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4. Metode

4.5 Analyser og forventninger

4.5.2 Regresjonsanalyse

Um dos assuntos recorrentes nas reuniões pedagógicas era como alcançar os alunos com graves déficits de aprendizado e a necessidade que eles tinham de um acompanhamento mais particular para superar as suas dificuldades.

Certa vez, o professor de Matemática do apoio ficou assustado quando durante a resolução de um problema, a aluna G. quis somar reais com quilos. Ele disse que ela precisava de alguém que pudesse dar-lhe uma atenção individual, já que o seu grau de dificuldade era bem maior comparado aos demais alunos do apoio.

Este assunto também foi abordado pelo Coordenador em uma reunião da Coordenação do 7º ano em que participou no mês de março. Uma professora do turno regular então disse que não dava para identificar os motivos das dificuldades dos alunos e trabalhar com eles de acordo com suas reais necessidades, porque não havia tempo para ter esse olhar mais individualizado sobre cada aluno.

Este era um assunto complexo que envolvia desde o currículo escolar, até a motivação e interesse de cada professor, passando pelo número de alunos por sala e pela carga didática e pedagógica dos professores.

Além de individualizar as aprendizagens, ou seja, definir percursos diferentes para cada aluno de acordo com as suas necessidades, alguns alunos precisavam de momentos individuais com os professores, embora isso nem sempre fosse possível. Enquanto um professor estava com um aluno em particular, vários outros estavam também precisando da sua ajuda.

Esse dilema enfrentado pelos docentes não permitia que os alunos mais carentes fossem atendidos individualmente com mais frequência.

Como a equipe de professores poderia ajudar estes alunos de uma forma mais individualizada, sem, no entanto, reduzir a atenção e o tempo destinado aos outros alunos do apoio, também com carências cognitivas e afetivas?

4.5.15.1 Um Programa voluntário de férias para ajudar os alunos com mais dificuldades

Durante os primeiros meses do ano, percebeu-se que o aproveitamento dos alunos foi naturalmente maior quando estavam a sós com o professor. A atenção exclusiva dedicada a eles e a menor dispersão dos alunos fez com que o tempo fosse muito bem utilizado para a aprendizagem. Em função disso, na reunião do dia doze de maio, o Coordenador colocou em pauta a possibilidade de disponibilizar atividades individualizadas durante o período do recesso escolar para os alunos que apresentavam maiores dificuldades ao longo do 1o semestre, já que neste período não havia aulas regulares e nem no apoio pedagógico.

Os participantes da reunião concordaram com a necessidade de um acompanhamento mais direcionado para alguns alunos, enfatizando, no entanto, que este horário não deveria comprometer as férias dos alunos. A adesão deveria ser voluntária, com os horários flexíveis e escolhidos de acordo com o interesse do aluno. A sugestão dada pelo apoio era que, durante as duas semanas de férias, os alunos pudessem dedicar duas horas durante três dias para estar com os professores, sem comprometer qualquer programação dos alunos como viagens, passeios, etc.

Alguns alunos selecionados pela equipe pedagógica foram então convidados a estar com os professores de Língua Portuguesa e Matemática e os resultados foram bastante satisfatórios. O professor de Matemática do turno regular comentou logo após o recesso, a melhora do desempenho de uma aluna do apoio que havia participado dessas aulas. Estes retornos também eram importantes, pois valorizavam o trabalho dos professores do apoio e serviam de motivação para as futuras iniciativas.

4.5.16 Quando os problemas de comportamento interferem na aprendizagem

Problemas de comportamento sempre foram comentados nas discussões da equipe pedagógica, pois interferiam diretamente no ambiente da sala de aula e consequentemente no

aprendizado dos alunos. Alguns professores reclamavam do comportamento de alguns discentes, que, além de comprometer o seu próprio aprendizado, acabavam atrapalhando os demais.

As salas, por serem menores, tinham as suas vantagens, mas qualquer barulho ou movimento causado pelos alunos mais inquietos chamava a atenção dos demais e contribuía para a dispersão. Por conseguinte, alguns alunos que estavam tendo dificuldades de se concentrar e de se relacionar solicitavam sua ida para outra turma.

