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Refleksjon over egen praksis

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Para assegurar a validade deste estudo a recolha de dados obedeceu aos critérios epistemológicos propostos por Erickson (1985), tendo-se observado a pertinência, utilidade e consistência das informações em relação às questões da investigação, e a diversificação das técnicas para se proceder à sua triangulação. O uso de diferentes instrumentos de recolha de dados em relação ao mesmo objecto permitiu triangular os dados de forma a conhecer a “riqueza e complexidade do comportamento humano, estudado sobre mais do que um ponto de vista” (Portouis et Desmet, 1988, p.52). Estes procedimentos obviam a uma das críticas mais frequentes a este tipo de abordagem: a possibilidade de distorção da informação causada pelos juízos de valor e preconceitos de quem investiga (Bogdan & Biklen, 1994).

As técnicas usadas foram ajustadas ao tema, às questões da investigação e aos participantes para obter uma descrição tão aproximada quanto possível da realidade e dos fenómenos a investigar (Bogdan & Biklen, 1994; Flick, 2005). Usaram-se como processos de recolha de dados os relatórios de observação de aulas produzidos pela investigadora e pelas professoras, os artefactos produzidos pelos alunos seleccionados, bem como as suas entrevistas e os questionários feitos a professoras e alunos (Bogdan & Biklen, 1994; Erickson, 1986; Flick, 2005). Foram ainda consideradas as classificações finais na disciplina dos seis alunos seleccionados e as suas classificações de exame, devido ao seu potencial informativo. O esquema de recolha de dados foi representado no Quadro E:.

Quadro E – Esquema síntese do processo de recolha de dados

Professora/Investigadora Professoras

observadoras Alunos

Obser- vação

Sala de aula (Fevereiro e Março) Tarefa (Abril) Sala de aula (Fevereiro) Análise docu- mental

Planificação a médio e a curto das aulas a observar

Materiais pedagógicos criados Relatório de observação

Relatórios de observação

Trabalhos individuais, de pares e de grupo (Fevereiro) Ficha sumativa (Março) Tarefa (Abril)

Exames nacionais (Junho)

Entre- vistas

No final da sequência (Abril) Após a tarefa (Abril)

Após o exame nacional (Junho) Questio-

A observação das aulas. Houve o cuidado de se escolher uma sequência de aulas para observação que abordasse conteúdos estruturantes do programa de História A passíveis de serem testados no exame nacional de 12º ano e que permitissem o desenvolvimento das competências da disciplina. Esta opção justificava-se pelo interesse em compreender como a professora e os alunos trabalhavam estes conteúdos e competências e que relação se podia estabelecer entre o desempenho dos alunos nas aulas e nos exames.

A observação das aulas decorreu na sala de aula habitual, o que facilitou a captação da interacção estabelecida nesta turma no seu contexto natural (Lessard et al., 1994).Consciente da simultaneidade do seu papel, a investigadora tomou os cuidados necessários para impedir que a familiaridade com o quotidiano deixasse escapar aspectos que pudessem ser fundamentais para a investigação (Erickson, 1985). Para tal, ia tomando notas de tipo narrativo (quem agia? como? quando? porquê? para quê?), referenciando, quando necessário, a matéria leccionada para contextualizar o processo (Erickson, 1986) e melhor reproduzir a complexidade das interacções entre os participantes (Flick, 2005). Os relatórios foram elaborados imediatamente a seguir às aulas, descrevendo os factos ocorridos, tentando não formular juízos de valor, para evitar ser condicionada pelas características do meio físico e pelas imagens estereotipadas em relação ao comportamento dos alunos (Bogdan & Biklen, 1994; Erickson, 1985).

Envidaram-se ainda todos os esforços para se conseguir o máximo de tempo de observação pelas professoras convidadas no sentido de se obterem outras perspectivas sobre uma realidade já conhecida e evitar-se o enviesamento da investigação (Erickson, 1985; Flick, 2005). No entanto, as dificuldades de concertação de tempo para se conseguirem efectuar observações simultâneas de duas professoras convidadas, por aula, apenas tornaram possível reunir essas condições nos dias assinalados no Quadro F:

