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Reguleringa av formelle rammer av prisunderlaget til entreprenør

5 Analyse av kostnader i vassborne varmedistribusjonsanlegg

5.5 Kostnadskalkulasjon i vassborne varmeanlegg i praksis

5.5.1 Reguleringa av formelle rammer av prisunderlaget til entreprenør

Como se pôde notar, as tradutoras intervêm diretamente no texto traduzido. Por isso, as estratégias adotadas e os vocábulos selecionados por cada uma tendem a ser diversificados, principalmente por se tratarem de traduções com propósitos distintos.

A tradução de Eichenberg, conforme o perfil da coleção pocket, é voltada para um público mais geral, incluindo alunos do ensino médio de acordo com a própria editora L&PM, como já visto. Por essa razão, essa tradutora normalmente utiliza palavras e expressões mais comuns no meio brasileiro. Borges, por sua vez, escreve para um grupo de leitores mais maduro, utilizando, em geral, uma linguagem mais formal. Seu texto traduzido faz parte de uma coleção de livros de estudos acadêmicos. Já Machado, prevendo receptores infanto-juvenis, adota várias vezes um vocabulário

222As medidas das capas, contracapas e folhas de rosto das publicações da Jorge Zahar Editor e da Editora

mais simples, com gírias e palavras no diminutivo. Alguns trechos da história de Carroll foram destacados para ilustrar essa diversidade textual.

No Capítulo 1, Down the Rabbit-hole, as aventuras de Alice ainda não começaram. A menina já está cansada de não fazer nada:

Alice was beginning to get very tired of sitting by her sister on the bank […] once or twice she had peeped into the book her sister was reading, but it had no pictures or conversations in it (CARROLL, 1965:1).

Alice estava começando a se cansar de ficar sentada ao lado da irmã à beira do lago [...] uma ou duas vezes ela tinha espiado no livro que a irmã estava lendo, mas o livro não tinha desenho, nem diálogos (EICHENBERG, 1998:11).

Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado da irmã na ribanceira [...] espiara uma ou duas vezes o livro que estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos (BORGES, 2006:11). Alice estava começando a se cansar de ficar sentada junto à irmã na margem do riacho [...] Uma ou duas vezes, tinha dado uma olhada no livro que a irmã estava lendo, mas ele não tinha figura nem conversa (MACHADO, 1998:13).

Nesse excerto, a palavra bank definida, pelo dicionário The American heritage (1996:145) como um declive ao lado de corpo de água, principalmente um riacho, rio ou lago, é traduzida por Eichenberg como “beira do lago”, ou seja, “margem” de um lago (FERREIRA, 1975:195). Borges faz uma escolha diferente, optando por “ribanceira”, uma “margem elevada de um rio ou de um lago” (FERREIRA, 1975:123), enquanto Machado mantém, em sua tradução, um dos vocábulos utilizados nas definições do Novo dicionário Aurélio, “margem”, em “margem do riacho”, um pequeno rio (FERREIRA, 1975:1235).

Apesar de indicar diferenças na seleção gramatical de cada tradutora, essa passagem também aponta que há semelhanças entre as traduções. Esse é o caso, por exemplo, da tradução de pictures, uma representação visual ou uma imagem como um desenho, pintura, ou foto, definição encontrada no dicionário The American heritage (1996:1370). Tanto Borges como Machado, traduzem a palavra por “figura(s)”, “representação de imagem por meio de desenho, gravura, fotografia, etc.” (FERREIRA,

1975:626). Já Eichenberg e Borges traduzem a palavra, conversations, uma conversa segundo o The American heritage (1996:411), como diálogos, “fala entre duas ou mais pessoas; conversação (FERREIRA, 1975:471).

Os exemplos continuam ao longo das três traduções. No Capítulo 2, The pool of

tears, Alice muda de tamanho e não consegue mais enxergar seus pés. Por isso, pensa em lhes enviar botas pelo correio. Nessa hora, acha o que está imaginando um absurdo:

“[...] Oh dear, what nonsense I’m talking!” (CARROL, 1965:17). “[…] Oh meu Deus, que asneiras estou dizendo (EICHENBERG, 1998:24).

“[...] Ai, ai quanto disparate estou dizendo (BORGES, 2002:19). – Ai meu Deus, quanta bobagem estou falando (MACHADO, 2006:23).

