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4. Presentasjon av resultater

4.6 Refleksjon

A freqüência de uso do equipamento foi levantada com o intuito de selecionar os respondentes. Só havia interesse de entrevistar pessoas que utilizassem mais de duas vezes ao dia, pois se estima que quanto mais a pessoa freqüenta um espaço, mais apurada fica a sua percepção a respeito dele e maior o grau de conhecimento da área. Com o mesmo intuito de seleção, procedeu-se investigando o tipo de atividade que desempenhada e o hábito de ir sozinho(a) ou acompanhado (a) ao CAERF. Foi convencionado entrevistar o mesmo número de pessoas em cada categoria. Como algumas delas eram definidas conforme a existência ou não de parceiro, a pergunta era feita apenas para se ter a certeza da situação mais freqüente.

Como a atividade desenvolvida foi o fator que determinou as categorias para a entrevista, não houve surpresas nesse quesito. No caso do respondente fazer mais de uma modalidade física, era perguntado se ele observava diferença no modo de usar o calçadão, dependendo da atividade que desenvolvia. Cerca de 65% dos entrevistados relatou exercer mais de uma atividade no local. Desses, a quase totalidade disse perceber diferenças em como executa as duas práticas, seja na forma como se comporta ou como vê o espaço a sua volta.

É melhor quando eu tô caminhando porque você tem mais facilidade pra desviar das paradas, dos cães e das bicicletas. (Entrevista 16)

Em relação aos horários escolhidos pelos usuários para utilizar o espaço, o fator determinante parece ser, em primeiro lugar, a disponibilidade de tempo do usuário e, em geral, relacionadas ao trabalho. Estima-se que pelo fato do calçadão ser um espaço público “aberto 24 horas”, as pessoas optam por ele, em detrimento das academias que possuem horários pré-definidos. Utilizar o espaço público e fazer “seu próprio horário”

faz da comodidade um dos principais atrativos. Em segundo lugar, estão os fatores relacionados ao clima, especificamente à incidência do sol. Todos relataram optar pelo horário em que faz menos calor e demonstraram saber que, nos horários mais quentes, o desempenho da atividade física fica prejudicado, além dos efeitos nocivos que a insolação pode conferir à saúde. Todos os respondentes reconheciam que o horário interfere no desempenho da atividade.

No fim da tarde é mais agradável por causa do sol. Se você for correr de meio dia, você chega em casa um carvão torrado! (Entrevista 04)

A temperatura amena facilita a corrida, mas eu não vou de noite porque tenho que estudar. (Entrevista 13)

Talvez esses fatores apontados expliquem porque há maior quantidade de pessoas transitando pelo CAERF no início da manhã e no final da tarde. Um respondente, que caminha de manhã cedo e no final da tarde, disse preferir a manhã porque sente o ar mais puro, devido ao volume de carros ser menor nesse horário.

A quantidade de pessoas também foi o terceiro fator mais apontado na escolha do horário de uso do calçadão. As pessoas disseram se incomodar com o acúmulo de pessoas, pois isso dificulta o fluxo harmonioso. No entanto, no decorrer da entrevista, percebia-se que esse fator não era tão determinante do horário, pois grande parte dos respondentes vê o maior número de pessoas como um benefício para segurança pública.

Eu vou de noitinha porque tem menos gente e por que o sol tá mais frio. (Entrevista 09)

Há casos de usuários que não podem optar pelo horário que vai freqüentar o CAERF, como aqueles que aguardam ônibus nas paradas ou usam o calçadão apenas como caminho para ir a algum outro lugar. E também há casos de pessoas que possuem muito tempo livre e vão ao calçadão de acordo com seu estado de motivação para a prática da atividade física.

Durante o levantamento da freqüência de uso do CAERF, alguns dos entrevistados disseram ser ex-usuários da Via Costeira, a Avenida Dinarte Mariz, via que dá acesso às praias da zona Sul a partir do bairro de Ponta Negra. A Via Costeira, construída na década de 70, possui um calçadão mais largo do que o CAERF e uma ciclovia, e foi bastante utilizado pela população até a construção do calçadão da orla de Ponta Negra e o CAERF. O motivo para a desistência de uso da Via Costeira, segundo quatro entrevistados que são ex-usuários, foi o vazio demográfico que se estabeleceu com a construção dos outros calçadões. Apesar do calçadão mais largo e da ciclovia, os respondentes relataram não se sentir seguros no local devido à ausência de movimentação de pessoas no entorno da Via Costeira, enquanto no CAERF, podem ir a qualquer horário do dia sem se sentirem inseguros.

Dos entrevistados, 30% relataram levar walk man para o CAERF. Dentre eles, a maioria pratica exercício físico, mas uma usuária de parada de ônibus disse recorrer à música, pois assim o tempo passa mais rápido.

Sempre espero ônibus com walk man, porque quando espero ônibus ouvindo música, fico mais tranqüila, menos impaciente. Sem música, o tempo demora mais a passar. (Entrevista 14)

Todos os usuários de walk man entrevistados, inclusive ciclistas, disseram não sentir diferença na forma como se comportam ou transitam pelo calçadão estando com ou sem o aparelho. Apenas uma entrevistada constatou essa diferença. Os 70% que responderam não levar walk man ao CAERF, em geral, vão acompanhados, não possuem o aparelho ou optam por não utilizá-lo para não ficarem distraídos.

