Hellin e Meijer (2006) e Rocha (1999 apud ROCHA; BORINELLI, 2007) descrevem as diretrizes para analisar a cadeia de valor fora dos limites da firma, ou seja, analisa o ambiente em que esta inserida. Segundo eles, o primeiro passo a ser considerado é levantar todos os atores envolvidos na cadeia de valor que extrapolam os limites da empresa, incluindo a jusante e a montante da cadeia.
A cadeia de valor poderá ter uma configuração simples, que se baseia numa relação linear entre fornecedores, empresa e cliente final, ou complexa, ilustrada na Figura 8, que poderá ter mais de um canal de fornecedores e atuar em mais de um mercado consumidor (HELLIN; MEIJER, 2006).
Figura 8 – Cadeia de valor complexa.
Fonte: Hellin e Meijer (2006, p. 5).
Depois de mapear a cadeia de valor, o segundo passo consiste em mapear o mercado. Hellin e Meijer (2006) assinalam que este é um instrumento que ajuda a identificar os fatores exógenos e/ou estruturais que podem trazer efeitos para a cadeia de valor da organização, assim como auxiliar no processo de tomada de decisão. Além disso, vale destacar que os fatores estruturais não influenciam somente a cadeia de valor da organização, mas também das organizações que prestam serviços.
O mapa do mercado ilustrado na Figura 9 é composto por três componentes inter- relacionados, que são: i) valor dos atores da cadeia, identificados no mapa da cadeia de valor; ii) ambiente propício, formado por fatores estruturais (autoridades locais e nacionais, políticas, regulamentos e práticas que regem o segmento de atuação); e iii) prestadores de serviços, que dão suporte às empresas e se baseiam no abastecimento de insumos, informações sobre o mercado, serviços financeiros, serviços de transportes, garantias de qualidade e apoio no desenvolvimento de produtos (HELLIN; MEIJER, 2006).
MERCADO EXTERNO MERCADO INSTITUCIONAL NICHO DE MERCADO MERCADO LOCAL MERCADO DOMÉSTICO VENDA POR ATACADO MERCADO DE PRODUTO FINAL PRODUTORES GRANDE ESCALA PRODUTORES PEQUENA ESCALA MERCADO INTERMEDIÁRIO PRODUTORES PRIMÁRIOS EXISTENTE POTENCIAL
Figura 9 – Mapa do mercado
.
Fonte: Hellin e Meijer (2006, p. 8).
Já para a análise da cadeia de valor que considera as atividades e recursos alocados internamente pela empresa, Vaz e Prochnik (2002) assinalam duas fases: i) etapa da configuração; e ii) etapa da análise dos determinantes da competitividade. A primeira fase baseia-se em identificar qual configuração de valor a empresa possui, podendo ser a cadeia genérica, value shop ou value network. Além disso, essa etapa consiste em fazer uma descrição detalhada de cada atividade de valor e suas relações dentro e fora dos limites organizacionais.
MERCADO EXTERNO MERCADO INSTITUCIONAL NICHO DE MERCADO MERCADO LOCAL MERCADO DOMÉSTICO ATACADO MERCADO DE PRODUTO FINAL PRODUTORES GRANDE ESCALA PRODUTORES PEQUENA ESCALA MERCADO INTERMEDIÁRIO PRODUTORES PRIMÁRIOS TAXAS E TARIFAS CAMBIAIS PADRÕES DE MERCADO EXECUÇÃO DE CONTRATOS POLÍTICA FINANCEIRA REGULAMENTO DO NEGÓCIO REGISTROS Q.A INSTITUIÇÕES TENDÊNCIA DO CONSUMIDOR FACILITAÇÃO NAS RELAÇÕES ATUALIZAÇÃO DE PADRÕES INFORMAÇÕES DE MERCADO SERVIÇOS FINANCEIROS DIVERSIFICAÇÃO DE PRODUTOS FORNCEDORES CORDENAÇÃO DOS PRODUTORES
Hansen e Mowen (2001 apud ROCHA; BORINELLI, 2007) compartilham essa fase, visando a identificar a configuração de valor da empresa, os custos, as receitas e os ativos relacionados em cada atividade.
A segunda e última fase estabelecida por Vaz e Prochnik (2002) – análise dos determinantes da competitividade – fundamenta-se em identificar os principais drivers de custo e de diferenciação. Cabe informar que Hansen e Mowen (2001 apud ROCHA; BORINELLI, 2007) também destacam a importância da análise dos drives de custo e de diferenciação, pois estes visam a identificar o posicionamento estratégico da empresa.
Para Mário e Rocha (2003), os drivers de custo e de valor estão inter-relacionados, pois a aplicação de um implica a utilização do outro. Desse modo, esses autores assinalam a importância em identificar e analisar os drivers de custo e de valor de forma conjugada.
O Quadro 7 informa as principais etapas para a análise da cadeia de valor, incluindo: i) delineamento do segmento; ii) mapeamento do mercado; iii) mapeamento da cadeia de valor; iv) identificação da configuração de valor; v) identificação das atividade de valor; e vi) identificação e análise dos drivers de custo e de diferenciação.
Quadro 7 – Resumo do processo de análise da cadeia de valor e da configuração de valor.
Etapa Característica Autores
Delinear o segmento Identificar o segmento em que a organização atua. Rocha e Borinelli (2007)
Mapear o mercado
Identificar questões políticas (regulamentos, regras e leis) que interferem na cadeia de valor e na configuração de valor e que auxiliam no processo de tomada de decisão.
Hellin e Meijer (2006) Rocha e Borinelli (2007)
Mapear a cadeia de valor
Identificar as organizações que
fornecem insumos e serviços relevantes e seus mercados de atuação.
Observação: Poderá ser uma cadeia simples ou complexa.
Hellin e Meijer (2006) Rocha e Borinelli (2007)
Identificar a configuração de valor
A configuração poderá ser: cadeia genérica, value shop ou value network, com base na tecnologia utilizada e/ou na criação de valor. Porter (1989) Besanko et al. (2012) Stabell e Fjeldstad (1998) Vaz e Prochnik (2002) Identificar as atividades de valor para a criação de valor
Identificar as atividades relevantes, suas descrições detalhadas, assim como suas relações internas e externas.
Porter (1989) Besanko et al. (2012) Vaz e Prochnik (2002) Rocha e Borinelli (2007) Identificar e analisar os drivers de competitividade
Identificar os drivers de custos e de diferenciação, que visam a verificar o posicionamento estratégico da empresa.
Porter (1989)
Stabell e Fjeldstad (1998) Vaz e Prochnik (2002)
4 LOGÍSTICA REVERSA
Definir com exatidão o que é logística reversa não é uma tarefa fácil, por esta ser uma área relativamente nova, tanto para practitioners quanto pesquisadores e acadêmicos, e também pelo fato de encontrar-se em constante evolução, ou seja, em processo de conformação (LEITE, 2003).
Com o objetivo de esclarecer um conceito que esteja mais próximo da realidade, serão expostas as definições da logística reversa vislumbradas pelos principais autores desse tema, assim como as peculiaridades que cada uma possui. Em seguida, serão apresentados: i) os fatores fomentadores de logística reversa nos aspectos ambientais e legais; ii) as tendências de posturas organizacionais e as estratégias ambientais corporativas; iii) a visão operacional dos fluxos reversos; iv) os principais atores e as atividades dos canais reversos; v) os principais produtos (recursos); e vi) as fases dos canais de distribuição reversos pós-consumo e pós-venda.