Quadro F – Observações externas na sequência de aulas

Nº de aula na sequência Data Dia da semana Cândida Laura Maria

2 14 de Fevereiro 5ª X X

4 20 de Fevereiro 4ª X X

5 21 de Fevereiro 5ª X X

7 27 de Fevereiro 4ª X X

As professoras foram apresentadas à turma na primeira aula que observaram, sendo que alguns alunos já conheciam as professoras da escola, por já terem sido seus alunos nos anos em que tinham reprovado. Antes das observações a investigadora entregou a planificação das aulas (Anexo D) e relembrou as professoras observadoras de que deviam reduzir ao máximo a sua interferência no desenrolar das actividades como forma de preservar a naturalidade do ambiente,

pelo que estas ocuparam o lugar mais discreto possível na sala (Bogdan & Biklen, 1994). Relembraram-se ainda as professoras da escola que deveriam registar tudo o que considerassem pertinente no decurso das aulas e pediu-se à professora Maria que anotasse de forma mais detalhada o que observasse, porque era a única com experiência de investigação qualitativa e com disponibilidade para estar presente em todas as aulas.

As observações conjuntas permitiram um acesso directo à prática (Flick, 2005) pelas professoras observadoras de um período de setecentos e vinte minutos, a que se somaram mais trezentos e sessenta efectuados pela investigadora, nessas mesmas aulas. Desse tempo de observação, a professora Maria apresentou um relatório por cada aula assistida e as professoras Cândida e a Laura redigiram um relatório global.

As entrevistas. Foram realizadas três entrevistas num formato semi-estruturado aos alunos seleccionados. Com a primeira pretendia-se obter informação directa sobre a forma como eles interpretavam e descreviam o ambiente da aula, procurando captar-se desta forma aspectos não observáveis na prática pedagógica quotidiana (Bogdan & Biklen, 1994; Flick, 2005). A segunda e a terceira entrevistas estavam mais relacionadas com as formas de resolução de tarefas/problemas e de gestão da aprendizagem. A investigadora estruturou os três guiões em função das questões de investigação, que serviram como instrumento para garantir a uniformidade da informação recolhida e para salvaguardar, quer os aspectos particulares da intervenção do entrevistado, quer a sua receptividade às questões (Bogdan & Biklen, 1994; Flick, 2005). Estas questões estavam organizadas o mais abertamente possível, partindo-se das mais gerais para as mais específicas (Bogdan & Biklen, 1994; Flick, 2005).

As tácticas utilizadas durante a entrevista passaram pela orientação ou reorientação dos alunos para os objectivos estabelecidos, no caso de se desviarem muito dos assuntos a abordar, usando-se pontes do seu próprio discurso, para não se condicionarem as respostas (Bogdan & Biklen, 1994; Flick, 2005). Sempre que necessário solicitavam-se exemplos concretos para clarificar algumas ideias expressas, aumentando assim a flexibilidade das respostas e houve o cuidado de não interromper o entrevistado e de falar menos que ele, dependendo a duração da entrevista do interesse do entrevistado (Lessard-Hébert et al., 1994).

A primeira sessão de entrevistas, em Abril, foi conduzida e gravada pela professora Maria, que aplicou o Guião 1 (incluído no Anexo E) produzido pela investigadora, após a sequência de aulas observada. Esta decisão foi tomada para se conseguir uma maior naturalidade nas respostas dos alunos, dado que o tema da entrevista se centrava no processo de ensino/aprendizagem e na descrição do ambiente da sala de aula. Nessa entrevista houve o

cuidado de garantir aos entrevistados a confidencialidade das suas respostas e como forma de respeitar a sua confiança (Lessard-Hébert et al., 1994) a investigadora só recebeu estas entrevistas após a conclusão do ano lectivo.

A segunda sessão de entrevistas orientada pelo Guião 2 (incluído no Anexo E) foi conduzida pela investigadora, também em Abril, após a observação directa da resolução de uma tarefa pelos alunos relacionada com a terminologia específica da disciplina e com a análise e cruzamento de fontes. Pretendia-se perceber o que dominavam melhor e pior a nível de conteúdos e competências e conhecer a forma como os alunos aprendiam e estudavam.

A terceira entrevista foi orientada pelo Guião 3 (incluído no Anexo E) e efectuada pela investigadora imediatamente depois dos exames, em Junho. Tinha como objectivo conhecer a forma como os alunos se prepararam para o exame e saber se consideravam que o trabalho desenvolvido ao longo do ano tinha sido importante. Pretendia-se ainda obter um retrato o mais fiel possível das estratégias usadas para resolver o exame e das expectativas face aos resultados. Essa entrevista foi conduzida em duas partes, antes e depois de se discutirem os critérios de correcção do exame, para se perceber melhor a forma como os alunos se apropriaram das informações constantes desses critérios.

