto  em que a “criança utiliza o professor como escriba”.   

Como discutido no Capítulo I deste trabalho, a história do homem, na sua  filogênese, é marcada pela conquista e transformação do objeto em “instrumento”.  O instrumento torna‐se, assim, essencial para o desenvolvimento da espécie. Com  a  evolução  do  homem,  esse  instrumento  deixa  de  ser  somente  um  instrumento  material  e  passa  a  ser  também  um  instrumento  simbólico  (ou  psicológico),  na  medida  em  que  passa  a  mediar  o  agir  apenas  na  consciência  do  homem  (por  exemplo, ele lembra que o fogo queima por isso não coloca a mão no fogo).  

  Em termos de ocorrência, o que se verificou é que o texto apresenta grande 

quantidade  de  episódios  em  que  o  professor  e  a  criança  utilizam  instrumentos  materiais,  e  pequena  incidência  de  instrumentos  simbólicos,  sendo  que  ainda  aparecem  mais  instrumentos  simbólicos  para  as  crianças  do  que  para  os  professores.  Destaca‐se  também  a  utilização  freqüente  do  professor  como  instrumento material da criança, como aparece no segundo exemplo anterior, em  que o professor, como escriba, desempenha o papel de “escritor” da criança. 

  A  predominância  que  o  RCNEI  dá  para  a  utilização  de  instrumentos 

materiais  sobre  os  instrumentos  simbólicos  é  significativa,  e  demonstra  que  o  Referencial  credita  ao  professor  maior  capacidade  de  operar  com  instrumentos  materiais  do  que  de  operar  mentalmente.  Isso  equivale  a  dizer  que,  segundo  o  documento,  o  professor  domina  o  uso  de  instrumentos  como  o  livro,  a  lousa,  o  caderno, o que, de certa forma, é coerente com o agir esperado para o professor, ou 

seja,  organizar,  planejar,  etc.  que  necessitam  do  domínio  desses  instrumentos.  O  mesmo  se  dá  com  a  criança,  quando  em  seu  agir  predomina  a  utilização  de  instrumentos materiais aos simbólicos. 

Com  relação  aos  Papéis  Temáticos,  no  caso  do  RCNEI,  observa‐se  o  professor no papel de instrumento, 43 ocorrências, que aparece contribuindo para  a realização de uma tarefa da criança, ou uma tarefa sobre a qual a criança ainda  não domina como, por exemplo, escrever por ela, ler para ela, e outras situações.  Destaco  dois  exemplos,  além  dos  já  apresentados  neste  capítulo,  dentre  os  encontrados nas páginas analisadas:     “É de grande importância o acesso, por meio da leitura pelo professor, a diversos formas de  materiais escritos, uma vez que isso possibilita às crianças o contato com práticas culturais  mediadas pela escrita” (RCNEI, V.3, p.141. Orientações Didáticas – Práticas de  Leitura 4 a  6 anos).    

“O  professor  que  lê  histórias,  que  tem  boa  e  prazerosa  relação  com  a  leitura  e  gosta  verdadeiramente  de  ler,  tem  um  papel  fundamental:  o  de  modelo  para  as  crianças” 

(RCNEI, V.3, p.144. Orientações Didáticas – Prática de Leitura 4 a  6 anos).  

   

  Percebe‐se, no primeiro exemplo, que cabe ao professor além de ler para a 

criança, ampliar o seu repertório literário, de modo a promover a inserção cultural  e lingüística à criança. De acordo com o exemplo, por intermédio do professor a  criança  poderá  conhecer  diferentes  histórias.  Essa  afirmação  mostra  o  posicionamento  do  professor  em  relação  à  criança,  ou  seja,  não  se  propõe  o  estabelecimento  de  uma  relação  igualitária  em  que,  juntos,  professor  e  criança  possam pesquisar, descobrir, criar como parceiros que constroem e re‐constroem  coletivamente o conhecimento.  

