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Refinement relations for single interaction obligations and p-obligations

4 Refinement of probabilistic sequence diagrams

4.1 Refinement relations for single interaction obligations and p-obligations

Admitindo-se que a tendência ao aumento da desorganização é da realidade uma hipótese razoável, os estudos dos processos de organização, ou da emergência da forma, tornam-se objetos de pesquisa ainda mais instigantes.

O que seria uma tendência à desorganização? Imagine que todas as 3000 páginas do velho dicionário etimológico se desprendam no momento em que se ia guardá-lo na quinta prateleira da estante da biblioteca. A probabilidade das páginas caírem ordenadas, organizadas segundo o critério lexicográfico, de modo a ser possível encontrar rapidamente

o significado da palavra 'gênese' é muito baixa, quase improvável69.

Sob esta perspectiva o problema da tendência à desorganização70 foi tratada por

pesquisadores, contemporâneos a Chomsky, no desenvolvimento da Teoria da Informação71

(TI). A quantidade de informação segundo esta teoria, relaciona-se com a redução da in- certeza de ocorrência de um determinado sinal ou evento. Assim, no contexto trazido com o exemplo do dicionário, a incerteza será maior quanto maior for o número de páginas – incremento no número de arranjos possíveis – pois menor será a probabilidade de obten-

66. Cf. KELLEY, 1995, p.184-185.

67. O L-systems é introduzido em 1968 como estrutura teórica para o estudo de desenvolvimento de organismos. 68. As modelagens utilizando o L-systems ocorrerem, a princípio, a partir de organismos simples, aqueles em forma de filamento como observada em algumas bactérias. Cf. PRUSINKIEWICZ, 1996, p.145.

69. Ressalta-se que qualquer que seja o arranjo pretendido para as 3000 páginas – todos os elementos do conjunto – será a função fatorial de 3000.

70. Cf. PINEDA, 2006, p.25.

71. A primeira coisa a lembrar é quanto à definição de informação e entropia na Teoria Matemática da Comunicação de

Shannon e Weaver. A informação pode ser definida como: I(xi) = - log p(xi), ou seja, a informação depende nesse caso da

probabilidade de ocorrência p(xi) de um evento xi, o que torna essa definição bem ajustada ao estudo de processos esto-

cásticos e, no caso de linguagens naturais, quando esses últimos são também aproximadamente ergódicos. [Ressalta-se, no entanto, que] essa definição é adequada para a informação associada a um signo. A definição de entropia surge quando

Shannon define informação média associada a uma mensagem enquanto sistema de signo: S(X) = -

n

1 p(xi) log p(xi) ou

seja, uma grandeza de conjunto, de ensemble, não de indivíduo, que tende a um máximo em condição de equiprobabilida-

de, ou seja, homogeneidade na distribuição de probabilidades p(xi). O primeiro ponto a ser entatizado é como na literatura

a entropia, grandeza coletiva, é tomada como informação, grandeza de indivíduo. Ou seja muitos autores usam o termo informação, enunciando a fórmula para S(X), sem dizer que trata-se de uma informação média.VIEIRA, 2008, p.48-49.

ção da ordem procurada. Neste tipo de evento, os arranjos das páginas observados após a fatídica ocorrência, são independentes entre si, são equiprováveis. O que o levaria ao nível

de variedade máxima72 e um nível de informação máxima de um conjunto de eventos (ou

sinais). Noutro extremo, em ocorrendo o desprendimento apenas da folha com a definição da palavra 'gênese', imagina-se que por muito manuseada já se encontrasse solta do resto do caderno, as chances de se encontrar rapidamente o sentido procurado seria total. Trataria- se assim de uma determinação total, ou seja, nível de informação igual a zero.

Vale observar que nem no evento em que todas as folhas são consideradas, em que

os arranjos são equiprováveis73 e independentes entre si, nem tampouco a ocorrência do

evento determinado, não há a emergência da forma.

A possibilidade de organização, a possibilidade de formação de algo ou o surgi- mento de novas propriedades, ao que parece, encontra-se na realidade, entre estas duas condições. A morfogênese parece ocorrer entre – excluindo-se os limites – a liberdade máxima e a determinação total. Parece ser preciso considerar que haja no processo de formação uma certa interdependência entre os estados que compõem a história do sistema. Contudo, parece ainda ser preciso que também sejam de certa maneira livres, isto que seria uma razoável hipótese para o surgimento de novas características. Em sistemas naturais, processos de auto-organização parecem atender, parecem equilibrar essas condições como estratégia evolutiva e de adaptação às mudanças ambientais.

