Essa é a grande contribuição desta dissertação. A função mais importante desta proposta é criar elementos e dinâmicas para o aumento do potencial humano e de integração na busca de resultados. Isso, depois de detectados os principais elementos que geram as dificuldades para a implantação do BSC, depois de verificada na nossa realidade em algumas organizações do sul do Brasil.
O convencimento do individuo que compõe o grupo é a primeira necessidade. Por isso, contatos isolados, informais, mas com objetivos previamente determinados fazem parte dessa atividade. A pessoa necessita
permitir que seus modelos mentais sejam analisados, e depois de verificados
os modelos de pensamento, e com a mudança de comportamento, a avaliação dos resultados obtidos gera novos modelos. Observa-se a necessidade concreta de interação da pessoa envolvida. Quando se percebe uma evolução nessa situação de verificação, a aplicação de novos resultados, os modelos mentais começam a serem ampliados.
E isso é pensamento. Pereira Filho, Rocha e Silveira (2005) resumem muito bem essa constatação quando afirmam que os modelos mentais são gerados por habilidades de pensamento. A pessoa utiliza as habilidades de pensamento presente na mente, permitindo que o sistema mental se organize, enquanto observa a si mesma para ver se está indo bem, e caso não esteja, faz os ajustes necessários. Resultado: criação de novas formas de pensar, o que contribui para ampliar todos os modelos mentais existentes, a criação de novos e a redução e rompimento dos bloqueios, muitas vezes nem percebidos.
Os mesmos autores sugerem etapas que julgamos convenientes para implementação na equipe de trabalho do BSC.
Tudo começa com a conscientização. Sem ela, não podemos trabalhar modelos mentais. Começa-se com os pensamentos. Com eles criamos a
realidade que desejamos. O princípio dois dos modelos mentais, anteriormente referenciado, reforça essa necessidade. Os modelos mentais determinam como vemos a realidade. Sob outro ponto de vista, como visto na dinâmica psicológica: pensamentos se traduzem em palavras e as palavras. em ação.
Se o ser hum ano t ivesse consciência do grande m al que inflige a si m esm o ao em it ir im pulsiva, apressada e irreflet idam ent e palavras que levam o selo da discórdia, da indiscrição, da int rom issão, da m aledicência; e que est e agravo cont ra os seus sem elhant es acaba por volt ar- se cont ra ele próprio - t al qual a arm a de arrem esso dos indígenas aust ralianos - cuidaria das próprias com o algo sagrado e de grande valor, que não deve ser desperdiçado e sim utilizado para const ruir um m undo m elhor para si e para os seus sem elhant es. O ser hum ano pouco se preocupa com as palavras que em it e; age com o se elas pouco t ivessem a ver com a sua própria pessoa; com o se out ra pessoa as t ivesse pronunciado, e não ele próprio. Dest a m aneira, não com preende qual é o m ot ivo de m uit os sofrim ent os e aborrecim ent os que experim ent a por não alcançar o significado e a im port ância das palavras que pronuncia.As palavras represent am os pensam ent os que est ão na m ent e do indivíduo que as ut iliza. A origem , o valor e a nat ureza desses pensam ent os caract erizam a represent ação oral m encionada. ( ANDERÁOS NETO, 2008)
O ponto de vista desse autor reforça o cuidado que temos que ter com as palavras. O grupo BSC necessita de atenção especial para esse ponto. Com isso, sabendo das representações e modelos que os regem, dará bom andamento às atividades de trabalho, conforme determina o método de trabalho BSC. As palavras geram sensações, significados. o que varia de pessoa para pessoa. O cuidado com as palavras, a maneira como elas são utilizadas no grupo pode permitir ou dificultar a comunicação, levando o grupo a encontrar soluções ou a continuar criando problemas com frequências cada vez maiores.
O instrutor do BSC deve observar os comportamentos e detectar os padrões. Palavras como: “eu sou” devem ser observadas. Segundo Pereira Filho, Rocha e Silveira (2005), ela pode ter duas conotações: um é o padrão comportamental, dizendo com essa palavra que é assim em diversas situações e outro, para se nomear daquele jeito, sempre, independente das situações. A análise do atual contexto do termo “Eu Sou”, leva o instrutor GST a detectar no grupo como ele se desenha e como é sua visão sobre si mesmo.
Quando alguém diz que é indeciso, ele pode estar descrevendo um estado, que é dinâmico e que está acontecendo naquela situação ou pode
também estar referenciando algo permanente. E nesse processo permanente é que reside um modelo mental, que se for desfocado da realidade e dos objetivos do grupo, pode ser um fator gerador de problemas.
A ampliação dos modelos mentais e de novas formas de comportamento passa pela análise das palavras do grupo e das palavras de cada elemento que compõe o grupo. Por isso, a sugestão de se criar uma dinâmica de entendimento profundo desse conteúdo, para que todos os trabalhos do grupo sejam observados e vivenciados observando-se as perguntas que vão sendo feitas ao longo das atividades. Infere-se que com esse entendimento, padrões de comportamento sejam modificados e que a motivação e o interesse comecem a ser um atributo do grupo. Isso acontecerá porque as palavras e perguntas geradas vão sempre ser repensadas para situações que gerem mais criatividade e ações de solução para problemas e indecisões.
Conform e observado, o desem penho das organizações é produt o diret o do com port am ent o de seus líderes, com pondo o fat or capaz de prover dinam ism o e vida às est rat égias. Nas organizações onde est e perfil não exist ia, foi observado que as est rat égias não vão além de planos form ais ou inform ais, não se concret izando de m aneira efet iva. Esse cont ext o e o est ado at ual do est udo sugerem que o est udo da est rat égia não est á alij ado do est udo do com port am ent o hum ano, e que a evolução de m odelos nest a área passa essencialm ent e por um a int egração am pla de disciplinas e inst rum entos de várias áreas do conhecim ent o. Conclui- se que a concepção de um m odelo eficaz de desdobram ent o e im plem ent ação de est rat égias é um processo essencialm ent e t ransdisciplinar, não se esgot a pelo uso de ferram ent as t ecnológicas, e exige o aport e de elem ent os de liderança, com unicação e m ot ivação com o condição vit al para sua viabilidade operacional. (KRONMEYER FI LHO; KLI EMANN NETO; RI BEI RO, 2008)
A partir dos estudos de casos de Kronmeyer Filho, Kliemann Neto e Ribeiro (2008) foi verificado que os motivos de falhas na implantação das estratégias (resultado da operacionalização do grupo BSC) são múltiplos e inter-relacionados. Boa parte das falhas relatadas pode ser superada com a utilização de instrumentos e metodologias que trabalham e consideram a verificação do comportamento do grupo e é o que determinadas palavras e termos significam para as pessoas. De qualquer forma, segundo os mesmos autores, estes são complexos de serem formalizados, medidos e avaliados.