3.4 Data analysis
3.4.1 Reflections
As fontes encontradas neste período foram três apostilas oferecidas em cursos de capacitação aos técnicos e pecuaristas. Os resultados encontrados neste primeiro caso retratam a utilização das pastagens visando à máxima produção animal sobre o panorama da produtividade e a estabilidade do pasto ao longo do tempo, havendo a necessidade de se estabelecer um ponto de equilíbrio entre o pastejo animal versus a produtividade da pastagem. Os usos estratégicos de pastagens nativas cultivadas, aliadas à suplementação mineral e práticas racionais de manejo aumentam expressivamente a eficiência reprodutiva e o desfrute do rebanho (Ref. 001/1990). Fato este que contribui para a maior eficiência produtiva do rebanho e, consequentemente, para redução proporcional do período em que os animais permanecem emitindo GEEs.
Estudos mencionam que a posição do meristema apical das forrageiras, que é particular em cada espécie, tem importância significativa como determinante do manejo que esta pode suportar, sendo necessário o controle correto do pastejo pelos animais, de forma que
sempre houvesse um remanescente de folhas mínimo, evitando-se o superpastejo (rebaixamento mínimo da pastagem), proporcionando o crescimento máximo e qualidade da forrageira constante. No entanto, o subpastejo também requer atenção, excessos de pastagens não consumidas, de alguma forma terão de ser removido, que geralmente é eliminado através de queimadas, procedimento este condenável sobre diversos aspectos, que devem ser evitados. Seja qual for a forma de pastejo (pastejo contínuo [carga fixa ou variável], rotacionado [carga fixa ou variável], pastejo em faixas, pastejo diferido e creep grazing) estas devem utilizar as pastagens com cargas adequadas, sem comprometer o desempenho animal e a produtividade das pastagens (Ref. 001/1990).
Referente ao manejo de manutenção de pastagens, o procedimento recomendado na época era a adubação (utilizada para nutrição das forrageiras e aumento da fertilidade do solo), no entanto, adubação somente na fase de execução não seria suficiente para manter a produtividade e a persistência das pastagens ao longo do tempo. Ainda mais quando se tinha o manejo inadequado como o uso do fogo e a concorrência de plantas invasoras em pastagens nativas ou cultivadas (Ref. 001/1990). O uso da adubação como manejo de manutenção das pastagens proporciona uma pastagem de maior valor nutritivo e com maior capacidade de absorção de carbono da atmosfera, o que contribui com a mitigação de GEE.
Apesar da taxa de crescimento das forrageiras tropicais serem altas, a qualidade da pastagem é baixa. A produção máxima de cada animal somente poderá ser alcançada se a quantidade de nutrientes oferecida for suficiente para sua formação, o que ocorre quando o animal recebe uma dieta suplementada com proteína, energia e mineral dificilmente encontrada somente nas pastagens. Uma alternativa para aumentar o nível de proteína bruta na dieta do animal é a inserção do plantio de leguminosas nas pastagens de gramíneas tropicais. Outro fator de peso na engorda de bovinos é a qualidade da digestibilidade das forrageiras, que variam de espécies para espécie. No entanto, a taxa de lotação é um dos fatores mais importantes quando se trata de manejo, pois ela determina a taxa de rebrota, as composições botânicas e físicas da pastagem e consequentemente a sua qualidade (Ref. 001/1991).
A pecuária brasileira é basicamente fundamentada em pastagens, grande têm sido os esforços, visando o desenvolvimento de novas forrageiras, que resolvam o grande problema da limitação da produção animal pela quantidade e a qualidade de forragem disponível. Somente o uso de forrageiras mais produtivas não determina a melhoria no desempenho
Creep grazing é utilização de uma área de pasto de acesso exclusivo pelos bezerros, enquanto estão na fase de amamentação.
animal se outras práticas de manejo não forem adotadas para equilibrar o complexo solo- planta-animal (Ref. 001/1993).
O sucesso da exploração da pecuária brasileira tem como ponto de partida a adequada formação de pastagens. A orientação oferecida na época pelo CNPGC aos pecuaristas, é que independentemente da forrageira que se decida plantar, deve ser evitada a monocultura, diversificando com o máximo possível de espécies com características distintas, de forma que a deficiência de uma possa de certa forma, suprir a outra. No entanto, independentemente da forrageira adotada, será necessária a reposição de nutrientes, pois a degradação da forrageira é inevitável. Na região central do Brasil, bem como em qualquer outra região, cada solo apresenta diferentes condições de fertilidade, que podem ser corrigidos em diversos graus através do uso de corretivos e fertilizantes. Devido ao fato de que cada forrageira se adapta melhor a uma determinada condição, recomenda-se destinar cada uma ao solo que melhor se adapta. O ideal seria que cada proprietário fizesse um levantamento criterioso da fazenda, de preferência com mapeamento detalhado do solo, mas como nem sempre é possível, adotam-se critérios práticos baseados nas características da vegetação e do próprio solo (Ref.001/1993). A análise de solo é prática de extrema importância na gestão de uma propriedade, pois evita o dispêndio de uma correção e adubação em local inadequado, exercendo apenas onde os resultados serão mais bem aproveitados, reduzindo os custos com insumos e garantindo a fertilidade exigida pelo solo.