De um modo geral, já se pode delinear a abordagem aos processos de organização, ou seja, para um estudo da morfogênese deve-se considerar tanto os elementos de formação como os modos em que eles podem se conectar. Posto noutros termos, deve-se, pelo menos a princípio, levar em consideração os parâmetros sistêmicos: composição, conectividade e

estrutura. Ademais, nota-se que o parâmetro74 integralidade, concebido por Denbigh75como

72. Cf. EPSTEIN, 1986, p.6.

73. Este é o estado de máxima informação e de onde não emerge nenhuma forma ou Gestalt. Cf. EPSTEIN, 1986, p.7. 74. Segundo Vieira os parâmetros sistêmicos podem ser classificados como básicos ou fundamentais e aqueles parâme- tros designados evolutivos. Os básicos são aqueles que todo e qualquer sistema possui. São eles: permanência, ambiente e autonomia. Os evolutivos são aqueles que surgem ao longo da evolução, com o passar do tempo, podendo estar presentes em um sistema e não estar noutros. São eles: composição, conectividade, estrutura, integralidade, funcionalidade, orga- nização e complexidade. Cf. VIEIRA, 2008, p. 36-45.

grau de organização e descrita por ele como φ=f (n,c,xi), deve também se adequar a tal

estudo. Segundo Vieira76 a integralidade

seria uma função da quantidade n de subsistemas que compõem o siste- ma, das conexões efetivas c entre eles [ou seja, sua estrutura] e de uma

coleção de pesos xi que indicam quantitativamente a importância relativa

tanto dos subsistemas quanto das conexões. Em alguns casos mais sim-

ples seria possível escrever: φ= nc g(xi) tal que a integralidade seria o

produto dos subsistemas e das conexões, esse produto seria multiplican- do uma nova função só dependente das "importâncias" dessas entidades.

Assim, a partir do parâmetro evolutivo integralidade, mostra-se que para uma abordagem dos processos de formação é preciso considerar as leis, as regras e os hábitos constituídos, assim como suas transformações, seus jogos de constituição, o que remete ao

surgimento de novos modos de organização, de novas formas, da morfogênese77.

Por uma abordagem formal da gramática

A lingüística pode ser definida como o estudo científico da linguagem78. Em me-

ados do século XX o campo da lingüística teórica ganha força com pesquisas e trabalhos publicados por Noam Chomsky. A ele é creditado ter transformado a lingüística americana,

que de um ramo da antropologia passou a ser considerada uma ciência matemática79. Nessa

perspectiva, a língua é tratada como um sistema comunicativo e tem seu interesse foca- do em estruturas abstratas, na estrutura sintática. O estudo sintático de uma língua, para Chomsky, tem como objetivo a construção de uma gramática, que pode ser definida como

um mecanismo de produção de frases de uma língua em questão80. Uma linguagem L(G)

pode ser entendida, neste contexto, como um conjunto infinito ou finito de frases. Estas, por sua vez, definem-se como um conjunto de extensão finita de palavras organizadas segun-

do uma gramática G. Palavra – ou string81– é uma seqüência finita de símbolos advindos

76. VIEIRA, 2008, p.46.

77. De fato inúmeras são as teorias elaboradas que se adequam ao problema dos processos de formação. São conceitos que hoje se encontram em áreas diversas como a biologia teórica, biosemiótica, lingüística etc.

78. Cf. LYONS, 1968, p.1. 79. DEVLIN, 2002, p.74. 80. CHOMSKY, 1980, p.13.

81. De forma geral adotar-se-a seqüência ou cadeia de caracteres como tradução de termo string, quando designada de modo geral tanto para palavras e frases. Cf. KELLEY, 1995, p.23.

de um conjunto não vazio denominado alfabeto Σ. Uma aproximação sistêmico-formal proporciona o uso dos modelos matemáticos no estudo das gramáticas em linguagens for-

mais. Chomsky82 com base no modelo dos processos de Estado Finito de Markov83, define

o primeiro e mais elementar tipo de gramática. Uma gramática capaz de gerar seqüências pertencentes a uma língua de estado finito, ou seja, palavras aceitas por um autômato finito

determinístico (afd)84 e por um autômato não-determinísticos (afn)85. Seguindo a explica-

ção de Chomsky86, suponha-se que se tenha

uma máquina que pode passar por um número finito de diferentes estados internos e que transita de um estado para outro pela emissão de um de- terminado símbolo. Admita-se que a máquina comece no estado inicial, passe sucessivamente por uma série de estados [emitindo um símbolo em cada transição] e termine no estado final.

