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Regimes of Living

In document The Contemporary Urban Context of Kerala (sider 189-200)

Nesta sessão analisaremos como estão organizados os canais de distribuição que envolvem a cooperativa e também a organização dos circuitos ou os meios de comercialização utilizados pelos agroextrativistas. Dos 19 agroextrativistas entrevistados, cinco não eram cooperados em nenhuma organização, mas desses, dois participavam de uma associação comunitária representando 10% como demonstrado na figura 18. Porém todos os agroextrativistas, quando questionados sobre a importância da participação na cooperativa, afirmaram que é importante para a venda dos produtos.

Figura 18 - Participação em organizações comunitárias

Entre as pessoas entrevistadas, 10% participam de uma associação comunitária de mulheres de um assentamento de reforma agrária. Essa associação foi criada com o intuito de melhorar a comercialização dos produtos fabricados pelas famílias do assentamento. Essas mulheres entrevistadas comercializam com pelo menos duas cooperativas, participando de um canal de distribuição organizado via mercado. Elas vendem frutas e frutos do Cerrado para a Cooperativa A, mas não são cooperados da mesma e não possuem contratos firmados. Quando há a disponibilidade de produtos elas entram em contato com a organização para saber se é possível efetuar a venda, e sendo possível, a cooperativa busca os produtos.

Além disso, essa associação comercializa favela, ou fava d’anta, essa venda é feita da seguinte forma, um representante de uma cooperativa de Goiânia vem até a região de ocorrência da espécie e verifica se existem pessoas dispostas a coletar o produto, no caso os associados, então eles encomendam uma quantidade, também sem a presença de contrato formal, apenas uma combinação informal de compra, depois do prazo definido é enviada uma carreta para o transporte do produto, que é enviado seco e ensacado, após a chegada ao local de pesagem é verificada a qualidade do produto, é efetuado o pagamento, que é rateado conforme a quantidade entregue por cada associado. Podemos afirmar que neste caso há uma governança via mercado, pois o único mecanismo utilizado é o de preços, mas mesmo assim existe uma confiança muito grande por parte dos agroextrativistas, já que os mesmos entregam os produtos, no caso na cooperativa de Goiânia sem a previsão do pagamento. Essa cooperativa de Goiânia também funciona como um membro do canal de distribuição da favela, uma vez que este produto é repassado para laboratórios da indústria farmacêutica.

No único caso de extrativista encontrado não há participação em cooperativa, segundo o entrevistado porque não confia neste tipo de organização, mesmo sabendo da sua importância. Ele só vende para atravessadores porque estes pagam preços mais altos e ele não precisa ficar vinculado a nenhum deles. A partir das entrevistas foi possível afirmar que os agroextrativistas que não são cooperados estão sob a governança via mercado. Eles podem receber preços mais altos pelos seus produtos, mas não há garantia de venda.

Quanto aos entrevistados que são cooperados, a governança também é diversificada. Existem cooperados que não têm nenhum contrato formal quanto aos produtos que serão

entregues na cooperativa, e em outros casos existem contratos anuais de entrega de produtos. No caso das frutas cultivadas e da maioria dos frutos do Cerrado, não existem outros compradores, sendo as cooperativas o único meio de comercialização dos agroextrativistas. Alguns frutos possuem um limite de recebimento, uma espécie de cota, ou seja, a cooperativa recebe o produto dentro de um limite pré-estabelecido.

Na Cooperativa A existe a governança via contratos. Os cooperados assinam contratos de entrega de produtos, no contrato existe a definição de quais produtos serão entregues e qual a quantidade será entregue anualmente. Os contratos servem, de acordo com os dirigentes da organização, para que haja uma programação da parte da produção e da área financeira da cooperativa. Isso se caracteriza como uma governança via contrato, uma forma híbrida de organização, ela está entre a governança via mercado e a hierárquica, onde a organização internaliza todos, ou parte, das ações da distribuição dos produtos.

A Cooperativa A também se utiliza dos mercados para obter seus produtos, dependendo da demanda é preciso comprar produtos de agroextrativistas que não são cooperados.

Já a Cooperativa B não faz nenhum tipo de contrato com seus cooperados. A organização repassa os produtos de acordo com o que vai sendo requerido, principalmente para as escolas. Isso é um risco, porque não se tem a certeza dos produtos e da quantidade disponível dos mesmos. A governança é híbrida, pois não há contratos firmados com os cooperados, mas a compra é feita somente deles. As vendas da cooperativa são, entretanto, feitas por contratos, devido à organização ser a representante legal dos associados.

Na Cooperativa C não existem contratos firmados com as organizações que formam a central. Porém, esta não se constitui em uma coordenação tipicamente de mercado, pois a central somente compra das cooperativas e associações que a compõem, não buscando, portanto, no mercado por produtos por preços menores. Por isso, é considerada uma forma híbrida de governança, foi o jeito de organizar o canal que mais se achou eficiente para o formato dessa cooperativa.

O produto identificado com a presença de atravessador é o baru, sendo também o produto que tem o maior preço, tanto na cooperativa quanto em outros mercados. Devido ao

maior valor de mercado, pode haver a ocorrência do oportunismo entre os agroextrativistas. No caso, não se pode julgar que o oportunismo que ocorre seja totalmente negativo, porque as pessoas que comercializam o produto possuem rendas mais baixas, então qualquer acréscimo nesta renda, mesmo que pequeno, pode ser significativo.

Outro fator que foi identificado é que como as cooperativas, em relação a muitos produtos, são a única opção de venda para os agroextrativistas, tem-se a formação de um monopsônio, ou seja, só existe um comprador para o produto, fazendo com que exista um maior grau de dependência dos vendedores com relação aos compradores. Na pesquisa realizada isso é um pouco mais delicado, já que antes das cooperativas não existia nenhum outro comprador para determinados produtos, foram elas que constituíram um mercado. Com isso, não se observa oportunismo por parte das organizações, mas é necessária maior atenção, pois, caso essas organizações deixem de existir os agroextrativistas mais uma vez ficariam sem um canal de distribuição.

In document The Contemporary Urban Context of Kerala (sider 189-200)