Voltando ainda a questão da monocultura, o principal problema é a suscetibilidade de pragas como cigarrinhas-das-pastagens, que apresentam espécies e adaptações diferentes para cada tipo de região do país. O combate à praga com inseticidas químicos depara com duas limitações importantes, a primeira de ordem ecológica e a segunda de ordem econômica. Estudos ainda são controversos quanto ao manejo mais apropriado para a extinção dessas pragas, a queima e a gradagem efetuada pela remoção das pastagens ainda são as práticas mais usadas e eficazes até o momento. A diversificação de pastagens utilizando gramíneas mais resistentes às cigarrinhas e o manejo adequando a carga-animal evitando sobra de pasto também são técnicas que ajudam inibir o desenvolvimento de pragas. Estudos recentes com fungos entomógenos Metarhiziumanisopliae têm sido realizados com a expectativa de se tornar uma arma importante no combate a cigarrinhas, no entanto, ainda mantêm-se inconstantes os resultados destas pesquisas (Ref.001/1993). É de suma importância o desenvolvimento de práticas alternativas ao combate a pragas e invasoras, buscando assim extinguir o uso do fogo como manejo de prevenção e eliminação de doenças na propriedade,
pois o uso do fogo mais prejudica do que contribui para a produtividade das pastagens, além de aumentar o passivo negativo da atividade no meio ambiente.
Os solos tropicais são pobres em nutrientes, sendo o nitrogênio uma das grandes causas da baixa produtividade das pastagens situadas nestas áreas, prejudicando a composição proteica da forragem e consequentemente a produção animal. Recomenda-se nestas situações a utilização de leguminosas, sendo a única forma viável, até então, para se obter um aporte de nitrogênio ao sistema, a níveis economicamente compatíveis, pois adubos nitrogenados são caros e geralmente limita-se a sistemas intensivos. A utilização de leguminosas garante não só aos animais em pastejo uma melhor alimentação principalmente nas épocas critica do ano, como auxilia no melhoramento das pastagens nativas e na formação de pastagens consorciadas (Ref. 001/1993).
Outro problema comum encontrado nas propriedades pecuárias são solos com diferentes graus de drenagem, apesar de poucas soluções terem sido ainda descobertas, o que se tem orientado é a utilização de forrageiras adaptadas a solos de drenagens deficientes, como a
Braquiaria Dictyoneura,a B. Humidicola, Setaria (Kazungula e Nandi), Tannegrass, Tangola
e Paspalum. Para cobertura e proteção do solo como controle de erosões e contenção de águas da chuva já são recomendados B. Decumbens, Cynodon nlemfuensis, Coast-Cross, Pensacola e B. Humidicola (Ref. 001/1993). Solos bem drenados evitam o surgimento de erosões e a compactação do solo, proporcionado uma melhor retenção de umidade e nutrientes para as pastagens, melhorando o desempenho da cobertura de solo, que por sua vez reduz a liberação de carbono para atmosfera.
Quanto à formação das pastagens, fatores como a qualidade da semente, a taxa correta de semeadura, adubação e manejo adequado são preponderantes para o sucesso de uma melhor produtividade e desempenho das forrageiras (Ref. 001/1993).
Nos documentos analisados neste caso, é evidente a preocupação no aumento da produtividade do rebanho através do adequado manejo das pastagens, no entanto, não há registro da preocupação com os fatores ambientais nos processos realizados pela atividade. O foco está orientado ao aumento da produtividade de carne e melhoramento do custo benefício da produção, sendo o combate ao fogo, à única orientação oferecida aos produtores de maneira consciente para a redução do impacto da atividade no meio ambiente.
O Quadro 7 descreve os principais termos relacionados às Variáveis Independes desta pesquisa, encontrados nos materiais analisados entre 1990 e 1994.
Quadro 7 – Indicadores e grau de intensidade dos indicadores das Variáveis Independentes do Caso 1
Variável Independente Indicadores/Termos Relacionados Índice de Intensidade
Evitar monocultra 2
Qualidade da semente 2
Taxa de semeadura 2
Adubação 2
Taxta de lotação (rotacionado,continuo, diferido) 3
Capacidade de suporte 2
Combate ao fogo 2
Adubação 3
Adubação nitrogenado 2
Combate a plantas invasoras 2
Consorciação gramíneas-leguminosa 3 Melhoramento genético da forrageira 2
Diversificação de Culturas 2
Correção da acidez 2
Forrageira adaptada a região 3
Combate a pragas 3
Gradagem 2
Drenagem do solo 2
Cobertura e proteção do solo 2
Controle de eroão 2
Contenção da água da chuva 2
Integração de Culturas Consorciação gramíneas-leguminosa 3
Manejo Reprodutivo do Rebanho 1
Manejo Alimentar do Rebanho Suplementação (protéina, energia e mineral) 2
Estrutura Física de Produção 1
Sistema de Gestão Mapeamento do solo 2
Manejo de Formação de Pastagens
Manejo de Manutenção de Pastagens
Fonte: A autora.