No entanto, todos os entrevistados que não levam walk man indicam que o uso do aparelho muda o modo como a pessoa se locomove. Para eles, o walk man faz a pessoa ficar mais concentrada na atividade que está desenvolvendo e aumenta o

rendimento físico, mas há uma queda na percepção do que acontece a sua volta e menos interação com o ambiente.

Quem usa walk man parece estar numa academia. Quando as pessoas vão com

walk man, elas estão um pouco desligadas daquele ambiente. Elas parecem não

estar interagindo com aquele ambiente. Deixa eu me expressar melhor...O que eu tô querendo dizer é que as pessoas que usam walk man geralmente tem mais dificuldade de ver uma pessoa e conversar com ela, porque é como se o walk

man conseguisse...digamos assim....abafar os outros estímulos que estão ali

presentes. Entendeu?! (Entrevista 15)

Acho que a pessoa que está com walk man vive mais a música dela, o mundo dela. Ela não tá muito ligada ao externo. Então não tá muito ligada às pessoas que estão em volta, não vai olhar pra ninguém, não vai cumprimentar ninguém, na maioria das vezes. Então acho que esse é o comportamento diferente das demais pessoas que estão ali andando, observando, vendo pessoas, vendo os carros... (Entrevista 11)

Apenas 20% dos entrevistados disseram levar telefone celular ao CAERF. Desses, dois entrevistados (ou seja, 10%) praticam atividade física. Eles relataram sentirem-se diferentes quando estão se locomovendo e falando ao aparelho ao mesmo tempo.

Geralmente, uma das coisas vai ter uma perda. Se é na caminhada, você vai diminuir o ritmo, porque você tá conversando...se você tá conversando tem o barulho das pessoas que estão passando e do trânsito, mas...bom, uma das duas coisas é afetada. Ou o telefonema ou a caminhada. Quando eu tô usando o celular eu não percebo o que está acontecendo do meu lado. (Entrevista 6)

Dois entrevistados alegaram não levar o aparelho por medo de furtos. No entanto, 100% dos entrevistados disseram ter visto pessoas portando telefone celular no calçadão ou falando ao telefone durante o exercício físico. Os respondentes que não têm o hábito de levar o aparelho para o CAERF não acham a prática saudável, seja porque quem fala ao telefone fica distraído e isso interfere na forma como se locomovem ou porque entendem que o aparelho interfere no rendimento da atividade.

Eu não levo celular porque eu vou pra lá pra caminhar e correr, não vou ficar atendendo telefonema. Acho que elas não estão preocupadas com o exercício.

Não se desligam. Já observei pessoas usando e elas costumam ficar distraídas. Não coordenam bem na hora de passar um pelo outro, além de falar alto e incomodar as pessoas. (Entrevista 2)

Nos turnos da manhã e da tarde é comum encontrar pessoas caminhando e correndo com cães. À noite é mais raro, tanto que uma das entrevistadas que corre a noite disse nunca ter visto cães no CAERF.

Com exceção dos entrevistados que fazem atividade com cães, a maior parte dos respondentes se incomoda com a presença dos animais. Três entrevistados disseram que deveria ser terminantemente proibido levar cães ao CAERF. Alguns admitem sentir medo, principalmente quando os cachorros são de grande porte.

Não levem cachorros para o calçadão porque as pessoas têm medo! Elas se recuam. Outro dia, vi um cachorro enorme e um rapaz bem magrinho segurando. Se aquele cachorro cismar com alguém, ele não segura o cachorro nem a pau! Até porque se você tem medo, você atrai o cachorro. (Entrevista 17)

Já vi até Pit Bull! Eu me sinto ameaçado de ser atacado por aquele animal. (Entrevista 20)

Os que disseram que a convivência é possível, fizeram ressalvas. Usar estrangulador, focinheira, deixar a coleira bem curta, permitir apenas animais de pequeno porte e levar saquinhos para apanhar os dejetos dos animais foram os cuidados adicionais mais citados. Dois caminhantes que não foram categorizados como portadores de cães disseram já terem tentado passear com seu animal de estimação no CAERF, mas desistiram diante da demonstração de medo dos demais usuários. Segundo eles, era estressante desprender tantos cuidados e atenção para deslocar-se pelo local.

Eu já levei meu cachorro, mas hoje eu não levo mais porque meu cachorro é muito grande e incomodava os outros. Como o espaço é estreito, mesmo que eu tentasse afastar, não dava. (Entrevista 2)

Eu ando com minha cachorrinha pequena. Eu pensei que ninguém nunca ia se assustar, mas tem gente que não gosta. Eu também tenho medo que o povo pise nela...e ainda tem os dejetos....tem que levar saquinho. Tem outro problema de

levar cachorro: tem gente que quer ver o cachorro de perto e a gente tem que parar. Já que o objetivo é caminhar, eu não acho muito legal. (Entrevista 3) Um dos portadores de cães disse não enxergar motivo para tanto medo, pois o cachorro dele é manso. No entanto outro entrevistado relatou que não há como um desconhecido medir essa grandeza.

Não me sinto bem porque não tem como evitar os cães porque não tem espaço. Você fica no meio do “fogo cruzado”. Não há espaço para reajustes. Não é conveniente levar cães para o calçadão, de nenhum porte. Mesmo que o cão seja manso com você, as pessoas na rua não sabem disso e têm medo. (Entrevista 18)