  Foram também observadas 90 ocorrências do professor no papel de agente. 

À primeira vista essas ocorrências poderiam parecer contraditórias, de acordo com  o papel de instrumento que o Referencial configura para o professor, no entanto,  esse  fato  justifica‐se  pelo  papel  temático  atribuído  à  criança:  destacam‐se  82  ocorrências  de  criança  no  papel  de  alvo  e  17  no  papel  de  beneficiário.  Com  isso  pode‐se perceber que as ocorrências do professor como agente têm quase sempre a  criança  como  alvo  ou  beneficiária,  como  discutido  por  Ilari  (2000)  no  capítulo  anterior; no papel de alvo a criança é posta como diretamente afetada pela ação, e 

no papel de beneficiário a quem a ação traz algum tipo de proveito, como mostram  os exemplos: 

 

“Ao  falar  com  os  bebês‐ALVO  os  adultos‐AGENTE  tendem  a  utilizar  uma  linguagem  simples, breve e repetitiva que facilita o desenvolvimento da linguagem e da comunicação” 

(RCNEI V.3 p.125 Desenvolvimento da Linguagem Oral)   

“O  professor‐AGENTE  ampliar  gradativamente  suas(criança)‐BENEFICIÁRIO  possibilidades de comunicação e expressão” (RCNEI V.3 p.131 Objetivos) 

 

  Como  revelado  pelos  exemplos  anteriores,  tem‐se  a  criança  em  uma 

situação de beneficiária do agir do professor, que, por sua vez, é apresentado como  aquele  que  realiza  um  ato  de  doação,  como  discutido  por  Machado  (no  prelo).  Desse  modo,  percebe‐se  que  as  posições  dos  sujeitos  oscilam  ao  longo  do  documento, como discutido no início desta seção.  

  O  que  se  observa,  com  relação  ao  posicionamento  dos  protagonistas, 

referente  à  configuração  do  professor  como  sujeito  ou  com  função  semântica  de  agente,  quantitativamente  superior  que  outras  ocorrências,  é  que  o  Referencial  determina, explicita ou implicitamente, o agir do professor voltado para a criança.  Confirmando,  assim,  o  esquema  apresentado  por  Bronckart  &  Machado  (2005),  discutido  no  capítulo  inicial  deste  trabalho,  sobre  a  relação  dos  protagonistas:  A  diz pra B para fazer para C, ou seja, A, o RCNEI, determina o que B, o professor,  deve fazer para C, a criança, como demonstra o excerto a seguir: 

 

“(O  professor)  favorecer  a  conversa  entre  as  crianças  para  que  possam  compartilhar  o  efeito que a leitura produziu” (RCNEI, V.3, p.141. Orientações Didáticas – Prática  de Leitura 4 a  6 anos).  

 

Dessa  forma,  as  variações  sofridas  pelos  protagonistas  se  configuram  com  relação aos papéis que lhes são atribuídos ao longo do Referencial, especificamente  nas páginas analisadas para este trabalho. 

Como  discutido  na  seção  anterior,  com  relação  ao  professor  e  à  criança,  observou‐se  a  colocação  em  cena  de  dois  professores  e  crianças:  os  atuais  e  os  futuros.  Nas  ocorrências  com  interação  entre  o  professor  e  criança  também  se  apresenta o professor futuro, como demonstram os exemplos a seguir: 

 

“Cabe  ao  professor,  atento  e  interessado,  auxiliar  na  construção  conjunta  das  falas  das  crianças  para  torná‐las  mais  completas  e  complexas”  (RCNEI,  V.3,  p.  136. 

Orientações Didáticas 0 a 3anos).   

“O trabalho com as crianças exige do professor uma escuta e atenção real às suas falas,  aos  seus  movimentos,  gestos  e  demais  ações  expressivas”  (RCNEI,  V.3,  p.  137.  Orientações Didáticas 0 a 3anos). 

