5.2 Mentale modeller
5.2.1 Refleksjon i samspill med andre
Andrew Wilson mantém um website pessoal intitulado “TheΝἑlassicsΝPages”,ΝὀὁΝqualΝ ele possui uma coleção de textos próprios sobre filosofia, autores e obras gregas e latinas, arqueologia, entre outros assuntos sempre relacionados aos Clássicos. Dentre esses assuntos, há uma página dedicada exclusivamente a sua tradução de Harry Potter. Nela é possível encontrar valiosas informações, sendo as principais aqui sumarizadas. Ao que parece, a última atualiὐaçãὁΝὁcὁrreuΝemΝἀί1ἂ,ΝquaὀdὁΝἩilsὁὀΝlaὀçὁuΝumaΝὀὁtaΝὀaΝsessãὁΝ“σews”ΝavisaὀdὁΝqueΝ terminaria a sessão de comentários e notas, dez anos após o lançamento da tradução, em 2004. No entanto, há disponível apenas cinco capítulos comentados.
15 she does not depict wizards and warlocks using proper classical Latin, as if they were magical monks or medieval
scholars. Rather, they use the language as technical terminology appropriate to the supernatural practices of magic, or as common, everyday Latin.
49 O texto do website é iniciado com os essenciais, três subseções: vocabulário grego- inglês específico para a leitura da tradução, comentários e notas até o capítulo cinco, e um pequeno teste com palavras em grego antigo e outras cunhadas pelo tradutor, com o intuito de reconhecer quais são quais. Depois, o tradutor segue com sessões explicando como soube do interesse da editora em produzir a tradução, bem como ele acabou tornando-se o tradutor e que metodologia ele tomou para si.
O interesse surgiu a partir da publicização de que uma tradução para o Latim estava sendo feita, e que a editora Bloomsbury estava procurando um tradutor para o Grego Antigo com o intuito de confeccionar material para alunos jovens de línguas clássicas. Wilson decidiu entrar em contato, não esperando resposta, mas foi surpreendido, ganhando uma cópia do livro e o pedido da tradução de um capítulo. Ele viajou para o Caribe, acompanhado de seu dicionário Liddell & Scott, e ao final de janeiro de 2002 submeteu o rascunho, que foi aprovado. A editora deu o prazo até 01 de janeiro de 2003, conferindo-lhe pouco menos de um ano para finalização da tarefa.
A intenção inicial dele era confeccionar uma tradução a qual soasse familiar, apesar de todos as diferenças, para um indivíduo grego que vivesse até o século IV d.C. Para o questionamento de como esse cidadão helênico teria contato com um texto do século XXI, o tradutor brinca que seria possível se o indivíduo tivesse usado um pouco de mágica, viajando no tempo, e a partir desse desenrolar inesperado, com a adaptação aos seus arredores, ele conseguiria se familiarizar com os termos traduzidos para o grego rapidamente. Tendo em mente o mesmo indivíduo, Wilson ainda disse que seria o grego o responsável por escrever as notas e comentários, voltando ele ao seu tempo, levando consigo um exemplar da tradução, a fim de explicar aos seus contemporâneos o conteúdo do livro.
Para o prosseguimento do trabalho, Wilson detalha que precisava encontrar um estilo para a tradução, sendo que Rowling não se assemelharia a alguns autores clássicos. Ele chegou à conclusão que Luciano de Samósata seria o autor ideal para dar um estilo à Rowling em Grego Antigo. Ele justifica:
Então, Luciano tornou-se meu modelo – seu Grego, apesar de sua data (século III d.C.) é (quase) puro Grego Ático do século V a.C., o qual estava sendo reciclado na época. Mas isso também me deu uma desculpa para usar vocabulário de fontes pós-clássicas, sem as quais seria impossível proceder. Ele também, como eu, era um grego através da cultura e educação, não etnia. (WILSON)16
16 So Lucian became my model - his Greek, despite his date (3rd century AD) is (almost) pure 5th century BC Attic, which was being recycled at the time. But this also gave me an excuse for using vocabulary from post- classical sources, without which it would have been impossible to proceed. He was also, like me, a Greek through culture and education, not ethnicity.
50 Traçando esse estilo para Rowling, Wilson finalmente prosseguiu com seu trabalho. Além de Luciano, outros autores foram consultados e utilizados para que o britânico conseguisse manter seu objetivo, deixar o texto o mais grego possível. Segundo ele, os mais astutos encontrarão passagens remetentes a Ésquilo, Homero, Aristófanes, Platão, só para mencionar alguns. Ele ainda revela que traduziu em vários lugares do mundo, mas principalmente em casa, utilizando um código beta, para não haver idiossincrasias, uma vez que ele não deseja forçar uma fonte específica para a editora.
Logo após todas essas considerações, Wilson elenca quais foram seus maiores problemas na tradução do texto. O primeiro deles fala sobre traduzir os nomes próprios. Embora não tenha sido a tarefa mais árdua enfrentada por ele no prazo dado pela editora, houve relativamente problemas. Como dito anteriormente, vale lembrar, que o tradutor afirmou usar o método de Heródoto helenizando os nomes estrangeiros, comparando à teoria de Venutti (2008) também falada anteriormente, domesticando o texto. Outro fator levado em consideração é que por conter muitos nomes derivados do Latim, a aproximação das línguas clássicas, em uma perspectiva diacrônica, pode ter sido um fator de ajuda.
Em vários tópicos, Wilson explica um pouco sobre suas escolhas, além dos nomes, como vocabulário especial, termos modernos, tempo, cor, comida, entre outros. Ele finaliza seu texto mostrando como aconteceu a publicação, com vários links de entrevistas, até mesmo feitas pela televisão grega, e algumas resenhas feitas no site de venda da Amazon. Por se tratarem de arquivos de 2004, a maior parte das páginas já não está mais disponível online.
O texto do professor é de extrema importância, pois configura uma peça para a macroanálise dos EDT. A partir das notas, é possível compreender um pouco mais do trabalho do tradutor, sobre suas escolhas, seu modo de traduzir e, mais importante, entender o processo em si. Para o acompanhamento de todos os detalhes, recomenda-se leitura completa das notas do tradutor em seu website.