As máquinas de estados finitos – ou também designadas autômatos finitos – po- dem ser representadas graficamente através de diagramas de estados, grafos direcionais onde cada vértice do grafo representa o estado, e as arestas definidas como transição, são

marcadas com símbolos ou caracteres pertencentes ao alfabeto87. Assim uma possível re-

presentação gráfica de uma máquina de estados finitos capaz de gerar algumas das seqüên- cias dos símbolos que se referem aos usos dos ambientes internos à Zona do Corpo seria:

Figura 065. Diagrama de estados finitos dos ambientes da Zona de Corpo Fonte: Diagrama de elaborado pelo autor.

82. Cf. CHOMSKY, 1956, p.113.

83. São processos em que o estado seguinte depende apenas do estado presente e independe dos estados anteriores. 84. Defini-se como uma coleção de estados Q, do Σ alfabeto, do s estado inicial, do F uma coleção de estados aceitos e

do δ uma função Q x ΣQ que determina um único estado seguinte para cada par (qi, σ) de um estado e uma entrada.

Assim formalmente defini-se um afd M = (Q, Σ, s, F, δ). Cf. KELLEY op. cit., p.44.

85. Defini-se um automato não determinístico como aquele automato que admite zero, uma ou várias transições a partir de uma mesma entrada, uma 5-tupla, ou seja, uma coleção de cinco elemento, escrita como M=(Q, Σ, s, F, Δ). No exemplo da Figura 065, o Q é o conjunto de estados Q={q0, q1, q2, q3, q4, q5}, Σ é o alfabeto Σ={q,s,e,t}, s é um dos estados em

Q designado como estado inicial, F é um conjunto de estados aceitos ou estado final, Δ é uma relação em (QxΣ) x Q e é

definida como relação de transição. Ibid., 1995, p.48-49. 86. CHOMSKY, 1980, p.22.

87. Cf. KELLEY, op. cit., p.42.

s q q q e e t q0 q1 q2 q 3 q4 q5 ε

Modelos mais complexos de linguagens vão sendo tratados por Chomsky88, che-

gando a gramáticas capazes de gerar palavras somente reconhecíveis por máquinas ideais

mais complexas, como a Máquina de Turing89.

Chomsky classifica as gramáticas como sendo aquelas do Tipo-0, de Tipo-1, de

Tipo-2 e Tipo-3. Organizadas conforme o diagrama mostrado na figura 063, são gramáti- cas capazes de gerar, respectivamente, linguagens formais Recursivamente Enumeráveis, Sensíveis ao Contexto, Livres de Contexto e as Regulares.

Figura 066. Tipos de linguagens formais e de gramática de Chomsky Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir de Kelley.

A linguagem regular L(G) é aquela constituída de seqüências formadas a partir da gramática do Tipo-3 ou Gramática Regular G = (N, Σ, S, P), onde N é o conjunto finito de elementos não terminais; Σ é o alfabeto ou, como também se designa, o conjunto de elementos terminais; S é o elemento não-terminal inicial e P são regras, ou restrições, de produção. Numa Gramática Regular deve-se ter do lado direito da produção ao menos um elemento não-terminal; como exemplo de produção pertinente a uma Gramática Regular

tem-se S

abA. Ademais, como restrição de produção de uma gramática regular, deve-se

ter um elemento não-terminal num dos extremos da seqüência. Formalizando, a condição

deve satisfazer a P

N × Σ*(N

ε

)90.

A linguagem L(G) será dita livre de contexto quando a regra de produção admitir

também elementos não-terminais em qualquer ponto, ou seja P

N ×(N

Σ)*. Mostra-se

portanto que toda gramática regular é uma Gramática Livre de Contexto, contudo, como

88. Cf. CHOMSKY, 1956, p.113-124. 89. Cf. KELLEY, op. cit., p.136-187.

90. Pode-se, no entanto, ter a posição do termo não-terminal localizado no lado esquerdo, ou seja P ⊆ N ! (N ∪ε)Σ*,

desde que o sentido de produção estabelecido seja da direita para esquerda.

Enumerável Recursivamente Sensível ao contexto Livre de contexto Regular Tipo-3 Tipo-2 Tipo-1 Tipo-0

mostrado no diagrama da Figura 063, a condição inversa não é verdade. Assim como exem- plo, admite-se como uma regra de produção específica de uma gramática livre de contexto

a regra do modo: S

aBab. Uma Linguagem Livre de Contexto, menos restrita que a

formada por uma Gramática Regular, é reconhecida por uma autômato de pilha91.

