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5.5 Styrker og begrensninger ved studien

5.5.3 Refleksjoner om videre forskning

Na pesquisa etnográfica, a análise dos dados não acontece numa etapa claramente distinta, após a coleta. Ela permeia todo o processo da investigação, começando no momento em que o pesquisador seleciona um problema para o estudo e terminando quando ele escreve a última palavra do seu relatório (GODOY, 1995b). Para a realização da análise da presente pesquisa, a organização dos dados coletados – seja das notas de campo, das gravações e transcrições de entrevistas, ou da análise documental – foi realizada conforme o trabalho de campo evoluia, no intuito de identificar dimensões, categorias, tendências, padrões e relações, desvelando-lhes o significado, para que pudessem responder à questão-problema deste trabalho (GODOY, 1995b). Por conseguinte, a análise foi realizada a partir de pressupostos da Análise de Conteúdo (AC) e da Análise de Discurso (AD).

Segundo Caregnato e Mutti (2006), a maioria dos autores refere-se à Análise de Conteúdo como sendo uma técnica de pesquisa que trabalha com a palavra, permitindo de forma prática e objetiva produzir inferências do conteúdo na comunicação de um texto, replicáveis ao seu contexto social. Na AC, o texto é um meio de expressão do sujeito, onde o pesquisador busca categorizar unidades de texto (palavras ou frases) que se repetem, inferindo uma expressão que as representem. Para Bardin (1977, p. 42), Análise de Conteúdo diz respeito a um conjunto de técnicas de análise das comunicações “visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores

(quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção […] destas mensagens”.

Segundo Godoy (1995b) e Bardin (1977), a utilização da Análise de Conteúdo prevê três fases processuais. Primeira, a pré-análise, que normalmente é identificada como uma fase de organização, e nela se estabelece um esquema de trabalho que deve ser preciso, com procedimentos definidos (embora flexíveis), e normalmente envolve a leitura “flutuante”, ou seja, um primeiro contato com os documentos que serão submetidos à análise, a escolha deles, a formulação das hipóteses e objetivos, a elaboração de indicadores que orientarão a interpretação e a preparação formal do material. Segunda, a exploração do material, que nada mais é do que o cumprimento das decisões tomadas anteriormente, onde cabe ao pesquisador ler os documentos selecionados, adotando, neste fase, procedimentos de codificação, classificação e categorização. Terceira, tratamento dos resultados e interpretação, onde o pesquisador procura, com base nos resultados brutos, torná-los significativos e válidos, utilizando técnicas quanti-qualitativas, codificando tais resultados em busca de padrões, tendências ou relações implícitas. Vale ressaltar que esta interpretação deve ir além do conteúdo manifesto dos documentos, pois ao investigador interessa o conteúdo implícito, ou seja, o sentido que está por trás do objetivamente apresentado (GODOY, 1995b; BARDIN, 1977).

A análise categorial é o tipo de análise mais antiga e, na prática, a mais utilizada. Pode ser temática, construindo as categorias conforme os temas que emergem do texto. Para classificar os elementos em categorias, é preciso identificar o que eles tem em comum, permitindo o seu agrupamento (BARDIN, 1977). Na presente pesquisa, a principal função da Análise de Conteúdo foi a de auxiliar na organização do material bruto (a partir das transcrições de entrevistas e da análise documental) em categorias de análise, de acordo com os objetivos do estudo e levando-se em consideração os assuntos discutidos ao longo do referencial teórico. Ao final, foram desenhadas as seguintes categorias, conforme mostra o Quadro 14:

Quadro 14 – Categorias de Análise para Apresentação da ZISPOA

Categoria Descrição

Origens: Global Urban

Development

Apresentação da GUD, organização que deu origem ao conceito de Zonas de Inovação Sustentáveis.

Fundação, Visão e Objetivos

Relato sobre como foi originalmente planejada a criação da primeira Zona de Inovação Sustentável, e como de fato ela surgiu e tomou forma na cidade de Porto Alegre.

Crenças, Valores e

Cultura Detalhamento sobre o que defendem os membros da ZISPOA, incluindo suas crenças, valores e aspectos culturais do grupo.

Projetos e Principais Realizações

Descrição das ações executadas pelos grupos de trabalho da ZISPOA, bem como o impacto gerado por elas, desde o seu surgimento em setembro de 2015 até o final de 2017.

Modelo de Gestão: Desafios,

Aprendizados e Adaptação Contínua

Aprofundamento sobre o modelo de gestão do grupo, incluindo os avanços e desafios relatados na perspectiva dos sujeitos e análise sobre a percepção e o nível de confiança que os membros tem a respeito da eficácia da ZISPOA e da sustentabilidade da proposta no longo prazo.