Cada um das tradutoras traduz o vocábulo nonsense, definido como palavras sem sentido compreensível pelo The American heritage (1996:1232), de forma distinta. Eichenberg opta por “asneiras”, “bobagem, besteira, [...] bobeira, tolice” (FERREIRA, 1975:145); Borges por “disparate”, “absurdo” ou “asneira” (FERREIRA, 1975:481); e Machado por “bobagem”, também definida como “bobice” ou “asneira” (1975:211). São várias possibilidades de tradução para um mesmo termo. Aqui, mais uma vez, as três tradutoras também traduzem de forma parecida. A palavra talking, do verbo talk, “falar”, é traduzido por Eichenberg e Borges como “dizendo”.

Mais adiante, no Capítulo 9, The Mock Turtle’s story, o personagem do Grifo leva Alice para ouvir a história da Falsa Tartaruga, apresentando-a ao seu interlocutor:

“This here young lady,” said the Gryphon, “she wants for to know your history, she do.” (CARROLL, 1965:151).

“Esta jovem dama aqui”, disse o Grifo, “quer conhecer a sua história” (EICHENBERG, 1998:128).

“Esta senhorita aqui”, disse o Grifo, “precisa conhecer sua história, precisa mesmo” (BORGES, 2002: 92).

– Esta mocinha aqui... – apresentou o Grifo – ela quer saber da sua história, é isso... (MACHADO, 2006:96).

Nesse excerto, as estratégias gerais de cada tradutora são novamente destacadas. A expressão young lady, é traduzida literalmente por Eichenberg. Essa tradutora se interessa principalmente por contar a história de Alice, ressaltando sua estrangeiridade. Borges opta por “senhorita”, “tratamento cerimonioso ou respeitoso dispensado a moça solteira” (FERREIRA, 1975:1287), um tanto mais formal; enquanto Machado escolhe “mocinha”, um diminutivo, isto é, uma forma de demonstrar carinho ou familiaridade de acordo com o dicionário Aurélio (1975:476). Essa expressão provavelmente foi usada pela tradutora para se aproximar de seus leitores previstos – o público infanto- juvenil.

Ainda em relação à micro-estrutura textual, as tradutoras usam discursos diretos e indiretos do mesmo modo que aparecem no texto de Carroll. Como mencionado anteriormente, Eichenberg e Borges mantêm aspas nos diálogos dos personagens, enquanto Machado usa travessões. No Capítulo 5, Advice from a Caterpillar, por exemplo, quando Alice conversa com a personagem da Lagarta, o discurso direto é mantido pelas três tradutoras:

“So you think you’re changed, do you?”

“I’m afraid I am, Sir,” said Alice (CARROLL, 1965:67) “Então você acha que mudou, não é?”

“Receio que sim, minha senhora”, disse Alice (EICHENBERG, 1998:62-63).

“Então acha que está mudando, não é?”

“Receio que sim, Sir”, disse Alice (BORGES, 2002:47). – Então, quer dizer que você acha que mudou?

– Receio que sim – disse Alice, educadinha outra vez (MACHADO, 2006:52).

Nessa passagem, a forma diminutiva é mais uma vez utilizada por Machado. No entanto, para isso, a tradutora precisou adicionar uma informação que não se encontra no texto de partida. Essa estratégia de acréscimos também é adotada por Eichenberg e Borges em outras situações, como será indicado no capítulo a seguir. Aqui, as três

tradutoras também seguem um mesmo percurso tradutório ao traduzirem I’m afraid I

am por “Receio que sim”. Como a língua para a qual traduzem é a mesma, as possibilidades de tradução também.

No Capítulo 9, Mock Turtle’s story, há um exemplo de como Machado adaptou seu texto para a linguagem dos jovens leitores previstos. No trecho abaixo, a tradutora inclui uma gíria, “cola”, “uma cópia clandestina de exames escritos” (FERREIRA, 1975:343), ao traduzir um jogo de palavras, tema abordado no próximo capítulo, da história de Carroll:

“What a curios plan!” exlcaimed Alice.

“That’s the reason they’re called lessons” (CARROLL, 1998:157). “Que plano esquisito!” exclamou Alice.

“É por isso que são chamados de cursos” (EICHENBERG, 1998:133). “Que programa curioso!” exclamou Alice.

“Só assim você se prepara para uma carreira [...]” (BORGES, 2002:95).

– Que horário mais esquisito! – exclamou Alice.

– É que a gente colava em todas as aulas (MACHADO, 2006:100).

Esses excertos apresentados demonstram as principais tendências de cada tradução. Em geral, Eichenberg e Borges mantêm a estrangeiridade do texto de partida em seus textos, como nos nomes estrangeiros e na tradução de paródias e alusões, tópico abordado no próximo capítulo. Machado domestica mais que as outras tradutoras, principalmente no caso das paródias, substituídas por canções e poemas conhecidos no Brasil, como já citado.