Uma gramática do Tipo-0 ou irrestrita é aquela que admite seqüências formadas com termos não-terminais e terminais tanto do lado esquerdo como o lado direito da re-

gra de produção, ou seja P

(N

Σ)*N(N

Σ)*

×(N

Σ)*. Entre a Gramática Irrestrita

e a Livre de Contexto existe a Sensível ao Contexto. Defini-se a Gramática Sensível ao Contexto como uma gramática G = (N, Σ, S, P) com a restrição de que a sua regra de produ-

ção seja restrita a α

β tal que |α| ≤ | β |. Portanto, numa gramática sensível ao contexto,

a cada etapa de derivação a cadeia de caracteres do lado direito sempre será maior ou igual

ao lado esquerdo da regra de produção, a exceção quando gera uma palavra vazia92.

Ao que se mostra, se há a possibilidade de formalização de um gramática do de- senvolvimento esta deve estar inserida nessas últimas classes de gramática apresentadas.

Importa porém, não só ressaltar a relação entre os níveis hierárquicos dos tipos de gramática e suas respectivas classes de linguagem formal, como também enfatizar os

critérios para seleção e justificação de uma gramática a uma determinada língua93. Como

ressalta Chomsky94,

uma gramática da língua L é essencialmente uma teoria de L. Qualquer teoria científica se baseia num número finito de observações, procurando relacionar os fenômenos através da construção de leis gerais. [...] Estas regras exprimem relações estruturais entre as frases do corpus e o número infinito de frases, geradas pela gramática, para além do corpus. O proble- ma consiste em desenvolver e classificar os critérios para a seleção e de uma gramática correta de cada língua.

São dois tipos de critérios que a gramática terá que satisfazer: adequação às con- dições externas e à condição de generalidade. Em outras palavras, uma teoria geral implica

91. Automato de pilha é análogo ao autômato finito, incluindo uma pilha como memória auxiliar e a facilidade de não- determinismo. A pilha é independente da fita de entrada e não possui limite máximo de tamanho, o que implica uma noção de conjunto infinitamente contável. A facilidade de não-determinismo é importante e necessária, pois aumenta o poder computacional dos autômatos de pilha, permitindo reconhecer exatamente a Classe das Linguagens Livres de Contexto., MENEZES, 2005, p.139-140.

92. Ibid., 2005, p.188.

93. A partir de agora entenderei por língua um conjunto (finito ou infinito) de frases, todas elas de extensão finita e cons- truídas a partir de um conjunto de elementos. CHOMSKY, 1980, p.15.

na aceitação pelo "falante nativo" das frases geradas pela gramática, assim como não ser restrita a uma gramática particular. Enfatiza-se, seja uma gramática particular ou geral,

ambas não recebe uma forma definitiva. Afirma Chomsky95 que

a descoberta de novos fatos sobre línguas particulares ou pontos de vista puramente teóricos quanto à organização de dados lingüísticos – isto é novos modelos da estrutura lingüística – poderá proporcionar o seu pro- gresso ou revisão. A perspectiva adotada por Chomsky é o da avaliação da teoria.

Contudo a perspectiva adotada na pesquisa para a questão da relação entre gra- máticas particulares e geral, ponto fulcral, será a de admitir-se um corpus, propor a partir deste gramáticas particulares, para delas chegar a uma gramática geral e em seguida deve- se verificar a adequação e validade da teoria proposta, assim como se o mecanismo será capaz de prever novos fenômenos.

Idéias de Lindenmayer

Abordagem semelhante à teoria dos autômatos é dada por Aristid Lindenmayer96

aos estudos dos processos de formação na biologia. No início, a teoria constituiu-se como a formalização de processos de desenvolvimento de organismos multicelulares com estru- turas mais simples, , principalmente plantas e organismos que têm estrutura filamentosa. Com ênfase na topologia, nas relações de vizinhança, das células e entre estas e o organis- mo formado, o sistema proposto por Lindenmayer, ou L-system, constituiu-se como uma teoria matemática do desenvolvimento.

O L-system, à semelhança da Gramática Generativa, tem como idéia central a reescrita. No entanto, desta diferencia-se no método de aplicar as regras de produção. Na gramática proposta por Chomsky as produções são aplicadas sucessivamente, enquanto no

L-system as regras podem ser aplicadas em paralelo, o que o torna adequado a uma aborda- gem formal para tratamento dos processos de formação de organismos multicelulares.

