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Carolina: Gostaria que você iniciasse falando a sua formação, local de trabalho, tempo de profissão e faixa etária.

Entrevistada: Então o meu nome é Silvana, 55 anos, sou formada em pedagogia aqui pela USP, eu fiz especialização em psicomotricidade num instituto fora daqui, particular, depois eu fiz o mestrado aqui, o doutorado aqui e eu leciono aqui há 32 anos. Entrei aqui em 1982, então são 32 anos aí de trabalho, já teria inclusive tempo de aposentadoria, mas ainda não decidi por me aposentar. Então assim, a minha história é muito aqui nessa instituição, eu brinco que não tem muita novidade.

Carolina: Você leciona no Curso de Pedagogia e no Curso de Licenciaturas também? Entrevistada: Isso, pedagogia, licenciatura e também na pós-graduação.

Carolina: E a que levou fazer, a escolher o curso de pedagogia?

Entrevistada: Olha, eu escolhi pedagogia com muita convicção, com muita certeza e eu acho que foi uma certeza que só se renovou, porque se hoje eu tivesse que voltar no tempo, eu escolheria de novo o mesmo curso e a mesma profissão. Eu acho que o que motivou foi uma opção política, ideológica eu acho que realmente a educação é um nó desse país, é um desafio para todos nós e também uma afinidade com o trabalho com crianças. Então a vida inteira a minha área de pesquisa sempre foi com crianças, ou educação infantil ou séries iniciais e a minha especialização aí, tanto no mestrado, quanto no doutorado é a questão da alfabetização. Mas não é só um gostar de crianças, que eu acho que é um chavão dentro da pedagogia, as pessoas em geral falam: “Ah, vou fazer pedagogia porque eu gosto de crianças”, eu acho que é mais do que isso, é um comprometimento político e ideológico que ao longo do tempo só se renovou.

Carolina: Você lecionou em educação infantil ou séries iniciais?

Entrevistada: Sim, eu lecionei em educação infantil, peguei crianças desde um ano e meio até quatro e depois eu trabalhei um pouco com o ensino fundamental, crianças de oito anos. Carolina: Você teve algum professor que considera que foi modelo, que você acredita que tenha sido significativo nessa sua trajetória de formação?

Entrevistada: Muitos, muitos. Eu acho que se eu tiver que situar um momento significativo no ensino médio, eu tinha um professor de filosofia que trabalhava numa perspectiva interdisciplinar, uma professora de geografia e junto com uma professora de português e esse trio desenvolveu, já naquela época, quando ninguém falava nisso, um projeto de estudo do meio e um estudo articulado em que a gente discutia direitos humanos e discutia as relações de poder e as relações de produção e de trabalho, e eu acho que essa foi uma experiência muito forte para mim no ensino médio. Mais recentemente, na graduação, eu tive um professor muito significativo que foi um professor de filosofia da educação, que inclusive me incentivou a fazer a pós-graduação e continuar aqui na casa.

Carolina: E qual que é a formação que você recebeu para ser professora do curso de pedagogia? Você acha que você teve uma formação para ser formadora de futuros professores?

Entrevistada: Você diz no ensino...

Carolina: Superior, na graduação, essa sua formação, essa sua trajetória, você teve alguma base para poder ser professora do curso de pedagogia?

Entrevistada: Então, essa questão eu acho muito importante, porque de verdade, quer dizer, o professor de ensino universitário raramente recebe essa formação, então eu posso dizer que

eu não tive esta formação de didática do ensino superior, isso eu não tive. Mas a característica do curso aqui na faculdade de educação da USP é muito interessante, do meu ponto de vista, porque ele não é um curso que pretende instrumentalizar o futuro professor, carregando nas didáticas e num know-how de ensino. O curso aqui tem uma característica que é de promover uma cultura educacional num sentido mais amplo, então a faculdade de educação entende a formação do educador, não como o domínio de tecnologias de ensino, ou de nomes específicos, grandes nomes da educação, mas trabalhando numa confluência de muita filosofia, muita história da educação, sociologia da educação e também as didáticas, mas numa perspectiva formativa. Então para sintetizar, eu acho que eu não tive uma formação específica de didática do ensino superior, mas eu acho que eu tive uma formação pedagógica na cultura educacional que me ajudou muito no momento em que eu entrei como professora, no corpo docente.