 

Nesses  dois  exemplos,  evidencia‐se  a  capacidade  que  o  professor  futuro  deverá desenvolver para obter sucesso, sendo que no primeiro excerto o professor  deverá  se  tornar  atento  e  interessado  para  ser  capaz  de  auxiliar  a  criança  na  ‘construção  de  falas  mais  completas  e  complexas’  e,  no  segundo  excerto,  exige‐se  do 

professor  escuta  e  atenção  real  à  fala  da  criança.  Ao  colocar  o  desenvolvimento  dessas capacidades do professor como uma prescrição ou agir futuro, o Referencial  coloca em dúvida a existência dessa capacidade no professor, ou mesmo em alguns  casos, demonstra claramente não acreditar que ele tenha determinada capacidade  ao evocar que ele a desenvolva.  

  A  ausência  da  capacidade  pode  ser  identificada  pelos  marcadores 

lingüísticos, como no exemplo anterior, o verbo exigir aparece sem metaverbo, que  poderia  amenizar  (modalizar)  essa  necessidade,  mas,  ao  aparecer  sozinho,  de  forma categórica, impõe ao professor o desenvolvimento dessas capacidades, o que  evidencia  a  necessidade  do  professor  desenvolver  as  capacidades  de  escutar  e  atentar  para  as  falas  das  crianças  para  promover  sua  aprendizagem,  ou  seja,  desenvolver recursos mentais e comportamentais. 

  A  aprendizagem  da  linguagem  pela  criança  depende  do  desenvolvimento 

dessa capacidade do professor.  Dito de outra forma, o excerto anterior poderia ser  substituído pela seguinte frase: o bom professor desenvolverá a capacidade de ouvir, de 

falar e de compreender a criança e, desse modo, a criança aprenderá o que se espera que ela  aprenda, é a garantia de sucesso na fórmula certa oferecida pelo Referencial, ou seja,  o  ‘contrato  de  felicidade’  que  caracteriza  o  texto  prescritivo,  como  também  discutido no capítulo inicial desta dissertação.  Dessa forma, confirma‐se o que se  discutiu sobre a criança focalizada individualmente, ou seja, a configuração de um  agir sujeito a condições para a obtenção de um determinado fim, e, desse modo, 

novamente  a  aprendizagem  da  criança  é  colocada  sob  a  responsabilidade  do  professor futuro, aquele que deverá desenvolver capacidades.    Outro tipo de ocorrência observada refere‐se à prescrição do agir da criança,  como mostra o exemplo a seguir:      “A roda de conversa é o momento privilegiado de diálogo e intercâmbio de idéias. Por meio  desse exercício as crianças podem ampliar suas capacidades comunicativas, como a fluência  para falar, perguntar, expor suas idéias, dúvidas e descobertas” (RCNEI, V. 3, p. 138.  Orientações Didáticas – Falar e Escutar 4 a 6 anos).   

  Pelo  que  o  Referencial  apresenta,  pode‐se  entender  que  a  partir  da 

realização  dos  exercícios  propostos  pelo  Referencial,  ou  seja,  da  participação  na  roda de conversa a criança poderá ampliar a sua capacidade comunicativa; nota‐se que  nesse  exemplo  o  verbo  ampliar  é  antecedido  pelo  verbo  pode,  que  se  apresenta  como  uma  modalização  epistêmica,  ou  seja,  modalização  de  intensidade,  que  expressa a certeza do emissor e sua crença na veracidade do conteúdo veiculado  no Referencial.  

  Nesse  excerto,  o  professor  foi  omitido,  mas  como  explicado  nos 

procedimentos de análise caracteriza‐se como agir interacional na medida em que  as formas de agir propostas pelos verbos não podem ser realizadas isoladamente,  como:  perguntar,  expor  idéias,  etc..  Pressupõe‐se  que  a  participação  na  roda  de  conversa  implique  a  interação  entre  as  crianças  e  o  professor.  Assim,  a  seguir,  discuto a concepção de ensino‐aprendizagem.