PART I. BACKGROUND
5 BETA-LACTAM ANTIBIOTICS AND THE CELL WALL
5.7 Regulation of ftsI transcription and cell division
O diário de campo foi o instrumento que esteve comigo do primeiro ao último dia da coleta de material empírico. Optei pela elaboração de dois diários, um para descrever a prática das oficinas e outro para descrever a prática da sala de aula.
No diário em que registrava os acontecimentos das oficinas, diariamente, identificava no cabeçalho: a data, o espaço utilizado, a turma observada, o número de alunos presentes na oficina, o horário de chegada, o horário de saída, o horário em que a oficina se iniciava e o horário47 em que a oficina terminava, além disso, numerava a observação que estava sendo feita. Abaixo do cabeçalho apresentava a descrição do espaço em que a oficina acontecia, a descrição dos alunos e das atividades desenvolvidas e finalmente elencava alguns fatos mais gerais que eram observadas no transcorrer das oficinas. Com base nessa estrutura organizei a observação de todas as 12 oficinas da turma M2.
A organização do diário de campo utilizado na sala de aula foi muito semelhante. A única diferença é que não me preocupei em discriminar o horário de chegada e o horário de início das aulas, porque em geral, não havia diferença entre uma coisa e outra. Fiz os registros das 43 aulas (nas turmas 18, 19 e 20).
As anotações em diário de campo eram feitas durante as aulas e oficinas. Havia o receio de esquecer algum detalhe importante se deixasse para fazer os registros fora da escola. Essa preocupação ainda era aumentada nos períodos em que ficava
47 A preocupação em discriminar o horário de chegada e o horário em que as oficinas iniciavam-se fazia
sentido, pois sempre havia um período de deslocamento da escola até o espaço em que as oficinas seriam desenvolvidas.
integralmente na escola porque o desgaste físico era ainda maior. No começo, os alunos estranhavam minhas anotações, porém, com o tempo e depois de mostrá-los parte do que estava escrevendo, o estranhamento foi se atenuando.
Os registros feitos em diário de campo ficavam muito condicionados a minha condição física no dia. Quando estava mais cansado, por exemplo, os registros ficavam piores. Além disso, em algumas ocasiões os alunos solicitavam minha presença nas atividades das oficinas ou ainda me pediam esclarecimentos sobre os deveres de casa, e nesses momentos, ficava inviável ajudá-los e fazer os registros simultaneamente. Por isso mesmo foi necessário que outro instrumento para coletar o material empírico fosse utilizado. Optei, portanto por filmar algumas aulas e oficinas.
Das 12 oficinas que acompanhei na turma M2, 11 foram gravadas48 em áudio e vídeo. E das 43 aulas registradas no diário de campo, gravei 8 (2 da turma 18, 3 da turma 19 e 3 da turma 20). Por considerar que a filmadora tinha boa captação de áudio e ainda por perceber que a acústica dos locais observados não era ruim, optei por utilizar somente essa forma de captação de áudio.
Nas primeiras gravações observei que os alunos estranhavam muito a presença da filmadora. Alguns acenavam para a câmera, outros tapavam seus rostos, outros olhavam para a filmadora e cochichavam entre si e ainda existiam alguns que me pediam para filmá-los realizando as tarefas. Para amenizar esse estranhamento a filmadora era colocada em locais diferentes, tanto na sala de aula quanto nas oficinas. Ora saia com a filmadora nas mãos, ora fazia uso de um tripé amador (deixando a filmadora sob a mesa que eu ocupava) e em alguns casos utilizava um tripé profissional, posicionando a filmadora em locais que permitiam a captação da imagem da sala (ou oficina) inteira. Com o tempo os alunos foram se acostumando com as filmagens e passaram a estranhar menos esse recurso.
As observações e as gravações compõem a maior parte do material que será utilizado na análise desta dissertação. Porém, além delas, fiz a gravação de algumas conversas mais informais. Ao final de algumas oficinas, quando percebia algum destaque no engajamento e/ou participação de alguns alunos, e com a anuência do
48 As gravações foram realizadas em conformidade com as normas do Comitê de Ética em Pesquisa da
UFMG. Cada aluno recebeu um termo de livre esclarecimento (apêndice A) que continha os objetivos da pesquisa assim como as condições sob as quais as imagens obtidas seriam utilizadas.
monitor e dos alunos, fazia algumas perguntas sobre o trabalho desenvolvido por esses alunos na oficina em questão. Essas gravações aconteciam no período entre as trocas de turmas e duravam, no máximo 5 minutos. Sempre aconteciam com trios de alunos, no próprio local das oficinas.
Meu interesse era identificar as aproximações e os distanciamentos que os estudantes do PEI estabeleciam entre as práticas matemáticas da sala de aula e das oficinas. A meu ver, existiam algumas atividades que poderiam dar mais visibilidade a estas aproximações e outras que poderiam dar mais visibilidade aos distanciamentos dessas práticas. Partindo desse pressuposto, duas oficinas49 foram selecionadas na expectativa de que favorecessem o aparecimento de algumas aproximações e de alguns distanciamentos entre as práticas. Essas oficinas foram apresentadas ao monitor que concordou com as propostas e as aplicou naturalmente como fazia com as outras oficinas. Dentro de cada uma delas havia um roteiro a ser respondido pelos alunos que também servirá como material para a análise.
A quantidade de material disponível para a análise ficou, portanto, muito grande e para conseguir realizar a análise, foi necessário fazer algumas escolhas dentro de tudo o que havia sido coletado. Dessa forma, a análise da dissertação será focalizada nas observações de quatro das 12 oficinas50 que acompanhei além é claro, dos registros referentes à sala de aula.
Foi dessa forma que aconteceu a coleta do nosso material empírico. No capítulo seguinte, apresentaremos os detalhes específicos de cada uma das oficinas mencionadas anteriormente bem como a organização das salas de aula que foram observadas e simultaneamente a essa descrição apresentaremos os primeiros elementos de nossa análise.
49
As oficinas e os roteiros serão descritos com detalhes no próximo capítulo.
50 É importante destacar que, como era coorientador dos monitores do PEI na UFMG, participava da
discussão e elaboração das oficinas que eles trabalhavam nas escolas. Em função disso considero o fato de que as oficinas trabalhadas pelo monitor da EMAP, em alguma medida, podem ter sido influenciadas por mim.
4 PARTICIPAÇÃO NAS PRÁTICAS DAS OFICINAS E DA SALA DE AULA