Carolina: E que seria uma discussão teórica muito grande que em outros lugares de repente nem tenha muito, não é...

Entrevistada: É, eu vejo hoje em dia uma preocupação muito grande em profissionalizar este professor para lidar com questões específicas da sala de aula. Veja, eu não sou contra isso, mas eu acho que (//) eu tenho um pouco de medo dessa tendência, que acaba sendo muito reducionista em função da complexidade que é a educação. É claro que eu demorei para entender isso, porque quando a gente é jovem e você entra, você quer ser professor, você quer saber, “bom, o que eu faço com o meu aluno adolescente, o que eu faço com o meu aluno pequenininho”, não sei o que. A gente entra na faculdade com uma perspectiva muito objetiva, até porque a gente não conhece o campo que a gente está pisando. Mas eu acho que muito cedo, na própria faculdade, eu me dei conta desse esforço da faculdade de formar o educador numa perspectiva ampla. Eu verdadeiramente acredito, quer dizer, se você tem uma formação sólida no que diz respeito aos fundamentos da educação, quando você está trabalhando aquela dimensão prática, você consegue correr atrás. É engraçado porque hoje, quando eu trabalho com a pedagogia, eu sempre me sinto um pouco na obrigação de explicitar isso para eles, porque é claro que os alunos criticam muitas vezes o curso: “Ah, esse negócio de história da educação...”, “ah, esse negócio de psicologia o que me interessa, eu quero saber o que eu faço com o meu aluno”, e eu sempre me vejo na obrigação de explicar o que é a formação do educador numa perspectiva mais complexa.

Carolina: É, e até mesmo, eu vejo a dificuldade que eu sinto hoje, porque hoje eu faço um dos meus capítulos na dissertação, é a contextualização história do curso de pedagogia e, quer dizer, quando eu não dei atenção para isso lá atrás, hoje eu tenho que retomar e tentar entender, então, quer dizer, hoje, se eu tivesse...

Entrevistada: Aproveitado...

Carolina: ...aproveitado melhor, hoje teria sido mais fácil o capítulo, para que eu pudesse discorrer tranquilamente. Então hoje que eu vou escrevendo e que eu vou: “Nossa, isso acontece por causa daquilo que aconteceu”, quer dizer, tem tudo lá...

Entrevistada: Claro, claro...

Carolina: Não é, quer dizer, a psicologia da educação nem se fala, então, a importância que ela tem, não é...

Entrevistada: Claro... eu acho que, assim, falando disso que você está falando, eu li outro dia um texto do Charlot, Bernard Charlot, que ele fala uma coisa que eu acho que tem tudo a ver e que é uma coisa muito importante, que ele diz que o educador, ele não pode ter só o conhecimento do seu objeto do ensino, ser um especialista do conteúdo e um especialista em técnicas pedagógicas, mas ele tem que ser erudito, ele tem que ser culto, ele tem que ter uma formação sólida que extrapola aquelas coisas específicas do ensino de um conteúdo. E essa afirmação dele, embora eu concorde, eu acho que ela me deixou um pouco angustiada, porque eu percebo que muitas vezes é isso que falta aos nossos educadores, quer dizer, são pessoas que entram em faculdades, às vezes até duvidosas, porque você sabe que existe essa tendência das faculdades aí, quer dizer, curso de pedagogia acabou se pulverizando.

Carolina: É, muitos cursos de educação à distância, e quer dizer que... É, curso de pedagogia a gente pode dizer que hoje, infelizmente, ele deu uma banalizada.

