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2 Teori

2.1 Menneskelige faktorer

2.1.7 Regelbaserte metoder

Os métodos qualitativos devem ser usados, quando o objeto de estudo não é bem conhecido. Por sua capacidade de fazer emergir aspectos novos, de ir ao fundo do significado e de estar na perspectiva do sujeito, podem descobrir novos nexos e explicar significados. Durante o desenvolvimento de uma pesquisa qualitativa, emergem, freqüentemente, relações entre motivações e comportamentos inesperados, que não surgiriam utilizando-se um questionário estruturado, cuja característica técnica é a uniformidade do estímulo (Serapioni, 2000).

Minayo & Sanches (1993) afirmaram que a fala dos entrevistados torna-se reveladora de condições histórico-estruturais: sistemas de valores, normas e símbolos que reproduzem as representações de grupos determinados, em condições históricas, socioeconômicas e culturais específicas. Agodi (1996) acrescentou que o limite à generalização está nesta historicidade (dos significados, dos processos e das instituições sociais), e uma descrição aprofundada não pode dar-se sem recorrer aos estudos qualitativos.

Minayo & Sanches (1993), a respeito da importância do confronto da fala na investigação qualitativa, ressaltaram que o conteúdo dos discursos, dentro de um quadro de referência, permite ultrapassar a mensagem manifesta e atingir os significados latentes.

Lefèvre & Lefèvre (2000) descreveram os pressupostos teóricos nos quais se baseia o estudo qualitativo. Dentre eles, a especificidade da abordagem qualitativa para

a incorporação da questão do significado e da intencionalidade, já que são inerentes aos atos, relações e estruturas sociais. A intencionalidade e o significado, que ocupam posições centrais na pesquisa qualitativa, aparecem clara e naturalmente nos discursos.

Pelo espaço proeminente que conferem aos discursos, as abordagens de corte qualitativo permitem a compreensão mais aprofundada dos campos sociais e dos sentidos neles presentes, na medida em que remetem a uma teia de significados, de difícil recuperação através de estudos quantitativos, em que o discurso, quando está presente, é sempre reduzido a uma expressão numérica (Lefèvre & Lefèvre, 2000).

Isto não quer dizer que não se possa recorrer, quando necessário, a instrumentos quantitativos, fazendo uso, portanto, como recomendou Serapioni (2000), da integração qualitativo/quantitativo para a explicação da realidade.

A análise qualitativa pode não chegar a quantificar, entretanto nada exclui que a análise quantitativa implique a necessidade de novas análises qualitativas. A contraposição entre qualidade e quantidade torna-se, portanto, matizada, e a integração, inevitável (Serapioni, 2000).

Trivinos (1987) lembrou que, sob o ponto de vista do marxismo, a dicotomia entre o qualitativo e o quantitativo não tem razão de existir. O autor ressaltou que toda pesquisa pode ser, ao mesmo tempo, quantitativa e qualitativa, mas, na prática, ocorre que toda investigação baseada na estatística raramente aproveita essa informação para avançar numa interpretação mais ampla, ou seja, estudos qualitativos.

A respeito da integração das abordagens qualitativas e quantitativas, Stange & Zyzanski (1989) lembraram que os métodos qualitativos podem ser usados nas etapas iniciais de uma metodologia quantitativa, criando teorias e hipóteses ao objeto de estudo. Os autores comentaram que o uso concorrente dos métodos qualitativos e quantitativos pode servir para o cruzamento e verificação dos resultados, pode ajudar na compreensão da associação estatística, e o método quantitativo pode reforçar a validade dos dados qualitativos encontrados ou descrever melhor o campo de trabalho.

Steckeler et al. (1992) discorreram sobre a integração qualitativo/quantitativo e salientaram que o objetivo do estudo qualitativo é a inteligibilidade. Não se propõe a ser um estudo preditivo, mas descritivo dos significados dos fenômenos sociais. Os autores justificaram desta maneira a integração de ambas as abordagens metodológicas.

Santos (1999) considerou que, em muitas circunstâncias, as duas abordagens podem e devem ser utilizadas como complementares. Contudo cada abordagem metodológica apresenta vantagens e limitações, sendo a natureza do tema de interesse que, em grande parte, vai determinar qual a mais indicada para a investigação.

Rocha et al. (2000) lembraram que, mesmo em áreas homogêneas no espaço urbano que detêm características semelhantes, os processos sociais apresentam diferenças não-mensuráveis aos olhos do observador que quantifica a realidade.

Muitos cientistas sociais argumentam, porém, que o ponto fraco dos métodos qualitativos refere-se aos problemas da representatividade e generalidade dos conteúdos que emergem durante a pesquisa. Assim, Castro & Bronfman (1997) explicaram que, no estudo dos processos sociais de um reduzido grupo de casos, busca-se obter informações que permitam refletir sobre o processo que se estuda, sem pretender saber quanto aqueles processos sociais são freqüentes na sociedade. É na linguagem dos entrevistados que se torna possível perceber as chaves que permitem presumir a generalização dos achados, pelo menos nas comunidades que compartilham as mesmas características socioeconômicas e culturais dos sujeitos analisados (Castro & Bronfman, 1997).

Muitas pesquisas de natureza qualitativa não precisam apoiar-se na informação estatística, como lembrou Trivinos (1987). Isto não significa que sejam especulativas. Elas têm um tipo de objetividade e de validade conceitual, que contribui decisivamente para o desenvolvimento do pensamento científico.