Todas as entrevistas, quer as realizadas pela investigadora, quer pela professora Maria, decorreram num ambiente descontraído, sobressaindo na audição das gravações, a utilização de uma linguagem coloquial, reveladora da empatia, da confiança e da naturalidade estabelecidas. A linguagem, bem como as pausas, as indecisões e as repetições de cada entrevistado foram mantidas pela investigadora na transcrição integral, a partir do registo de gravação áudio, da primeira e da terceira sessões de entrevistas (Flick, 2005). Tal não foi possível em relação à segunda sessão por avaria do gravador. Como a circunstância exigia que fosse a entrevista fosse efectuada imediatamente a seguir à resolução da tarefa tomaram-se notas sobre o que os alunos diziam, remontando um pouco ao tempo em que a não existência de gravadores também não impedia a realização de entrevistas (Bogdan & Biklen, 1994).

Apenas um dos alunos seleccionados, o Rodrigo, resistiu a ser entrevistado, protelando a situação até depois da realização do exame. A investigadora aproveitou, no entanto, para aplicar os Guiões 1 e 3 na mesma altura. Este foi o único aluno que se eximiu à realização da tarefa em situação de observação directa e à entrevista subsequente.

Os questionários. A investigadora decidiu ainda na fase final do estudo, em Abril de 2009, iluminar alguns aspectos dos dados anteriormente recolhidos através de questionários anónimos, tendo em atenção as regras esclarecidas por Flick (2005). Foram elaborados dois

guiões para organizar os questionários, dirigindo-se um aos alunos e outro às professoras observadoras (apresentados no anexo F). Os questionários de perguntas abertas foram estruturados em função dos objectivos do estudo. No preâmbulo informavam-se os respondentes sobre os motivos da sua realização e forneceram-se as instruções de preenchimento, solicitando- se respostas escritas por computador para impedir o reconhecimento da letra e garantir o total anonimato e confidencialidade das informações fornecidas. No caso dos alunos pediam-se ainda informações relativas à frequência do 10º ano da disciplina de História A.

O questionário foi enviado por e-mail a todos os participantes, sendo informados de que o deviam devolver, na portaria da Escola Verde, onde a recepcionista os colocaria num envelope fornecido para o efeito, que depois seria entregue à investigadora. Optou-se por esta técnica porque os alunos que tinham participado no estudo já não se encontravam na Escola Verde e esta seria uma forma mais eficaz de recolher os seus dados, evitando deslocações. O questionário apresentava ainda a vantagem de permitir mais tempo para responder e uma maior liberdade nas respostas, em razão do anonimato. No entanto, esta técnica revelou também desvantagens: não se puderam esclarecer as dúvidas de dois respondentes em relação a uma questão e não se conseguiram receber as respostas de dois alunos. Houve ainda uma professora que respondeu manualmente, pelo que as suas respostas não foram consideradas, por se tratar de uma letra conhecida da investigadora.

O corpo documental. O processo de recolha de dados iniciou-se com a elaboração de relatórios diários de observação de aulas feitos pela investigadora (apresentados no Anexo G). Constituíram ainda o “corpo documental” desta investigação para além dos anexos já referidos as digitalizações relativas aos trabalhos realizados pelos alunos, a saber: os trabalhos individuais (Anexo H); os de grupo (Anexo I); os de pesquisa (Anexo J); a resolução das fichas sumativas (Anexo K), o respectivo enunciado e os critérios de correcção (Anexo L); as resoluções da tarefa (Anexo M) e o enunciado (Anexo N); a resolução do exame nacional (Anexo O) com o correspondente enunciado (Anexo P) e os critérios de correcção (Anexo Q). Quase todos os artefactos foram recolhidos durante o período de observação das aulas, com excepção da tarefa e dos exames, sendo estes obtidos, por via legal, através dos pedidos de consulta das provas efectuados pelos alunos na Escola Verde e pagos pela investigadora.

A este “corpo documental” juntaram-se ainda os relatórios de observação das aulas elaborados pelas professoras observadoras Cândida (Anexo R), Laura (Anexo S) e Maria (Anexo T), as transcrições das entrevistas feitas aos alunos (Anexos U, V e W) e as digitalizações das respostas dos questionários das professoras observadoras e dos alunos (incluídos no Anexo X).

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