Entrevistada: Isso, isso, e eu acho que o problema não é nem o fato de ser ou não à distância, mas é essa banalizada que você está se referindo e assim, esse alijeiramento da formação, e isso não é só um problema dos alunos, outro dia eu vi um professor aqui da área de matemática discutindo o curso de licenciatura e a gente (//) apregoando essa ideia de que até mesmo o professor que vai ensinar especificamente matemática, que ele tem que ter uma cultura pedagógica e por isso ele tem que ter psicologia da educação, ele tem que ter (//) a gente tem uma disciplina que se chama Introdução aos Estudos da Educação, que é para sensibilizar o aluno sobre a educação, e tal. E eu vi um docente aqui da Universidade de São Paulo falando: “Ah, isso tudo é muito complicado, a gente não precisa disso, dá só a metodologia de ensino e pronto”, então, assim, eu estou querendo te dizer que não é só uma posição, assim, do aluno jovenzinho que entra na faculdade ou do senso comum, isso circula inclusive nos meios acadêmicos, lamentavelmente.

Carolina: Quer dizer, o professor que está ali para formar, ele já tem uma formação sólida e ele mesmo acha que isso, algumas questões não devem ser discutidas.

Entrevistada: É, e o aluno entra em sala de aula com essa perspectiva: “Bom, como é que eu faço para ensinar, como é que eu faço para alfabetizar, como é que eu faço para lidar com crianças de educação infantil, é complicado isso”, porque justamente o grande desafio do professor é interagir com o seu aluno e montar a intervenção pedagógica a partir dessa relação. Para mim a educação e a prática de ensino é um grande palco de negociações no qual o professor tem que ir propondo como se fosse aí quase que uma tessitura de negociações, de propostas, de textos, de diálogos, de debates, de problematizações e que não se encerra numa coisa a priori, num currículo, num programinha que você vai lá e dá a priori. Não é? Nesse sentido eu sou uma professor, sei lá, acho que fora de moda, porque depois de 32 anos de aula, eu preparo todas as minhas aulas, e eu posso dar N vezes um mesmo curso, mas as N vezes (//) é claro que eu posso aproveitar de um ano para o outro aquilo que foi bom. Mas assim, eu preparo todas as aulas, eu corrijo todos os trabalhos, não no sentido de corrigir o que está certo, o que está errado, mas no sentido de dialogar com o aluno em função dessa negociação de aula, dessa consideração do trabalho dos alunos, eu proponho outras coisas, eu ponho mais ênfase aqui ou acolá, então eu não tenho um programa pronto, depois de 32 anos de vida acadêmica. Isso dá trabalho, não é?

Carolina: Isso que eu ia falar, depois de um certo tempo: “Estou tranquilo, porque como eu já dou essa disciplina há tantos anos, há três anos, há cinco anos, então...”

Entrevistada: Pois é, eu acho que eu sou fora de moda justamente porque eu nunca fiquei tranquila, eu nunca estive tranquila.

Carolina: Mas é que as coisas mudam, a gente tem textos novos, artigos que saem, alguém que pública, alguém que...

Entrevistada: É...

Carolina: ...não tem como a gente manter...

Entrevistada: É, e as turmas são diferentes, então às vezes uma turma é uma turma inquisitiva quer perguntar, então milhões de vezes eu já preparei uma aula e quando eu chego na aula, as perguntas, as demandas e tal, acaba acontecendo uma outra coisa, mas é por convicção, é justamente nessa interlocução com o aluno que eu acho que é muito útil. Agora, infelizmente também a gente tem aqueles alunos que entendem a vida universitária como uma escolinha, eles vêem para a sala de aula, qual é a visão, o que tem que ler, eles vão ler só aquilo, ou às vezes nem vão...

Entrevistada: Nem aquilo, dão conta do trabalhinho, da liçãozinha e vão embora e não entendem que a formação universitária de uma forma geral, mas a formação do pedagogo exige essa atitude ativa de quem vai atrás, de quem entra na biblioteca, de quem vai ler a leitura complementar, de quem vai atrás do professor e pergunta, Graças a Deus eu tenho alunos assim, posso me gabar disso, mas eu também me frustro quando isso não acontece, em vários casos.

