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Reduced MPC problem in terms of u k

4.2 Constant future controls

4.2.1 Reduced MPC problem in terms of u k

Frodeman em Geological reasoning: Geology as an interpretive and historical

science (1995) refere que se assume, muitas vezes, que o raciocínio geológico consiste

apenas num conjunto de regras de ouro, ou, como dito em inglês, “thumb rules”. No entanto, o raciocínio geológico é bem mais complexo. Como defendido por Frodeman

(1995) o raciocínio geológico consiste na combinação de vários procedimentos lógicos. A Geologia é, provavelmente, a área científica que mais se distingue entre as ciências (Simpson, 1963), sendo que do raciocínio fazem parte duas características que justificam a sua distinção entre os outros tipos de raciocínio científico: (1) a sua natureza hermenêutica (interpretativa) (Frodeman, 1995) e (2) o facto de a geologia ser uma ciência histórica (Simpson, 1963) (Frodeman, 1995). Ainda assim, muitos profissionais da área, inclusive professores, têm tendência a encarar a geologia como uma ciência essencialmente física e não histórica (Dodick & Orion, 2003).

O carácter hermenêutico ou interpretativo do raciocínio próprio da Geologia diz respeito à não objetividade fornecida pelas observações em campo; isto é, quando nos encontramos no campo a informação não nos é diretamente fornecida, temos de fazer uma interpretação daquilo que observamos (Frodeman, 1995) (Dodick & Orion, 2003). Para além disso, a forma como encaramos o objeto ou estrutura observada é sempre moldada pelas expetativas, valores e competências do observador. O observador atribui diferente importância a vários aspetos de um afloramento, julgando quais as características ou padrões da rocha que são ou não significantes, consoante o seu backround (Frodeman, 1995). Existem três conceitos básicos da hermenêutica que assumem um papel fundamental no processo de interpretação característico do raciocínio geológico: o raciocínio circular, o prejulgamento e a natureza histórica da compreensão humana (Frodeman, 1995).

O raciocínio circular é característico de situações onde para interpretarmos um todo temos de compreender a parte e, ao mesmo tempo, para interpretarmos a parte, temos de compreender o todo (Frodeman, 1995). Isto é, em Geologia, para interpretarmos um determinado estrato temos de compreender o afloramento no seu todo e a região em que este se insere, e, para interpretarmos um afloramento e a região, temos de compreender os vários estratos em particular (Frodeman, 1995), tal como exposto por Loudon (2003) em Geological reasoning: making sense of making sense:

“Em cada fase do raciocínio, os geocientistas devem examinar atentamente todos os aspetos relevantes do que sabem até então, imaginando uma situação inteira/completa e pensando como as ideias se podem encaixar. A análise de itens isoladamente não proporciona uma compreensão completa, pois o seu significado pode depender do seu lugar, papel e função no sistema como um

todo.”

Do prejulgamento fazem parte outras 3 características: (1) as preconceções (estas incluem a nossa definição inicial do objeto ou estrutura a ser investigada e os critérios que usamos para identificar e determinar a relevância de determinada característica ou padrão), (2) a previsão (aqui inclui-se a ideia que temos do que esperamos obter ou concluir) e, por fim, (3) o fore-having (este conceito diz respeito ao conjunto de práticas que temos antecipadamente, como instrumentos e habilidades culturalmente adquiridos) (Frodeman, 1995).

A natureza histórica da compreensão humana é de facto bastante simples, sendo que diz respeito ao facto de os nossos prejulgamentos terem um efeito durador, ou seja, acompanham-nos sempre e mudá-los ou coloca-los de parte não faz parte da natureza humana. Podendo, deste modo, influenciar o nosso processo de raciocínio. Sendo assim, “a forma como o (…) afloramento é compreendido é sempre função da maneira como sobre ele nos projetamos, com o conjunto de instrumentos disponíveis, mas também com os conceitos, expectativas e valores que connosco transportamos.” (Marques & Praia, 2009, p. 15)

Uma ciência histórica é, segundo Frodeman (1995) definida “pelo papel que a explicação histórica toma no seu trabalho” (p. 964). Ora, em Geologia o objetivo fundamental não é, tal como acontece na química ou na física, a busca e determinação de uma regra fundamental, mas antes fazer uma crónica dos eventos particulares que ocorreram num determinado local, recorrendo, para tal, a um raciocínio por analogia, a método de hipóteses e a indução eliminativa (Frodeman, 1995). Este tipo de raciocínio apresenta-se de extrema dificuldade uma vez que as entidades históricas não permanecem inalteradas ao longo do tempo. (Frodeman, 1995), como é o caso das formações geológicas. A Geologia torna-se única na medida em que os seus objetos de estudo estão em constante transformação, apresentando uma morfologia diferente daquela que apresentou no passado (Simpson, 1963). Sendo assim, no processo de raciocínio elaborado para a interpretação de um objeto de estudo geológico, temos de olhar para os processos que ocorreram no passado e tentar compreender o(s) processo(s) que deram origem ao que observamos (Loudon, 2003). Tal como afirma Simpson (1963), “os processos mais frequentes em ciências históricas não são baseados na observação de ocorrências de eventos causais, mas sim na observação dos resultados. A partir desses resultados é feita uma tentativa de inferir as causas prévias.”

(p. 45).

No entanto, é importante lembrar que o raciocínio geológico também envolve a descrição daquilo que é observado diretamente, podendo, por isso, ser considerado não-histórico pois implica apenas uma descrição do presente. De facto, caso esta descrição das propriedades atuais fosse de natureza histórica, tornar-se-ia impossível a interpretação de qualquer objeto de estudo em Geologia (Simpson, 1963).

Olhando para todas as características acima referidas acerca do raciocínio geológico, é possível notar que o processo a ele inerente poderá ser comparado ao raciocínio que tomamos em diversas situações da nossa vida:

Na nossa vida somos forçados a preencher as lacunas do nosso conhecimento com interpretações e suposições sensatas que esperamos que sejam subsequentemente confirmadas. Assim, a filosofia da hermenêutica e da ciência histórica reflete bem as incertezas e complexidades das nossas vidas.

(Frodeman, 1995, p. 966)