Fonte: a autora

Segundo Belk et. al. (2013), por tratar-se de pesquisa de natureza qualitativa de abordagem interpretativista, o processo de análise de dados trata-os todos como textos. Inicialmente, neste trabalho, realizou-se a leitura completa de todas as informações coletadas, tais como transcrições de entrevistas, documentos e anotações no caderno de notas, no intuito de construir um entendimento único sobre o fenômeno em estudo. Ao longo da leitura, foram sendo selecionados os trechos considerados relevantes de cada texto e organizados em arquivos separados em MSWord, de acordo com as categorias pré-definidas. Em seguida, foi feita uma análise aprofundada dos conteúdos de cada categoria, no intuito de identificar aspectos convergentes e divergentes entre eles. A análise desses dados, realizada à luz das principais proposições abordadas ao longo do referencial teórico – e sintetizados no Quadro 4 – Pré-condições e Condições do IC, no Quadro 7 – Síntese dos Avanços e Críticas Ao Impacto Coletivo e no Quadro 10 - Condições-Chave do Impacto Coletivo 3.0 – facilitaram o trabalho de Análise de Discurso e, consequentemente, a identificação de quais contribuições o campo empírico trouxe para aprimorar a proposta do impacto coletivo.

Caregnato e Mutti (2006) explicam que a AD trabalha com o sentido e não com o conteúdo do texto, um sentido que não é traduzido, mas produzido. Pode-se afirmar

que o cerne da AD é constituído pela seguinte formulação: ideologia + história + linguagem, nas quais

a ideologia é entendida como o posicionamento do sujeito quando se filia a um discurso, sendo o processo de constituição do imaginário que está no inconsciente, ou seja, o sistema de ideias que constitui a representação; a história representa o contexto sócio-histórico; e a linguagem é a materialidade do texto, gerando “pistas” do sentido que o sujeito prentende dar (CAREGNATO e MUTTI, 2006, p. 680-681).

Na Análise do Discurso, de acordo com as autoras, a linguagem vai além do texto, trazendo sentidos pré-construídos que são ecos da memória do dizer, entendida como a memória coletiva constituída socialmente. Em outras palavras, o sujeito tem a ilusão de ser dono do seu discurso e de ter controle sobre ele, porém não percebe estar dentro de um contínuo, porque todo o discurso já foi dito antes (CAREGNATO e MUTTI, 2006). A AD entende que toda fala é ideologicamente marcada e, nesse contexto, o sujeito não é individual, é assujeitado ao coletivo, isto é, ocorre no nível inconsciente, quando o sujeito se filia ou interioriza o conhecimento da construção coletiva, sendo porta-voz daquele discurso e representante daquele sentido (PÊCHEUX, 1993). Partindo do princípio que a AD trabalha com o sentido, sendo o discurso heterogêneo marcado pela história e ideologia, entende-se que ela não irá descobrir nada novo, apenas fará uma nova interpretação ou uma releitura. Outro aspecto a ressaltar é que a AD mostra como o discurso funciona não tendo a pretensão de dizer o que é certo, porque isso não está em julgamento (CAREGNATO e MUTTI, 2006).

Na presente pesquisa, a partir do material coletado e categorizado, realizou-se a Análise de Discurso respeitando-se esses pressupostos. As interpretações foram feitas buscando entender os achados inseridos no seu contexto social, assim como a dinâmica da relação pesquisador-pesquisado. Cabe ressaltar que neste processo o pesquisador é um intérprete, que faz uma leitura também discursiva influenciada pela sua posição, crenças, experiências, vivências e etc, por isso a interpretação nunca será absoluta e única, pois também produzirá seu sentido.

O foco central do próximo capítulo, portanto, é delinear as principais características da Zona de Inovação Sustentável de Porto Alegre e procurar descrever, na medida do possível, um pouco da dinâmica deste movimento colaborativo comunitário, bem como entender a forma como seus membros interpretam suas próprias experiências. Conhecer esses aspectos objetiva auxiliar a compreensão sobre que contribuições a experiência de movimentos colaborativos comunitários pode trazer para aprimorar a proposta do impacto coletivo.

4 RESULTADOS

Neste capítulo desenvolve-se a descrição, a interpretação e a análise das evidências de campo pesquisadas na Zona de Inovação Sustentável de Porto Alegre (ZISPOA). Inicialmente, descreve-se a trajetória desse movimento com base em suas origens, seu contexto histórico, bem como esmiuça-se o modo como ela está estruturada hoje. Posteriormente, procura-se compreender como os membros da ZISPOA interpretam suas experiências em relação ao contexto em que estão inseridos e aos objetivos que almejam alcançar, levando-se em consideração o seu ambiente interno e suas interrelações com parceiros e agentes externos. Por fim, são analisadas as evidências encontradas no campo empírico e trianguladas com a teoria, tendo como foco compreender que contribuições a experiência de movimentos colaborativos comunitários pode trazer para aprimorar a proposta de impacto coletivo. Conforme aponta Serafim (2001), vale relembrar que a pesquisa, ao apreender a realidade, a faz de um modo incompleto e pontual. Logo, foram considerados apenas alguns elementos, dentre os vários que surgiram, acerca do tema estudado.