95. Ibid., 1980, p.55.

Como linguagem formal, o L-system com zero interação, ou OL-system, insere- se na classe das linguagens livres de contexto e quando sensível ao contexto é designado como IL-system. Incorporando os tipos de L-system ao diagrama de Venn da classificação das linguagens formais proposto na Figura 066, tem-se:

Figura 067. Tipos de linguagens formais e classes de L-system Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir de Prusinkiewicz.

Vale ressaltar ainda que duas características levaram à escolha dos processos de desenvolvimento das plantas como objeto inicial das pesquisas realizadas por Lindenmayer: a simplicidade relativa dos algoritmos de desenvolvimento e a característica de auto-simi- laridade destes. Propriedade definida por Mandelbrot como aquela característica inerente de um objeto em que a parte de sua forma é geometricamente similar ao todo; assim,

ambas – a forma e a sucessão das partes – são definidas como auto-similar97. Este atributo

remete às estratégias de formação que têm base na reescrita. Ainda, segundo Mandelbrot98,

o sistema de reescrita é descrito como algo que começa com uma forma inicial (axioma) e um gerador.

Figura 068. Desenvolvimento do fractal de Koch

Fonte: Diagrama elaborado pelo autor a partir de Prusinkiewicz.

97. MANDELBROT, 1982 apud PRUSINKIEWICZ, 1996, p.V. 98. Ibid., 1982, p.1. Enumerável Recursivamente Sensível ao contexto Livre de contexto Regular OL IL gerador axioma S0 S1 S2

A abordagem proposta considera os aspectos estruturais, as conexões efetivas que se estabelecem entre as partes ao longo do tempo para formar o todo. Desse modo, o cons- tructo elaborado por Chomsky, na lingüística, e posteriormente por Lindenmayer, na bio- logia teórica, propõe-se a um sistema operativo, um mecanismo capaz de gerar formas que considera as espécies de células – alfabeto (Σ) – e segue as regras de formação observada no organismo – a gramática (G) – ou seja, trata-se dos constituintes básicos para criação de uma linguagem. Enfatiza-se ainda que a etapa de expressão gráfica do L-system tem seu desenvolvimento posterior e ganha peso com a inserção da computação gráfica às pesqui- sas dessa natureza.

Visualização

Fundamentado na abordagem adotada por Chomsky para Gramática Generativa e nas idéias e conceitos do L-system, elaborou-se um modelo computacional como teste e verificação inicial para elaboração de um sistema de representação visual dos processos de formação. A proposta inicial do modelo surge a partir da lógica de formação de uma cianobactéria, a Anabaena catenula, formalizada com regras em produções livres de con-

texto99. O processo de desenvolvimento destas cianobactérias, está diretamente relacionado

ao modo como elas se organizam em filamentos. Esses cianobactérias são constituídas por dois tipos de células, uma responsável pela fotossíntese e outra responsável pela fixação

do nitrogênio100. Esta divisão de atividades tem reflexo em sua estrutura. Observou-se que

um dos tipos é uma célula longa L e outra pequena S. Quando S cresce, muda de estado tornando-se L. De L deriva uma pequena e uma grande. Assim as regras de produção são:

p1: S

L p2: S

L p3: L

LS p4: L

SL

99. Efetivamente, fora a princípio formalizada como um DOL-system, um L-system Determinístico Livre de Contexto. Cf. PRUSINKIEWICZ, 2005, p.11-12.

100. A grande maioria das cianobactérias têm a solução para incompatibilidade do oxigênio e a ensima de fixação do ni- trogênio da atmosfera (nitrogenase) no tempo, ou seja, ao longo do dia realizam fotossíntese e à noite fixam o nitrogênio. A Anabaena catenula, por outro lado, desenvolveu uma solução diferente. Através da diferenciação celular é possível processar as duas tarefas simultaneamente, fotossíntese e fixação do nitrogênio. Ibid., 2005, p.10-11.

→ → ← ← → →← ← ←→

O axioma, a palavra de início do processo, é definido por ω. O alfabeto defini-se

como o conjunto de todas as células Σ ={L, L, S, S} e P={p1, p2, p3, p4} é o conjunto de

regras de produção. A aplicação das regras sobre o alfabeto gera organismos segundo a gramática de desenvolvimento G = (ω, Σ, P). Como exemplo adotar-se-á ω = L

O L-system surge como uma teoria desenvolvida com base na topologia, em vista