Del II Budsjettforslag
Programkategori 04.10 Militært forsvar mv
6.5 Utdanningsreformen i Forsvaret
6.5.2 Regjeringens hovedgrep
Os meios de comunicação sempre tiveram como público mais importante os adultos, os adolescentes e as crianças. Os adultos foram os primeiros. Privilegiados pelos meios impressos e pelo rádio. Era o grupo dos homens de negócio, que detinha o poder de consumo, especialmente aqueles que ocupavam a cena pública e necessitavam estar bem informados. Depois foi a vez dos adolescentes. Eles passaram a ser vistos como um grupo importante para os meios, especialmente, com o surgimento da televisão. Eles começaram a ser encarados socialmente como um público de considerável poder de consumo e a TV passou a priorizar a juventude e seus valores. As crianças apareceram como público-alvo importante na seqüência, no Brasil isso aconteceu aproximadamente nos anos 80, quando se descobriu, especialmente a televisão, o poder de compra desses pequenos telespectadores.
Agora os meios de comunicação se voltam para o que conhecemos como minorias empoderadas, procuram novos nichos de mercado, que, atualmente, mostram-se com mais poder, inclusive de compra, e, nesse sentido, passam a incluir no seu discurso grupos historicamente alijados do processo de produção do discurso midiático, como mulheres, homossexuais, negros e idosos. São os novos atores sociais que entraram em cena há poucas décadas e conquistaram direitos e um espaço na sociedade, o que fez que os profissionais da comunicação os colocassem como foco na elaboração de diversos produtos e serviços. Esses grupos não só passam a auxiliar nessa produção como também passam a ser representados de uma nova maneira, na medida em que a mídia tenta incluí- los.
Se fôssemos estudar a presença dos idosos nos meios de comunicação há 20 ou 40 anos, é provável que nos deparássemos com a ausência ou com a presença pontual e pouco valorizada das pessoas idosas, tanto no que toca ao Jornalismo quanto à Publicidade. Contudo, o envelhecimento demográfico está mudando os pólos de poder do mundo. O aumento significativo do número de idosos também implicou num aumento de poder para estes. As pessoas cada vez vivem mais, continuam trabalhando até mais altas idades, continuam atuando como eleitores, consumidores, ou seja, o aumento quantitativo foi também qualitativo, no que concerne, especialmente, à participação social.
Neste sentido, as instituições sociais, de modo geral, precisam, com cada vez mais freqüência, incorporar esse grupo etário no leque das suas preocupações. A negligência se torna cada vez mais difícil. É preciso olhar para esse grupo, falar a esse grupo. Finalmente, é bem provável que as instituições e a sociedade tenham que acabar, definitivamente, com a “conspiração do silêncio”, denunciada por Simone de Beauvoir ainda na década de 1970. E com os meios de comunicação não é diferente.
Acreditamos que é nessa direção que caminha a contribuição deste trabalho. Buscamos compreender como o aumento da participação social dos idosos se estende até os meios de comunicação. Mais precisamente, tentamos compreender um terreno que é pouco visitado, que ainda está pouco acessível: que é, mais precisamente, como o empoderamento da terceira idade chega, ou mesmo não chega, aos meios de comunicação, em especial, à Internet.
Nossa pretensão, portanto, também caminha no sentido de compreender como a dinâmica de empoderamento dos idosos impacta na participação deles nos portais, que funcionam como comunidades virtuais, hospedados na rede mundial de computadores, destinados a eles. Na verdade, a intenção é lançar um olhar sobre esse fenômeno que vem sofrendo alterações, mas que para as Ciências Humanas ainda é pouco explicado e observado.
A Internet é apontada por alguns pesquisadores da área da Comunicação, como Downing (2003), como uma “mídia radical”, a qual pode ser explicada como um meio de comunicação que abre uma possibilidade de participação dos receptores que nenhum outro meio já existente foi capaz de fazê-lo. Ela também é conhecida como o canal que dá espaços a grupos que talvez nunca tivessem voz nos meios de comunicação convencionais, um exemplo disso é que o Movimento dos Sem-Terra – MST, do Brasil, e o Euskadi Ta
Askatasuna - ETA, da Espanha, que agora passam a poder publicar as informações que
desejam nesse ambiente virtual. Sem dúvida, os outros meios, anteriores à rede mundial de computadores, jamais dariam espaço a esses grupos, os quais por sua natureza política são freqüentemente silenciados.
Essa dinâmica do movimento de surgimento e empoderamento da terceira idade e a sua relação com os meios de comunicação nos parece um assunto que necessita ser melhor compreendido. A Internet é um espaço no qual a experiência social acontece, diferentemente dos outros meios de comunicação, pode-se namorar pela rede, ir ao banco, conhecer pessoas, ou seja, usufruir de experiências que, ainda que ocorram em um ambiente virtual, são bastante concretas. Como colocamos antes, os receptores se tornam emissores e vice-versa. Quando se entra num sítio Web, por exemplo, e se busca informações e se posta a sua própria, perde-se a rigidez dos rótulos. Os velhos centros de poder são obliterados. Por conseguinte, nos parece importante compreender como a terceira idade se apropria dessa tecnologia e passa a ter a oportunidade de exercer o protagonismo nesse meio.
As contribuições dessa tese são, sobretudo, científicas e sociais. Primeiro porque, enfim, as Ciências Humanas, assim como outras instituições, também precisam incorporar os idosos no seu foco de preocupação. Em segundo lugar, porque a Internet precisa do concurso dessas ciências para ser explicada, o que inclui a Sociologia, considerando que experiências sociais bastante concretas são travadas ali. E, também, porque a relação entre esses dois temas é menos simples do se parece, tendo em vista que a participação das pessoas idosas na rede tende a aumentar e se complexificar. Compreender o protagonismo dos idosos na Internet é também perceber o caminho do empoderamento social que esse grupo vem desenhando, além de entender como tal grupo lida com as complexas redes tecnológicas que estão por trás da construção de espaços para, da e sobre a terceira idade na Internet.