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6 Reflections from three perspectives

A conjugação de edifícios esportivos de última geração com sistemas de mobilidade urbana pode ser observada nas intervenções feitas na cidade de Londres para os Jogos Olímpicos de 2012. O local de implantação do Estádio Olímpico está situado na região leste da cidade, em uma área de 2.5 km2, chamada Lower Lea Valley. Por conta do declínio das

atividades industriais, instaladas no local desde o fim do século XIX, a região do Lea Valley apresenta baixo desenvolvimento econômico, sendo considerado um dos últimos grandes vazios urbanos na malha urbana de Londres.

Assim, um dos principais objetivos do plano urbano para as Olimpíadas de Londres 2012 foi a conexão da região do Lea Valley Park (Parque Olímpico Londres 2012) com a estrutura urbana consolidada da cidade. Para tanto, o transporte público tornou-se um elemento estruturador da implantação do plano de construção do Parque Olímpico. Em 1999, a região já havia sido contemplada com a extensão da Jubilee Line, uma nova linha de metrô que conectava o estádio de Wembley à região do Lea Valley, transformando a estação de Stratford, construída em 1999 para receber os trens de alta velocidade vindos do norte em direção ao túnel sob o canal da mancha, em um dos principais pontos de conexão do transporte público de Londres.

Com isso, para os Jogos Olímpicos de 2012 o plano de expansão do transporte público de Londres conectou a estação de Stratford, situada no interior do Parque Olímpico, à estação King Cross, principal terminal de transporte da região central da cidade, por meio de um sistema de trens elétricos que fazem o percurso em sete minutos. Além disso, o sistema de trens Docklands Light Railway também foi estendido até a nova estação Stratford, garantindo altos padrões de mobilidade urbana para a região do Lea Valley.22

No entanto, os investimentos feitos na região do Lea Valley não visam apenas atender às demandas dos Jogos Olímpicos, mas, principalmente, tornar-se parte de um planejamento estratégico para a regeneração das zonas industriais subutilizadas na região leste da cidade. Além dos edifícios esportivos e do grande Parque Olímpico construídos para atender às competições em 2012, a região do Lea Valley conecta-se às demais centralidades da cidade de Londres, assim como a outras metrópoles europeias.

Observa-se que mesmo antes do anúncio de Londres como sede dos Jogos Olímpicos de 2012 a região do Lea Valley já passava por um processo de reconversão do tecido urbano existente, em razão do seu potencial de mobilidade urbana. A implantação da estação internacional de Stratford, e a sua posterior conexão ao sistema de transporte público urbano, transformou o Lea Valley em um entroncamento de eixos de mobilidade, atraindo investimentos feitos pelo capital privado. O entorno da estação de Stratford já recebia grandes investimentos em habitação de alto padrão, e a construção de torres de trinta pavimentos destinadas à Vila Olímpica para 2012 é apontado como um grande passo na consolidação dessa região como uma nova centralidade na malha urbana de Londres.

O edifício esportivo contemporâneo faz parte de uma complexa estratégia de planejamento que, utilizada de maneira correta, pode proporcionar o crescimento de uma cidade, especialmente em regiões menos desenvolvidas. Em se tratando desse tipo de regeneração de tecido, a edificação esportiva pode agir como um catalisador de investimentos e assim acelerar o desenvolvimento de uma região de maneira impressionante.

22 Assim, pode-se afirmar que conectar o Parque Olímpico à infraestrutura de Londres é um das principais

prioridades do local. O transporte é o ponto principal do plano. Em 1999, o túnel do sistema Jubilee Line já se conectava à estação de Stratford, tornando-a a segunda maior estação de transporte público em Londres. Assim, a nova estação Stratford, originalmente planejada para receber os trens de alta velocidade vindos do norte em direção ao Canal da Mancha, estará a apenas sete minutos da estação King's Cross. O sistema Docklands Railway também estará conectado à nova estação, transformando Stratford em um ponto de extraordinária conectividade urbana (Blueprint, n. 269, p. 48, 2008).

A implantação de um estádio de última geração em conjugação com sistemas de transporte de massa poderá desencadear um processo crescente de regeneração de seu entorno mediante a transformação dos usos e das características de uma determinada localidade.

Atualmente, os grandes edifícios esportivos têm se configurado como a principal ferramenta de regeneração urbana, especialmente aqueles que recebem grandes competições esportivas, e, portanto, o potencial dessas edificações como catalisadores de investimentos tem sido reconhecido por governos e urbanistas mundialmente.

No entanto, é inegável que apenas a construção de um estádio última geração não será capaz de resolver os problemas urbanos de áreas subutilizadas de uma cidade. O estádio contemporâneo deve ser pensado como parte integrante de um plano de mobilidade urbana, que tenha como objetivos o desenvolvimento de estratégias de transporte público e a atração de investimentos para o seu entorno, o desenvolvimento comercial, e principalmente a atração de pessoas para essa determinada região.

O estádio de futebol de última geração, conectado a uma série de redes de fluxos, de telecomunicações e a um espaço virtual global, torna-se parte da experiência urbana e em especial metropolitana do mundo contemporâneo.

Imagem 24: Região onde foi construído o Parque Olímpico de Londres 2012. Fonte: REVISTA BLUEPRINT, n. 269, p. 48-49, 2008.

CAPÍTULO 3

A última geração de estádios