Kapittel 6 Konklusjon og avslutning
6.2 Refleksjoner og forslag til videre forskning
“Em primeiro lugar é preciso “ler”. É possível usar perguntas como auxílio: o que está
esta pessoa a dizer realmente? Como é isso dito? Que poderia ela ter dito de diferente? O que não diz ela? Que diz sem o dizer? Qual é a lógica discursiva do conjunto? Será que posso resumir a temática de base e a lógica interna específica da entrevista?”
(Bardin, 2008:94).
Analisar os resultados em função de variáveis externas relativas aos locutores: sexo, idade, nível sociocultural, contactos com o estrangeiro, fornecerão pistas para uma melhor e mais profunda compreensão do que é de facto dito.
Esta exploração do implícito faz tomar consciência da extrema complexidade das operações interpretativas que permitem a sua descodificação.
Realizámos para cada entrevista uma decifração estrutural de acordo com o esquema que se segue:
Entrevista 1: “Todos os alunos beneficiariam com situações de aprendizagem que
promovessem a sua criatividade”
1.Ideias Principais
• Todos os alunos beneficiariam com a aprendizagem criativa.
• Competências do pensamento criativo: fluência; flexibilidade; originalidade; espontaneidade; lidar com a ambiguidade e resolução de problemas.
Ferramentas fundamentais para a organização da vida pessoal e social. • Filosofia para crianças ajuda a: gerarem ideias; pensarem; atingirem níveis
diversificados e superiores de reflexão. → Sempre mediado por um adulto. • Modificabilidade cognitiva (potencial).
Formação de cidadãos empenhados e interventivos nos problemas da humanidade.
• Maior entendimento da realidade e do seu potencial enquanto indivíduo, Conduz a uma maior autonomia.
• Este programa pode gerar diferentes níveis de complexidade e questionamento para as crianças com NEE.
• A aplicação da filosofia para crianças num grupo turma facilita e promove mudanças na forma de pensar/agir de TODOS → Incluindo as crianças com NEE.
2.Conteúdos latentes
• Detecta-se alguma preocupação com o presente: “períodos conturbados como
os que vivemos”.
• Importância do professor ser/agir como mediador, num contexto inclusivo. • Preocupação com a formação de cidadãos empenhados e interventivos nos
Entrevista 2: “A Filosofia para crianças pode trabalhar problemas éticos…” 3.Especificidade da entrevistada
• Sexo feminino
• Escalão etário acima dos 45 anos
• Professora universitária (Doutoramento) • Trabalho com alunos com NEE
4.Hipóteses
• Preocupação com o presente destes alunos, tendo em conta o contexto socioeconómico, pois já foram segregados/prejudicados em épocas anteriores.
• Desinvestimento económico/educacional nesta população específica. • Períodos conturbados geram um aumento do preconceito.
1.Ideias Principais
• Insistência na falta de conhecimento especializado que sustente a investigação sobre esta temática.
• Relação aprendizagem ↔ criatividade. Criatividade como resposta a um desafio cognoscitivo através da lógica ou da ludicidade.
• Alunos com NEE: assimilação mais complexa e lenta, implicando a repetição para fixar conhecimento; estes alunos não possuem argúcia e autonomia – exigências da criatividade.
• A filosofia para crianças visa desenvolver capacidades operativas do pensar através do diálogo, fomentando a construção da autonomia e vivência de cada criança.
• Através da plasticidade e abertura vislumbra-se a possibilidade de os alunos com NEE serem beneficiados através de actividades criativas. • Possibilidade de aplicação da filosofia para crianças a alunos com NEE
(despertar a consciência de si como sujeito com autonomia racional e pensamento crítico).
2.Conteúdos latentes
• A constante chamada de atenção para a falta de conhecimento especializado/estudos que sustentem estas questões (quatro vezes).
• Toda a entrevista é baseada em hipóteses, por falta de experimentação real, manifestando um certo “receio” nas respostas.
• Revela pouco conhecimento acerca dos alunos com NEE (“argúcia e
autonomia que tais alunos não possuem”).
• Encontram-se algumas contradições ao longo da entrevista (estes alunos não possuem autonomia ≠ poderão despertar a consciência de si como sujeitos com autonomia racional).
3.Especificidade da entrevistada • Sexo feminino.
• Escalão etário acima dos 45 anos.
• Professora universitária (Doutoramento).
• Experiência com a aplicação do programa de Filosofia para crianças. • Nunca trabalhou com alunos com NEE.
4.Hipóteses
• A constante preocupação com a falta de estudos que fundamentem esta investigação resultará do apego a um paradigma científico tradicional? • A dificuldade na aplicação de actividades criativas/filosofia para crianças a
esta população específica resulta da falta de experiência no trabalho com estes alunos e da pouca de confiança nas capacidades dos mesmos?
Entrevista 3: “quando há um outro que acredita nele e dá espaço para o deixar
crescer”
1.Ideias Principais
• Criatividade e imaginação servem como motivação para as actividades dos alunos e professores.
• Os alunos com NEE têm mais dificuldades nas áreas cognitivas (atenção, memória), devendo o professor adaptar actividades de forma criativa. • A importância da comunicação através do jogo.
• Os alunos com NEE não se encaixam no conceito de “escola-depósito”, tal como todos os outros alunos.
• Estes alunos necessitam de atenção personalizada e adaptações curriculares.
• A filosofia como desafio do “pensar por si próprio”, possibilitando o acesso a uma liberdade de pensamento, ao desenvolvimento da auto-estima e da comunicação.
• É fundamental dar esta possibilidade aos alunos e é uma responsabilidade social possibilitar as aulas de filosofia para crianças nas escolas.
• Necessidade de estar atento às vivências individuais e às competências de cada um destes alunos, diferenciando e adaptando estratégias.
2.Conteúdos latentes • Grande confiança nas capacidades destes alunos.
• Aposta na criatividade como desenvolvimento cognitivo e social.
• Uma visão da escola inclusiva, aberta, onde se crê no potencial de todos os alunos.
• Responsabilização da sociedade no crescimento, formação e autonomia de todos os alunos.
• Necessidade de desenvolver uma pedagogia diferenciada.
• Falta de docentes qualificados, formados e sensíveis para trabalhar com este tipo de alunos.
Entrevista 4: “a filosofia é uma matéria bastante interessante com graus de desafio”
extremamente curiosos”
1.Ideias Principais
• Os alunos com NEE têm ainda mais benefício com actividades criativas, pois delas necessitam para a sua evolução e superação de obstáculos.
• Importância de adaptar os conteúdos aos indivíduos.
• Investir no conceito de segurança para dosear as metas e criar novos desafios. • Importância do factor sensibilidade nos profissionais que trabalham com esta
população.
2.Conteúdos latentes • Confiança nas capacidades destes alunos.
• Importância da formação de toda a equipa técnica. • Disponibilidade e sensibilidade de toda a equipa técnica. • Pedagogia diferenciada.
• Acreditar no programa de filosofia para crianças como um desafio. 3.Especificidade da entrevistada
• Sexo feminino.
• Escalão etário entre 35- 40. • Musicoterapeuta.
• Longa experiência com alunos com NEE. • País de origem: Argentina
4.Hipóteses
• Porque trabalha com uma área artística (a música) não levanta dúvidas sobre a eficácia da aplicação da filosofia para crianças em alunos com NEE? • Porque valoriza e acredita no potencial destes alunos acha fundamental dar-
lhes autonomia e possibilidade de pensarem por si próprios?
• A escola e a sociedade como promotoras do bem-estar e do desenvolvimento destes alunos.