Carolina: Das disciplinas que você ministrou, você acredita que (//) não, já respondeu, desculpa, Sílvia, aqui já foi um monte, na verdade. Pensando o seu percurso profissional, ocorreu alguma mudança ao longo desse tempo para a relação com os seus alunos, aí você já me respondeu que até mesmo na argumentação...

Entrevistada: Se você quiser falar as que eu já falei, às vezes eu posso ter alguma coisa para acrescentar. Ou não, ou eu simplesmente eu falo: “Já foi”.

Carolina: Não, então eu faço e a gente já fala agora... a próxima seria: Na sua formação, os cursos que você fez o preparou para o desenvolvimento das suas atividades profissionais? Entrevistada: Os cursos que eu fiz na graduação?

Carolina: Não, os cursos, você fez a graduação, depois você fez um curso de psicomotricidade...

Entrevistada: Ah, sem dúvida, eu acho que... Carolina: Porque você não fez o magistério, não é...

Entrevistada: Não fiz o magistério, eu acho que assim, o mestrado e o doutorado, enquanto modalidades de trabalho científico, eles não são diretamente preparatórios para a docência na universidade. Você vive muito mais a questão de professor(//) recentemente que apareceu essa preocupação aqui, então os alunos que estão fazendo mestrado e doutorado, têm disciplinas próprias e até estágios próprios para preparar o professor de ensino universitário, isso é uma coisa recente. Então o aluno faz uma disciplina relacionada com ensino no magistério superior e depois ele faz um estágio trabalhando como monitor vinculado a um professor em uma disciplina, isso eu acho uma iniciativa muito bonita, mas isso foi muito depois do meu tempo, que apareceu, quer dizer, eu acho bacana que tenha essa (//) porque é claro, quem faz mestrado ou doutorado, acaba indo, a tendência é ir para o ensino superior, e o importante é que o programa da pós-graduação tenha essa preocupação. Mas eu não tive isso, na minha época isso não acontecia, quem ia fazer mestrado e doutorado era só para ser pesquisador, não tinha nenhum vínculo disso com a docência universitária, então eu acho que isso não ajudou diretamente o meu mestrado e o meu doutorado, e mesmo a minha especialização, eu acho que não ajudaram diretamente para a docência no ensino superior, mas eu acho que assim, acabaram ajudando muito...

Carolina: É, não ajudaram de repente na prática ali, mas sim para as suas discussões... Entrevistada: É, é...

Carolina: ...para o entendimento da questão da educação que é ser um professor formador... Entrevistada: Isso...

Carolina: ...a gente tem que pensar nisso, um professor formador...

Entrevistada: ...isso, e também o contato com esses professores, porque na pós-graduação você tem aulas(//) eu tive aulas, assim, com cinco alunos, com dez alunos, que é pouquíssimo, então esse vínculo próximo com estes professores pesquisadores e docentes, eu acho que isso ajudou muito na minha questão docente.

Carolina: E dessas disciplinas que você ministrou, você acredita que o curso de pedagogia lhe preparou adequadamente para exercê-la?

Entrevistada: Não diretamente, mas indiretamente, sim. Não diretamente enquanto que um (//) como um know-how, não. Mas indiretamente como um processo de reflexão e de formação acadêmica, e de oportunidade de ampliar leituras e transitar entre diferentes campos, aí, com certeza, sim.

Carolina: Pensando no seu percurso profissional, ocorreu alguma mudança ao longo do tempo na relação com os seus alunos? Aí volta aquilo que eu estava falando, na organização das aulas, a forma de dar aula, o domínio da matéria, e se teve, quais foram essas mudanças? Entrevistada: Ah, muitas, muitas, muitas. Porque eu entrei aqui, a minha história é muito engraçada, eu entrei aqui muito nova. Na época a Faculdade de Educação da USP não tinha exigência de doutorado para que alguém entrasse, porque não existia um corpo de doutores para sustentá-lo. Hoje em dia, não, ou você é doutor e você participa dos concursos, ou não. Então na época, eu entrei na categoria de auxiliar de ensino, eu estava começando a fazer o mestrado e eu já dava aula aqui, eu fui uma das professoras mais novas da história da educação, aqui da Faculdade de Educação, eu entrei aqui, eu tinha 23 anos.