A pesquisa qualitativa ressurgiu como método científico após um período de penumbra instaurado pelo grande desenvolvimento das técnicas estatísticas, em fins dos anos 40. Pouco a pouco se percebeu que valores e emoções permaneciam escondidos nos próprios dados estatísticos, já que as definições da finalidades das pesquisas e a formulação das perguntas estavam profundamente ligadas à maneira de pensar e sentir do pesquisador, o qual transpunha assim, para os dados, de maneira invisível, suas próprias percepções e preconceitos. O gravador colocou à disposição da pesquisa social novos meios de captar o real, reavivou-se o relato oral e a entrevista (Queiroz, 1987).

Contudo a entrevista que visa obter respostas válidas e informações pertinentes, é uma verdadeira arte que, segundo Marconi & Lakatos (1990), se aprimora com o

tempo, com treino e experiência.

As vantagens e limitações desta técnica também foram descritas por Marconi & Lakatos (1990):

• os relatos orais podem ser utilizados com todos os segmentos da população, analfabetos ou alfabetizados;

• oferece uma maior oportunidade para avaliar atitudes e condutas, podendo o entrevistado ser observado naquilo que diz e como diz.

Dentre as limitações, Marconi & Lakatos (1990) lembraram:

• existência de dificuldade de expressão e comunicação de ambas as partes; • pequeno grau de controle sobre a situação de coleta dos dados;

• possibilidade de ocupar muito tempo e ser de difícil realização.

A pesquisa qualitativa também requer um rigor metodológico sobre o qual Mays & Pope (1997) discorreram. Várias estratégias são requeridas dentro da pesquisa qualitativa para se evitarem bias e aumentar a confiabilidade dos resultados.

A amostra não deve ser necessariamente aleatória ou probabilística, já que a proposta do estudo é entender algum fenômeno social. O objetivo não é estabelecer uma amostra representativa e aleatória da população, mas identificar, nos grupos específicos de pessoas, as características de vida ou circunstâncias relevantes ao fenômeno social estudado. Tem-se assim uma ampla variedade de fontes de informações diferentes e independentes. Também é possível eleger “informantes-chaves” que podem representar importantes fontes de conhecimentos (Mays & Pope, 1997).

Através de uma amostra não probabilística, também denominada amostra hipotética, desenvolve-se uma teoria ou orientação elucidativa do processo de amostragem e coleta dos dados. Então a análise feita com a seleção inicial de informantes, através da coleta, codificação e análise dos dados, produzirá uma explicação teórica preliminar, que oriente decisões posteriores no sentido da coleta dos dados e a partir de quais grupos. A análise deste pré-teste não só permite também os refinamentos na abordagem das entrevistas, como serve de orientação para o maior estudo dos referenciais teóricos em questão. Torna-se, assim, um processo interativo à medida que a teoria também fornece subsídios que orientam o desenvolvimento das

entrevistas (Mays & Pope, 1997).

Para assegurar a confiabilidade das análises, são necessárias a transcrição meticulosa da gravação das entrevistas e as anotações das reações ou expressões porventura percebidas. A validade dos resultados é assegurada pelo processo chamado de “triangulação”: refere-se à coleta dos dados feita propositadamente em um campo onde a condição do estudo é bastante freqüente. A técnica da triangulação baseia-se em abranger e relacionar os processos e produtos centrados no sujeito (as percepções através das entrevistas), os elementos produzidos pelo meio ao qual o indivíduo pertence (índices estatísticos, propostas e diretrizes políticas) e os processos e produtos originados da estrutura sócio-econômica e cultural do macro-organismo social do sujeito; neste caso, o capitalismo (Mays & Pope, 1997).

Trivinos (1987) explicou que a técnica da triangulação tem por objetivo básico abranger a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do foco em estudo. É impossível conceber a existência isolada de um fenômeno social, sem raízes históricas, sem significados culturais e sem vinculações estreitas e essenciais com uma macrorrealidade social.

Outra estratégia de validação usada nas pesquisas qualitativas refere-se à verificação de se os referenciais teóricos são relatados de maneira sensata pelo grupo estudado. Esta constatação é feita através das entrevistas ou grupos focais.

Deve-se também lembrar as considerações éticas para se realizar a pesquisa qualitativa. Dicicco-Bloom (2000) ressaltou a importância da confidencialidade das informações, no sentido de preservar as identidades dos sujeitos da pesquisa, a necessidade da autorização por escrito para a realização das entrevistas e a aprovação do conselho de ética em pesquisa, fundamental para a realização destes estudos.

METODOLOGIA

É preciso captar a realidade de modo profundo, indo até as raízes, para trabalhá-la e elaborá-la de modo humano, habitável. Não se pode agir sem compreender como não se pode compreender sem agir!

4 METODOLOGIA

Uma vez que, na presente pesquisa, procurou-se apreender os sistemas de valores, de normas, de representações, de símbolos próprios de uma cultura, colocando ênfase na idéia dos significados latentes do comportamento de adolescentes a respeito da saúde bucal, a abordagem da pesquisa foi qualitativa com enfoque histórico- estrutural.

A investigação histórico-estrutural, segundo Trivinos (1987), aprecia o desenvolvimento do fenômeno não só em sua visão atual que marca apenas o início da análise, como também penetra em sua estrutura íntima, latente, inclusive não visível ou observável à simples observação ou reflexão, para descobrir suas relações e avançar no conhecimento de seus aspectos evolutivos.

Um tratamento quantitativo também foi utilizado como complementar e auxiliar na compreensão de nosso objeto de estudo.