1 Introduction
1.3 Immune regulation by regulatory T cells
1.3.2 Regulatory T cell subsets and modes of action
Tal como referido anteriormente, o presente estudo tem como material empírico de base as entrevistas realizadas a duas educadoras de contextos educativos diferentes.
Na investigação qualitativa a entrevista apresenta-se como um método de recolha de informação que em anexação com a observação participante e a análise de conteúdo instrumentam a investigação (Bogdan e Biklen, 1994; De Bruyne et al.1975, em Hérbert et al., 2005).
Para este estudo, a entrevista foi um dos métodos escolhidos porque “[…] é um
acto de conversação intencional e orientado, que implica uma relação pessoal, durante a qual os participantes desempenham papéis fixos: o entrevistador pergunta e o entrevistado responde. É utilizada quando se pretende conhecer o ponto de vista do
outro”(Bogdan & Biklen,1994:92).
Este é um método formal, onde existe troca de informação entre pessoas – entrevistador e entrevistado – sendo que o entrevistador deve ser claro com os objetivos que pretende abordar, de modo a garantir que o tempo é utilizado para dar e obter informação relevante e esclarecedora para o estudo em causa.
Ludke e André (1986), referem que “a principal vantagem da entrevista “[…] é
que ela permite a captação imediata e corrente da informação desejada, […] sobre os
mais variados tópicos” (p. 34), ou seja, há uma maior flexibilidade, em que o
entrevistador pode repetir, esclarecer, formular de maneira diferente as questões, assegurando que está a ser compreendido. Utilizando este instrumento, é possível obter informações mais precisas, podendo ser confrontadas e comprovadas imediatamente.
No decorrer da entrevista, o entrevistador tem a oportunidade de observar o entrevistado o que lhe permite avaliar as suas atitudes e condutas à luz de uma observação direta.
60 Contudo, segundo Marconi & Lakatos (2006), a entrevista também tem as suas limitações, tais como:
- Dificuldades de comunicação e de expressão tanto da parte do entrevistador como do entrevistado;
- Possibilidade de haver uma falsa interpretação por parte do entrevistador; - Disposição variável para dar informações, por parte do entrevistado; - Retenção de dados relevantes para a investigação;
- Pequeno grau de controlo sobre os dados recolhidos; - Difícil tabulação dos dados;
- Ocupa muito tempo, sendo de difícil realização.
a)
Preparação da entrevista - o guião da entrevistaPreparar uma entrevista desta natureza requer algum tempo disponível e exige alguns cuidados, começando por fazer um planeamento e um esboço da entrevista como a fase mais importante.
Para este efeito, foi elaborado um guião orientador da entrevista (ver anexo C), o qual assumirá o formato semiestruturado. Assim, o entrevistador dispõe de uma série de perguntas pré-estabelecidas sobre as quais ambiciona receber informação por parte do entrevistado. Todavia, é dada a total liberdade ao entrevistado para falar abertamente, em qualquer momento no decorrer da entrevista. Ao entrevistador é incumbida a tarefa de orientar a entrevista, garantindo que o entrevistado não se afasta dos objetivos, colocando as perguntas de forma tão natural quanto possível, sempre que considerar oportuno.
O guião foi construído tendo em consideração o objeto de estudo, as vertentes de análise e foi organizado em cinco grandes blocos, incluindo os objetivos de cada um, bem como possíveis questões a realizar. Foram elaboradas maioritariamente perguntas concretas que facilitasse o discurso aberto das entrevistadas sobre o que se pretende analisar, sem influenciar ou direcionar a suas respostas.
61 As entrevistas foram realizadas num ambiente informal, descontraído e sem pressões, de maneira a deixá-las responder à vontade. Tal como defende Biggs (1986, referido por Bogdan & Biklen, 1994) as boas entrevistas caracterizam-se pelo facto de os indivíduos estarem à vontade e falarem livremente dos seus pontos de vista. No entanto, (Bogdan & Biklen, 1994) consideram que “as entrevistas, devem evitar
perguntas que possam ser respondidas „sim‟ e „não‟, uma vez que os pormenores e
detalhes são revelados a partir de perguntas que exigem exploração” (p.136).
