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3   Gjøviks rolle som regionsenter

3.1   Regiondanning og integrasjon gjennom pendling

A tradução de nomes próprios (topónimos e antropónimos) na literatura infanto-juvenil é uma questão bastante interessante e relevante.

A ideia de que os nomes próprios não se traduzem ainda é, segundo Nord (2003), uma regra fortemente enraizada entre alguns tradutores. No entanto, a verdade é que há inúmeros contextos em que os tradutores decidem alterar os nomes próprios do texto de partida. De acordo com a autora referida, esta alteração pode passar, entre outras estratégias possíveis, pela substituição do nome próprio por um correspondente na língua de chegada; pela tradução propriamente dita, através da apresentação de um nome próprio equivalente; pela recriação, que consiste na modificação do nome próprio do texto de partida com o intuito de que este mantenha, no texto de chegada, uma função aproximada daquela que o nome desempenha na narrativa original; pela

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aproximação fonética entre o nome próprio do texto de partida e o escolhido para o texto de chegada; pela adaptação cultural.

É interessante notar que um tradutor pode optar por não utilizar a mesma estratégia para a tradução de todos os nomes próprios de determinado texto de partida (Nord, 2003: 183). Foi exatamente este o método pelo qual optei, na tradução da obra

The Ant Colony, na medida em que, relativamente aos nomes próprios que surgem no

texto de partida, decidi proceder a uma única alteração, mantendo todos os outros tal como surgem na narrativa original.

De acordo com Fernandes (2006: 44), a tradução de nomes próprios é mais do que uma questão de referências culturais específicas. A importância do papel destes nomes nos trabalhos literários é um fator a ter em grande conta na tradução, principalmente em obras infanto-juvenis englobadas na categoria do fantástico, nas quais os nomes próprios estão, muitas vezes, intimamente ligados à criação de efeitos cómicos e à caracterização de certas personagens. Um exemplo deste fenómeno, apresentado pelo mesmo autor, consiste no nome inglês Fat Lady (Mulher Gorda), retirado da saga de Harry Potter, que foi traduzido. Desta forma, as estratégias do tradutor quanto aos nomes próprios devem ter em conta uma perspetiva funcional, na medida em que tais nomes podem ter um significado crucial na narrativa, ou seja, podem exercer, no texto de partida, uma função específica, a qual deverá ser, idealmente, mantida no texto de chegada. Tal função pode estar relacionada com questões semânticas, quando, por exemplo, o nome próprio veicula um significado que descreve certo elemento da narrativa e/ou cria um efeito cómico (Fernandes, 2006: 46), como é o caso do exemplo acima exposto (“Fat Lady”). Nestes casos, muitas vezes, a personagem da narrativa infanto-juvenil é apresentada através de um nome comum que passa a nome próprio (Nord, 2003: 193). É o que acontece com um dos nomes próprios presentes em The Ant Colony. Com efeito, o nome da personagem Doormat, um cão, descreve, de certa forma, o animal em si: peludo e baixo. Deste modo, optei por traduzir o nome apresentado no texto de partida, usando um dos seus equivalentes em português,

Tapete, de forma a manter o efeito descritivo do original. Acrescentei, conforme o

exemplo (18) demonstra, uma nota de tradutor em rodapé, para que o leitor do texto de chegada possa ter acesso ao nome original da personagem em questão. Esta nota de tradutor foi incluída apenas na primeira vez em que o cão é referido.

38 (18) Doormat – Tapete

(LP) “What about your dog?” I said, and I asked her what it was called. “Doormat,” she said. “Where is he?” (P.39)

(LC) – Então e o seu cão? – perguntei-lhe como é que ele se chamava. – Tapete⁴ – disse ela. – Onde é que ele está? (pp.21-22)

⁴No original, Doormat. (N. da T.)

As questões que fui referindo até ao momento para os antropónimos colocam-se igualmente na tradução de topónimos, que surgem frequentemente no texto de partida em apreço. Vejam-se os exemplos em (19) e (20):

(19)

(LP) There she was, in the rougher end of Camden High Street, looking like she belonged on the wall of the National Gallery. (p.7)

(LC) Lá estava ela, no fim mais inóspito da Camden High Street, parecendo pertencer à parede da National Gallery. (p.3)

(20)

(LP) I crossed over Oxford Street where you normally get herded from one side to the other. (p.152)

(LC) Atravessei a Oxford Street, onde normalmente as pessoas andam de um lado para o outro tipo gado. (p.102)

Também neste caso optei por preservá-los, mesmo nos casos em que poderia traduzir parte ou a totalidade do topónimo, como acontece, respetivamente, em Oxford Street, que mantive, ao invés de rua Oxford, ou National Gallery, que poderia ter traduzido por Galeria Nacional.

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Em síntese, a identificação das crianças e dos jovens com os nomes próprios é um elemento crucial, seja numa obra original seja numa obra traduzida. Como tal, com o objetivo de facilitar a memorização dos nomes por parte dos jovens leitores, o tradutor, por vezes, deve recorrer a uma adaptação às convenções fonológicas e ortográficas da língua de chegada, como refere Fernandes (2006: 48), que dá como exemplo deste fenómeno a tradução do nome Myrtle, presente numa obra inglesa, para Murta, em português, tendo o tradutor optado por uma aproximação às convenções fonológicas e ortográficas da língua de chegada (p.55). Contudo, uma das funções mais importantes dos nomes próprios em narrativas ficcionais é a indicação da cultura em que a trama se desenrola (Nord, 2003:182). Assim, todos os nomes próprios que surgem no livro The Ant Colony, marcadamente ingleses (à exceção de Isabel, que é igual na cultura portuguesa, e de Doormat, pelas razões já enunciadas), foram preservados e figuram exatamente da mesma forma no texto de chegada. Alterá-los seria, a meu ver, desrespeitar o texto de partida e os leitores do texto de chegada, na medida em que estes nomes próprios, sejam antropónimos ou topónimos, não têm subjacentes valores semânticos que justifiquem a sua tradução.