Carolina: Por isso que você não pensa em se aposentar ainda, não é...

Entrevistada: É, pois é (risos) a minha vida toda vivendo aqui. Então era (//) foi muito engraçado, porque eu cheguei a dar aula para colegas meus de sala, eu me formei em dezembro de 81 e em agosto de 82 eu já estava como docente aqui. Então, assim, eu acho que eu fui muito (//) para o bem e para o mal, eu vivi e paguei muito caro o preço da minha inexperiência, o preço da falta de apoio, de alguém que me orientasse. Então alguns alunos olhavam para mim e falavam: “Bom, mas quem é essa aí, até ontem ela estava sentada aqui”, quer dizer, eu precisava me fazer respeitar, eu entrava na sala de aula e eu tinha que avisar para os alunos que eu era professora, porque a maior parte deles era inclusive, muitos alunos mais velhos do que eu. Então eu acho que eu tive, assim, o início da minha carreira foi marcado um pouco pela necessidade de me constituir como docente, de me afirmar como docente. Então, é claro, eu tinha sempre aquele frio na barriga, porque eu tinha muita consciência do tamanho da minha distância para poder ser uma professora universitária e tinha (//) eu me achava mais próxima dos alunos do que dos professores. Eu lembro que aos 23 anos eu brincava e falava: “Ah, eu trabalho num lugar onde só tem velho”, porque o professor mais novo acima de mim, eu tinha 23, o professor mais novo acima de mim tinha 35. Então a relação (//) por eu ser muito jovem, a relação com os alunos, eu nunca tive problemas, mas era uma relação de ter que batalhar para que eu pudesse ser respeitada. E eram tempos difíceis, porque eram tempos da ditadura, onde tudo se questionava, o aluno muito facilmente falava: “Vamos parar a aula para discutir porque esse curso”, ou “porque essa aula”, então eu acho que eu tive alguns momentos, assim, de insegurança, e muita vontade de acertar, então a minha atitude naquela época, era uma atitude muito mais de merecer este lugar de docente universitário pelo estudo, então a minha preparação era exaustiva, eu estudava muito para entrar numa sala de aula com mínima segurança para propor alguma coisa para os meus alunos. Era um estudo desesperado de quem queria preencher lacunas e acelerar o seu processo de formação. E essa relação com os alunos foi mudando, porque é claro que a diferença da faixa etária...

Carolina: Foi diminuindo...

Entrevistada: É, foi diminuindo, foi diminuindo e aí a minha preocupação (//) e aí, por exemplo, a constituição de um saber, uma segurança mais solidificada no meu campo de conhecimento, até com ajuda do mestrado, do docente, tudo mais...

(interrupção - celular)

Entrevistada: A minha preocupação hoje é não só com o conteúdo, mas em como tornar aquele conteúdo possível, atraente e não só numa perspectiva de passar conhecimento, mas numa perspectiva de fomentar discussões e reflexões, e tudo mais. Então eu acho que no

início da minha carreira, a minha maior preocupação era garantir esse conhecimento, buscar e garantir esse conhecimento para que eu pudesse ter uma proposta com os alunos minimamente segura ou competente. E o modo de entender essa competência foi mudando ao longo dos anos, porque aí já havia uma certa segurança no conteúdo, e aí a preocupação não é em estudar para aprender para ensinar, mas é estudar para ampliar o leque, problematizar e ir sempre buscando como é que eu vou ensinar aquilo, como é que eu vou trazer aquele tema. Então essa é uma preocupação que eu tenho e que me acompanhou aí, a vida inteira. Não sei se eu respondi a pergunta?

Carolina: Respondeu, você (//) eu havia perguntado na organização das aulas, mas você já havia até falado anteriormente, que você...

Entrevistada: Preparo todas as aulas...

Carolina: Quer dizer, são 32 anos aí, preparando...