No decorrer das entrevistas foram colocadas, por esta ordem, às duas entrevistadas, as seguintes questões enunciadas no guião:
1- Quando se decidiu pelo curso de educação de infância? 2- O que a motivou a trabalhar com crianças?
3- Onde realizou a sua formação inicial, e porquê? Em que ano a concluiu? 4- Onde iniciou a sua atividade profissional?
5- Como tem sido a sua experiência como educadora de infância? 6- Considera que a sua formação inicial a preparou para esta temática?
7- Que expetativas desenvolveu quando começou a trabalhar como educadora de infância?
8- Quais foram as maiores dificuldades que sentiu no decorrer do seu percurso profissional?
9- Quais as modificações que gostaria de ver implementadas na educação pré- escolar?
10- Na sua opinião, a instituição onde trabalha pode ser considerada um complemento e continuação de experiências familiares?
11- Pensa que esta instituição está a desenvolver atividades educativas? 12- Tem uma relação de confiança com os pais das crianças?
13- Na sua opinião, a família tem uma relação ativa com a escola? 14- Na sua opinião, há colaboração entre a escola e a família? 15- Pensa que a escola está aberta aos pais?
16- Sente dificuldade em conversar ou manter uma relação mais próxima com os pais?
17- Com que frequência vê/conversa com os pais? 18- Os pais são assíduos às reuniões que convoca?
62 19- Costumam intervir nas reuniões de pais?
20- Como descreve a relação entre a equipa pedagógica e as famílias?
21- De que modo a relação entre a equipa pedagógica contribui para o desenvolvimento da criança e do grupo?
22- Para si, quais as questões que considera mais e menos positivas por parte das famílias, das equipas, que podem prejudicar a relação entre equipa e famílias e consequentemente o desenvolvimento da criança e do grupo?
23- Quais as estratégias que utiliza para facilitar a relação entre a equipa e as famílias?
24- No futuro vai usar outras estratégias? Quais? Já foram refletidas em equipa?
b) A Situação da entrevista
Primeiramente será necessário escolher um local onde irá decorrer a entrevista, e essa escolha é de grande importância, tal como referem Ghiglione & Matalon (1997), a entrevista deverá decorrer num local onde seja possível “[…] conciliar o objeto do
estudo e os lugares da entrevista” (p.70).
Seguindo esta teoria, as entrevistas decorreram de uma maneira informal, sendo que a primeira foi realizada com a Educadora de Creche, em sua casa (sugestão da entrevistada) e a segunda foi realizada com a Educadora de Jardim-de-Infância na sala onde decorreu o estágio curricular. Ambas tiveram a duração de, aproximadamente 60 minutos.
Para a realização das entrevistas foi necessário recorrer a um instrumento audiovisual para que ficassem registadas as duas entrevistas. Este recurso, no início, causou algum incómodo mas rapidamente foi ultrapassado.
Nos momentos que antecederam a entrevista, foi relembrado o objetivo do estudo e foi salientada a importância do seu contributo para o desenvolvimento e sucesso deste trabalho. Foi-lhes garantida a confidencialidade no que se refere ao conteúdo das suas narrativas, assim como o anonimato quanto ao seu nome próprio como também à designação das instituições onde desenvolvem o seu trabalho.
63 Em seguida, iniciou-se a entrevista baseada no guião previamente elaborado, mas adaptando as questões a cada momento da conversa e do discurso da entrevistada.
c) Análise e interpretação das entrevistas
Depois de se realizar a gravação das duas entrevistas, seguiu-se o trabalho “moroso e trabalhoso” de transcrever as entrevistas para o computador para posteriormente ser feita uma primeira análise.
Apesar de ser um processo demorado e cansativo, este trabalho revelou-se um auxílio bastante útil para proceder à análise das entrevistas.
Após esse trabalho, os resultados obtidos das entrevistas, foram devolvidos às educadoras que tiveram a oportunidade de corrigir, acrescentar ou alterar o que achassem necessário.
Quando as entrevistas foram novamente entregues constatou-se que não foi necessário acrescentar mais informações ou alterar as que tinham sido relatadas inicialmente.
A partir desse momento, realizou-se uma primeira leitura, que permitiu encontrar outros temas/assuntos, alguns diretamente relacionados com categorias pensadas inicialmente, outras vieram a constituir-se após a entrevista.