A equipe pedagógica então se reuniu para tratar do assunto, surgindo quatro possibilidades: redistribuir todos os alunos, remanejar apenas os alunos que estavam se sentindo prejudicados, remanejar apenas os mais inquietos e redistribuí-los nas outras turmas (podendo prejudicar as turmas que já estavam ajustadas) ou não fazer qualquer alteração.

Depois de ouvir a opinião dos professores, o Coordenador resolveu não mexer nas turmas que estavam ajustadas, e sim realocar os alunos que estavam se sentindo prejudicados para outras turmas. A preocupação de resgatar os alunos com dificuldades de comportamento e motivação nunca deixou de existir, mas a preocupação de que este processo pudesse demorar, e com isso comprometer o aprendizado de outros alunos, foi preponderante nesta decisão.

Ao mesmo tempo, ficou o compromisso de a equipe pedagógica continuar buscando novas estratégias que despertassem o interesse dos alunos mais inquietos e desmotivados, com abordagens diferenciadas e mais tempo para dinâmicas em grupo que pudessem compreender as inquietações e anseios desse grupo de alunos.

4.5.16.1 Os professores, seus conflitos internos e a resistência ao fatalismo

Um dos dilemas de alguns professores foi perceber que alguns alunos de bom comportamento, mas com enormes dificuldades, precisavam de uma ajuda ainda maior, que nem sempre era possível. Parte das energias do professor era destinada a chamar a atenção dos alunos indisciplinados e tentar fazê-los aprender sem que eles estivessem interessados.

O aluno F., que não era do apoio ficou em recuperação em várias disciplinas, foi indicado pela Coordenação do 7º ano para o apoio no segundo bimestre. Ele cursou o 6º ano no Colégio, e uma das professoras do apoio que já o conhecia questionou a sua entrada no Programa: “O aluno F. não quer nada e aí... não dá para dar atenção para quem realmente precisa”.

Certa vez, um texto discutido em reunião foi extraído do livro: “A Pedagogia da Escola das Diferenças” de Philippe Perrenoud (2001). Era um texto bem humanizado, menos teórico, e o Coordenador buscou abrir espaço para um diálogo sobre questões mais internas e

individuais dos docentes, particularmente relacionadas a reprovação escolar. “Inconscientemente, fruto das nossas primeiras impressões sobre os alunos, começamos a definir pareceres sobre a aprovação ou reprovação, ao final do ano letivo. É preciso não fazer prejulgamentos...” – disse o Coordenador incentivando os professores a perseverarem e sempre acreditarem no seu trabalho e no potencial dos alunos.

O Coordenador sempre dizia: “Nós não podemos desistir de nenhum aluno!” Mas quanto tempo seria necessário para tentar mudar o comportamento de alguns alunos? Seria possível em curto prazo? Quanto de esforço seria necessário? Valia a pena tentar, mesmo sabendo que este esforço seria subtraído de outros alunos ávidos por aprender, mas com iguais dificuldades? Seria possível, com os recursos humanos disponíveis, dar atenção a todos na medida de suas carências e necessidades? Em algum momento seria necessário escolher em quem investir? Seria justo insistir com alguns alunos que pareciam não querer mudar, correndo o risco de comprometer a aprovação da maioria? Em que momento seria necessário deixar alguém para trás, para “salvar” os demais? Todos esses questionamentos permeavam as mentes dos professores e se desvelam nas discussões da equipe pedagógica.

Apesar de todas as dificuldades em lidar com comportamentos difíceis, a decisão da equipe pedagógica foi não desistir de nenhum deles, mesmo que os professores soubessem que a tarefa de aprová-los era muito difícil.

Ninguém gostava de ter que conviver com a culpa de ter deixado alguém para trás. Mesmo sabendo que alguns não seriam atendidos no quanto precisavam, e isso incomodava muito os professores, eles precisavam sentir que eram importantes e que a equipe acreditava neles até o fim.