3.4 De ulike plantypene
3.4.2 Regionalt planarbeid
As exportações de um determinado setor podem ser influenciadas por uma diversidade de fatores, tanto internos quanto externos. No mercado interno do país produtor/exportador, freqüentemente esses fatores estão relacionados à qualidade da infra-estrutura básica, principalmente transportes; ao tamanho do mercado consumidor interno; às estratégias de política agrícola; à eficiência das unidades produtivas e dos canais de comercialização; à qualidade do produto e aos seus respectivos preços; e a variáveis macroeconômicas, como taxa de câmbio, juros e renda interna. No mercado externo, fatores podem ser ditados pelos níveis de renda, pelas estratégias de comercialização dos importadores no mercado internacional, geralmente pautadas pelas operações de draw back, em que se importam os produtos e após processamento ocorre a exportação daqueles com maior valor agregado, barreiras comerciais e sanitárias, bem como por características subjetivas, como os gostos e as preferências dos países consumidores, etc.
De acordo com BACCHI et al. (2002), dentre os principais fatores condicionantes das exportações brasileiras de soja, relacionados ao mercado interno na década de 1990, pode-se destacar a taxa de câmbio real, a renda interna, o consumo interno e a relação de preços internos/externos4.
Para descrever a evolução das exportações de soja e derivados do Brasil, no período de 1990 a 2002, construíram-se dois subperíodos, compostos pelos anos de 1990/96 e 1997/02. Essa divisão foi adotada também para a análise de market-share que será descrita no capítulo de metodologia. A justificativa para essa separação de períodos é observada na Figura 4, na qual é possível verificar que as exportações do complexo agroindustrial da soja basicamente dobraram do ano de 1996 para o ano de 2002. No ano de 1996 as exportações brasileiras do setor foram de 16,2 milhões de toneladas, e já no ano de 2002 elas foram de 30,4 milhões de toneladas, o que equivale a um crescimento de 87,6%. Salienta-se que, comparando os mesmos valores dos anos de 1996 e 1990, o crescimento foi de apenas 19,3%. Em média, no primeiro subperíodo de 1990/96 o Brasil exportou 14,5 milhões de toneladas anuais de soja em grão, farelo e óleo, e no segundo subperíodo a média anual das exportações brasileiras saltou para 23,7 milhões de toneladas, equivalendo a um crescimento médio de 63,5% de um subperíodo para o outro.
4
0 5 10 15 20 25 30 35 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Em milhões de toneladas
Exportações do complexo soja
Fonte: MDIC/SECEX (2004) – elaborado pelo autor.
Figura 4 – Exportações totais da agroindústria brasileira de soja, em milhões de toneladas, no período de 1990 a 2002.
Além do crescimento da produção, vários fatores explicam o desempenho das exportações do setor soja no período de 1990 a 2002. No início do subperíodo de 1990/96 pode-se notar uma queda das exportações, que passaram de aproximadamente 13,6 milhões de toneladas em 1990 para 10,0 milhões de toneladas em 1991. Uma explicação para essa redução está ligada à queda da safra 1990/91, devido à diminuição na oferta de crédito agrícola provocada pelo Plano Collor I, implementado em março de 1990. Destaca-se que a produção de soja e derivados caiu de 33,9 milhões de toneladas em 1990 para 27,5 milhões de toneladas em 1991, o que representa uma variação negativa de -18,7%.
Na Figura 5 encontra-se outra explicação para esse movimento de redução nas exportações brasileiras no início dos anos 90, sendo fácil visualizar um movimento de valorização da taxa de câmbio real da economia brasileira, tornando menos vantajosa a comercialização externa do produto, em razão da queda nos preços relativos (internos/externos).
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Em US$ 1000 FOB 0 25 50 75 100 125 150 175
Taxa de câmbio real efetiva
Exportações do complexo soja Câmbio real
Fonte: IPEA (2003) e MDIC/SECEX (2004) - elaborado pelo autor.
Figura 5 – Evolução taxa de câmbio real efetiva e das exportações da agroindústria brasileira da soja, no período de 1990 a 2002.
Nos demais anos do subperíodo 1990/96 houve branda elevação das exportações da CPA da soja, o que pode ser explicado pelas políticas de estabilização adotadas na economia brasileira no início da década de 1990, especialmente a partir de 1994, com o programa de estabilização econômica engendrado pelo Plano Real. Cabe destacar que no ano de 1995, com a valorização da taxa de câmbio nominal, ocorreu uma queda das exportações. Além disso, BACCHI et al. (2002) ressaltam, em estudo sobre a oferta de exportação de produtos agrícolas, que as commodities grão e óleo de soja possuem elasticidade-renda interna elevada no Brasil. Os coeficientes estimados pelo autor foram de -5,93 e -5,44, respectivamente. Salienta-se que nos últimos anos do primeiro subperíodo o cenário de maior estabilidade macroeconômica contribuiu para elevar o poder aquisitivo da população brasileira, culminando em maior consumo doméstico, sendo assim, um dos elementos fundamentais para conter o crescimento das exportações. A Figura 6 ilustra melhor o crescimento do consumo interno de soja e derivados até o
ano de 1995, quando a partir de então parece haver maior estabilidade no consumo doméstico de soja e derivados.
0 5000 10000 15000 20000 25000 30000 35000 40000 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002
Cons.Int. em mil toneladas
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000
Exportações em mil toneladas
Cons.interno de soja e derivados Exportações do complexo soja
Fonte: AGRIANUAL (2003) e MDIC/SECEX (2004) – elaborado pelo autor.
Figura 6 – Evolução do consumo interno e das exportações da agroindústria brasileira da soja, no período de 1990 a 2002.
O início do subperíodo 1997/02 foi marcado pela desoneração de parte das vendas do Brasil ao exterior através da Lei Kandir, que constituiu um forte estímulo às exportações. MAFIOLETTI (2000) argumenta que o realinhamento dos preços relativos da soja em grão, farelo e óleo, provocado por essa lei, causou distorções na comercialização externa da CPA da soja. Esse argumento pode explicar o movimento de elevação da taxa de câmbio efetiva combinada com a expansão das exportações no período compreendido entre os anos de 1995 e 1998 (Figura 5).
A partir de 1998, com a crise na economia russa, houve grande fuga de capitais da economia brasileira, provocando a maxidesvalorização da moeda nacional e subseqüente adoção do regime de câmbio flutuante em janeiro de
1999. Essa mudança na paridade da moeda nacional tornou os preços externos mais favoráveis em relação aos preços internos, constituindo-se em grande estímulo às exportações agrícolas, especialmente do setor soja.